A GLÓRIA DA NOVA ALIANÇA
Leitura Bíblica: 2Corintios 3:1-18
“Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é
em glória o que permanece” (2Co 3:11)
A Nova Aliança em Cristo representa o ápice da
revelação de Deus e a suprema expressão da sua graça para com a humanidade. No
texto de 2 Coríntios 3:1-18, o apóstolo Paulo faz um contraste profundo
entre o ministério da Antiga Aliança (a Lei dada a Moisés no Sinai) e o
ministério da Nova Aliança (a graça no Espírito Santo), destacando a
incomparável superioridade e glória desta última.
1. O Contraste entre as Alianças: Letra vs.
Espírito
Paulo começa comparando a natureza de ambas as dispensações:
- A
Antiga Aliança (A Lei): Foi gravada em tábuas de
pedra e descrita como o "ministério da morte" e da
"condenação". Embora tenha sido inaugurada com glória visível —
a ponto de o rosto de Moisés brilhar e os israelitas não poderem fitá-lo
—, era um sistema transitório (2Co 3:7-11). A Lei apontava o pecado
e exigia obediência, mas não dava ao ser humano a capacidade espiritual de
cumpri-la; por isso, trazia condenação.
- A
Nova Aliança (A Graça): É gravada nas tábuas de
carne dos corações e é chamada de o "ministério do Espírito"
e da "justiça" (2Co 3:3, 8). Ela não opera por imposição externa
de regras escritas (a letra que mata), mas pela transformação interior
operada pelo Espírito Santo, que vivifica e capacita o crente.
2. A Glória Permanente da Nova Aliança
O versículo central citado resume o argumento de Paulo:
“Porque, se o que era transitório
foi para glória, muito mais é em glória o que permanece” (2Co
3:11).
Enquanto a glória no rosto de Moisés desvanecia gradualmente,
a glória da Nova Aliança é permanente e crescente. Ela não se baseia em
rituais externos ou em ordenanças temporárias, mas na obra consumada de Cristo
na cruz, que inaugurou um relacionamento eterno, direto e inabalável entre Deus
e o homem.
3. A Remoção do Véu e a Liberdade Espiritual
Paulo usa a imagem histórica do véu que Moisés punha sobre o
rosto para ilustrar a condição espiritual daqueles que ainda confiam na Lei:
- Sob
o véu: Quando os judeus leem o Antigo Testamento
sem Cristo, um véu espiritual permanece sobre seus corações, impedindo-os
de ver o verdadeiro sentido da Palavra (2Co 3:14-15).
- Em
Cristo: Quando alguém se converte ao Senhor, o
véu é tirado (2Co 3:16). Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade
(2Co 3:17). Os crentes agora têm acesso livre e desimpedido à presença de
Deus, contemplando a Sua glória sem barreiras.
4. A Transformação Progressiva: De Glória em
Glória
O resultado prático da Nova Aliança na vida do cristão é a
santificação contínua:
“E todos nós, com o rosto
desvendado, contemplando, como em espelho, a glória do Senhor, somos
transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Senhor, o
Espírito” (2Co 3:18).
- Contemplar:
Olhamos para Cristo e para a Sua obra redentora como em um espelho claro.
- Transformar: O
Espírito Santo opera uma metamorfose interna contínua (metamorphoo),
moldando o caráter do crente à imagem e semelhança de Jesus Cristo.
- Crescimento:
Essa transformação não acontece de uma só vez, mas é um processo
progressivo — de glória em glória.
Reflexão:
A Glória da Nova Aliança nos convida a abandonar qualquer
tentativa de aproximação de Deus baseada em méritos próprios ou no cumprimento
legalista de regras. Ela nos chama a viver plenamente na dependência do Espírito
Santo, desfrutando da liberdade, da certeza da salvação e do privilégio de
refletir o caráter de Cristo neste mundo.
INTRODUÇÃO
No texto bíblico deste estudo,
Paulo mostra aos coríntios a diferença da aliança feita entre Deus e a nação de
Israel, dada por Moisés, e a aliança trazida pelo Senhor Jesus Cristo, onde o
Santo Espírito atua no coração do ser humano. Em cada aliança existem
responsabilidades e direitos, mas a Nova Aliança é em tudo superior a primeira.
Foi Deus quem tomou a iniciativa de fazer as alianças, a antiga e a nova: a
Antiga no Sinai e a Nova em Sião. A Antiga Aliança é a tentativa de o homem
fazer o seu melhor para agradar a Deus, mas a Nova Aliança é Deus fazendo tudo
por nós. A Antiga Aliança foi entregue aos israelitas por intermédio de Moisés;
a Nova Aliança foi entregue a humanidade mediante a pessoa de Jesus Cristo. A
Antiga Aliança é a aliança da lei; a Nova Aliança é a aliança da graça. A
Antiga Aliança tinha em seu conteúdo a sentença de morte sobre o culpado; a
Nova Aliança tem em seu conteúdo a justificação e a salvação do culpado. A
Antiga Aliança revelou o ministério da morte; a Nova Aliança revelou o
ministério da vida e da graça. Paulo nos ensina que a Antiga Aliança nunca foi
um caminho para a salvação, pois Deus já havia predito uma Nova Aliança com
Israel. Somente a Nova Aliança é capaz de oferecer perdão e um novo coração. A
Nova Aliança não estaria registrada em pedras, mas gravada nos corações de
judeus e gentios que creem em Cristo como Senhor e Salvador. A aliança pode ser
rejeitada ou aceita por quem a ouve, mas nunca alterada. A humanidade pode
aceitar Jesus ou rejeitá-lo, mas nunca poderá alterar ou colocar como válida
outra forma de ser salva de seus pecados.
I – PAULO JUSTIFICA SUA AUTORECOMENDAÇÃO (3:1,2)
Antes de estudarmos a distinção entre as duas alianças destacaremos neste
primeiro tópico a continuação da defesa de Paulo diante dos ataques dos falsos
apóstolos. Eles acusavam Paulo de ser um impostor. Diziam que ele não era um
apóstolo legitimo. Ao mesmo tempo, para acicatar Paulo, esses obreiros
ostentavam diante da igreja de Corinto, cartas de recomendação, enquanto Paulo
não as portava.
Os três primeiros versículos do capítulo três são versículos de transição e
constituem uma ponte entre a última parte do capítulo dois, que estudamos na
aula anterior, e o restante do capítulo três. Eles apresentam a defesa que
Paulo faz do seu ministério apostólico; ou seja, dele mesmo, do seu trabalho e
da sua mensagem. A Apostolicidade de Paulo, sua integridade, suas cartas, suas
palavras e conduta estavam em jogo. É diante dessa situação que Paulo mais uma
vez apresenta sua defesa. Ele diz: Porventura, começamos outra vez a
recomendar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de
recomendação para vós ou de recomendação de vós? Vós sois a nossa carta,
escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, porque já é
manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com
tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas
de carne do coração.
1. A recomendação requerida (3:1). Paulo inicia o capítulo
três com uma pergunta: Porventura, começamos outra vez a recomendar-nos a nós
mesmos? As palavras “outra vez” não sugerem que ele se havia recomendado em
alguma ocasião anterior. Indicam apenas que ele havia sido acusado de fazê-lo
e, agora, antevê a repetição dessa acusação. Paulo pergunta novamente: Ou
necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós ou de
recomendação de vós? Para certos comentaristas, a palavra alguns é uma
referência aos falsos apóstolos de 2:17 que chegaram a Corinto com cartas de
recomendação, talvez de Jerusalém. É possível, ainda, que ao deixar Corinto,
eles tenham levado cartas de recomendação daquela igreja.
Na igreja primitiva, era comum cristãos que viajavam de um lugar para outro
levar cartas desse tipo. O apóstolo não desestimula tal prática, mas afirmar
com certa sutileza que a única coisa que esses falsos apóstolos possuíam para recomendá-los
eram as cartas que levavam consigo. Se não fosse por elas, não teriam nenhuma
credencial para apresentar. Os crentes para quem Paulo e seus companheiros
pregavam já eram como uma carta de recomendação. Uma vida transformada pelo
evangelho é um argumento irresistível, irrefutável e irrevogável em favor da
verdade. A vida transformada dos crentes de Corinto era a carta de recomendação
de Paulo (1Co 6:9-11).
2. Paulo defende sua auto recomendação. Os judaizantes que foram
a Corinto questionaram a autoridade apostólica de Paulo. Negaram que ele era,
verdadeiramente, um servo de Cristo. Talvez tenham gerado dúvidas entre os
coríntios a fim de que estes exigissem uma carta de recomendação do apóstolo
Paulo da próxima vez que ele fosse visitá-los. Paulo pergunta se precisará de
tal carta. Acaso não tinha ido a Corinto quando ainda eram idólatras pagãos?
Não os havia levado a Cristo? O Senhor não havia colocado seu selo sobre o
ministério do apóstolo dando-lhe almas preciosas em Corinto? Eis a resposta: os
próprios coríntios eram a carta de Paulo, escrita em seu coração, mas conhecida
e lida por todos os homens. Nesse caso, não havia necessidade de uma carta
escrita com pena e tinta. Os coríntios eram fruto do ministério de Paulo e
objeto de sua afeição. Além disso, eram conhecidos e lidos por todos os homens,
ou seja, sua conversão se tornara conhecida em toda a região. Quem via os
cristãos de Corinto podia perceber que sua vida tinha sido transformada, que
eles haviam deixado os ídolos e se voltado para Deus, e que estavam vivendo de
forma separada. Comprovavam, portanto, o ministério divinamente autorizado de
Paulo, logo desnecessário seria qualquer tipo de recomendação por escrito.
3. A mútua e melhor recomendação (3:1). Necessitamos, como
alguns, de cartas de recomendação para vós ou de recomendação de vós? Neste
questionamento, Paulo apela para uma reciprocidade que havia entre ele e a
igreja, a qual dispensava a recomendação de Jerusalém requerida por alguns
opositores do seu ministério, uma vez que ele o havia desenvolvido entre os coríntios.
Nem os coríntios precisavam de recomendação escrita, porque dizia: “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações,
conhecida e lida por todos os homens”.
O mundo nem sempre lê as Escrituras, mas ele está sempre nos lendo. Somos uma
carta aberta diante dos holofotes do mundo. Nossa vida é um outdoor de Deus
estampado diante dos olhos do mundo. Somos como uma cidade iluminada no alto de
um monte. Nossa vida é uma espécie de megafone de Deus aos ouvidos da história.
Cada cristão é uma propaganda de Cristo. Nós somos o quinto evangelho lido pelo
mundo. Cada crente é uma espécie de tradução do Evangelho.
Enquanto as cartas de recomendação usadas pelos inimigos de Paulo eram escritas
com tinta, a epístola de Paulo era escrita pelo Espírito de Deus vivo e,
portanto, era de natureza divina. A tinta pode desbotar, ser apagada e
destruída, mas aquilo que o Espírito de Deus escreve no coração humano é
eterno.
Com estes termos, Paulo afirma que a recomendação do seu ministério é
simplesmente o caráter evidente dos próprios coríntios. Eles são como uma carta
escrita pelo próprio Cristo, tendo Paulo como o escriba ou mensageiro.
II – A CONFIANÇA DA NOVA ALIANÇA (3:4-11)
1. A suficiência que vem de Deus. No estudo do tópico anterior,
percebemos que Paulo fala com bastante segurança sobre seu apostolado e sobre o
ministério do qual o Senhor o havia incumbido. Desta feita, podemos perguntar: “Como o apóstolo ousa falar de tais coisas com tanta
convicção? A resposta está no versículo 4: “E é por Cristo que temos tal
confiança em Deus”. A defesa do apostolado pode dar a impressão de que
Paulo estava louvando a si mesmo, mas aqui ele nega que seja esse o caso.
Declara que sua certeza é por intermédio de Cristo, ou seja, é uma confiança
que não sucumbe sob o exame minucioso divino. Paulo não deposita nenhuma
confiança em si mesmo nem em suas aptidões, mas por intermédio de Cristo, e na
obra que Cristo havia realizado na vida dos coríntios, encontra a comprovação
da realidade de seu ministério. A notável mudança ocorrida na vida dos coríntios
recomendava o apóstolo.
Depois de tratar das suas próprias credenciais e qualificações ministeriais,
Paulo dá início ao relato do ministério propriamente dito. Ele mostra nos
versículos seguintes que a Nova Aliança (o evangelho) é superior a Antiga Aliança
(a lei); e mais confiante. Seus críticos mordazes em Corinto eram judaizantes
e, portanto, procuravam misturar a lei com a graça. Ensinavam aos cristãos que
eles deviam observar determinadas partes da lei de Moisés a fim de serem
plenamente aceitos por Deus. Tendo essa situação em
mente, o apóstolo demonstra em seguida como a Nova Aliança é superior à Antiga,
porque veio mediante a pessoa de Jesus Cristo, que consumou todas as coisas da
Antiga Aliança, em um único ato sacrifical (Hb 7:27; 12:24; 1Pe 1:2).
2. A distinção entre as duas alianças (3:6). Está escrito em Hb
8:8, 9: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e com a
casa de Judá estabelecerei uma Nova Aliança (ou novo concerto), não segundo a
Aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar
da terra do Egito. Podemos dizer que a Nova Aliança nos apresenta aspectos bem
diferentes da Antiga Aliança.
A Antiga Aliança era o código legal que havia sido transmitido por Deus a
Moisés. Nela, as bênçãos eram condicionadas pela obediência. Era uma aliança de
obras. Nesse acordo entre Deus e a humanidade, se o ser humano fizesse a sua
parte, Deus faria a parte dele. Uma vez que dependia do ser humano, porém, essa
aliança não tinha poder de produzir justiça.
A Nova Aliança é o evangelho. Nela, Deus assume o compromisso de abençoar a
humanidade pela graça e por intermédio da redenção em Cristo Jesus. Todos os
aspectos da Nova Aliança dependem de Deus, e não do ser humano. Logo, a Nova
Aliança tem poder de realizar aquilo que era impossível à Antiga Aliança.
Como foi dito, a Antiga era uma Aliança de obras. Era material. Era externo. A
sua materialidade foi mostrada através de leis e preceitos escritos e que
precisavam ser cumpridos à risca, se o povo quisesse ser abençoado por Deus. A
não observância de tais preceitos conduziria a nação, e, consequentemente, o
cidadão individual às maldições transcritas pela lei. A lei era
"seca". Obedecendo, o homem era feliz; desobedecendo caia em
desgraça! Porém, como sabemos, o povo de Deus não cumpriu a sua parte, até
mesmo devido a intransigência da própria lei, incapaz de ser observado pelo
homem pecador. A lei em si mesmo era santa, proclamada por um Deus Santo, mas
não podia ser guardada, observada pelo homem pecador. Se a justificação do
pecador era possível somente ao guardar os preceitos legais, isto se tornou impossível,
pois o homem não cumpriu a sua parte em razão de sua natureza pecaminosa
herdada de Adão. O mero ouvir dos preceitos legais não poderia levar o homem a
qualquer lugar, mas sim a uma postura de obediência irrestrita aos mandamentos
escritos - "Porque os simples ouvidores da lei
não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser
justificados"(Rm 2.13).
Já na Nova Aliança, a lei foi escrita não em tábuas de pedra, mas nos corações
daqueles que o aceitaram, mediante o lavar regenerador do sangue do Cordeiro.
Estas condições foram anunciadas por Deus através de seus profetas: Jeremias
(Jr 31.33-34); (Ez 36.26-27).
Portanto, a Nova Aliança é melhor do que a Antiga(cf Rm 7) porque perdoa
totalmente os pecados dos que se arrependem(Rm 8:12), transforma-os em filhos
de Deus(Rm 8:15,16), dá-lhes novo coração e nova natureza para que possam,
espontaneamente, amar e obedecer a Deus(Hb 8:10), os conduz a um estreito
relacionamento pessoal com Jesus Cristo e o Pai(Hb 8:11) e provê uma
experiência maior em relação ao Espírito Santo(Rm 8:14,15,26).
3. A ‘letra” que mata(3:6) – “o qual nos fez também capazes
de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a
letra mata, e o Espírito vivifica”. A interpretação mais comum para essa
declaração é: Se tomarmos apenas as palavras explícitas e literais das
Escrituras e procurarmos obedecer-lhes literalmente sem o desejo de ser
obedientes ao espírito da passagem, tais palavras nos farão mal, e não bem. Os
fariseus são um exemplo disso. Eram dizimistas extremamente meticulosos, mas
não demonstravam misericórdia e amor para com os outros (Mt 23:23). Aqui neste
versículo, a letra diz respeito à lei de Moisés, e o espírito, ao Evangelho da
graça de Deus. Ao afirmar que a letra mata, Paulo se refere ao ministério da
lei. A lei condena todos aqueles que não guardam seus preceitos sagrados. “Pela
lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3:20). “Todos
quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está
escrito: maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no
livro da lei, para praticá-las” (Gl 3:10). Deus jamais teve a intenção
de usar a lei como meio de dar vida. Antes, ela foi criada para trazer
conhecimento e convicção do pecado. Aqui, Novo Testamento (ou Nova Aliança) é
chamada de espírito. Representa o cumprimento espiritual dos tipos e sombras da
Antiga Aliança. O Evangelho realiza aquilo que a lei exigia, mas não tinha
poder de produzir.
III – A GLÓRIA DA NOVA ALIANÇA (3:7-18)
Durante a peregrinação de Israel
no deserto, Moisés mantinha contato regular com o Senhor, na tenda da
congregação. Sempre que Moisés entrava para falar com o Senhor, sua face
começava a brilhar, refletindo a glória da presença de Deus. Quando ele saía, tinha
que cobrir seu rosto para que o povo não cegasse com o fulgor. O brilho
começava a desvanecer gradativamente, mas os israelitas não o percebiam por
causa do véu que Moisés usava. Quando ele retornava à tenda da congregação, sua
face começava a luzir, novamente, com a glória do Senhor. Este evento
histórico, registrado em Êxodo 34:33-35, é a base para os comentários de Paulo
em 2 Coríntios 3:7-18.
1. A superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga Aliança (3:7-12). A
Antiga Aliança é chamada de ministério da morte, gravado com letras em pedras.
Trata-se, sem dúvida, de uma referência aos Dez Mandamentos, os quais ameaçavam
de morte quem não os guardasse (Ex 19:13). Paulo não diz que não houve glória
na entrega da lei. Sem dúvida, quando Deus entregou os Dez Mandamentos a Moisés
no Monte Sinai, houve manifestações momentosas da presença e do poder divino (Ex
19). Na verdade, depois que Moisés passou algum tempo com Deus, seu rosto
começou a brilhar, refletindo o esplendor de Deus. Assim, os filhos de Israel
não puderam fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto. O
resplendor era intenso demais para ser fitado continuamente. Em seguida, porém,
Paulo acrescenta um comentário importante: a glória da face de Moisés era
desvanecente. Isso significa que tal resplendor não era permanente, mas apenas
uma glória passageira. Em termos espirituais, a glória da antiga aliança também
era temporária. A lei possuía a função claramente definida de revelar o pecado.
Era gloriosa pelo fato de constituir uma demonstração das exigências santa de
Deus. No entanto, foi dada apenas até o tempo de Cristo, pois ele é o
cumprimento da Lei para justiça de todo aquele que crê (Rm 10:4). Era uma
sombra, enquanto Cristo é a substância. Era uma imagem de coisas melhores por
vir que se concretizaram no Salvador do mundo.
A nova aliança é superior também porque ela ainda permanece, enquanto a glória
da antiga aliança desvaneceu. Essa superioridade é bastante notável: “Porque também o que foi glorificado, nesta parte, não
foi glorificado, por causa desta excelente glória” (3:10). Embora, em
certo sentido, a lei tenha sido glorificada, quando comparada com a Nova
Aliança a lei não resplandece. O versículo expressa uma forte comparação e
afirma que, se as duas alianças forem colocadas lado a lado, o brilho de uma
excederá em muito o da outra, ou seja, a Nova Aliança sobrepujará a antiga. A
glória superabundante da Nova Aliança faz, de certo modo, a Antiga parecer não
ter glória nenhuma. Quando o sol brilha com toda a sua força, não há nenhuma
outra glória no céu. Assim como a lua e as estrelas desvanecem quando o sol se
levanta, assim a glória da Antiga Aliança empalideceu quando a Nova Aliança
raiou em Cristo. Uma vez que sua glória foi suplantada, a Antiga Aliança não é
mais nossa lei.
2. A glória com rostos desvendados (3:13-16,18). Este texto
destaca comparações e contrastes entre nós e Moisés. Na Antiga Aliança, somente
Moisés teve permissão de ver a glória do Senhor. Na Nova Aliança, todos nós
temos o privilégio de contemplar a glória do Senhor. Depois de falar com o
povo, Moisés teve de cobrir o rosto com um véu, mas nós podemos ter o rosto
desvendado. Como Moisés, nosso rosto é transformado e começa a luzir com a
glória do Senhor. Isto não é físico, em nosso caso, mas representa a radiante
transformação espiritual que experimentamos. Cada cristão, em certo sentido,
repete as experiências de Moisés.
Todo cristão hoje contempla o Senhor. Nos dias do Sinai, somente Moisés viu-o.
O povo, por causa da culpa do pecado, era incapaz de contemplar o Senhor, ou de
ver o resplendor da face de Moisés. Agora que a culpa dos pecados do cristão
foi perdoada por Cristo, ele pode contemplar a glória de Deus na face de Cristo
(4:6) e ansiosamente antever a contemplação final da glória do Senhor no céu
(João 17:24).
Diferente de Moisés, nosso rosto não deve ser vendado. A luz de Cristo dentro
de nós não deve ficar escondida; antes, outros devem ver a glória do Senhor
refletida em nossa 'face', em nosso caráter. Somos diferentes de Moisés no fato
que a glória de Moisés desvaneceu, e a nossa deve intensificar "de glória
em glória".
3. A liberdade do Espírito e a nossa permanente transformação (3:17,18). Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós, o rosto desvendado, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.
A liberdade do Espírito - “[...] onde está o Espírito do Senhor, aí há
liberdade[...]”. A liberdade que vem de Cristo é, acima de tudo, libertação da
condenação e escravidão do pecado (Rm 6:6-14) e do domínio total de Satanás (Cl
1:13). A liberdade proporcionada por Cristo não é uma liberdade para o crente
fazer o que quer, mas para fazer o que deve (Rm 6: 18-23). A liberdade
espiritual nunca deve ser usada como justificativa para conflitos (Tg 4:1,2;
1Pe 2:16-25). A liberdade cristã deixa o crente livre para servir a Deus (1Ts
1:9) e ao próximo (1Co 9:19). Agora somos servos de Cristo, vivendo para
agradar a Deus, pela graça (Rm 5:21; 6:10-13).
“[...], Mas todos nós, o rosto desvendado,
refletindo, como um espelho, a glória do Senhor[...]”. O espelho é a
Palavra de Deus. Na Bíblia, encontramos o Senhor revelado em todo o seu esplendor.
Ainda não o vemos face a face, mas apenas espelhado na Palavra. Observe que é
glória do Senhor o que contemplamos. Paulo não está enfatizando a beleza moral
de Jesus como homem aqui na Terra, mas sua glória presente como Filho exaltado
à destra do Pai.
A nossa permanente transformação – “somos transformados de glória em glória”.
Na Antiga Aliança, colhemos escravidão, morte e condenação, mas na Nova Aliança
somos convertidos, libertos e transformados progressivamente na imagem de
Cristo. O véu é retirado do coração não apenas no ato da conversão, mas o
processo da santificação é um contínuo remover de máscaras.
Deus não apenas nos destinou para a glória, mas está empenhado em nos
transformar à imagem do Rei da glória (Rm 8:29). O projeto eterno de Deus é nos
transformar à imagem de Cristo e esculpir em nós o caráter de Cristo. O plano
de Deus é que aqueles que foram convertidos a Cristo e foram libertos pelo
Espírito Santo alcancem o pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita
varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4:13). A
transformação na imagem do Senhor não acontece num certo ponto do tempo, mas
trata-se de um processo contínuo. O termo de glória em glória enfatiza sua
natureza progressiva.
Sob a Antiga Aliança, somente Moisés subiu ao monte e teve comunhão com Deus,
mas sob a Nova Aliança todos os cristãos têm o privilégio de desfrutar a
comunhão com o Senhor. Por meio de Cristo, podemos entrar no Santo dos Santos (Hb
10:19,20); e não precisamos escalar montanha.
CONCLUSÃO
A Nova Aliança, ao contrário da Antiga Aliança, é eterna. O Senhor disse: “Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua” (Ez 37.26). Depois de servir ao seu propósito, o pacto mosaico tornou-se sem efeito. As palavras “velho” e “envelheceu” em Hebreus 8.13, mostram que o pacto mosaico, ou seja, a Antiga Aliança, estava esgotado, perdendo as forças e prestes a ser dissolvido. Através de Sua morte, Cristo tornou-se o Mediador da Nova Aliança, e possibilitou a reconciliação de todos aqueles que confiam em Sua obra redentora. Glórias a Deus!



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