Texto Bíblico: Hebreus 9:11-15;
Apocalipse 21:1-4
“Porque nos
convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado
dos pecadores e exaltado acima dos céus” (Hb.7:26).
“Jesus Cristo é o
Sumo Sacerdote perfeito, porque, sendo Ele a Oferta e o Ofertante,
garantiu-nos, no Calvário, uma salvação eficaz e eterna”.
O sacerdócio celestial é o ápice
do plano redentor de Deus, revelado progressivamente nas Escrituras e consumado
na obra de Cristo. Diferente do sacerdócio levítico da Antiga Aliança — que era
terreno, passageiro, falível e exercido por homens pecadores em um santuário
feito por mãos —, o sacerdócio de Jesus Cristo é celestial, eterno, perfeito e
inaugurado na presença do próprio Deus.
O Santuário e o Sacrifício
Definitivos
A Carta aos Hebreus contrasta de
forma profunda a fragilidade do sistema antigo com a eficácia da nova ordem em
Cristo. Enquanto os sumos sacerdotes da terra precisavam entrar anualmente no
Santo dos Santos com sangue alheio (de bodes e novilhos) e oferecer sacrifícios
constantes por seus próprios pecados e pelo povo, Cristo entrou no santuário
celestial de uma vez por todas.
"Mas, quando
Cristo veio como sumo sacerdote dos bens futuros, por meio do maior e mais
perfeito tabernáculo, não feito por mãos... entrou no Santo dos Santos, uma vez
por todas, não pelo sangue de bodes e bezerros, mas pelo seu próprio sangue,
obtendo antera redenção eterna." (Hb
9:11-12)
O sacrifício de Cristo no
Calvário uniu perfeitamente as figuras do Ofertante e da Oferta. Ele não
ofereceu algo externo a si mesmo; Ele ofereceu a sua própria vida imaculada.
Por ser Deus e homem verdadeiro, Ele satisfez plenamente a justiça divina,
rasgou o véu que nos separava da presença do Pai e garantiu uma via de acesso
livre e permanente para todos os crentes.
A Efetividade e a Eterna Redenção
O texto de Hebreus 9:13-15
destaca a superioridade dessa obra: se o sangue de animais rituais podia
purificar cerimonialmente a carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo
Espírito eterno se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência
de obras mortas para servirmos ao Deus vivo?
O sacerdócio celestial não é
estático; ele é ativo e intercessor. Cristo vive para sempre para interceder
por nós (Hb 7:25). A sua intercessão não é baseada em rituais repetitivos, mas
na apresentação constante da eficácia do seu sacrifício consumado. Ele é o
mediador de uma nova aliança, assegurando que a promessa da herança eterna seja
irrevogável.
A Consumação: A Habitação de Deus
com os Homens
O desdobramento final desse
sacerdócio celestial alcança sua plenitude na visão escatológica de Apocalipse
21:1-4. O ministério de Cristo no santuário celestial visa a restauração total
da comunhão entre o Criador e a sua criação.
Quando João avista a nova
Jerusalém descendo do céu, a grande proclamação ecoa:
"Eis o
tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de
Deus, e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus." (Ap 21:3)
O sacerdócio celestial culmina na
eliminação definitiva da dor, do pranto e da morte. O santuário já não é um
lugar restrito ou oculto por véus, mas a realidade onde a presença de Deus
preenche todo o cosmo renovado. Cristo, como Sumo Sacerdote perfeito, cumpriu a
ponte definitiva entre o céu e a terra, garantindo que o destino final da
humanidade remida seja a comunhão face a face com o Deus vivo, em um estado de
paz e santidade eternas.
INTRODUÇÃO
Neste estudo falaremos que o
Tabernáculo levítico é um tipo do “Tabernáculo Celestial”, e Jesus Cristo é o
Sumo Sacerdote desse Tabernáculo Celestial, em que a Sua Igreja é constituída
de sacerdotes. O antigo santuário terreno, com seu complexo sistema de ritos,
dera lugar a um novo santuário, o celestial, onde o próprio Jesus oficia como
Sumo Sacerdote. Mas Ele não é apenas um Sumo Sacerdote, Ele é o Sumo
Sacerdote-Rei, que está assentado à destra do Pai para interceder pelo seu povo
(Rm.8:34).
I. O SACERDÓCIO CELESTIAL TEM UM
ÚNICO SUMO SACERDOTE
No livro do Êxodo constam as
instruções dadas por Deus a Moisés para a construção do Santuário (Êx.25:1-9).
As recomendações dadas a Moisés, conforme expõe o registro sagrado, eram
destinadas à construção de um santuário, onde Deus habitaria com eles (Êx.25:8).
Essa era, portanto, a finalidade terrena do Tabernáculo móvel e era nesse
Tabernáculo que tanto os sacerdotes como o sumo sacerdote exerciam seus
ministérios. Todavia, foi no Santuário Celestial que Cristo entrou para
oficiar, como Sumo Sacerdote, em nosso favor. Para o escritor aos Hebreus, esse
Tabernáculo é o próprio Céu, que é chamado de "verdadeiro
Tabernáculo" por pertencer a dimensão celestial.
1. Cristo: o Sumo Sacerdote da
Nova Aliança
Os sacerdotes de Israel eram
apenas sombras do nosso grande Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Algumas
referências bíblicas nos dão uma compreensão da perfeição encontrada no caráter
sacerdotal de Cristo:
a) Como Sacerdote, Cristo foi
designado e escolhido por Deus Pai (Hb.5:5). Cristo foi constituído
Sumo Sacerdote pelo Pai desde a eternidade. Realizou seu ministério de acordo
com um propósito eterno. Todo sumo sacerdote procedia da tribo de Levi e da
família de Arão; esse ministério era hereditário e sucessivo. Cristo, porém,
não foi sacerdote da mesma ordem. Ele era da tribo de Judá. Por isso, não
pertencia à classe sacerdotal levítica. Foi constituído sacerdote de uma ordem
eterna, a ordem de Melquisedeque.
"Assim
também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas
aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei".
b) Como Sacerdote, Cristo foi
consagrado com um juramento (Hb.7:20-21). O
sacerdócio Araônico foi instituído por lei divina; o sacerdócio de Cristo, por
juramento divino. Uma lei pode ser anulada, um juramento dura para sempre. O
sacerdócio de Cristo não vem de uma linhagem humana, mas do juramento divino.
Os sacerdotes precisavam provar que pertenciam à tribo de Levi (Ne.7:63-65) e
preencher os requisitos físicos e cerimoniais (Lv.21:16-24). O sacerdócio de
Cristo, porém, foi estabelecido com base em sua obra vicária na cruz, em seu
caráter impoluto e no juramento de Deus (Sl.110:4).
"E visto como
não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram
feitos sacerdotes, mas este com juramento por aquele que lhe disse: Jurou o
Senhor, e não se arrependerá; tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de
Melquisedeque)".
c) O sacerdócio de Cristo está
fundamentado numa Aliança superior (Hb.7:22) - “de tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador” (Hb.7:22).
Cristo é o fiador de uma Nova
Aliança - a Aliança firmada em seu sangue. O termo “fiador”
significa aquele que garante que os termos de um acordo serão cumpridos. Judá
se dispôs a servir de fiador para Benjamim, a fim de garantir ao pai que o
menino voltaria para casa em segurança (Gn.43:1-4). Paulo se dispôs a servir de
fiador para o escravo Onésimo (Fm.18:19).
Jesus é o fiador da Nova Aliança
no sentido de que Ele mesmo é a Garantia. Por meio de sua morte, sepultamento e
ressurreição, Ele proveu uma base de justiça sobre a qual Deus pode cumprir os
termos da Aliança. Seu eterno sacerdócio também está vitalmente ligado ao
infalível cumprimento dos termos da Aliança. Como nosso representante diante de
Deus, Ele cumpre perfeitamente os termos da lei em nosso nome. Jamais seríamos
capazes, por conta própria, de cumprir esses termos; mas, uma vez que cremos
nele, ele nos salvou e garantiu que nos guardará.
d) O sacerdócio de Cristo é
demonstrado pela sua atividade permanente (Hb.7:23-25). Os
sacerdotes da ordem levítica não eram apenas imperfeitos, mas também tinham seu
ministério interrompido pela morte.
Nenhum sacerdote em Israel viveu
para sempre. Uma geração de sacerdotes dava lugar à próxima geração. Enquanto
novos sacerdotes entravam, os mais antigos estavam se aposentando ou morrendo.
Permanecia o sacerdócio, mas não havia um sacerdote específico de quem se
pudesse depender o tempo todo.
O ministério de Cristo, porém, é
perfeito e dura para sempre, pois ele morreu pelos nossos pecados, venceu a
morte, ressuscitou para a nossa justificação, voltou ao Céu e está à destra do
Pai intercedendo por nós. Ele vive para sempre (Ap.1:18); isso quer dizer que,
quando nos aproximamos de Deus por meio dele, ele está sempre presente, sempre
à disposição e jamais se ausenta. Sua presença no Céu como representante do
pecador é garantia de que ninguém que nele confia será rejeitado. É sempre
bem-sucedida e permanente a sua intercessão em favor dos fracos e falhos
pecadores. Sua morte vicária foi consumada na cruz, mas seu ministério
sacerdotal continua no Céu. Ele é o Advogado, o Justo (1João 2:1). Nenhuma
condenação prospera contra aquele que está em Cristo, pois ele morreu,
ressuscitou e está à destra de Deus, de onde intercede por nós (Rm.8:1,34,35).
Ele é o único Mediador - "Porque há um só
Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1Tm.2:5).
"E, na
verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte,
foram impedidos de permanecer; mas este, porque permanece eternamente, tem um
sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles".
e) O Seu oferecimento é perfeito
e definitivo (Hb.7:26-28). Os sacerdotes levitas precisavam
oferecer sacrifícios primeiro por si mesmos, pois eram pecadores. Mas Jesus é o
sacerdote perfeito, santo, inculpável, separado dos pecadores. Ele é o
sacerdote perfeito que não precisou oferecer oferta por si mesmo. Ele é a
oferta perfeita e o ofertante perfeito. Nele, não havia pecado; ao contrário,
ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
“Porque nos
convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores
e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos
sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios
pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a
si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a
palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para
sempre”.
2. Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote
no Céu
Atente para o seguinte texto
sagrado:
“Ora, a suma do que
temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à
destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro
tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem”
(Hb.8:1,2).
Veja neste texto algumas
preciosas características da superioridade do sumo sacerdócio de Cristo.
a) A dignidade superior da Pessoa
de Cristo – “Ora, a suma do que
temos dito é que temos um tal sumo sacerdote...”.
A expressão “sumo sacerdote
tal” faz referência à dignidade de Cristo e a glória de Sua pessoa. Ele é
santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e mais sublime que os céus
(Hb.7:26). Os sacerdotes da ordem levítica eram homens imperfeitos, realizando
sacrifícios imperfeitos, em favor de homens imperfeitos. Mas Jesus, nosso Sumo
Sacerdote, é perfeito, ofereceu um sacrifício perfeito, a fim de aperfeiçoar
para sempre homens imperfeitos.
b) A dignidade superior da
Posição de Cristo – “...que está assentado nos céus à destra do trono da
Majestade...”.
Na ordem levítica, um sacerdote
não podia exercer a realeza nem o rei podia assumir o papel de sacerdote. Altar
e trono estavam separados. Mas, Jesus, segundo a ordem de Melquisedeque, é
tanto rei como sacerdote. Como Sacerdote, ele ofereceu a si mesmo na cruz, como
o sacrifício perfeito; e, como Rei, ele foi exaltado, entronizado e está à
destra da Majestade nos céus.
"Sentar-se" era
frequentemente uma característica de honra ou autoridade no mundo antigo: um
rei se sentava para receber seus súditos; uma corte se sentava, para julgar; e
um professor sentava-se, para ensinar. O livro de Apocalipse, em particular,
descreve Deus assentado no trono (Ap.4:2,10; 5:1,7,13; 6:16; 7:10,15; 19:4;
21:5), e Jesus como compartilhando esse trono (Ap.1:4,5; 3:21; 7:15-17; 12:5).
O trono de Deus e o santuário (o verdadeiro tabernáculo) colocam o Rei e o Sumo
Sacerdote juntos no mesmo lugar.
Portanto, Jesus não ministra no
tabernáculo ou no templo, que são sombras terrenas da realidade celeste. Ele
ministra na própria realidade celestial, na habitação do próprio Deus. Ele
voltou aos Céu (Hb.4:14), foi feito mais alto do que os céus (Hb.7:26) e
assentou-se à destra do trono da Majestade nos céus (Hb.8:1). Glórias sejam dadas a Ele!
c) A dignidade superior do
Ministério de Cristo – “...ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o
qual o Senhor fundou, e não o homem”.
Os sacerdotes da tribo de Levi
ministravam numa tenda feita pelo homem, um tabernáculo terreno, sombra do
verdadeiro tabernáculo celestial, erigido por Deus, e não pelo homem (Hb.9:24).
Deus deu a Moisés uma cópia do tabernáculo verdadeiro (Êx.25:9,40; 26:30). A
cópia estava na terra; mas o verdadeiro tabernáculo está no Céu. O tabernáculo
e o trono estão interligados.
O profeta Isaías diz que viu o
Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes
enchiam o templo (Is.6:1). Nenhum sacerdote jamais foi exaltado à destra de
Deus nem se assentou no trono à mão direita de Deus Pai. Embora Jesus tenha
consumado sua obra de redenção na cruz, continua como nosso Advogado junto ao
Pai (1João 2:1). Do tabernáculo de Deus, no Céu, fluem bênçãos que ultrapassam
quaisquer bênçãos do sistema sacrificial levítico.
3. O sacerdócio coletivo dos
cristãos
Jesus é o Sumo
Sacerdote da Nova Aliança, e os cristãos são seus sacerdotes (1Pd.2:9;
Ap.1:6; 5:10).
“Mas vós sois a
geração eleita, o sacerdócio real...” (1Pd.2:9).
“Aquele que nos
ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes
para Deus e seu Pai, a ele, poder e glória para todo o sempre. Amém” (Ap.1:5,6).
O Sacerdote Celestial está
conosco; nEle somos o sacerdócio real, o Corpo de Cristo chamado para servir.
No Sacerdócio Celestial de Cristo é que está fundamentado o sacerdócio
universal dos crentes.
Note que todos os crentes são
sacerdotes, e não uma só pessoa de uma tribo específica. Na Nova Aliança não
existe mais a figura do sacerdote, que, na Antiga Aliança, era o mediador entre
o povo e Deus. O pastor não é sacerdote, ele é despenseiro; despenseiro é
aquele que cuida da despensa. E dentro dessa despensa existem ovelhas (filhos de
Deus – a igreja), e essas ovelhas têm dono, seu nome é Jesus Cristo, o nosso
Sumo Pastor (1Pd.5:4).
Portanto, hoje, a mediação entre
Deus e o ser humano não se aplica a nenhum indivíduo, senão ao próprio Cristo,
que se constituiu Sumo Sacerdote do povo redimido. Na Nova Aliança, Cristo é o
único mediador entre nós e o Pai Celeste (1Tm.2:5).
II. O SACERDÓCIO UNIVERSAL DA
IGREJA
Sacerdote é o que se coloca
diante de Deus no lugar do homem, levando suas necessidades à presença daquele
que pode intervir miraculosamente na vida da raça humana.
A Igreja é o corpo de Cristo
(1Co.12:27; Ef.4:12), e esta figura bíblica nos fala de que cabe à Igreja, na
atual dispensação, iniciada com a subida de Cristo aos céus e a vinda do
Espírito Santo para não deixar a Igreja órfã (Jo.14:18), continuar e ampliar as
obras feitas por Jesus em Seu ministério terreno (Jo.14:12), de modo que a
Igreja tem o dever de exercer os três ofícios que eram exercidos pelo Senhor
Jesus. Assim, a Igreja é a portadora legítima e exclusiva dos ministérios
profético, sacerdotal e real.
1. A Igreja, que é formada de
sacerdotes, tem como Sumo Sacerdote o Senhor Jesus
Jesus é descrito nas Escrituras
como o bom Pastor, o Pastor Supremo (João 10:11;
1Pd.5:4), Rei (Ap.19:16; Atos 2:29-36), Profeta (Dt.18:17-19;
Atos 3:22-23; Lc.13:33), Mediador (Hb.8:6; 1Tm.2:5), Salvador
(Ef.5:23). Cada uma destas descrições salienta alguma função que Jesus
desempenha no plano da salvação. Contudo, a mais completa descrição de Jesus
com respeito a sua obra redentora seja a de Sumo Sacerdote (Hb.5:10).
“Sendo por Deus
chamado sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.
O Cordeiro de Deus, que tira o
pecado do mundo, foi imolado. Agora, uma nova ordem perpétua foi inaugurada.
Cristo é sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedeque. Ele morreu
pelos nossos pecados segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou segundo
as Escrituras (1Co.15:3). Sua morte não foi um acidente nem sua ressurreição
foi uma surpresa. Ele está no Céu intercedendo por nós, por isso pode
salvar-nos totalmente (Hb.7:25).
Como Sumo Sacerdote segundo a
ordem de Melquisedeque, Ele é maior que o sacerdócio do Antigo Testamento
(Hb.4:14,15), porque está ligado a uma Nova Aliança (Hb.8:6-13) e ao culto do
templo celestial (Hb.9:1-28).
Portanto, o sacerdócio de Cristo,
segundo a ordem de Melquisedeque, é a consumação do sacerdócio levítico. Aquele
era temporário e transitório, este é permanente e eterno; aquele era sombra,
este é a realidade.
2. A Igreja foi chamada a exercer
o sacerdócio
Pedro denominou a Igreja como
sendo “o sacerdócio real” que tem como finalidade “anunciar as virtudes daquele
que chamou a Igreja das trevas para a maravilhosa luz de Jesus” (1Pd.2:9),
sendo corroborado por João que nos diz, no Apocalipse, que Jesus nos fez “reis
e sacerdotes para Deus e Seu Pai” (Ap.1:6); reis e sacerdotes que, a exemplo do
próprio João, testificam da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo e
de tudo o que têm visto (Ap.1:2). A Igreja deve exercer, na qualidade de corpo
de Cristo, os ofícios sacerdotal, real e profético.
Ocupar a função sacerdotal
implica necessariamente em ministrar a Deus a favor dos homens. É verdade que
todos têm acesso a Deus, através de Cristo Jesus, porém, é também verdade que a
Bíblia nos exorta a orar uns pelos outros e fazer súplicas e intercessões por
todos os homens. É um imperativo, um chamado, um dever, um privilégio.
Todavia, é válido ressaltar que o
papel da Igreja não é o perdão dos pecados, muito menos a mediação entre Deus e
os homens, como, equivocadamente, defendem alguns segmentos religiosos, como o
catolicismo romano ou o mormonismo. O sacerdócio da Igreja não é o sumo
sacerdócio, que é exclusivo de Cristo. Por isso, é falso o ensino a respeito do
chamado “sacerdotalismo”, ou seja, a ideia de que, entre os fiéis, existem dois
tipos de pessoas: os “sacerdotes”, estabelecidos para fazer a mediação entre Deus e os
homens e os “leigos”, meros integrantes da Igreja.
3. Como sacerdotes, a Igreja deve
exercer a Adoração, a Intercessão, a Santificação e o ensino da Palavra de
Deus.
a) O exercício da Adoração. Cabe
aos sacerdotes a responsabilidade pela oferta de sacrifícios, não mais
sacrifícios pelo pecado, vez que Jesus removeu, com seu único sacrifício o
pecado, mas de sacrifícios pacíficos ou “ofertas pacíficas”, que é o nosso
“culto racional” (Rm.12:1), como também o nosso louvor (Os.14:2; Hb.13:15).
É importante que tenhamos uma
liturgia apropriada e adequada em nossas reuniões, como também devemos ter uma
vida de sincera, genuína e verdadeira adoração ao Senhor, para que não venhamos
a ser reprovados como foram os filhos de Arão, que, por apresentarem fogo
estranho perante o Senhor, foram mortos (Lv.10:1-3), algo que continua a
ocorrer nos nossos dias (1Co.11:29,30), visto que, como a Igreja é um povo
espiritual, a morte dos sacerdotes também é espiritual e não física, como se
deu no caso de Nadabe e Abiú.
b) O exercício da Intercessão. “Interceder”
significa “intervir a favor de alguém, pedir, rogar, suplicar”, palavra que vem
do latim “intercedo”, cujo significado é “interpor-se, mediar”. É tarefa
da Igreja pôr-se entre cada membro seu e o Senhor, entre cada ser humano e o
Senhor, pedindo o favor do Senhor para aquela pessoa em favor de quem se
intercede, seja esta pessoa salva, ou não.
A Igreja é convocada para orar
por si mesma (26:41; Lc.22:40), uns pelos outros (Tg.5:16), pela paz em
Jerusalém (Sl.122:6), pelos inimigos da Igreja (Mt.5:44; Lc.6:28), pelos
ministros do Evangelho e pela obra do Senhor (Ef.6:19; 1Ts.5:25; Hb.13:18),
como também pelas autoridades constituídas (1Tm.2:2), como por todos os homens
(1Tm.2:1).
Portanto, a intercessão é uma
tarefa que incumbe à Igreja que se encontra nesta dimensão terrena. Aqueles que
partiram para a eternidade não podem interceder por pessoa alguma que está
sobre a face da Terra (Ec.9:10), pois não há comunicação entre mortos e vivos,
como Jesus deixou bem claro ao nos contar a história do rico e de Lázaro
(Lc.16:19-31). É falso, portanto, o ensino de que os crentes promovidos à
glória possam interceder a favor dos salvos, como ensina, por exemplo, o
catolicismo romano.
c) O exercício da Santificação. Os
sacerdotes precisam ser santos (Lv.21:7). A Igreja é uma nação santa (1Pd.2:9)
e, por isso, tudo quanto é levado até o altar tem de ser santo (Ag.2:12-15).
A Igreja precisa continuamente se
santificar (Ap.22:11), devendo, para tanto, meditar de dia e de noite na
Palavra de Deus, que a santifica (João 17:17), como, também, continuamente se
deixar à disposição do Espírito Santo (2Ts.2:13; 1Pd.1:2), além de manter uma
vida de oração (1Tm.4:5).
d) O exercício do ensino da
Palavra. Cabe aos sacerdotes a instrução do povo de Deus
(2Cr.17:7-9; Ed.7:6,10; Ne.8:7,8). Assim, toda a Igreja deve se dedicar ao
ensino da Palavra (Cl.3:16), mas, especialmente, os pais em relação aos filhos
(Dt.6:6-9) e os pastores e mestres nas igrejas locais (At.6:2,4; Ef.4:11;
1Tm.3:2).
III. O MAIOR E MAIS PERFEITO
TABERNÁCULO
O Céu é o maior e o mais perfeito
Tabernáculo. Cristo serviu e serve neste Tabernáculo. Ele é o Sumo Sacerdote
eterno e perfeito.
“Porque Cristo não
entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu,
para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus” (Hb.9:24).
O Tabernáculo e o Templo terrenos
eram sombras imperfeitas do verdadeiro e perfeito lugar de adoração: o
Santuário Celestial (Hb.8:5). Os caminhos “antigos” do sacerdócio judeu não
mais existem, eles foram substituídos por Jesus, que é o Caminho, a Verdade, e
a Vida (João 14:6). Antes da vinda de Cristo, o sumo sacerdote só podia entrar
em um lugar especial, o Santo dos Santos, para estar na presença de Deus. Hoje,
através da oração, nós podemos entrar na sala do trono, no Céu, e um Dia nós
viveremos eternamente na presença do Senhor.
1. O Santuário terrestre
O Santuário
terrestre era transitório; foi feito por mãos humanas.
Os sacerdotes do santuário
terrestre ministravam apenas as sombras ou imagens das coisas celestiais;
Cristo ministrou a própria substância que lançava aquelas sombras - a vida e a
luz eterna.
Os sacerdotes do santuário
terrestre ofereciam o sangue de animais; Cristo ofereceu o próprio sangue.
Os sacerdotes do santuário
terrestre entravam no santuário muitas vezes porque ofereciam o sangue de
animais pelos pecados do povo; Cristo entrou de uma vez por todas porque
ofereceu o seu próprio sangue.
O ministério dos sacerdotes do
santuário terrestre era contínuo e insuficiente; o de Cristo foi único e obteve
redenção eterna para nós.
Os sacrifícios do santuário
terrestre eram isentos de mácula apenas física; Cristo entregou-se a si mesmo
sem mancha a Deus, isento de toda mácula moral e espiritual. Ele não conheceu
pecado. As bênçãos advindas por meio do santuário terrestre eram temporais; as
que Cristo oferece são espirituais e eternas.
2. O Santuário Celestial
Este Santuário não foi feito por
mãos humanas (Hb.8:2; 9:11). Neste santuário, Deus habitará para sempre com os
seus filhos (Ap.21:3).
“Mas, vindo Cristo,
o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo,
não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hb.9:11).
Os sacerdotes da ordem de Levi
entravam no santuário feito por Moisés, obra das mãos de homens, mas Cristo, o
Sumo Sacerdote da ordem de Melquisedeque, entrou no Santuário Celestial, não
feito por mãos humanas.
“Ora, a suma do que
temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à
destra do trono da Majestade, ministro do santuário e do verdadeiro
tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem” (Hb.8:1,2).
Por isso, o Santuário Celestial é
infinitamente muito superior ao terreno, porque o Cristo exaltado é o Sumo
Sacerdote desse santuário. Ele serve assumindo o seu lugar de direito como
nosso Salvador e Mediador. Aliás, Ele é o único mediador entre Deus e o ser
humano (1Tm.2:5). Nesse Santuário celeste, habita a plenitude da divindade.
3. O sacrifício perfeito de
Cristo
Jesus claramente exerceu o papel
de Sumo Sacerdote da Nova Aliança sobre a terra, quando ofereceu a si mesmo
como o perfeito sacrifício por nossos pecados; mas, foi trazido à vida
novamente para exercer a função de Sumo Sacerdote para sempre, servindo no
Santuário Celeste, à mão direita de Deus Pai (Hb.8:1,2).
Os sacerdotes da ordem levítica
eram homens imperfeitos, realizando sacrifícios imperfeitos, em favor de homens
imperfeitos. Mas Jesus, nosso Sumo Sacerdote, é perfeito, ofereceu um
sacrifício perfeito, a fim de aperfeiçoar para sempre homens imperfeitos.
Portanto, Jesus não é apenas o
sacerdote perfeito, mas ofereceu o sacrifício perfeito e eterno. Ele é a
própria oferta. Ele é o próprio sacrifício. Ele entregou a si mesmo, como
oferta pelo nosso pecado. Sua oferta foi perfeita, completa e eficaz.
Resta afirmar, portanto, que,
sendo Jesus Cristo o nosso Sumo Sacerdote, nunca haverá um tempo em que, ao nos
aproximarmos de Deus, seremos rejeitados. Consequentemente, desviar-se de
Cristo é uma consumada tolice, e a apostasia, a mais incontroversa loucura.
“porque é
impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados. mas este, havendo
oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à
destra de Deus” (Hb.10:4,12).
CONCLUSÃO
O Tabernáculo mosaico findou-se.
Agora temos um Santuário superior e irremovível, um sacrifício perfeito e uma
salvação definitiva e perenal. Na Antiga Aliança, somente o sumo sacerdote
podia entrar uma vez por ano no Santo dos Santos, mas nós, por causa do sangue
de Cristo, podemos ter intrepidez para entrar livremente no Santo dos Santos,
ou seja, na presença de Deus. A santidade de Deus não nos mantém do lado de
fora. Podemos entrar porque a penalidade que merecíamos foi carregada por
Cristo na cruz quando ele padeceu e morreu por nós. Existe acesso irrestrito a
todo aquele que foi lavado no sangue de Cristo. Com a morte de Cristo, o Véu
foi rasgado de alto a baixo, e o caminho para Deus foi aberto (Hb.10:20). Esse
caminho é um novo e vivo caminho. Esse caminho não é um ritual, uma cerimônia
ou uma liturgia, mas uma Pessoa. Esse caminho é Jesus (João 14:6).
Glórias a Deus!



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