A RESTAURAÇÃO NO VALE DE OSSOS
SECOS
Texto Bíblicos: Ezequiel 37.1-14
“Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito,
e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor
deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam
sequíssimos”.
O Cenário do Vale e o Diagnóstico Divino
O relato inicia-se com o profeta
Ezequiel sendo conduzido pelo Espírito do Senhor até o meio de um vale
extensamente coberto por restos mortais.
Ao ser levado a caminhar ao redor
daquele cenário, o profeta observa duas características marcantes:
- A quantidade: Os
ossos eram extremamente numerosos, cobrindo toda a extensão do vale.
- A condição: Eles estavam
totalmente ressecados, evidenciando que a morte havia ocorrido há muito
tempo e que qualquer vestígio de vida biológica ou esperança humana havia
se extinto por completo.
Deus questiona o profeta sobre a
possibilidade de haver vida naquela estrutura desolada. Ao responder que apenas
o Senhor o sabia, Ezequiel reconhece a limitação humana e submete o impossível
à soberania divina.
As Duas Etapas da Restauração
Profética
A reconstrução descrita no texto
não ocorre de maneira instantânea, mas segue uma sequência ordenada em duas
fases distintas:
1. A Reorganização da Estrutura
Física
Ordenado a profetizar sobre os
ossos secos, Ezequiel proclama a promessa de reconstituição. Conforme a palavra
é anunciada, ouve-se um ruído e um grande estrondo:
- Os ossos começam a se juntar, cada um ao seu
respectivo lugar.
- Tendões e carne surgem sobre a ossada.
- A pele os cobre completamente por cima.
Nesta primeira fase, a estrutura
física é perfeitamente restaurada e organizada, porém os corpos permanecem
inanimados.
2. A Vivificação pelo Sopro (Ruach)
Em seguida, o profeta recebe a
ordem de profetizar ao vento (ou espírito/sopro), convocando-o dos quatro
ventos para soprar sobre aqueles mortos.
- Ao profetizar como lhe fora ordenado, o
fôlego entra nos corpos.
- Todos ganham vida e se colocam em pé,
formando um exército numeroso e extraordinário.
Significado e Interpretação do
Relato
A própria passagem traz a
explicação do significado da visão nos versículos 11 a 14:
- A Condição de Israel: O
vale de ossos secos representava a casa de Israel no exílio babilônico,
desesperançada e sentindo-se totalmente "cortada" e consumida
pela perda de sua terra, do templo e de sua identidade nacional.
- A Promessa de Retorno: A
abertura das sepulturas e o erguimento dos corpos simbolizam a restauração
nacional e espiritual. Deus promete trazer o povo de volta à sua própria
terra e habitar neles através do Seu Espírito.
- A Revelação da Soberania: O propósito final da restauração é pedagógico e
espiritual: demonstrar ao povo que o Senhor é quem fala e cumpre Suas
promessas.
INTRODUÇÃO
Neste Estudo falaremos da “restauração nacional e espiritual de Israel”,
à luz do capítulo 37 do Livro de Ezequiel, que trata do vale de ossos secos. O
vale de ossos secos é uma mensagem de esperança. Em uma visão, Deus
levou o profeta Ezequiel para um vale cheio de ossos humanos. Os ossos tinham
estado lá há muito tempo e estavam muito secos. Deus perguntou a Ezequiel se os
ossos poderiam voltar a ter vida, mas Ezequiel não sabia a resposta (Ez.37:2,3).
Cremos que a Igreja, no aspecto espiritual, sucedeu a Israel durante a presente
era da Igreja, entretanto, Deus tem uma época futura em que Ele restaurará o
Israel em sua completude para a administração de bênçãos divina ao mundo.
Jeremias declara que Israel jamais deixará “de ser uma nação” (Jr.31:35-37), e
a linguagem metafórica do vale de ossos secos contempla uma restauração
completa – política e espiritual. O retorno de Israel aos termos originais de
sua Terra Prometida e sua independência em 16 de maio de 1948 é um forte
indício do cumprimento da profecia de Ezequiel. A Oliveira já está frondosa, só
falta agora dá seus frutos. Paulo, em apenas um sermão, refere-se três vezes a
Israel como uma entidade ininterrupta (Atos 13:17,23,24). Portanto, a falaciosa
teologia da substituição – que ensina que a igreja substituiu Israel - não tem
nenhuma sustentação bíblica.
I. SOBRE O SIGNIFICADO DO VALE DE
OSSOS SECOS
1. Os ossos secos (Ez.37:1,2)
“Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito,
e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor
deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam
sequíssimos”.
Veja que neste texto Ezequiel tem
uma visão dos ossos secos de Israel e Judá em um vale. Ezequiel recebe ordem de
profetizar a esses ossos para que voltem à vida; é uma visão profética que
anuncia, de antemão, a restauração nacional de Israel depois de muitos séculos
de dispersão entre nações, seguida pela restauração espiritual. Com realismo e
força dramática, o profeta apresenta, por meio de uma imagem espantosa, a
notícia animadora de que Israel poderia ter esperança de viver. O reavivamento
era possível, a despeito da lógica humana pregar que isto seria impossível.
Porém, Deus para realizar sua obra não precisa da lógica humana. Até mesmo
ossos secos, desprovidos de tendões, carne e sangue, podem voltar à existência
pelo poder do Espírito de Deus vivificador. A mesma verdade maravilhosa ainda é
necessária em um mundo no qual há ossos secos por toda parte. Precisamos que o
Espírito Santo venha com seu poder vivificador para realizar um reavivamento
genuíno em toda a terra.
2. O Significado
“Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito,
e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor
deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam
sequíssimos”.
Nas palavras do pr. Esequias
Soares, em seu livro” A justiça divina: preparação do povo de Deus para os
últimos dias no Livro de Ezequiel”, há muitas especulações sobre o local do
vale e a procedência dos ossos, isso partindo do princípio de que se trata de
um local geográfico. A linguagem, às vezes, pode parecer uma presença física no
vale, in corpore, isto é, no corpo, como a expressão “me fez andar ao
redor deles”, ou seja, dos ossos. Ezequiel via em sua visão na superfície do
vale uma grande quantidade de ossos, que eram muito numerosos e sequíssimos.
Isto revela que essa ossada humana tinha estado ali durante muitos anos, ou
talvez séculos; do contrário, esses ossos não estariam “sequíssimos”.
É verdade que Moisés anunciou a
possibilidade de Israel experimentar o castigo “post mortem” como forma de
execrar a memória dos que violassem o concerto do Sinai (Dt.28:36). Jeremias
anunciou o castigo em razão dos cadáveres que não foram sepultados, mas
lançados num vale, de modo que os animais e as aves de rapina se alimentariam
deles (Jr.7:33; 34:20). Mas os livros históricos do Antigo Testamento não
registram nenhuma cena semelhante, um vale com tão grande número de ossos,
exceto o lugar que o rei Josias encheu “com ossos humanos” em Jerusalém
(2Rs.23:14). O importante é saber o significado dessa visão; se foi uma
experiência física ou visionária é de menos importância. Israel estava
destroçado no exilio, e as esperanças se esvaíram completamente da alma do povo
com a destruição de Jerusalém e do templo (Ez.33:21,22). Esse vale era o
retrato desse contexto, uma vez que os judeus se viam como ossos secos
(Ez.37:11).
3. As promessas de Deus
O mesmo Deus que expulsou o seu
povo da Terra Prometida prometeu que o restauraria ao seu status quo, de forma
plena – restauração nacional e espiritual. Há várias promessas a esse respeito,
além de Ezequiel capítulo 37. Senão vejamos:
“Portanto, eis que
vêm dias, diz o SENHOR, em que nunca mais dirão: Vive o SENHOR, que fez subir
os filhos de Israel da terra do Egito; Mas: Vive o SENHOR, que fez subir,
e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do norte, e de todas as terras
para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua
terra” (Jr.23:7,8).
“Porque eis que vêm
dias, diz o SENHOR, em que farei voltar do cativeiro o meu povo Israel, e de
Judá, diz o SENHOR; e tornarei a trazê-los à terra que dei a seus
pais, e a possuirão” (Jr.30:2,3).
“Eis que saiu com
indignação a tempestade do SENHOR; e uma tempestade penosa cairá
cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. Não se desviará a ira do SENHOR, até que
execute e cumpra os desígnios do seu coração; nos últimos dias entendereis
isso claramente” (Jr.23:19,20).
“Ouvi a palavra do
Senhor, ó nações, e anunciai nas terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que
espalhou a Israel o congregará e o guardará, como o pastor, ao seu rebanho. Há
esperança para o teu futuro, diz o Senhor, porque teus filhos voltarão para os
seus territórios” (Jr.31:10,17).
“Pois eu os tirarei
das nações, os ajuntarei do meio de todas as terras e os trarei de volta para a
sua própria terra. Vocês habitarão na terra que dei aos seus antepassados;
vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Ez.36:24,28).
São promessas de esperança e
livramento, e constituem um ponto luminoso em meio a um juízo implacável de
Deus por causa dos pecados do povo. Com expressões afetuosas o Senhor prometeu
restaurar Judá e Israel (dez tribos do Norte); o povo regressará ao seu
território vindo do mundo inteiro, cheio de cânticos de júbilo, em vez de
pranto. Claro que a completude dessa promessa se dará após o retorno de Jesus,
no final da Grande Tribulação, e quando Israel se arrepender, e Deus perdoá-lo.
Arrependido, Israel regressará por estradas sinalizadas por “marcos” e
“postes”; assim, seus dias de infidelidade terão terminado, pois o Senhor
realizou “coisa nova” (Jr.31:21,22). Será nesse tempo que Deus dará a eles um
coração novo e porá neles um espírito novo; tirará deles o coração de pedra e
lhes dará um coração de carne; porá neles o Espírito Santo e os levará a agirem
segundo os decretos do Senhor e a obedecerem fielmente às Suas leis”
(cf.Ez.36:26,27).
II. SOBRE A DISPERSÃO DOS JUDEUS
ENTRE AS NAÇÕES
Diáspora judaica refere-se à
dispersão dos judeus pelo mundo, e a formação das comunidades judaicas fora da
Terra Prometida, por consequência disso. De acordo com a Bíblia, a Diáspora
judaica foi consequência da idolatria e rebeldia do povo de Israel e Judá
contra Deus, o que fez com que Ele os tirasse da terra que lhes prometera e os
dispersasse pelo mundo até que o povo de Israel retornasse à obediência a Deus,
onde seriam restaurados como uma nação soberana e senhora do mundo. Está
escrito: “Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos
perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em
deserto” (Lv.26:33). “E o Senhor vos espalhará entre todos os povos desde uma
extremidade da terra até a outra” (Dt.28:64). “Eu farei que sejam espetáculo
horrendo, uma ofensa para todos os reinos da terra...” (Jr.24:9). “... e
errantes andarão entre as nações” ((Os.9:17). “Assim
saberão que eu sou o Senhor, quando eu os dispersar entre as nações e os
espalhar entre os países” (Ez.12:15).
A Bíblia Sagrada aponta duas
diásporas do povo judeu e as suas respectivas restaurações.
a) A Primeira Diáspora
(Jr.16:13). Geralmente se atribui o início da Primeira
Diáspora judaica ao ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II — imperador
babilônico — invadiu o reino de Judá, destruindo Jerusalém e o Templo, e
deportando os judeus para a Babilônia. Mas, na verdade, está dispersão se
inicia antes, em 722 a.C., quando o reino de Israel, ao norte, é destruído
pelos assírios e as dez tribos de Israel são levadas cativas à Assíria, e Judá
passa a pagar altíssimos impostos para evitar a invasão. As forças de Nínive,
comandadas por Salmaneser V (2Rs.17:3), invadiram Israel em 722 a.C.,
levando-os cativos para a Assíria. Salmaneser era filho de Tiglate
Pileser III (2Rs.15:29). Foram 210 anos de idolatria, de rebeldia espiritual e
de corrupção moral; por causa disso, Deus decretou a queda final e o exílio de
Israel (as dez tribos do Reino do Norte) - “No
ano nono de Oséias, o rei da Assíria tomou a Samaria, e transportou a Israel
para a Assíria, e fê-los habitar em Hala e em Habor, junto ao rio Gozã, e nas
cidades dos medos” (2Rs.17:6). O avança implacável do mal entre o
povo de Deus, chegara ao ponto culminante irreversível.
- Diáspora na Babilônia. Às vezes
não aprendemos com os exemplos de pecado e tolice que ocorrem à nossa volta.
Apesar de terem vistos seus irmãos – judeus do Norte - levados para o exílio, o
povo de Judá não temeu a Deus; antes, caiu nos mesmos pecados deles. Diz o
texto sagrado: “Até Judá não guardou os
mandamentos do SENHOR, seu Deus; antes, andaram nos estatutos que Israel fizera” (2Rs.17:19). E 135 anos mais tarde, as tropas
babilônicas invadem Judá levando cativos muitos judeus. Os reis Ezequias e
Josias começaram muitas reformas, mas isto não foi o bastante para converter
permanentemente a nação a Deus. Judá é derrotada pelos babilônios, que enviam
muitos deles para o exílio, entretanto, não são espalhados, e a terra não é
repovoada, como fez os Assírios com o povo do Norte.
Em 605 a. C., o exército
babilônico, comandado por Nabucodonosor, derrotou os egípcios em Carquêmis
(Jr.46:1,2), ampliando o império da Babilônia. Neste mesmo ano, pela primeira
vez, Jerusalém submeteu-se ao poderio de Babilônia, período esse considerado o
marco inicial para contagem dos setenta anos preditos pelo profeta Jeremias; um
período encerrado com a queda e rendição da cidade de Babilônia em 538 a.C. Em
586 a.C., o Templo foi destruído por Nabucodonosor.
Com a conquista de Judá os judeus
foram deportados para a Babilônia, onde floresceram como comunidade e
mantiveram suas práticas e costumes religiosos, associados a outros costumes
herdados dos babilônios. A assimilação fez com que o hebraico perdesse sua
importância em função do idioma aramaico que se tornou a língua comum. Com a
queda do poder babilônico e a ascensão do imperador persa Ciro I, este permitiu
que algumas comunidades judaicas retornassem para a Judéia, mas a grande
maioria da população judaica preferira permanecer na Babilônia onde tinha uma
sociedade constituída, do que retornar às adversidades da reconstrução de um
país.
b) A Segunda Diáspora. A
Segunda Diáspora aconteceu muitos anos depois, no ano 70 d.C., e foi anunciada
pelo próprio Jesus Cristo: “E cairão a fio de
espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada
pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc.21:24).
Os romanos destruíram Jerusalém,
e isso acarretou uma nova Diáspora, fazendo os judeus irem para outros países
da Ásia Menor ou sul da Europa. As comunidades judaicas estabelecidas nos
países do Leste Europeu ficaram conhecidas como Asquenazi (netos de Noé). Os
judeus do norte da África (sefaradins) migraram para a península Ibérica
(Espanha e Portugal). Expulsos de lá pelo catolicismo romano do século XV,
migraram para os Países Baixos, Bálcãs, Turquia, Palestina e, estimulados pela
colonização europeia, chegaram ao continente americano. Espalhados e humilhados
os Judeus dispersos foram perseguidos e maltratados em todos os lugares por
onde passaram, e seu maior inimigo, Hitler, ordenou a morte de seis milhões de
Judeus em toda a Europa.
2. Renasce Israel
"Retornarão os filhos de Israel..." (Oseias 3:5). O retorno do povo judeu à terra de seus antepassados ocorreu depois de mais de 18 séculos, tal como fora anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, como Jeremias (Jr.31:17), Ezequiel (Ez.11:17; 36:24; 37:21), Amós (Am.9:14,15) e Zacarias (Zc.8:7,8).
A segunda dispersão judaica,
anunciada de antemão pelo Senhor Jesus (Lc.21:24), durou mais de 1.800 anos,
sendo iniciada no ano 70 d.C. por ocasião da destruição de Jerusalém pelos
romanos, e foi concluída com a fundação do Estado de Israel em 27 de novembro
de 1947, na primeira Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida pelo
brasileiro Osvaldo Aranha, quando foi pronunciada por grande maioria de
votos (33 x 14) a favor da Partilha da Palestina, com 10 abstenções. Estavam
criadas as bases legais para o estabelecimento do Estado de Israel.
A partir de 12 de maio de 1948, a
ONU resolve reintegrar os judeus dispersos em uma única possessão no território
palestino cumprindo assim a profecia de Isaías 66:7,8: "Antes que
estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, deu à luz um
filho. Quem jamais ouviu tal coisa? Quem viu coisas semelhantes?
Poder-se-ia fazer nascer uma terra num só dia? Nasceria uma nação de uma só
vez? Mas logo que Sião esteve de parto, deu à luz seus filhos". Ezequiel
37:21 está escrito: “Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de
Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as
partes, e os levarei à sua terra”.
Quando Jesus voltar, todo o povo
judeu retornará plenamente à sua terra, e o Rei Jesus os governará, conforme
afirma a profecia de Ezequiel:
“E nunca mais se
contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas
prevaricações; e os livrarei de todos os lugares de sua residência em que
pecaram e os purificarei; assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
E meu servo Davi reinará sobre eles, e todos eles terão um pastor; e andarão
nos meus juízos, e guardarão os meus estatutos, e os observarão. E habitarão na
terra que dei a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; e habitarão
nela, eles, e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu
servo, será seu príncipe eternamente. E farei com eles um concerto de paz; e
será um concerto perpétuo; e os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o
meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e
eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E as nações saberão que eu sou o
SENHOR que santifico a Israel, quando estiver o meu santuário no meio deles,
para sempre” (Ez.37:22-28).
As Diásporas judaicas advertem a
todo o povo de Deus da Nova Aliança, a Igreja (1Co.10:1-12). Deus removerá do
seu reino todos aqueles que deixarem de permanecer fielmente na sua Palavra e
no seu amor. Os resultados de abandonar a Deus são o castigo, a ruína, o
sofrimento e a rejeição final (cf. Ap.2:5; 3:15,16). Pense nisso!
3. Restauração nacional
(Ez.37:6-8)
Israel foi expulso pelos romanos
em 70 d.C., sob a permissão de Deus, mas não para sempre. Deus havia dito que
os traria de volta à sua terra e restabeleceria as suas cidades. Em virtude de
sua eleição consubstanciada através da aliança do Sinai, pela qual será sempre
o povo de Deus, Israel seria rejeitado por Deus apenas temporariamente. Diz
assim o texto sagrado: “Ouvi a palavra do Senhor, ó nações, e anunciai nas
terras longínquas do mar, e dizei: Aquele que espalhou a Israel o congregará e
o guardará, como o pastor, ao seu rebanho. Há esperança para o teu futuro, diz
o Senhor, porque teus filhos voltarão para os seus territórios” (Jr.31:10,17). “Pois eu os tirarei das nações, os ajuntarei do meio de
todas as terras e os trarei de volta para a sua própria terra. Vocês habitarão
na terra que dei aos seus antepassados; vocês serão o meu povo, e eu serei o
seu Deus” (Ez.36:24,28).
A Visão do vale dos ossos secos,
em Ezequiel 37, descreve de forma metafórica a restauração nacional de Israel.
Veja algumas fases da visão do vale de ossos secos:
a) ruído
seguido de um reboliço, com junção dos ossos, cada osso ao seu osso (Ez.37:7). Nesta
primeira fase, há a reunião do povo de Israel num só lugar, o que ocorreu a
partir do início do movimento sionista e das imigrações por ele patrocinadas,
do final do século XIX até o instante da declaração de independência de Israel.
É o fim da suspensão do pacto territorial e a repatriação de Israel à terra
prometida.
b) vinda de
nervos sobre os ossos, crescimento da carne e extensão da pele sobre eles por
cima (Ez.37:8). Nesta segunda fase, a reunião do povo se organiza
politicamente e nasce um Estado, um país na comunidade internacional. É o que
ocorreu com Israel a partir de 1948, quando, então, passa a ter um lugar no
mapa mundial. Retoma o Senhor o pacto territorial com Israel, e as
circunstâncias tornam viável tanto a restauração do pacto davídico, pois
ressurge um governo judeu independente e próprio, como também se criam
condições para a reconstrução do templo, o que porá fim à suspensão do pacto
mosaico.
O Senhor, em sua fidelidade,
começou a cumprir estas palavras diante de nossos olhos! Hoje, Israel é uma
potência econômica, científica e militar, e possui um dos maiores Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Não existe nenhuma outra nação na
Terra que se possa orgulhar de feitos e desenvolvimentos tão rápidos e tão
notáveis! E isto, estando rodeado de inimigos por todos os lados.
No Milênio, Israel ocupará todo o
território bíblico prometido por Deus a Abraão. Jerusalém será a capital do
mundo, e a nação de Israel será a nação mais importante da Terra. Está escrito:
“E virão muitos povos, e dirão: vinde e subamos ao
monte do Senhor, à casa de Deus de Jacó; para que nos ensine o que concerne aos
seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de
Jerusalém a palavra do Senhor” (Is.2:3).
III. SOBRE O MILAGRE DO SÉCULO XX
1. O testemunho de Deus para o
mundo
O renascimento de Israel como
nação soberana é um dos maiores milagres do século XX; isso é uma prova da
fidelidade de Deus e da veracidade da Bíblia. Israel é indestrutível; vão-se as
nações, mas Israel permanece para sempre. Os maiores impérios do mundo tentaram
destruir este povo; os impérios, sim, foram dissipados, mas Israel permanece
firme para sempre. Hitler e seus asseclas tentaram destruir o povo judeu,
utilizando-se das mais engenhosas técnicas de extermínio, mas o povo judeu
prevaleceu, pois, nenhuma nação pode destruir o povo de Deus.
A nação de Israel e o povo judeu
são um enigma para este mundo. Sua existência desafia a lógica humana; sua
preservação contradiz todas as tendências históricas. Sua singularidade como
povo estarreceu até mesmo o escritor americano Mark Twain, que escreveu para a
"Harper’s Magazine" em 1897:
“Se as estatísticas
estiverem corretas, os judeus constituem menos de um quarto de 1% da raça
humana; isto sugere um minúsculo e obscuro pontinho perdido em meio à Via
Láctea.... Os egípcios, os babilônios e os persas surgiram, encheram o planeta
de barulho e esplendor, e então murcharam e desapareceram. Os gregos e os
romanos vieram logo após, provocaram uma algazarra imensa, e se foram. Os
judeus presenciaram a passagem de cada um desses povos, sobreviveram a todos
eles e são hoje o que sempre foram. Todas as coisas são mortais, menos os
judeus. Todas as outras forças passam, mas os judeus permanecem. Qual o segredo
de sua imortalidade?”.
Há um Deus por trás da
história, e Israel é quem melhor espelha isto. A fidelidade de Deus para
com Israel é fruto de sua aliança com Abraão. Deus prometeu isto a Abraão, e
Ele não muda. Deus é o protetor de Israel (Dn.12:1). Deus garante a existência
de Israel até o fim de tudo. Israel está aí, os ossos secos já reviveram, o
corpo foi formado, mas não há neles espírito”, diz a palavra profética
(Ez.37:8); é somente isto que falta hoje em Israel.
A história de Israel é
totalmente vinculada a Jesus. A partir de Abraão Deus formou a genealogia
de Jesus. A restauração da Nação após o exílio babilônico era o cenário para a
vinda de Jesus. E a restauração atual é o cenário para a volta de Jesus. Não
estamos aqui dizendo que tudo que Israel faz é certo, mesmo porque Deus está
preparando-o para tratar com seus pecados. Mas Deus é o Senhor Todo-Poderoso e
Sua Palavra se cumpre cabalmente. Todas as profecias relacionadas a Israel
têm-se cumprido na história, e todas as pessoas e nações que tentaram impedir o
cumprimento dessas profecias foram eliminadas. Israel é o relógio de Deus que
indica o início do fim dos tempos. Sem dúvida, Isael é uma testemunha contínua
de Deus sobre este mundo.
2. O status de Jerusalém entre as
nações
Deus desterrou o seu povo em três
diásporas, mas nunca entregou Jerusalém para ser de outro povo.
Após mais de 18 séculos de
diáspora a nação de Israel é restaurada em cumprimento às profecias de vários
notáveis profetas, e o status de Jerusalém, como capital de Israel, volta
novamente estar em evidência. Em 1950, Israel declarou Jerusalém sua capital e
ocupou edifícios governamentais no oeste da cidade. Na Guerra dos Seis Dias, em
1967, Israel conquistou a parte oriental da cidade, que era controlada pela
Jordânia. A partir daí, valia a lei israelense. Por fim, em 1980, o Parlamento
israelense, o Knesset, declarou a cidade inteira como capital inseparável de
Israel. O Conselho de Segurança da ONU invalidou a anexação através da
Resolução 478 e, desde então, confirmou isso diversas vezes; porém, isso não
tem nenhuma validade para Deus e para o seu povo. O que vale é à vontade Deus e
não a da ONU.
Jerusalém, portanto, é a eterna
capital de Israel. Deus fez de Jerusalém um cálice de tontear para todos as
nações (Zc.12:2); as profecias dizem que Jerusalém, espantosamente mencionada
em torno de 800 vezes na Bíblia, desempenhará um papel fundamental no destino
do mundo. O profeta Zacarias prediz algo bastante interessante sobre um
fato exclusivo e inédito na história: "E acontecerá naquele dia que farei
de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem
certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todos os povos da
terra" (Zc.12:3). É o que estamos vendo hoje: o mundo todo sofrendo por
causa de Jerusalém. Os árabes possuem mais de 99% das terras do Oriente Médio,
Israel com uma área de 20.000 quilômetros quadrados, tem menos de 1%. Mas, a
intenção malévola dos árabes é tirar de Israel o pouco que ele tem. Onde
está a real causa do conflito? Jerusalém. Qual a real intenção
árabe? A destruição do Estado de Israel e de seu domínio sobre Jerusalém. Isso,
porém, é impossível.
3. Restauração espiritual
Israel hoje existe como nação
soberana - tem sua base territorial, seu governo próprio, tem vida física,
social, política -, mas não tem vida espiritual; continua privada da comunhão
com Deus. Mas esta situação será mudada em breve. A restauração espiritual de
Israel é prevista na terceira fase da visão do vale de ossos secos - “Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó
filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó
espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. Profetizei como ele me
ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército
sobremodo numeroso” (Ez.37:9,10).
Nesta terceira fase, Israel será,
de novo, enxertado na Oliveira, porque voltará a crer em Deus, aceitando Cristo
como seu Messias tão esperado, quando, então, se cumprirá a profecia mencionada
pelo apóstolo Paulo em Romanos 11:26. Isto somente acontecerá no final da
Grande Tribulação, na batalha do Armagedom (cf. Zc.14:1-9; Ap.19:11-21).
Vencido o Anticristo pelo Senhor Jesus na batalha do Armagedom, Israel, que
terá no momento decisivo se voltado ao Senhor e O reconhecido como o Messias,
verá cumpridas as promessas que ainda faltam. Jesus será entronizado como Rei
de Israel, cumprindo-se, assim, a promessa do pacto davídico de que o reinado
da casa de Davi perduraria para sempre sobre a nação de Israel. Veja a profecia
de Ezequiel 37:21-25:
21. Dize-lhes, pois: Assim diz o
Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para
onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra.
22. E deles farei uma nação na
terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles; e nunca mais
serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.
23. E nunca mais se contaminarão
com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas prevaricações;
e os livrarei de todos os lugares de sua residência em que pecaram e os
purificarei; assim, eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
25. E habitarão na terra que dei
a meu servo Jacó, na qual habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles, e seus
filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre; e Davi, meu servo, será seu
príncipe eternamente.
Durante o reino millenial de
Cristo, Israel cumprirá o papel de propriedade peculiar de Deus dentre os
povos, nação sacerdotal e povo santo, e tudo isto, como diz Paulo, “porque os dons e a vocação de Deus são sem
arrependimento” (Rm.11:29).
CONCLUSÃO
Nem mesmo as diásporas dos judeus
e as constantes perseguições promovidas pelos antissemitas puderam neutralizar
as promessas divinas. Israel sobreviveu a todas as intempéries da vida e existe
como nação soberana desde 1948. Somos a geração que, após 2.000
anos, vê Israel sendo uma nação e Jerusalém como sua capital. Satanás
odeia a realidade da restauração de Israel como nação que
finalmente receberá Jesus como Messias em Seu retorno, e a nação que será o
quartel-general terreno de Cristo. À medida que nos aproximamos da Segunda
Vinda de Cristo, devemos entender que a fúria de Satanás contra a Igreja e
contra Israel irá crescer exponencialmente. A nação
de Israel é o relógio de Deus. Fiquemos de olho!








