quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A HISTÓRIA DE PEDRO E CORNÉLIO

 


HISTÓRIA DE PEDRO E CORNÉLIO

TEXTO BÍBLICO :

“Respondeu, então, Pedro: Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, como nós, o ESPÍRITO SANTO?” (At 10.47)

VERDADE PRÁTICA

O episódio da igreja hebreia na casa do gentio Cornélio demonstra que DEUS não faz acepção de pessoas.

LEITURAS E CONCORDANCIAS:

Rm- 15.12- Os gentios no plano da salvação  

At- 10.34- DEUS não faz acepção de pessoas

Mc- 16.15- A pregação do Evangelho a todo tipo de pessoa

Jo- 3.16- O amor de DEUS por todos

Tt- 2.11- A graça salvadora dispensada a todos

At- 10.44- O ESPÍRITO derramado sobre todos

 

LEITURA BÍBLICA - Atos 10.1-8, 21-23, 44-48

1- E havia em Cesareia um varão por nome Cornélio, centurião da coorte chamada Italiana, 2- piedoso e temente a DEUS, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a DEUS.

3- Este, quase à hora nona do dia, viu claramente numa visão um anjo de DEUS, que se dirigia para ele e dizia: Cornélio!

4- Este, fixando os olhos nele e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de DEUS.

5- Agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro. 6- Este está com um certo Simão, curtidor, que tem a sua casa junto do mar. Ele te dirá o que deves fazer.

7- E, retirando-se o anjo que lhe falava, chamou dois dos seus criados e a um piedoso soldado dos que estavam ao seu serviço. 8- E, havendo-lhes contado tudo, os enviou a Jope.

21- E, descendo Pedro para junto dos varões que lhe foram enviados por Cornélio, disse: Sou eu a quem procurais; qual é a causa por que estais aqui?  

22 -E eles disseram: Cornélio, o centurião, varão justo e temente a DEUS e que tem bom testemunho de toda a nação dos judeus, foi avisado por um santo anjo para que te chamasse a sua casa e ouvisse as tuas palavras.

23- Então, chamando-os para dentro, os recebeu em casa. No dia seguinte, foi Pedro com eles, e foram com ele alguns irmãos de Jope.

44- E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o ESPÍRITO SANTO sobre todos os que ouviam a palavra.

45- E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do ESPÍRITO SANTO se derramasse também sobre os gentios.

46- Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a DEUS.

47- Respondeu, então, Pedro: Pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, como nós, o ESPÍRITO SANTO?

48- E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então, rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias.

Qual é a história de Pedro e Cornélio?

A história de Pedro e Cornélio, relatada em Atos 10 da Bíblia, narra o encontro do apóstolo Pedro com o centurião romano Cornélio, um pagão temente a Deus, marcando a primeira vez em que os gentios (não-judeus) receberam o Evangelho e o batismo, evidenciando que Deus não faz acepção de pessoas e que sua salvação é para todos que o temem e praticam a justiça. A história envolve uma visão que Pedro teve, onde Deus lhe ensinou a não considerar impuro o que Ele purificava, e um anjo que apareceu a Cornélio, instruindo-o a chamar Pedro. 

A Visão de Pedro

  • Pedro estava em Jope, hospedado na casa de Simão, o curtidor. 
  • Enquanto orava, teve uma visão de um grande lençol descendo do céu com todos os tipos de animais, répteis e aves. 
  • Uma voz lhe disse para matar e comer, mas Pedro recusou, pois eram animais considerados impuros pela lei judaica. 
  • A voz então o repreendeu, dizendo para não chamar de impuro o que Deus havia purificado, e isso aconteceu três vezes. 

A Visão de Cornélio 

  • Cornélio, um centurião romano piedoso, temente a Deus e que praticava a caridade, recebeu a visita de um anjo.
  • O anjo disse-lhe que suas orações e esmolas haviam chegado diante de Deus e o instruiu a enviar homens a Jope para buscar o apóstolo Pedro.

O Encontro

  • Os homens enviados por Cornélio encontraram Pedro em Jope e o convidaram para ir até Cesareia. 
  • O Espírito Santo instruiu Pedro a ir com eles sem hesitação. 
  • Pedro foi à casa de Cornélio, encontrando-a cheia de parentes e amigos. 
  • Ao se encontrarem, Cornélio se prostrou, mas Pedro o fez levantar, e explicou que Deus havia mostrado que não deveria considerar nenhum homem impuro. 

As Consequências

  • Pedro percebeu que Deus não é parcial e aceita a todos que o temem. 
  • Ele pregou o Evangelho de Jesus a todos, e Cornélio e sua família creram e foram batizados. 
  • Este evento foi um marco na expansão do cristianismo, mostrando que a salvação por meio de Jesus não era restrita aos judeus, mas para todos os que tivessem fé. 

1. INTRODUÇÃO

Neste Estudo estudaremos um dos momentos mais marcantes da história da Igreja: a visita do apóstolo Pedro à casa do centurião Cornélio. Esse episódio revela que o plano de salvação em CRISTO não está restrito a um povo ou cultura, mas se estende a todas as nações. Através da ação do ESPÍRITO SANTO, DEUS rompe barreiras étnicas e culturais, mostrando que não faz acepção de pessoas. Veremos como a mensagem do Evangelho alcançou os gentios com poder, a partir da igreja em Jerusalém.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Mostrar que DEUS incluiu os gentios em seu plano de salvação; II) Ressaltar que a salvação é oferecida a todos os que creem em JESUS, independentemente de sua origem étnica ou cultural; III) Enfatizar a obra do ESPÍRITO SANTO como confirmação do agir de DEUS entre os gentios, demonstrando que o Pentecostes não foi exclusivo dos judeus.

B) Motivação: A lição de hoje nos mostra que o Evangelho rompe barreiras e convida a Igreja a viver a missão com abertura, compaixão e obediência ao ESPÍRITO. Que nossos corações estejam sensíveis à voz de DEUS e prontos a levar sua salvação a todos.

C) Sugestão de Método: Para reforçar o ensino do Tópico III – O ESPÍRITO Derramado sobre os Gentios, você pode aplicar o método comparativo reflexivo. Sugerimos que utilize um quadro ou cartolina com duas colunas: uma para o Pentecostes entre os judeus (Atos 2) e outra para o Pentecostes entre os gentios (Atos 10). Peça que os alunos apontem elementos em comum, como o derramamento do ESPÍRITO, o falar em línguas e a manifestação da presença de DEUS. Após essa análise, promova um momento de reflexão em grupo: “O que essa igualdade espiritual entre judeus e gentios nos ensina sobre o agir de DEUS hoje?” Isso fortalecerá a compreensão doutrinária e despertará a aplicação pessoal do ensino.

A) Aplicação: A presente lição nos convida a que tenhamos corações abertos à direção do ESPÍRITO e dispostos a acolher todos aqueles que DEUS chama para o seu Reino.

COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO

Nesta semana, estudaremos sobre como a igreja judaica de Jerusalém deu um passo gigantesco quando foi chamada por DEUS para compartilhar sua fé com pessoas de outras nações. O apóstolo Pedro foi escolhido divinamente para pregar as Boas-Novas da salvação aos gentios, o que na época não era aceitável. Atos 10 é uma das mais impressionantes histórias da Bíblia, onde fica evidente o grande amor e graça de DEUS em salvar a todos aqueles que demonstrem fé na pessoa do seu bendito Filho, JESUS CRISTO .Lucas destaca em seu livro que os gentios foram salvos e receberam o dom do ESPÍRITO da mesma forma que os judeus no Pentecostes.

I – A REVELAÇÃO DE DEUS AOS GENTIOS

1. A visão de Cornélio

Cornélio, um centurião romano da cidade de Cesareia, orava por volta das três horas da tarde quando teve uma revelação de DEUS. Ele viu um anjo de DEUS (At 10.3). Não é incomum, nas páginas das Escrituras, DEUS se revelar por meio de anjos. Contudo, essa revelação se distingue de outras por conta de seu propósito: a inclusão dos gentios à Igreja do Senhor. Cornélio era um homem que tinha desejo de salvação, pois mesmo sendo um gentio, era piedoso e temente a DEUS com toda a sua casa (At 10.2). No entanto, isso não era suficiente para salvá-lo. Ele precisava ouvir acerca da mensagem da cruz e o anjo de DEUS estava ali para instruí-lo a como fazer. Não sendo a pregação do Evangelho missão para um anjo, Cornélio foi instruído a chamar o apóstolo Pedro para fazer isso (At 10.22).

2. A experiência espiritual de Pedro

Assim como Cornélio, Pedro também teve uma revelação (At 10.10). Pedro teve uma experiência espiritual com visão e revelação divina, que o deixou perplexo (At 10.11,12). DEUS sabia do impacto que a missão na casa do gentio Cornélio teria sobre as convicções de Pedro e, por isso, por meio dessa experiência espiritual, o prepara para o que viria pela frente. Pedro levaria as Boas-Novas do Evangelho a um povo que, para ele, estava excluído do plano salvífico de DEUS. Ele sentiu o caráter excepcional dessa revelação e achou por bem levar consigo outros seis irmãos judeus naquela missão (At 10.23, 11.12; 15.7).  

3. A urgência da pregação do Evangelho

DEUS ainda pode revelar a alguém o seu plano salvífico de forma excepcional, inclusive usando anjos eleitos, como fez na casa de Cornélio. Contudo, essa não é a maneira usual do Senhor trabalhar. A partir da verdade bíblica de que DEUS quer salvar a todos (1 Tm 2.4), a igreja deve levar adiante a grandiosa missão de pregar o Evangelho a toda criatura (Mc 16.15). Paulo afirmou que DEUS achou por bem salvar os que creem por meio da pregação (1 Co 1.21). Devemos, portanto, pregar. Não é preciso ninguém ficar esperando um anjo comissioná-lo a pregar o Evangelho. DEUS já fez isso.

 

SINÓPSE I - DEUS revelou seu plano de salvação a Cornélio e preparou Pedro para anunciar o Evangelho aos gentios.

AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO - CORNÉLIO E PEDRO

Vejamos com mais detalhe a conversão de Cornélio e sua família.

Cornélio era um oficial militar romano. Como centurião, comandava cerca de cem homens e fazia parte da coorte chamada Italiana. O que mais chama a atenção, porém, não é sua proeminência militar, e, sim, sua piedade. Era um homem piedoso e temente a Deus que fazia muitas esmolas ao povo judeu necessitado e orava com frequência (Atos 10:1,2).
Um dia, por volta das quinze horas, Cornélio teve uma visão clara na qual um anjo de Deus se aproximava dele e chamou-o pelo nome. Uma vez que era gentio, o centurião provavelmente não tinha conhecimento do ministério dos anjos como um judeu teria, de modo que se encheu de temor e pensou que o anjo era o Senhor. O anjo o tranquilizou, falou do reconhecimento de Deus por suas orações e esmolas e disse-lhe que enviasse mensageiros a Jope (que distava de Cesaréia cerca de 50 quilômetros) e mandasse chamar Pedro que estava hospedado com um homem chamado Simão, curtidor, à beira mar. Cornélio obedeceu sem questionar e enviou dois dos seus servos domésticos e dos seus assistentes, um soldado que também era temente a Deus (cf Atos 10:3-8).


No dia seguinte, por volta do meio-dia, subiu Pedro ao terraço da casa de Simão em Jope a fim de orar. O apostolo sentiu fome e quis comer, mas a refeição ainda estava sendo preparada no piso inferior da casa. Sem dúvida, sua fome foi um prelúdio adequado para o que sucederia. Sobreveio-lhe um êxtase, e ele viu o céu aberto e descendo um lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas. O lençol continha toda sorte de quadrúpedes, répteis e aves, limpos e imundos. Uma voz do céu disse ao apóstolo faminto: “Levanta-te [...] mata e come”. Lembrando-se da lei de Moisés que proibia o judeu de ingerir qualquer criatura imunda, Pedro proferiu as famosas palavras de recusa: “De modo nenhum, Senhor!” (cf Atos 10:9-14).


Quando Pedro explicou seu histórico de observância fiel às leis alimentares, a voz do céu disse: “Ao que Deus purificou não considere comum”. Esse diálogo se repetiu três vezes, e, em seguida, o lençol foi recolhido ao céu (cf Atos 10:15,16).


Evidentemente, o significado da visão ia além da questão de ingerir alimentos limpos ou imundos. Com o nascimento da fé cristã, as leis alimentares haviam sido revogadas, mas a tônica da visão era outra: Deus estava prestes a abrir as portas da fé para os gentios. Pedro, como judeu, ao longo de toda a sua vida havia considerado os gentios impuros, estrangeiros, forasteiros, distantes e ímpios. Agora, Deus faria algo novo. Os gentios (representados pelos animais imundos) receberiam o Espírito Santo da mesma forma que os judeus (animais limpos) já o haviam recebido. Distinções nacionais e religiosas seriam extintas e todos aqueles que cressem no Senhor Jesus estariam, em pé de igualdade dentro da comunhão cristã.
Enquanto Pedro meditava sobre a visão, os servos de Cornélio chegaram à porta e perguntaram pelo apóstolo. Ao descobrir o propósito da visita dos homens, Pedro convidou-os a entrar e hospedou-os até o dia seguinte. Os servos demonstraram grande respeito por seu senhor, referindo-se a ele como homem reto e temente a Deus e tendo bom testemunho de toda a nação judaica (cf Atos 10:17-23).


No dia seguinte, Pedro partiu para Cesaréia com três servos de Cornélio e alguns irmãos dos que habitavam em Jope. Ao que parece, o grupo viajou o dia todo, pois só no dia imediato chegou a Cesaréia.

Em preparação para a chegada do apóstolo, Cornélio havia reunido seus parentes e amigos íntimos. Quando Pedro chegou, Cornélio prostrou-se aos pés dele em sinal de reverencia. O apóstolo recusou essa adoração e disse que também era apenas homem. Seria bom os “sucessores” autodesignados de Pedro imitarem sua humildade e proibirem as pessoas de se prostrarem diante deles!

Ao encontrar toda aquela gente reunida na casa, Pedro explicou que os judeus não costumavam entrar na casa de gentios, mas Deus havia lhe revelado que não devia mais pensar nos gentios como párias. Em seguida, perguntou por que razão haviam mandado chamá-lo.
Cornélio descreveu prontamente a visão que havia tido quatro dias antes, na qual um anjo lhe assegurou que sua oração fora ouvida e o instruiu a mandar chamar Pedro. Esse homem gentio demonstra anseio louvável pela palavra de Deus: “Agora, pois, estamos todos aqui, na presença de Deus, prontos para ouvir tudo o que te foi ordenado da parte do Senhor” (cf Atos 10:30-33). O espírito aberto e receptivo ao ensino é sempre recompensado com instrução divina.
Antes de iniciar sua mensagem, Pedro reconheceu honestamente que, até então, a seu ver, o favor de Deus estava limitado à nação de Israel. Naquele momento, porém, percebeu que “Deus não faz acepção de pessoas” em razão de nacionalidade, mas busca quem tem o coração honesto e contrito, seja judeu, seja gentio. Em qualquer nação, aquele que teme e faz o que é justo lhe é aceitável (cf Atos 10:34-35). Entretanto, mesmo que uma pessoa tema a Deus e realize obras de justiça, não será salva em razão disso. A salvação se dá somente pela fé no Senhor Jesus Cristo.


Atos 10:44-48 diz que Pedro ainda estava pregando quando caiu o Espírito Santo sobre os gentios. Todos falaram em línguas, louvando a Deus. Esse dom foi um sinal de que Cornélio e sua casa havia, de fato, recebido o Espírito Santo. Os visitantes judeus vindos de Jope admiraram-se ao ver que gentios podiam receber o Espírito Santo sem se tornar prosélitos do judaísmo. Uma vez que Pedro não se encontrava mais tão preso aos seus preconceitos judaicos, percebeu, no mesmo instante, que Deus não fazia distinção entre judeus e gentios e, assim, propôs que os membros da família de Cornélio fossem batizados.
Esses gentios haviam sido salvos da mesma forma que os judeus, a saber, pela fé. Não há nenhuma indicação da necessidade de guardar a lei, ser circuncidado ou de seguir qualquer outra prática ou ritual.


Ao chegar em Jerusalém, Pedro teve de se justificar diante da igreja por ter batizado os gentios. E seu depoimento só foi aceito porque o apóstolo disse que o Espírito Santo veio sobre os gentios e os encheu, como encheu os crentes israelitas no Pentecostes. Não fosse a atuação do Espírito Santo, que interveio de forma sobrenatural, provavelmente os judeus demorariam mais a entender a ordem do Senhor, de pregar o Evangelho por todo o mundo.

III. JUDEUS E GENTIOS UNIDOS POR DEUS MEDIANTE A CRUZ

Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades(Ef 2:14-16).
Até os tempos do Novo Testamento, o mundo estava dividido em duas classes de pessoas – o judeu e o gentio. Nosso Salvador criou uma terceira classe – a igreja de Deus (1Co 10:32). Nos versículos supracitados o apóstolo Paulo diz que os crentes judeus e gentios são feitos um só em Cristo e são inseridos numa nova comunidade, onde não há judeu nem gentio.
Em Ef 2:14, o apostolo Paulo diz que Cristo é a nossa paz – “Porque ele é a nossa paz”. Como pode ser isso? A resposta é a seguinte: quando um judeu crê no Senhor Jesus, ele perde a sua identidade nacional. Daí em diante passa a esta em Cristo. Ele sucede quando um gentio recebe o Salvador. A partir desse momento ele está “em Cristo”. Em outras palavras, os crentes, tanto judeus como gentios, antes separados pela inimizade, agora se aproximam, uma vez que Deus fez de “ambos um” em Cristo. Visto que são unidos com Cristo, forçosamente são unidos uns aos outros. Por isso é correto dizer que o homem Jesus Cristo “é a paz”, conforme profetizou Miquéias (Mq 5:5).

 1. Aspectos da obra de Jesus como “a nossa paz”. Os aspectos da obra de Jesus Cristo como a nossa paz encontram-se pormenorizados em Ef 2:14-18.


a) A obra da união: “de ambos fez um” – a saber, de crentes judeus e gentios”. Agora eles não são mais judeus ou gentios, mas cristãos. Rigorosamente falando, não é certo referir-se a eles como cristãos judeus ou cristãos gentios. Todas as distinções ligadas à carne, como, por exemplo, a nacionalidade, foram cravadas na cruz.


b) A obra de demolição: “e, derribando a parede de separação que estava no meio”. Evidentemente não era uma parede, mas uma barreira invisível criada pela lei de Moises, com mandamentos na forma de ordenanças. Isso separou o povo de Israel de todas as demais nações. Para ilustrar esse fato, muitos usam como exemplo a parede que existia no templo judaico e que restringia o acesso de quem não fosse judeu, limitando a permanência dessas pessoas ao átrio dos gentios. Nessa parede havia um letreiro que dizia: “Ninguém das demais nações ouse ultrapassar a barreira ao redor do Lugar Santo. Quem o fizer será responsável pela morte que a seguir lhe será aplicada”.


c) O terceiro aspecto da obra de Cristo foi a abolição da “inimizade” que existia entre os judeus e os gentios e também entre o homem e Deus: “desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças” (Ef 2:15). Paulo identifica a causa da “inimizade”, a saber, a “a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças”. A Lei de Moisés era um simples código legal. Porém consistia em dogmas ou decretos que cobriam quase todas as áreas da vida. A lei em si era santa, justa e boa (Rm 7:12), porém a natureza pecaminosa se serviu dela para expressar revolta e ódio. Como a lei colocava Israel num pedestal, dignificando-o como povo escolhido de Deus, muitos dentre os judeus se tornaram arrogantes e desprezaram os gentios. Os gentios por sua vez responderam com profunda hostilidade, hoje conhecida na forma de antissemitismo. De que modo Cristo removeu a lei como causa de inimizade? Em primeiro lugar ele morreu para sofrer a penalidade da lei transgredida. Assim, Ele satisfez perfeitamente as justas exigências de Deus. Agora a lei nada tem para apontar contra os que estão “em Cristo”. A penalidade foi paga completamente em favor deles. Os crentes não estão mais sob a lei, mas debaixo da graça (Rm 6:14). Isso não significa que podem viver a seu bel-prazer, mas que servem a lei de Cristo e devem fazer o que lhe agrada.


2. O alcance da Obra de Cristo: a criação de “um novo homem” - a Igreja (Ef 2:15). Como resultado da abolição da hostilidade levantada pela Lei de Moisés, o Senhor pôde iniciar uma nova criação. “Dos dois”, ou seja, dos judeus e gentios crentes, criou em si mesmo “um novo homem”: a Igreja.

Através da união com Ele, os antigos combatentes são unidos uns aos outros numa nova comunhão. A Igreja é nova no sentido de que é uma espécie de organismo que nunca existiu antes. É importante entender isso. A Igreja do Novo Testamento não é a continuação do povo de Israel do Antigo Testamento. É distinta de tudo o que a precedeu ou que ainda vai surgir. Isso é evidente pelo seguinte:


a) É novidade os gentios desfrutarem dos mesmos direitos e privilégios que os judeus.


b) É novidade tanto os judeus quanto os gentios perderem a sua identidade nacional ao se tornarem cristãos.

c) É novidade os judeus e gentios serem membros unidos do Corpo de Cristo.

d) É novidade um judeu ter a esperança de reinar com Cristo em vez de ser um simples súdito de Cristo.


e) É novidade um judeu não estar sob a lei.


É evidente que a igreja é uma nova criação com vocação e destino distintos, ocupando um lugar excepcional nos propósitos de Deus. Porém, o alcance da obra de Cristo não termina aí. Ele também fez a paz entre judeu e o gentio – “fazendo a paz” (Ef 2:15, final). Obteve isso removendo a causa da hostilidade, dando uma nova natureza aos crentes e criando uma união. A cruz é a resposta de Deus para a discriminação racial, a segregação, o antissemitismo, a intolerância e todas as demais formas de divisão entre os homens.

3. Tendo reconciliado o judeu com o gentio, Cristo ainda reconciliou ambos com Deus – “e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo” (Ef 2:16). Embora fossem amargamente opostos entre si, os judeus e os gentios estavam unidos num aspecto: estavam unidos na sua hostilidade contra Deus. A causa dessa hostilidade era o pecado. Por sua morte na cruz, o Senhor Jesus removeu a inimizade e assim anulou sua causa. Os que o recebem são considerados justos, perdoados, redimidos, resgatados e libertos do poder do pecado. A inimizade desapareceu. Agora têm paz com Deus. O Senhor Jesus uniu em um só corpo os judeus e os gentios crentes, formando a Igreja.

II – A SALVAÇÃO DOS GENTIOS  

1. Pregação aos gentios

Pedro recebeu a missão de pregar para Cornélio e sua casa (At 11.14). Sua pregação é totalmente cristocêntrica, sempre apontando para a cruz de CRISTO. Assim, podemos perceber alguns eixos principais que sua mensagem percorria. Primeiramente, DEUS ama a todos (At 10.34). Todas as pessoas, quer judeus quer gentios, são objeto do amor de DEUS. Em segundo lugar, DEUS quer salvar a todos (At 10.35). DEUS não somente ama a todos, mas quer salvar a todos. Pedro agora reconhece que a salvação não é apenas para os judeus que guardam a Lei, mas também para todo aquele que em qualquer nação o “teme”. Em terceiro lugar, CRISTO é o Senhor de todos (At 10.36). CRISTO é o centro do Evangelho. Ele é o eixo em torno do qual todas as bênçãos espirituais se encontram. Estar em CRISTO é estar salvo; não estar em CRISTO é não estar salvo!

2. A conversão dos gentios

A mensagem da cruz é um chamado ao arrependimento (At 10.43). Todos os que, arrependidos, creem em CRISTO, serão perdoados, e, portanto, salvos. Na sua soberania e graça, DEUS havia incluído no seu plano de salvação todos os não judeus que, arrependidos, professariam o nome do Senhor JESUS. Ninguém é salvo à força; é preciso crer em CRISTO para receber a salvação. Tanto judeus quanto gentios necessitam se arrepender para ser salvos. Os judeus acreditavam que o privilégio da salvação era exclusividade deles e que, portanto, os gentios estavam excluídos. O Criador havia mostrado que isso era um erro. Posteriormente, os judeus convertidos reconheceram maravilhados que DEUS, por meio do arrependimento, abriu a porta da fé para os gentios (At 11.18). Portanto, Ele salvou os gentios que demonstraram fé em JESUS e se arrependeram de seus pecados. 

SINÓPSE II - A mensagem de Pedro mostrou que todos, judeus e gentios, são chamados à salvação pela fé em CRISTO.

III – O ESPÍRITO DERRAMADO SOBRE OS GENTIOS

1. O ESPÍRITO prometido

O batismo com o ESPÍRITO SANTO experimentado pelos gentios na casa de Cornélio (At 10.44-46) foi um dos fatos mais marcantes que aconteceu nos dias da Igreja Primitiva. Anos mais tarde, durante o primeiro Concílio da Igreja em Jerusalém, Pedro faz referência a esse fato como sendo uma das promessas feitas por DEUS aos gentios (At 15.16). Assim, o recebimento do ESPÍRITO SANTO, incluindo a experiência pentecostal do batismo com o ESPÍRITO SANTO, era a “bênção de Abraão” feita aos gentios (Gl 3.14). Pedro já havia dito, citando a profecia do profeta Joel (Jl 2.28), que o batismo com o ESPÍRITO SANTO era uma promessa de DEUS a “toda carne” (At 2.17). A promessa, portanto, não se limitava mais aos judeus, nem tampouco a uma classe especial (reis, profetas e sacerdotes), mas a todos quantos nosso DEUS chamar (At 2.39). Eu, você e todos os que creem em CRISTO somos contemplados com essa promessa de DEUS.

2. O ESPÍRITO recebido

Como vimos, logo após os gentios terem “recebido a Palavra de DEUS” (At 11.1), isto é, se convertido a fé cristã, o ESPÍRITO SANTO foi derramado sobre os crentes gentios de Cesareia: “E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do ESPÍRITO SANTO se derramasse também sobre os gentios” (At 10.45). Esse derramamento do ESPÍRITO veio acompanhado pela evidência física do falar em outras línguas e expressões de louvor, que aparece aqui como um padrão já aceito pela comunidade cristã: “Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a DEUS” (At 10.46). 

3. Um pentecoste “visto” e “ouvido”

Posteriormente, quando questionado e censurado por outros judeus por ter ido à casa de um gentio em Cesareia, Pedro usou a experiência pentecostal ocorrida na casa de Cornélio como argumento a favor da autenticidade da fé gentílica. Na argumentação de Pedro, os gentios haviam recebido a mesma experiência pentecostal que eles haviam recebido no dia de Pentecostes (At 2.4), inclusive com a manifestação do fenômeno das línguas (At 11.15-18). Em outras palavras, o Pentecostes gentílico, assim como o Pentecostes judaico, foi marcado pela experiência do ESPÍRITO. Em ambos os casos, foi um Pentecostes “visto” e “ouvido”. 

SINÓPSE III - O ESPÍRITO SANTO foi derramado sobre os gentios como confirmação divina de que eles também fazem parte da Igreja.

AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO - “DEUS NÃO FAZ ACEPÇÃO DE PESSOAS

DEUS mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo. Reconheço por verdade que DEUS não faz acepção de pessoas’. Há pessoas de certas nações que consideram os habitantes de todas as outras um amontoado de raças inferiores. Outras, até crentes, pensam que seu pequeno grupo é a esfera limitada do favor de DEUS. O racismo, ou preconceito racial, não pode ser adotado por crentes. Ninguém foi consultado, antes de nascer, quanto à raça à qual gostaria de pertencer. Portanto, não é base para alguém se orgulhar ou desprezar seu próximo. DEUS ‘de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra’ (At 17.26). Nenhum cientista verá diferença entre amostras de sangue de pessoas de todas as raças. CRISTO veio oferecer a salvação a todos aqueles que creem, independentemente de raça (Gl 3.28). A Igreja é uma fraternidade espiritual em que não se reconhecem distinções dessa natureza. Todos somos um em CRISTO” (PEARLMAN, Myer. Atos: Estudo do Livro de Atos e o Crescimento da Igreja Primitiva. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.126).

CONCLUSÃO

A graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todas as pessoas (Tt 2.11). A missão da igreja na casa do gentio Cornélio mostra como o amor de DEUS pode alcançar todas a pessoas, independentemente de cor e raça, que abrem o seu coração à poderosa mensagem da cruz. Aqui também vemos que a fé evangélica não é algo subjetivo, mas marcada pela ação e presença real do ESPÍRITO SANTO na vida daquele que crer.

 

 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

A PARÁBOLA DA PANELA ENFERRUJADA

 

A PARÁBOLA DA PANELA ENFERRUJADA

A parábola da panela em Ezequiel 24 representa Jerusalém, uma cidade marcada pela sua impiedade e desobediência, que se torna como uma panela enferrujada e impura que não pode ser limpa nem pelo fogo, simbolizando um julgamento divino severo e inevitável. O profeta Ezequiel é instruído a preparar a panela e cozinhar nela os pedaços de carne, ilustrando que o povo seria cozido no sofrimento e a imundícia de Jerusalém seria exposta e julgada pelo Senhor. 

Significado da Parábola

  • A panela como Jerusalém:

A cidade é comparada a uma panela enferrujada porque, apesar de sua aparência externa ou crença em sua força, estava profundamente corrompida por dentro por seus pecados e perversidades. 

  • A ferrugem e a imundície:

A ferrugem e a sujeira da panela simbolizam a contaminação espiritual e moral de Jerusalém, que se recusou a ser purificada por Deus, resultando em julgamento. 

  • O cozimento:

Colocar a carne na panela e cozê-la representa o sofrimento e as lutas que o povo de Jerusalém enfrentaria devido às suas ações. 

  • O fogo:

O fogo queima a carne, mas a ferrugem da panela permanece, indicando que, mesmo com o sofrimento, a impureza da cidade não seria removida, e os pecadores não seriam purificados. 

Contexto da Profecia

  • O Juízo Inevitável:

A parábola foi proferida em um momento crítico, quando o rei da Babilónia estava a atacar Jerusalém, simbolizando o início do fim para a cidade. 

  • Sinal para o Povo:

Ezequiel é instruído a usar essa parábola e outros sinais proféticos, como a morte de sua esposa, para mostrar ao povo que o julgamento de Deus era iminente. 

  • Fim da Segurança Ilusória:

A parábola destaca que a segurança que Jerusalém acreditava ter era uma ilusão, e que os problemas internos da cidade levariam à sua destruição. 

Ezequiel 24

Em Ezequiel 24 Deus usa uma parábola para anunciar a destruição iminente de Jerusalém e do templo.

Deus diz a Ezequiel para pegar uma panela e enchê-la com água e depois colocá-la no fogo. Ele então diz a ele para colocar pedaços de carne na panela, incluindo os melhores cortes, e deixar cozinhar até que a carne esteja macia. Deus explica que a panela de carne representa a cidade de Jerusalém e a carne representa o povo.

 

Deus declara que por causa de seus pecados, Ele trará julgamento sobre o povo de Jerusalém. Ele diz que a cidade será destruída e o povo será morto ou levado para o exílio. Deus explica que o julgamento é necessário para purificar Seu povo e trazê-lo de volta a Ele.

O capítulo termina com a morte da esposa de Ezequiel, que também é usada como símbolo do julgamento que está por vir. Deus diz a Ezequiel que ele não deve chorar por sua esposa, como um sinal de que o povo de Jerusalém não chorará por seus mortos quando a cidade for destruída.

No geral, Ezequiel 24 é um capítulo que anuncia a destruição iminente de Jerusalém e do templo. O capítulo usa uma parábola para ilustrar a severidade do julgamento que está por vir e a necessidade dele para purificar o povo de Deus. O capítulo termina com um símbolo do luto que virá com o julgamento e a necessidade de o povo se preparar para isso.

Comentário de Ezequiel 24

Ezequiel 24:1-2 Esta é a quarta referência cronológica fornecida por Ezequiel (Ez 1.2, 3;8.1 ;20.1). O nono ano, no décimo mês, aos dez do mês foi uma data em 588 a.C. correspondente ao mês de janeiro em nosso calendário, o mesmo dia em que Nabucodonosor o rei de Babilônia iniciou o ataque contra Jerusalém (2 Rs 25.1-3; Jr 39.1, 2; 52.1-6). Ezequiel foi ordenado a escrever o nome deste dia. Essa seria uma recordação amarga do fato de o Senhor sempre cumprir o que prometia por intermédio dos profetas. O cerco de Nabucodonosor foi a punição de Deus a Jerusalém.


Ezequiel 24:3-5 O assunto dessa comparação está explicado no versículo 2. Os ouvintes novamente eram uma casa rebelde (Ez 2.3-8; 3.5-7; 11.3-12; 12.2, 22-28). Rebanho era um símbolo do povo escolhido por Deus (compare com o cap. 34). Ossos às vezes eram utilizados como combustível para fogueiras.


Ezequiel 24:6 O termo cidade sanguinária explica por que Jerusalém a panela teria de experimentar o ímpeto da ira de Deus (v. 9;22.2-12) por meio do cerco babilônico que agora havia começado. O restante do versículo anuncia o veredicto: exílio. Tira dela pedaço a pedaço se refere individualmente aos habitantes, os bons pedaços de carne nos versículos 4 e 5. A instrução não caia sorte sobre ela significa que Deus não tem favoritos; Seu julgamento recairia igualmente sobre todos os habitantes da cidade, porque todos haviam pecado.

Ezequiel 24:7, 8 Estes versículos falam sobre o pecado de derramamento de sangue (v. 6) cometido na cidade. O povo se envolveu no erro, e Deus declarou que os cidadãos permaneceriam expostos ao julgamento (Gn 4-10; Lv 17.13; Is 26.21).

Ezequiel 24:9-15 Pois te purifiquei, e tu não te purificaste provavelmente se refere às deportações de 605 e 597 a.C., cujos efeitos de purificação estavam incompletos.

PARÁBOLA DA PANELA FERVENTE

Nos capítulos anteriores, Ezequiel sempre disse aos exilados que Jerusalém também seria julgada. Os exilados acreditam que as coisas ainda estão bem em Jerusalém e que deve ser muito bom estar lá. Ezequiel descreveu-lhes detalhadamente os pecados de Jerusalém e que, portanto, o Senhor entregará a cidade a julgamento.

Esse pensamento não entra na mente dos exilados. Eles simplesmente não acreditam no SENHOR e em Seu servo Ezequiel. Eles têm todos os tipos de argumentos para rejeitar as declarações de Ezequiel. Esses argumentos estão relacionados ao seu orgulho nacional e sua visão errada do Senhor e do remanescente em Jerusalém. Eles se gabam em seu centro religioso. Eles acreditam que o Senhor nunca desistirá de sua cidade e de seu templo. Portanto, para eles, Ezequiel é um profeta sombrio e falso. Neste capítulo, o SENHOR não fala mais de um julgamento que está para breve, mas de um julgamento que está em andamento.

Este capítulo também começa com as palavras introdutórias de que a palavra do SENHOR está chegando a Ezequiel (Ezequiel 24:1). Mas agora uma particularidade é adicionada e essa é a data em que isso acontece. Na verdade, essa data é tão especial que Ezequiel teve que anotá-la (Ezequiel 24:2). O que torna a data especial é que neste dia o rei da Babilônia sitiou Jerusalém (2Rs 25:1; Jr 39:1; Jr 52:4). Este dia é mais tarde guardado como dia de jejum durante o exílio (Zacarias 8:19).

Primeiro, uma parábola é contada em Ez 24:3-5. A explicação segue em Ez 24:6-8, enquanto novos detalhes são adicionados em Ez 24:9-14. Ezequiel é ordenado a apresentar o cerco de Jerusalém em uma parábola para a casa rebelde de Israel (Ezequiel 24:3). Aqui vemos uma representação profética cujo cumprimento ocorre ao mesmo tempo. O símbolo e o evento coincidem. O julgamento que Ezequiel anuncia por meio de sua parábola está sendo executado ao mesmo tempo a centenas de quilômetros de distância.

Ezequiel deve colocar uma panela fervendo no fogo e colocar água na panela (cf. Jr 1,13). Então ele deve colocar bons pedaços de carne e ossos escolhidos na panela (Ezequiel 24:4). Ele deve pegar o melhor do rebanho e colocar os ossos na panela (Ezequiel 24:5). Ele deve fazê-lo ferver vigorosamente, prestando atenção especial aos ossos que fervem. Para que os ossos cozinhem, o fogo deve estar bem quente. Pela carne e ossos mais seletos entende-se o mais distinto do povo, a flor da nação.

A palavra “portanto” (Ez 24:6) introduz a explicação de por que a carne e os ossos estão na panela (cf. Ez 11:3; Ez 11:11). O SENHOR pronunciará o seu “ai” sobre Jerusalém, a cidade que Ele chama com horror de “cidade de sangue”, por causa dos muitos assassinatos cometidos na cidade (cf. Ez 22,2). O sangue gruda na cidade (cf. Ap 18,24). O pote é Jerusalém. Não é uma panela qualquer, é uma panela com ferrugem. Tudo o que o Senhor tentou remover a ferrugem foi em vão.

Jerusalém está tão apegada à sua prostituição e apostasia que qualquer disciplina é em vão. Ela não quer ouvir. Portanto, a carne, isto é, os habitantes da cidade, será removida dela pedaço por pedaço. Haverá julgamento indiscriminado. O julgamento atingirá todos. A escolha não será feita. Nenhum sorteio será lançado para libertar alguém para que essa pessoa seja poupada.

Jerusalém foi tão longe em sua violência vergonhosa e brutal que não se preocupou em cobrir o sangue derramado inocentemente (Ezequiel 24:7). O sangue não foi derramado na terra para ser absorvido pela terra para que não seja mais visível, mas jaz como um testemunho sobre uma rocha nua que não absorve o sangue. Nem o sangue é coberto com terra (Lv 17:13). Aqui o sangue permanece descoberto na rocha e testemunha contra eles. Clama por vingança e retribuição, como o sangue de Abel, assassinado por Caim, clamou a Deus desde a terra (Gn 4,10; cf. Jó 16,18). Por fim, o próprio Deus fez com que o sangue permanecesse descoberto como uma acusação (Ez 24:8; cf. Is 26:21). Ele pode se referir a isso como uma ocasião para Sua ira e para exercer vingança.

A ira de Deus sobre Jerusalém é grande (Ez 24:9). Novamente Ele pronuncia “ai” sobre a cidade e novamente a chama de “cidade de sangue”. Ele expressa Sua grande ira aumentando a pilha. Ele fará o fogo de Seu julgamento muito quente e, portanto, pede que se apanhe muita lenha (Ezequiel 24:10). As chamas devem arder bem alto, de modo que a carne seja totalmente fervida e os ossos sejam queimados. Assim como tudo na panela se decompõe e queima pelo fogo que é colocado sob ela, toda a população de Jerusalém será aniquilada pelo brilho da ira de Deus. O anúncio do julgamento aqui é ainda mais forte do que em Ezequiel 24:5.

Quando tudo na panela é consumido, a própria panela é tratada (Ez 24:11). Quando todos os habitantes de Jerusalém forem mortos, a própria cidade será destruída (2Rs 25:9; Jeremias 38:18; Jeremias 52:13). Com a destruição da cidade, também desaparecerá a ferrugem, a impureza. Assim, o julgamento tem um efeito purificador e purificador. Somente dessa maneira radical a ferrugem pode desaparecer. Todos os esforços anteriores do Senhor para remover a impureza se mostraram inúteis, de modo que nada resta para Ele a não ser esta disciplina (Ezequiel 24:12).

Porque Jerusalém não quis ser purificada, ela chegou ao seu comportamento vergonhoso (Ezequiel 24:13). Ela não quis se arrepender de sua idolatria, apesar de muitas formas de disciplina. Sua falta de arrependimento fez com que Deus trouxesse Sua ira sobre ela.

O maior mal não é que pecamos, embora isso seja ruim, mas sim que nos recusamos a abandonar o pecado. A lei declara que uma pessoa deve ser condenada à morte se ela se recusar a usar a água para impureza para sua purificação em um caso particular (Nm 19:13; cf. Mt 23:37; Lc 13:34). Para nós, isso significa recusar-se a confessar um pecado, com o resultado de que Deus e os crentes não podem ter comunhão conosco.

Por causa do impenitente de Jerusalém, um julgamento absoluto deve atingi-la (Ezequiel 24:14). Deus deve isso à Sua santidade. Ele é longânimo, mas Sua longanimidade termina uma vez. Sua longanimidade termina quando Ele vê que alguém, depois de muitas tentativas de trazê-lo ao arrependimento, teimosamente se recusa a se arrepender. Aqueles que não se arrependerem terão que lidar com um Deus que não se arrependerá do julgamento que deve exercer. Esse julgamento vem porque é merecido. É de acordo com os caminhos e ações daquele que está sendo julgado, aqui Jerusalém.

Aplicação Prática

Reflexão Sobre Nossas Prioridades: Assim como o povo de Judá colocou sua confiança no templo, podemos ser tentados a confiar em coisas temporais para nossa segurança e identidade. Este capítulo nos convida a reavaliar nossas prioridades, colocando nossa fé e esperança em Deus acima de tudo.

O Valor do Arrependimento Genuíno: A destruição de Jerusalém serve como um lembrete sombrio das consequências do pecado e da rebelião contra Deus. Isso destaca a importância do arrependimento genuíno e da busca constante por uma vida que reflita os valores do Reino de Deus.

Conforto e Esperança em Meio ao Sofrimento: O luto silencioso de Ezequiel pela morte de sua esposa ecoa o sofrimento que muitas vezes enfrentamos. No entanto, a promessa de Deus de abrir a boca do profeta aponta para uma mensagem de esperança e restauração futura. Mesmo nos momentos mais sombrios, podemos encontrar conforto na promessa de Deus de presença, restauração e redenção eternas.

Versículo-chave

"Eis que eu profanarei o meu santuário, objeto do vosso orgulho, a delícia dos vossos olhos e o desejo da vossa alma; e vossos filhos e vossas filhas, que deixastes, cairão à espada." - Ezequiel 24:21 (NVI)

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O PERIGO DA MURMURAÇÃO

 



O PERIGO DA  MURMURAÇÃO

Texto Bíblico: Êxodo 16:1-7; 1Corintios 10:10,11.

“E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor“ (1Corintios 10:10).

Êxodo 16:

1.E, partidos de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois que saíram da terra do Egito.

2.E toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e contra Arão no deserto.

3.E os filhos de Israel disseram-lhes: Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar! Porque nos tendes tirado para este deserto, para matardes de fome a toda esta multidão.

4.Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não.

5.E acontecerá, ao sexto dia, que prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia.

6.Então, disse Moisés e Arão a todos os filhos de Israel: À tarde sabereis que o Senhor vos tirou da terra do Egito,

7.e amanhã vereis a glória do Senhor, porquanto ouviu as vossas murmurações contra o Senhor; porque quem somos nós para que murmureis contra nós? 

1Corintios 10:

10.E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor.

11.Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. 

 
COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO

É verdade que há ações maléficas que vêm direto do Inimigo, mas também é verdade que há as que são produzidas dentro de nós como obras da carne. Uma delas é o pecado da Murmuração. Esse pecado é tão perigoso em nossa jornada que pode nos levar à queda. Ele não acontece instantaneamente, pois geralmente sucede a incredulidade. Sim, incredulidade e murmuração andam juntas. Por isso, nesta lição, estudaremos os perigos da murmuração à luz da recomendação do apóstolo: “Fazei todas as coisas sem murmurações” (Fp 2.14).   

No capítulo 16 do livro de Êxodo, a Bíblia descreve um período em que os israelitas murmuraram contra Moisés e Arão no deserto. Essa murmuração ocorreu logo depois que eles foram libertados do Egito. Eles reclamavam da falta de comida e saudosos, lamentavam a dieta que tinham quando eram escravos.

Essa passagem é importante por algumas razões:

  • Falta de fé: O povo de Israel tinha acabado de testemunhar a divisão do Mar Vermelho e a derrota do exército egípcio. Apesar de terem presenciado milagres tão grandiosos, eles duvidaram que Deus proveria para eles no deserto. Essa murmuração mostra uma falta de fé e confiança na providência divina.
  • Provisão divina: A resposta de Deus à murmuração foi o envio do maná e das codornizes. O maná era um pão que aparecia no chão todas as manhãs, e as codornizes chegavam à noite. Deus os sustentou por 40 anos no deserto, mostrando que Ele é fiel para cuidar de seu povo.
  • Lição sobre obediência: A provisão do maná veio com instruções. O povo precisava coletar apenas o suficiente para o dia. Aquele que tentasse estocar o alimento para o dia seguinte via o maná apodrecer. A única exceção era na sexta-feira, quando eles podiam coletar o suficiente para dois dias, pois não haveria maná no sábado, o dia de descanso. Essa ordem ensinou ao povo lições importantes sobre obediência, confiança e a santidade do sábado.

A história dos murmuradores de Êxodo 16 é um lembrete de que, mesmo depois de grandes livramentos, a fé pode ser testada. É um testemunho da fidelidade de Deus em prover para seu povo, mesmo quando eles duvidam.

Falando sobre Datã, Corá e Abirão na Biblia

Quem foram Datã, Corá e Abirão?

Datã, Corá e Abirão foram três levitas (ou líderes de clãs) que se rebelaram contra a liderança de Moisés e Arão no deserto. Eles são mencionados no livro de Números, capítulo 16.

O Motivo da Rebelião

A principal queixa de Datã, Corá e Abirão era que Moisés e Arão haviam se exaltado sobre o restante do povo de Israel. Corá, em particular, era um levita e queria ter acesso a privilégios sacerdotais que eram exclusivos de Arão e seus filhos. Eles questionaram a autoridade divina de Moisés e Arão, dizendo que "toda a congregação é santa, e o Senhor está no meio dela" (Números 16:3).

O Confronto e o Julgamento Divino

Moisés tentou acalmar a situação e confrontou os líderes da rebelião, mas eles se recusaram a reconhecer a sua liderança. Moisés então clamou a Deus, pedindo que o Senhor mostrasse quem Ele havia escolhido como líder.

O julgamento de Deus foi imediato e impressionante: a terra se abriu debaixo de Datã, Corá e Abirão, e eles, suas famílias e todos os seus bens foram tragados vivos. Depois que a terra se fechou novamente, um fogo do Senhor consumiu os 250 homens que estavam com Corá, oferecendo incenso.

Esse evento serviu como uma demonstração clara do julgamento divino contra a rebelião e a desobediência à autoridade que Deus havia estabelecido.

A Lição de Datã, Corá e Abirão

A história de Datã, Corá e Abirão é um forte aviso na Bíblia contra a rebelião e a falta de respeito à autoridade. A passagem mostra que:

  • A rebelião contra líderes divinamente estabelecidos é vista como rebelião contra o próprio Deus.
  • A soberania de Deus e Seus propósitos não devem ser questionados ou desafiados.
  • O ciúme e a ambição por poder podem levar a graves consequências.

A memória desse evento ficou marcada na história de Israel, servindo de lembrete para que as pessoas temessem a Deus e respeitassem a ordem que Ele havia estabelecido.

 
I – A MURMURAÇÃO NA BÍBLIA


1. O que é murmurar?

As principais palavras para murmuração na Bíblia são as seguintes: do hebraico, o verbo liyn, “resmungar”, “reclamar” e “murmurar” (Nm 14.36); e o substantivo higgayown, “meditação”, “música solene”, “pensamento”, “conspiração” (Lm 3.62); do grego, o verbo goggúzō, “murmurar”, “resmungar”, “queixar-se”, “dizer algo contra em um tom baixo”, “dos que confabulam secretamente” (Jo 7.32). De acordo com essas palavras, o murmurador tem o espírito dominado pelo descontentamento, desacordo, ira, queixas e oposição. Nem DEUS escapa dele, pois basta lembrar do que foi feito contra Moisés e Arão (Êx 15.24; 17.3; Nm 14.27; 16.41).

Veja alguns exemplos na Bíblia:

a)    Murmuração contra Deus:

·         Êxodo 16:2,3. Os israelitas murmuraram contra Moisés e Arão no deserto, mas sua queixa era contra Deus, pois reclamavam da falta de comida.

·         Números 14:27-29. Os israelitas murmuraram contra Deus no deserto após os relatos dos espias sobre a terra prometida.

b)   Murmuração contra líderes espirituais:

·         Números 16:11. Corá, Datã e Abirão murmuraram contra Moisés e Arão, questionando sua liderança e autoridade designadas por Deus.

·         1Samuel 8:6-8. O povo de Israel murmurou contra o governo teocrático liderado por Samuel e pediu um rei humano.

c)    Murmuração entre irmãos:

·         Atos 6:1,2. Houve murmuração entre os discípulos porque as viúvas gregas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de alimentos.

·         1Coríntios 1:10. Paulo exorta os crentes em Corinto a não haver divisões entre eles, indicando a presença de murmuração e desunião na igreja.

 
2. O comportamento dos murmuradores.


O comportamento dos murmuradores, conforme observado nos relatos bíblicos, é caracterizado por uma série de atitudes e padrões de pensamento que revelam uma falta de contentamento, gratidão e confiança em Deus. Aqui estão algumas características desse comportamento:

a)   Ingratidão. Os murmuradores frequentemente expressam insatisfação e reclamações em relação às circunstâncias da vida, mesmo quando têm sido abençoados por Deus. Eles se esquecem das bênçãos recebidas e se concentram nos aspectos negativos.

·         Em Números 11:4-6, o povo de Israel murmura contra Moisés e expressa desejo de voltar ao Egito, desconsiderando as bênçãos que receberam de Deus.

·         Em Salmos 106:25, o salmista descreve a murmuração dos israelitas no deserto, destacando sua falta de gratidão pelos milagres e livramentos de Deus.

b)   Falta de confiança em Deus. A murmuração muitas vezes reflete uma falta de fé e confiança em Deus. Em vez de confiar na providência divina e na sabedoria de Deus, os murmuradores duvidam do cuidado e da provisão de Deus para suas vidas.

·         Em Números 14:2,3, os israelitas duvidam da capacidade de Deus de levá-los à Terra Prometida, mesmo após testemunharem Seus poderosos feitos.

·         Em Mateus 6:25-34, Jesus exorta Seus seguidores a confiarem na providência divina e não se preocuparem com as necessidades materiais.

c)   Crítica e negatividade. Os murmuradores tendem a criticar constantemente os outros e a situação ao seu redor. Eles destacam o que está errado em vez de reconhecer o que é bom e louvável.

·         Em Números 12:1,2, Miriã e Arão criticam Moisés por causa de sua esposa, demonstrando uma atitude crítica e negativa.

·         Em Filipenses 2:14,15, Paulo instrui os filipenses a fazerem todas as coisas sem murmurações nem contendas, para que possam brilhar como luzes no mundo.

d)   Descontentamento constante. Murmuradores estão sempre em busca do que falta, em vez de apreciar o que já têm. Eles nunca estão satisfeitos e estão sempre procurando razões para reclamar.

·         Em Êxodo 16:2,3, o povo de Israel murmura por causa da falta de comida no deserto, mesmo após Deus ter acabado de libertá-los da escravidão no Egito.

·         Em Filipenses 4:11,12, Paulo aprendeu a estar contente em todas as circunstâncias, demonstrando a importância do contentamento em todas as situações.

e)   Falta de humildade e submissão. A murmuração muitas vezes revela um coração orgulhoso e teimoso, que se recusa a se submeter à vontade de Deus e às autoridades estabelecidas por Ele.

·         Em Números 16:1-3, Corá, Datã e Abirão se rebelam contra Moisés e Arão, desejando para si mesmos uma posição de liderança que não lhes foi dada por Deus.

·         Em Hebreus 13:17, os crentes são instruídos a obedecer e submeter-se aos líderes espirituais, reconhecendo sua autoridade e ensinamentos.

Essas características mostram como o comportamento dos murmuradores pode ser prejudicial não apenas para sua própria saúde espiritual e emocional, mas também para a unidade e o testemunho da comunidade de fé como um todo. Portanto, é crucial cultivar uma atitude de gratidão, confiança em Deus e contentamento em todas as circunstâncias da vida.

3. O crente murmurador.

Quem se diz salvo em CRISTO e tem o ESPÍRITO SANTO em sua vida não pode naturalizar a prática da murmuração. Não é normal um crente cheio do ESPÍRITO SANTO se entregar a esse pecado. Nesse sentido, estão presentes a indisciplina e o descuido com as virtudes do ESPÍRITO (Gl 5.16). Quando um crente se torna um murmurador, ele passa a ser um instrumento do Maligno contra a obra de CRISTO no mundo, permitindo ao Diabo dominá-lo e usá-lo de todas as maneiras. Assim, não é possível o crente murmurador ser alegre, bondoso e agradável por meio de sua atitude, visto que sua alma está doente, pois o corpo só será luminoso se os olhos forem bons (Mt 6.22,23).

 
SINÓPSE I

Murmurar significa “resmungar” e “reclamar” e o murmurador tem o espírito dominado pelo descontentamento, desacordo, ira, queixas e oposição.

  
II – MURMURAÇÃO: IMPEDIMENTO DA PRIMEIRA GERAÇÃO À TERRA PROMETIDA




1. A murmuração contra os líderes escolhidos por DEUS.

DEUS escolheu Moisés e seu irmão, como seu auxiliador, para libertar o povo de Israel da escravidão de Faraó e conduzi-lo à Terra Prometida (Êx 7.1,2). Após experimentar grande livramento, esse povo passou a murmurar contra a liderança de Moisés e Arão de maneira sistemática, alegando que o Legislador o conduzia para morrer em pleno deserto (Êx 16.3). Nesses relatos, percebemos que a murmuração sucede à incredulidade. Há uma ausência de fé e se passa escolher o que é mau: a prática da murmuração. Logo, não se pode esperar mais atitudes de bondade, sinceridade e verdade de quem submerge na murmuração, mas, sim de impaciência, ingratidão e desrespeito à liderança bíblica (1 Ts 5.12,13; Hb 13.17).
 
 
2. A murmuração contra DEUS.

O Senhor DEUS respondeu às murmurações do povo, dizendo que faria cair “pão dos céus” (Êx 16.4). Entretanto, o Senhor deixou claro que contemplou as suas “murmurações”, mas tratou o povo com piedade e compaixão (Êx 16.12). Ora, o Senhor DEUS contempla todas as nossas ações, sabe do que precisamos e necessitamos. Por isso, diante de uma circunstância difícil, é muito melhor nos dirigirmos a Ele de maneira humilde, graciosa e amorosa do que nos achegarmos a Ele com ingratidão, queixas e murmuração (Hb 4.16).

3. Por que é perigoso murmurar?

A Palavra de DEUS diz: “quem se endureceu contra ele [DEUS] e teve paz?” (Jó 9.4). À luz desse texto, podemos dizer que a murmuração configura um ato de impiedade extrema contra DEUS. Ela se torna perigosa porque, além de revelar uma ausência de fé, limita a nossa capacidade de enxergar as ações de DEUS em nossas vidas e no contexto em que estamos. Por conseguinte, a murmuração cega-nos diante de DEUS. Não lembramos mais das grandes obras do Senhor em nossa vida. Não por acaso, o apóstolo Paulo reúne os episódios de murmuração dos israelitas para que os crentes da atualidade tenham cuidado e não pratiquem esse pecado a fim de não serem destruídos (1 Co 10.10,11; Rm 15.4).
 
 
SINÓPSE II - A murmuração impediu a primeira geração de israelitas de adentrar na Terra Prometida.


 
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

A liderança é cara, porque a culpa pela adversidade recai nos líderes. Essas pessoas sabiam que Moisés era homem de DEUS; por isso, o pecado também era contra DEUS. Grandes experiências com DEUS não curam necessariamente o coração mal e queixoso. A murmuração cessa apenas quando crucificamos o eu e entronizamos a CRISTO (Ef 4.31,32). A única coisa que Moisés poderia fazer era clamar ao Senhor. Não há dúvida de que teria fornecido água potável em resposta à fé paciente de Israel, se tivessem permanecido firmes. O Senhor às vezes satisfaz nossos caprichos em detrimento da fé. Aqui, as águas se tornaram doces, quando Moisés lançou um lenho nelas, mas a fé de Israel continuou fraca. Desconhecemos o método natural que explica este milagre. DEUS usou esta ocasião para ensinar uma lição a Israel, dando-lhes estatutos e uma ordenação. Se as pessoas ouvissem a DEUS e obedecessem inteiramente à sua palavra, elas seriam curadas de todas as enfermidades que DEUS tinha posto sobre o Egito. Assim como DEUS curou as águas amargas de Mara, assim Ele curaria Israel satisfazendo-lhe as necessidades físicas e, mais importante que tudo, curando o povo de sua natureza corrompida. DEUS queria tirar o espírito de murmuração do meio do povo e lhe dar uma fé forte” (Comentário Bíblico Beacon. Vol 1. Rio de Janeiro, CPAD, 2005, p.175).


III – MURMURAÇÃO: UM PECADO QUE NOS IMPEDE DE ENTRAR NA CANAÃ CELESTIAL


1. O fim dos israelitas murmuradores. Examinando os textos de Números 14.29 e 16.41-49, percebemos que, por causa da murmuração, os israelitas daquela geração não entraram na terra da promessa, foram mortos e sepultados no deserto (Nm 14.29). A peregrinação de Israel pelo deserto nos serve de exemplo e advertência em nossa jornada para que não adotemos seu comportamento murmurador. Devido a esse pecado, os israelitas perderam de vista os propósitos divinos e não alcançaram o cumprimento da promessa.
 
 
2. O destino dos murmuradores.

À luz dos relatos do livro de Números, o apóstolo Paulo faz uma séria advertência ao povo da Nova Aliança: “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram e pereceram pelo destruidor” (1 Co 10.10). Isso significa que um crente que vive praticando a murmuração já se encontra espiritualmente morto, perdeu a comunhão com o Senhor e não tem mais o prazer nas coisas espirituais. Logo, o seu destino é a morte, que, à luz do Antigo Testamento, infelizmente, tem caráter físico e espiritual. A murmuração é um perigo ao longo da nossa trajetória cristã.

 
3. Os males da murmuração.

Há muitos males que a murmuração pode provocar. Por exemplo, na vida da igreja local a murmuração pode trazer desânimo espiritual, contendas comunitárias, rebeldias espirituais e divisões ministeriais. Esse processo acaba com a vida de comunhão da igreja local. Além disso, o nosso Senhor disse que o reino dividido contra si mesmo é “devastado” e não “subsistirá” (Mt 12.25; cf. Lc 1.17-22).  Há também o mal de caráter espiritual. Por exemplo, a murmuração também resulta em mentiras e calúnias, portanto, o ESPÍRITO SANTO não habita uma vida que é dominada por esse tipo de obras carnais (Ef 4.30; Gl 5.19-21). Por isso, afirmamos que quem se entrega a tal prática acaba atraindo outros pecados para a sua vida, tais como: idolatria, rebelião, adultério, blasfêmias contra DEUS. Como consequência acaba prestando serviço ao Inimigo e estacionando no meio do trajeto celestial.
 
 
SINÓPSE III - A murmuração é pecado e pode nos impedir de entrar na Canaã celestial.
 
 
CONCLUSÃO
Neste Estudo, vimos o quanto a prática da murmuração é perigosa e destruidora tanto para a vida espiritual quanto para a vida comunitária na igreja local ao longo da nossa jornada cristã. Não devemos, pois, ignorar a advertência da Palavra de DEUS quanto ao pecado da murmuração (Rm 15.4). Ora, a vontade de DEUS é a de que participemos de suas promessas. Portanto, evitemos o mal da murmuração em nossas casas, igrejas e em qualquer lugar que nos relacionemos com o próximo.

Postagens

O PAI DA FÉ E O TEMPO DE DEUS

  O PAI DA FÉ E O TEMPO DE DEUS   1. A Promessa e a Demora (Gênesis 15 e 16) A espera que testa a fé: Deus prometeu a Abraão ...

Postagens Mais Visitadas