quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

JESUS A VERDADE QUE LIBERTA


JESUS A VERDADE QUE LIBERTA

Texto Bíblico: João 7:16-18, 37,38; 8:31-36

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

João 7:

16.Jesus respondeu e disse-lhes: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

17.Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo.

18.Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.

37.E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba.

38.Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.

João 8:

31.Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sereis meus discípulos.

32.E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

33.Responderam-lhe: somos descendência de Abraão, e nunca serviremos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

34.Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.

35.Ora, o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

36.Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres.

Falar sobre Jesus como a Verdade que liberta é mergulhar em uma das declarações mais profundas e impactantes do Evangelho de João (8:32): "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

Diferente de uma verdade puramente intelectual ou científica, a "Verdade" no contexto bíblico é uma Pessoa.

1. A Verdade não é um conceito, é Alguém

No mundo contemporâneo, a verdade costuma ser vista como algo relativo ("a minha verdade"). No entanto, Jesus se apresenta como a verdade absoluta e objetiva:

  • A Identidade: Em João 14:6, Ele afirma: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".
  • A Integridade: Ele é a tradução exata do caráter de Deus em forma humana. Nele não há sombra de variação ou engano.

2. Do que essa Verdade nos liberta?

A liberdade oferecida por Jesus não é necessariamente política ou física, mas sim uma libertação existencial e espiritual:

  • Do Medo e da Culpa: A verdade sobre o perdão de Deus remove o peso de erros passados.
  • Do Pecado: Jesus explica que quem comete pecado é escravo dele. A verdade liberta o indivíduo de vícios, comportamentos autodestrutivos e do egoísmo.
  • Das Mentiras de Identidade: Ela nos liberta da necessidade de buscar aprovação constante ou de definir nosso valor pelo que possuímos.

3. O Processo: "Conhecereis..."

A palavra "conhecer" no grego original (ginosko) implica mais do que apenas saber informações; refere-se à intimidade e experiência.

  • A libertação não acontece apenas por ler a frase, mas por se relacionar com a Fonte.
  • É uma caminhada de aprendizado (discipulado) onde, à medida que você descobre quem Jesus é, você descobre quem você realmente deveria ser.

Ponto de Reflexão: A liberdade cristã não é o direito de fazer o que se quer, mas o poder de fazer o que é certo.

Como aplicar isso hoje?

Viver essa verdade significa trocar as "prisões mentais" (ansiedade, comparação, autossuficiência) pela confiança em uma realidade maior: a de que somos amados e redimidos por algo que não muda com as circunstâncias.

INTRODUÇÃO

Estudaremos a afirmação de Jesus: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32), explorando seu significado profundo e transformador. No Evangelho de João, Cristo não apenas ensina a verdade, mas se apresenta como a própria Verdade encarnada (João 14:6), cuja mensagem liberta o ser humano da escravidão do pecado e da cegueira espiritual.

Analisaremos como Jesus revelou essa verdade em Jerusalém, desafiando a visão distorcida dos líderes religiosos sobre a Lei e expondo suas hipocrisias. Veremos também o contraste entre a religiosidade vazia dos fariseus e a verdadeira liberdade que Cristo oferece àqueles que se rendem a Ele. Por fim, compreenderemos que essa libertação não é apenas moral ou social, mas essencialmente espiritual, pois somente Jesus pode romper as cadeias do pecado e conceder uma nova vida aos que creem Nele.

Que esta lição nos leve a refletir sobre a importância de conhecer a Cristo, a Verdade suprema, e experimentar a plena liberdade que só Ele pode proporcionar.

I. JESUS, A VERDADE EM JERUSALÉM

1. Da Galileia para Jerusalém

No capítulo 7 do Evangelho de João, encontramos Jesus na Galileia, evitando Jerusalém porque os líderes judeus procuravam matá-lo (João 7:1). Seus irmãos, ainda incrédulos, tentaram influenciá-lo a se manifestar publicamente na cidade santa, sugerindo que Ele demonstrasse seus milagres ali para ganhar notoriedade (João 7:3-5). No entanto, Jesus rejeitou essa proposta, pois sabia que sua missão não estava sujeita à aprovação humana, mas ao propósito soberano do Pai (João 7:6-8).

Mesmo assim, conforme a vontade divina, Jesus subiu secretamente a Jerusalém durante a Festa dos Tabernáculos (João 7:10,14). Essa celebração, estabelecida em Levítico 23:33-43 e Deuteronômio 16:13-15, durava sete dias e relembrava a peregrinação de Israel pelo deserto, quando Deus os sustentou milagrosamente. Sua presença na festa era significativa, pois Ele veio como o cumprimento das promessas divinas, sendo a verdadeira provisão de Deus para a humanidade.

Ao afirmar que "o seu tempo ainda não havia chegado" (João 7:6), Jesus não se referia apenas ao momento ideal para ir a Jerusalém, mas, sobretudo, ao tempo exato de sua paixão e morte. Ele sabia que o plano redentor do Pai se cumpriria no momento determinado, quando seria entregue às autoridades religiosas e condenado à cruz (Mt.20:18; João 8:20). Essa submissão à vontade divina demonstra que Jesus estava no controle absoluto de sua missão e que sua vida não era tirada por homens, mas entregue voluntariamente para a redenção da humanidade (João 10:17,18).

Dessa forma, a ida de Jesus a Jerusalém não foi um ato impulsivo nem resultado da pressão de seus irmãos, mas um passo deliberado dentro do cronograma divino. Isso nos ensina a importância de esperar e agir segundo o tempo de Deus, pois Ele tem um propósito soberano para cada situação em nossas vidas.

2. A verdade na Festa dos Tabernáculos – Jesus, o Ensinador Celestial


Durante a Festa dos Tabernáculos, Jesus inicialmente permaneceu em discrição, evitando a exposição pública devido à hostilidade crescente das autoridades religiosas (João 7:10). No entanto, no meio da festa, Ele subiu ao Templo e começou a ensinar com autoridade (João 7:14). Esse momento foi crucial, pois os líderes judeus já estavam divididos em suas opiniões sobre Ele: alguns o viam como um grande profeta, outros o consideravam um impostor, e muitos ainda aguardavam o Messias sem reconhecê-lo (João 7:12,13).

Diante da perplexidade de seus ouvintes, Jesus fez uma declaração fundamental: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou" (João 7:16). Essa afirmação enfatiza que seus ensinos não eram meramente humanos, mas divinos. Ele não falava como um rabino comum ou um intérprete da Lei, mas como aquele que veio diretamente do Pai. Sua autoridade não se baseava em credenciais acadêmicas ou tradição rabínica, mas em sua unidade perfeita com Deus.

Jesus também apresentou um princípio espiritual essencial: "Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo" (João 7:17). Isso significa que o entendimento da verdade divina não vem apenas do conhecimento intelectual, mas da disposição de obedecer a Deus. Aqueles que verdadeiramente desejam seguir a vontade divina reconhecerão que as palavras de Cristo são a expressão perfeita da verdade eterna.

Embora muitos considerassem Jesus apenas um mestre ou profeta, Ele era muito mais do que isso. Ele era o próprio Verbo de Deus encarnado (João 1:14), a revelação suprema da verdade divina. Como Ele mesmo declarou mais tarde: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6).

Dessa forma, Jesus não apenas ensinava a verdade — Ele era a Verdade! Diferente dos escribas e fariseus, que distorciam a Lei para seus próprios interesses, Jesus expunha a verdadeira interpretação da vontade de Deus e revelava o coração do Pai à humanidade.

3. Vivendo na verdade

No Evangelho de João 7:16-19, Jesus reafirma a origem divina de sua doutrina, deixando claro que seu ensino não provém de tradições humanas, mas diretamente do Pai. Ao contrário dos mestres da Lei, que se baseavam em tradições rabínicas e na interpretação dos escribas e fariseus, Jesus falava com autoridade divina, pois Ele mesmo era a expressão da vontade de Deus (João 1:1,14).

A origem celestial da doutrina de Cristo

Jesus afirma: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou(João 7:16). Isso nos ensina que o verdadeiro conhecimento da verdade não vem da sabedoria humana, mas da revelação divina. Jesus não buscava a glória para si mesmo, mas a glória do Pai (Joao 7:18), diferenciando-se dos líderes religiosos que distorciam a Lei em benefício próprio (João 7:19). Seu ensino não era apenas mais uma interpretação entre muitas, mas a perfeita revelação do propósito eterno de Deus.

Hernandes Dias Lopes, citando D.A. Carson, destaca que Jesus não era um inovador arrogante. Enquanto os profetas do Antigo Testamento diziam: "Assim diz o Senhor", Jesus dizia com autoridade: "Em verdade, em verdade vos digo". Isso ocorre porque Ele e o Pai são um (João 10:30), e tudo o que Ele ensina está em perfeita conformidade com a vontade divina.

A Verdade que transforma

Jesus apresenta um princípio fundamental: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo” (João 7:17). Essa afirmação revela que o entendimento espiritual não depende apenas da capacidade intelectual, mas de uma disposição sincera para obedecer a Deus. A verdadeira compreensão da doutrina de Cristo vem pela prática da fé. Quem deseja realmente conhecer a Deus deve estar disposto a viver segundo a sua verdade.

Isso nos ensina que a verdade de Cristo não é apenas para ser conhecida, mas para ser experimentada. Muitos no tempo de Jesus ouviam sua palavra, mas não a colocavam em prática, pois estavam mais preocupados com sua própria glória e tradições do que com a verdadeira vontade de Deus.

A Verdade que liberta

Jesus é a Verdade eterna, que se revelou em Jerusalém, ensinou na Festa dos Tabernáculos, e continua a agir por meio do Espírito Santo hoje. Ele nos chama não apenas para aprender sobre a verdade, mas para vivê-la. Como disse em João 8.32: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Viver na verdade significa seguir os passos de Cristo, rejeitar as mentiras do mundo e submeter-se à vontade do Pai. Isso implica um compromisso diário de andar em obediência, amor e fé, permitindo que a verdade de Cristo transforme nossa mente, coração e ações.

Enfim, Jesus não veio simplesmente para ensinar conceitos teológicos, mas para nos conduzir à verdade que salva e liberta. Sua doutrina não era baseada em tradições humanas, mas na vontade perfeita do Pai. O verdadeiro discípulo não é aquele que apenas ouve, mas aquele que pratica e vive a verdade. Dessa forma, somos chamados a não apenas conhecer a Cristo, mas a segui-lo fielmente, permitindo que sua verdade nos transforme de dentro para fora.

II. JESUS, A VERDADE DIANTE DOS ESCRIBAS E FARISEUS



1. A verdade no episódio da mulher adúltera

O episódio da mulher adúltera (João 8:1-11) é um dos relatos mais marcantes do ministério de Jesus, pois expõe tanto a hipocrisia dos escribas e fariseus quanto a profundidade da graça divina. Os líderes judeus, motivados por intenções maliciosas, não estavam genuinamente interessados em cumprir a Lei, mas sim em armar uma cilada contra Jesus. Se Ele absolvesse a mulher, poderiam acusá-lo de desconsiderar a Lei de Moisés; se ordenasse a execução, contrariaria sua própria mensagem de amor e misericórdia.

Jesus, no entanto, responde com sabedoria divina. Em vez de cair na armadilha dos fariseus, Ele vira a questão contra eles, dizendo: "Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" (João 8:7). Essas palavras desmascaram a hipocrisia dos acusadores e os levam a se retirar um a um, começando pelos mais velhos, que provavelmente tinham maior consciência de suas próprias falhas.

Este episódio ensina que a verdade revelada por Cristo confronta o pecado, não com condenação precipitada, mas com graça e redenção. A mulher, antes condenada à morte, agora recebe das próprias palavras de Jesus uma nova oportunidade: "Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais" (João 8:11). Aqui, vemos a essência do Evangelho: a verdade de Deus não apenas expõe o pecado, mas oferece libertação e transformação para aqueles que se arrependem.

2. Jesus, a Verdade revelada

O episódio da mulher adúltera (João 8:1-11) não apenas expõe a hipocrisia dos escribas e fariseus, mas também revela a identidade única de Jesus como a própria Verdade encarnada. Enquanto os líderes religiosos manipulavam a Lei para seus próprios interesses, Cristo demonstrava que a verdade divina não pode ser deturpada nem subjugada pela hipocrisia humana.

Quando Jesus afirma: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14:6), Ele deixa claro que a Verdade não é apenas um conceito filosófico ou teológico, mas uma realidade viva e absoluta, personificada n’Ele mesmo. Diferente dos mestres religiosos da época, que ensinavam sobre Deus baseando-se apenas na tradição, Jesus é o próprio Deus em carne, a plena revelação da verdade divina.

A resistência dos fariseus à verdade de Cristo demonstra a dureza do coração humano diante da luz de Deus. No entanto, nenhuma oposição pode impedir a verdade de se manifestar. Como o sol que rompe as trevas, a verdade de Cristo dissipa as sombras da religiosidade vazia e da justiça própria, oferecendo em seu lugar a graça que transforma vidas.

Jesus não apenas ensina a verdade; Ele é a Verdade. E essa Verdade não é relativa nem fragmentada, mas absoluta e essencial para a salvação. Não há outro caminho para Deus além d’Ele. Portanto, reconhecer e aceitar essa Verdade é a única maneira de experimentar verdadeira libertação espiritual e comunhão com o Pai.

3. A Verdade que o mundo precisa conhecer

A busca pela verdade é uma das inquietações mais profundas da humanidade. Filósofos tentam defini-la em termos éticos e morais; cientistas a investigam pela lógica e pelos experimentos; místicos a procuram no esoterismo e nas práticas espirituais alternativas. No entanto, a verdade genuína não se encontra em teorias ou conjecturas humanas, mas na pessoa de Jesus Cristo, que declarou: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida" (João 14:6).

A Bíblia ensina que Cristo não apenas fala a verdade, mas Ele mesmo é a verdade absoluta. Em Colossenses 2:9,10, Paulo afirma que "nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e estais completos nele". Isso significa que a verdadeira essência da existência e do conhecimento reside unicamente em Jesus, pois n'Ele toda sabedoria e todo propósito encontram sua plena realização.

O problema do mundo não é a ausência de conhecimento, mas a rejeição da verdade divina. Em sua cegueira espiritual, a humanidade prefere buscar respostas em sistemas que, por mais sofisticados que sejam, são limitados e falhos. Mas a verdade de Cristo transcende o conhecimento humano. Ele não é apenas mais uma alternativa; Ele é a única verdade que pode libertar o homem da escravidão do pecado e dar-lhe uma vida plena e eterna (João 8:32,36).

Portanto, a grande necessidade do mundo não é apenas um maior acesso à informação, mas sim um encontro genuíno com aquele que é a Verdade em sua essência. Somente por meio de um relacionamento pessoal com Jesus, o Salvador, é possível conhecer a realidade última e experimentar a verdadeira liberdade espiritual.

III. JESUS, A VERDADE QUE LIBERTA O PECADOR

1. A verdade que liberta

A passagem de João 8:31-38 enfatiza a relação direta entre permanecer em Cristo e experimentar a verdadeira liberdade espiritual. Jesus declara: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31,32). Aqui, vemos que a libertação não é um evento isolado, mas um processo contínuo de permanência na Palavra de Deus.

Os judeus a quem Jesus se dirigia confiavam na descendência de Abraão como garantia de sua salvação (João 8:33). No entanto, o Senhor lhes revela que o verdadeiro problema não é a escravidão política ou social, mas a escravidão espiritual ao pecado (João 8:34). O pecado age como um senhor tirano que aprisiona a alma e impede o homem de viver plenamente segundo a vontade de Deus.

A grande promessa de Cristo é que somente Ele tem autoridade para libertar o pecador: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Essa liberdade não se limita à libertação de hábitos pecaminosos, mas se refere a uma transformação total da vida. Em Cristo, somos livres da culpa, do domínio do pecado e da condenação eterna (Romanos 8:1,2).

Assim, a verdade que liberta não é uma simples informação ou conhecimento intelectual, mas a verdade viva e eficaz que é o próprio Cristo. Quem se rende a Ele não apenas descobre a verdade, mas é transformado por ela e conduzido à vida abundante e eterna.

2. O que é a Verdade? 

No Evangelho de João, a verdade não é um conceito abstrato ou meramente filosófico, mas uma realidade viva e transformadora, personificada na pessoa de Jesus Cristo. Ele não apenas ensina a verdade, mas declara com autoridade: “Eu sou.... a verdade....” (João 14:6). Isso significa que a verdade, segundo a revelação bíblica, não é apenas um princípio moral ou um sistema de conhecimento, mas uma pessoa divina que conduz à comunhão com Deus e à libertação do pecado.

Essa verdade tem um caráter libertador: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Cristo deixa claro que o conhecimento da verdade não se limita a uma compreensão intelectual, mas envolve um relacionamento transformador com Ele. O pecado escraviza, obscurece o entendimento e distancia o ser humano de Deus, mas a verdade em Cristo restaura, ilumina e traz vida abundante.

A liberdade que a verdade de Cristo proporciona não é apenas moral ou social, mas espiritual e eterna. Em Jesus, somos livres da condenação do pecado (Romanos 8:1), da influência de Satanás (Colossenses 1:13) e da morte eterna (João 11:25-26). Assim, a verdadeira liberdade não consiste em fazer tudo o que queremos, mas em sermos capacitados a viver conforme a vontade de Deus, libertos do poder destrutivo do pecado.

Portanto, a verdade em João não é um conceito relativo ou subjetivo, mas uma realidade absoluta. Essa verdade é Cristo, e somente Ele pode dar ao homem o sentido pleno da existência, libertando-o do erro, da escravidão espiritual e conduzindo-o à vida eterna.

3. Verdadeiramente livres

As Escrituras revelam a real condição da humanidade afastada de Deus: o pecado entrou no mundo por meio de Adão e, com ele, veio a morte, tanto física quanto espiritual (Romanos 5:12). Dessa forma, todos os seres humanos nascem sob a escravidão do pecado, incapazes de se libertarem por si mesmos. Essa realidade espiritual evidencia que a verdadeira liberdade não consiste na autonomia humana, mas na restauração operada por Cristo.

Jesus declarou: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Essa liberdade não é meramente externa ou social, mas uma libertação total e profunda do domínio do pecado e do poder de Satanás (Colossenses 1:13). O pecado escraviza, corrompe e conduz à separação eterna de Deus, mas Cristo, pela Sua obra redentora, quebra as correntes espirituais, restaurando-nos à comunhão com o Pai (2Coríntios 5:17).

O apóstolo Paulo ensina que aqueles que foram libertos por Cristo não mais vivem segundo a carne, mas segundo o Espírito (Romanos 8:1-2). Isso significa que a verdadeira liberdade não está na ausência de regras, mas na capacitação para viver conforme a vontade de Deus. Em Cristo, somos livres da condenação do pecado e do jugo do diabo (Efésios 2:1-7), e passamos a experimentar uma nova vida em justiça e santidade.

Além disso, essa liberdade nos conforma à imagem de Cristo. Quanto mais nos rendemos à ação do Espírito Santo, mais o nosso caráter reflete o de Jesus, e mais nos tornamos verdadeiramente livres do poder do pecado. A verdadeira liberdade cristã não é fazer o que queremos, mas sermos capacitados a fazer aquilo para o qual fomos criados: glorificar a Deus e viver em santidade.

Portanto, ser verdadeiramente livre não significa apenas estar livre do pecado, mas viver para Deus. A liberdade em Cristo é uma transformação contínua, que nos conduz à plenitude da vida espiritual e à esperança da glória eterna.

 

CONCLUSÃO

A verdadeira liberdade não é apenas um conceito filosófico ou uma condição social, mas uma realidade espiritual que só pode ser encontrada em Cristo. Ele não apenas proclama a verdade—Ele é a própria Verdade (João 14:6). Aqueles que se rendem a Ele e permanecem em Sua Palavra experimentam uma transformação radical, sendo libertos do domínio do pecado, da condenação e da influência de Satanás (João 8:31-36).

O mundo busca liberdade em ideologias, prazeres e filosofias humanas, mas a verdadeira libertação não está em sistemas humanos, e sim na obra redentora de Cristo. Somente Ele tem o poder de quebrar as cadeias espirituais que aprisionam a humanidade, restaurando a comunhão com Deus e proporcionando uma nova vida em justiça e santidade.

Diante dessa realidade, a Igreja tem a missão de proclamar essa Verdade ao mundo. Não há solução duradoura para a humanidade sem Jesus. Que sejamos instrumentos para levar essa mensagem libertadora a todos, para que mais pessoas conheçam a Verdade que transforma e conduz à vida eterna.

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O REINO DE DEUS


O REINO DE DEUS

Texto Bíblico: Marcos 4:1-3,10-12; Lucas 17:20,21

"Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" Mt 6.33.

1. O que é o Reino de Deus?

A palavra grega para Reino é Basileia, que se refere menos a um território geográfico e mais ao exercício do poder real.

  • Não é deste mundo: Jesus esclareceu a Pilatos que Seu reino não segue a lógica dos sistemas políticos humanos baseados na força (João 18:36).
  • É espiritual e interior: Ele começa no coração do homem através da submissão à vontade divina (Lucas 17:21).

2. A Tensão do "Já e Ainda Não"

Este é o ponto chave para entender a Bíblia. O Reino de Deus possui duas dimensões temporais:

  1. O "Já" (Presente): Jesus afirmou que, se Ele expulsava demônios, o Reino já havia chegado (Mateus 12:28). Ele está presente onde o Rei é obedecido.
  2. O "Ainda Não" (Futuro): O Reino terá sua consumação plena apenas no retorno de Cristo, quando todo mal será destruído e a criação restaurada (Apocalipse 21:1-4).

3. As Características do Reino

Jesus usou parábolas para descrever como esse Reino funciona. Elas revelam valores invertidos em relação ao mundo:

  • O Crescimento Gradual: Como a semente de mostarda, o Reino começa pequeno e cresce até se tornar influente (Mateus 13:31-32).
  • O Valor Supremo: É como um tesouro escondido ou uma pérola de grande valor; vale a pena renunciar a tudo para possuí-lo (Mateus 13:44-46).
  • A Ética do Reino: No Sermão do Monte (Mateus 5-7), vemos que os "bem-aventurados" são os humildes, os que choram e os mansos — o oposto do que a sociedade costuma exaltar.

Resumo para Meditação

Aspecto

Descrição

Referência

Entrada

Arrependimento e novo nascimento

João 3:3

Prioridade

Deve ser buscado antes de qualquer necessidade

Mateus 6:33

Natureza

Justiça, paz e alegria no Espírito Santo

Romanos 14:17

Síntese:

O Reino de Deus é o convite para vivermos sob o governo de um Rei bom. Buscar o Reino hoje significa alinhar nossos pensamentos, escolhas e caráter com a vontade de Deus, enquanto aguardamos o dia em que Ele fará novas todas as coisas.

INTRODUÇÃO:

Estudo sobre o Reino de Deus nas Escrituras e sua manifestação no presente e futuro. No presente, esse Reino é visto no dia a dia dos salvos, que se submetem aos mandamentos do Senhor e pautam por andar de acordo com as Escrituras. No futuro, este Reino será manifesto por ocasião do Milênio, quando a paz e a justiça tão aguardadas será vista por todos. Ressaltamos que o Reino de Deus foi o tema central da mensagem de Jesus Cristo. Ora, se este tema é central na mensagem de Cristo e a Sua mensagem é o Evangelho, tem-se como consequência inevitável que o tema do Reino de Deus deve, também, ser um assunto a ser anunciado e ensinado pela Igreja, que continua a obra do Senhor. No entanto, vemos que não é este um assunto presente nos ensinos e pregações da Igreja, tanto que nem sequer tem sido considerada como uma doutrina bíblica fundamental. A Igreja precisa entender o que é o Reino de Deus, até mesmo porque temos um mandamento que diz: “buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6:33).




I. CONCEITO BÍBLICO DE REINO DE DEUS

1. O que é um reino? Basicamente, trata-se de um território governado por um rei; nesse território, certamente, existe um povo. O governo de um rei é o cumprimento da sua vontade expressa através das leis e decretos reais. Assim sendo, pode-se dizer que o Reino de Deus só pode ser um povo cujo rei é Deus, que, além de governar este povo, obtém dele o cumprimento de Sua vontade, que é expressa através de regras. Diante desta realidade, vemos que o Reino de Deus é o conjunto de pessoas que cumpre a vontade do Senhor, expressa nas Escrituras Sagradas, povo este formado por pessoas de todas as nações da face da Terra.


O “Reino de Deus” sempre nos é apresentado pelo Senhor Jesus como uma dupla realidade, ou seja, como algo presente e algo futuro. De pronto, portanto, podemos entender que o reino de Deus não é algo passado, algo que pudesse ter ocorrido antes da manifestação do Verbo Divino. Assim, não tem cabimento o pensamento de que o reino de Deus significa a soberania divina sobre todas as coisas criadas. Deus é Senhor de todas as coisas desde antes que elas existissem, pois Ele é Eterno. Portanto, o Reino de Deus não se confunde com a soberania de Deus, pois é uma realidade que surgiu com a encarnação do Senhor Jesus.
O “Reino de Deus” é o pleno senhorio de Deus na vida de cada ser humano que aceita submeter-se a Ele. Não é algo que tenha aparência exterior, pois a submissão é uma decisão interior de cada ser humano. Por isso, o “Reino de Deus” não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17).

O “Reino de Deus” mostra-nos o propósito de Deus para o homem (daí porque devemos buscá-lo), que é o de termos uma comunhão plena onde nada poderá nos separar da presença e da glória do Senhor, visto que, hoje em dia, isto ainda se dá apenas em parte (1Co 13:12; 1João 3:2).


O “Reino de Deus” não se confunde com a Igreja. Esta é uma realidade presente, é uma nação santa, mas está a buscar o reino de Deus (Mt 6:33). Se a Igreja busca o reino de Deus é porque com Ele não se confunde. Os patriarcas, os profetas, o ladrão arrependido da cruz pertencem ao Reino de Deus, mas nunca pertenceram à Igreja. No reino, estarão tanto a esposa quanto os amigos do esposo (João 3:29). Temos, portanto, que a Igreja, embora já seja existente, é ainda apenas a noiva, mas na plenitude do “reino de Deus”, será a esposa. Enquanto o “reino de Deus” é o propósito, a Igreja é um instrumento, é o meio pelo qual o Senhor proclama e anuncia o “Reino de Deus”.


O “Reino de Deus” não é um lugar, nem mesmo é o Céu. Se fosse o céu, não faria sentido a afirmação de Paulo de que nós já saímos do império das trevas e fomos transportados para esse Reino (Cl 1:13). Se o Reino é o céu, também não faria sentido a declaração de Jesus em Lc 17:20,21: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós”.


Assim sendo, buscar o Reino de Deus não é viver esperando o céu, mas é fazer a vontade de Deus aqui. Até mesmo porque, como disse Jesus, “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7:21).
2. Os aspectos do Reino de Deus. Conforme as Escrituras, o Reino de Deus apresenta dois aspectos: o Reino secreto, que teve início com a ressurreição de Cristo, representado pela Igreja – o Reino presente; o Reino institucional, visível, que será iniciado com a Volta de Cristo – o Reino futuro.


a) O Reino de Deus presente. “E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Porque eis que o Reino de Deus está entre vós” (Lc 17:20,21).
Os fariseus perguntaram sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Bem entendido, por trás dessa pergunta eles queriam saber quais seriam os sinais que indicariam a chegada do Reino. Assim como nós, eles também fantasiavam muito. Mas a resposta de Jesus, até certo ponto, foi decepcionante: “Não vem o Reino de Deus com aparência exterior” (ou visível aparência).


Quando Jesus disse que o Reino já estava presente, dentro de vós” ou “entre vós”, certamente dirigindo-se aos fariseus que não aceitavam a sua mensagem, quis demonstrar que nele a presença do Reino de Deus devia ser reconhecida. Jesus quer que o mundo saiba, através da vida dos seus seguidores, daqueles que são seus súditos, que o Reino de Deus já está presente. O papel de um cristão, o papel de um cidadão do Reino de Deus é sinalizar a presença do Reino entre os homens e dentro daqueles que tem Jesus como seu Rei e Senhor.
Porém, temos que admitir, por outro lado, que o Reino de Deus não é apenas uma realidade interior. Jesus quis dizer que Ele próprio é o reinado de Deus entre os homens. Através dele, Deus está realizando seu projeto. Mas qual projeto? O de salvar, libertar e restaurar. Essa é a presença do Reino de Deus. Dessa forma, o Reino de Deus, em Jesus, se torna presente e manifesto. E isso acontece sempre que alguém abre a sua vida para receber o Rei Jesus como Senhor! Que possamos orar sinceramente: “Venha o teu Reino, faça-se a tua vontade” (Mt 6:10).
b) O Reino de Deus futuro. “E disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. E dir-vos-ão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Não vades, nem os sigais, porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do Homem no seu dia” (Lc17:22-24). O assunto tratado nesta passagem mostra o retorno de Jesus para estabelecer o seu Reino institucional, visível, na Terra. Quando Ele voltar a este mundo, quando Ele triunfar sobre reis e nações (Ap 11:15-18; 19:11-21), o Reino será visto com todo o seu poder e glória (Lc 14:24; cf Mt 24:30).


Aqui, o texto mostra que depois de responder aos fariseus que não acreditavam nos seus ensinamentos, que não criam que nele mesmo o reino de Deus estava presente, Jesus mudou de auditório. Ele aproveitou a oportunidade para continuar ensinando sobre o assunto da vinda do Reino de Deus, mas dirigiu-se aos discípulos, dirigiu-se aos seus seguidores. As palavras de Jesus necessitam de credibilidade.


No futuro, o Reino de Deus há de ser igualmente manifesto, quando o Senhor Jesus Cristo aprisionar o Diabo e instaurar os mil anos de paz tão esperados pelos salvos em Cristo. Nesse período, não haverá guerras, e o Senhor será o Rei de todos os homens. Até mesmo a natureza (fauna e flora) “espera” por esse glorioso Dia (Rm 8:19-23). Ninguém poderá, em sã consciência, duvidar da existência de Deus e de seu poder, pois quem quiser saber o verá ali, governando com a justiça que todos desejam. Vem Senhor Jesus!!


3. O governo do Reino. Um Reino se refere ao âmbito ou espaço em que a vontade de um Rei é feita. Quando não há um Rei governando, não há Reino. Isso é demonstrado no final do livro de Juízes, que diz: “Naqueles dias, não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21:25). Assim, o Reino de Deus está onde a vontade de Deus é feita; pode estar em pessoas que faz a vontade de Deus. Por isso Jesus ensinou a orar: “Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6:10). Assim como no céu a vontade de Deus é absoluta, assim ela também deve ser entre nós. O reino de Deus é o reino dos céus, um governo a partir dos céus, posto que “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103:19).


É claro que haverá um momento em que o Reino de Deus será estabelecido em toda a sua plenitude, com o resgate do estado perfeito da sua criação (o projeto original do Reino de Deus) - quer no âmbito espiritual, quer no âmbito físico -, que foi destituída da glória de Deus(Rm 3:23). Mas ele já é uma realidade hoje em cada coração que decide fazer a vontade de Deus, negando-se a si mesmo, tomando sua cruz e seguindo a Jesus.


II. O REINO DE DEUS NAS ESCRITURAS

Não podemos ter a perspectiva da existência do Reino de Deus se não observarmos o que as Escrituras informam sobre ele. Juntando todas as referências ao reino nas Escrituras, podemos traçar seu desenvolvimento histórico em cinco fases:


Em primeiro lugar, o reino foi profetizado no Antigo Testamento. Daniel predisse que Deus suscitaria um reino que nunca seria destruído e que nem passaria para outro povo (Dn 2:44). Ele também previu a vinda de Cristo para exercer um domínio universal e eterno (Dn 7:13-14).
Em segundo lugar, o reino era descrito por João Batista, Jesus e os doze apóstolos como estando próximo (Mt 3:2; 4:17; 10:7). Em Mateus 12:28, Jesus disse: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós”. Em Lucas 17:21, ele disse: “...o reino de Deus está dentro de vós” ou no vosso meio. O reino estava presente na pessoa do Rei.


Em terceiro lugar, o reino é descrito numa forma interina. Após ser rejeitado pela nação de Israel, o Rei retornou ao Céu. Mesmo com a ausência do Rei, o reino existe hoje no coração de todos os que reconhecem o reinado de Jesus e seus princípios morais e éticos, incluindo o Sermão do Monte, que são aplicáveis a nós hoje. Essa fase interina do reino está descrita nas parábolas de Mateus 13.


A quarta fase do reino é o que poderíamos chamar de manifestação. Esse é o reinado de mil anos na Terra que foi descrito na transfiguração de Cristo quando ele foi visto na glória do seu reino que estava por vir (Mt 17:1-8). Jesus se referiu a essa fase em Mateus 8:11 quando disse: “... muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reinado dos céus”.


Em quinto lugar, a forma final será o Reino Eterno. É descrito em 2Pedro 1:11 como o “reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Será o tempo no qual se cumprirá a profecia de Daniel em que os reinos deste mundo serão destruídos, o mal aniquilado, restabelecer-se-á a comunhão perfeita com Deus e o Senhor reinará com justiça para sempre. Não será o resultado da utopia socialista, do avanço dos conhecimentos científicos, da unificação dos credos em uma só religião mundial, nem de qualquer desenvolvimento moral da sociedade, mas do propósito original para a criação. Na presente manifestação do Reino de Deus, ser salvo implica a libertação do poder e dos valores do mundo, em Deus deter o poder de Satanás e dos demônios, mas em sua dimensão escatológica traduz a idéia da redenção do corpo – “o livramento da mortalidade” – em que o crente redimido assemelhar-se-á ao próprio Senhor em sua imortalidade. Nessa bendita Era o inimigo e os seus agentes já terão sido banidos para o lago de fogo. Haverá a plena ausência do mal e o pleno triunfo do bem. Será também a época em que a comunhão restaurada em sua plenitude terá como símbolo maior o banquete entre Cristo e a Igreja.


1. No Antigo Testamento. Embora a expressão Reino de Deus não aparece no Antigo Testamento, o Senhor é apresentado como o Rei de Israel (Is 43:15), da Terra e de todo o Universo (Sl 24; 47:7,8; 103:19). Estas e outras referências manifestam a prerrogativa soberana de Deus sobre a criação. Ele reina para sempre (Sl 29:10). Todavia é bom salientar, que o Reino de Deus não se confunde com Sua Soberania. Como disse anteriormente, Deus é Senhor de todas as coisas desde antes que elas existissem, pois Ele é eterno. Deste modo, o reino de Deus não se confunde com a soberania de Deus, pois é uma realidade que surgiu com a encarnação do Senhor Jesus.


2. Em o Novo Testamento. A mensagem central do Novo Testamento é o Reino de Deus ou Reino dos Céus. Este Reino foi anunciado por João Batista (Mt 3:2) e confirmado pelo ensino de Jesus Cristo (Mt 6:33).


a) Na pregação de João Batista. A sua mensagem era: “Arrependei-vos porque é chegado o Reino dos Céus” (Mt 3:2). O Rei apareceria logo, mas Ele não podia e nem reinaria sobre um povo que se apegasse a pecados. Eles tinham que mudar de direção e precisavam confessar e abandonar seus pecados. Deus estava chamando-os do reino das trevas para o Reino dos Céus.


b) No ensino de Jesus. No Novo Testamento, Jesus mostrou que o Reino de Deus havia chegado, e que todos eram convidados a ser participantes dele, desde que se arrependessem e aceitassem a mensagem do Evangelho.


A Bíblia afirma-nos que a mensagem de Cristo para o Seu povo, para quem viera (João 1:11), era o “Evangelho do reino de Deus” (Mc 1:14). Tratava-se de uma mensagem simples, “curta e grossa”, que dizia:


a) o tempo está cumprido. Jesus anunciava aos judeus que chegara o tempo determinado pela lei e pelos profetas para o surgimento do Messias. Jesus tinha vindo cumprir tudo quanto havia sido escrito a Seu respeito. Como nos ensina o apóstolo Paulo, havia chegado “à plenitude dos tempos” (Gl 4:4).


b) o reino de Deus está próximo. Aqui Jesus anuncia a novidade. O que havia sido prometido estava se cumprindo, mas, como Emanuel, ou seja, Deus conosco, Jesus vinha trazer ao Seu povo a proximidade do reino de Deus. O reino não havia chegado, mas estava próximo, ou seja, ele não se imporia sobre o povo de Israel, mas, a exemplo da lei, estava sendo oferecido, era tornado acessível a todos quantos o aceitassem.


c) Arrependei-vos. Jesus apresenta o mistério para que o reino de Deus, que estava próximo, se tornasse uma realidade na vida de cada um: o arrependimento dos pecados. O reino de Deus não era uma estrutura política, social ou econômica que seria imposta aos judeus, mas, pelo contrário, seria o estabelecimento de uma comunhão entre Deus e cada um dos israelitas. Para tanto, necessário se faria a remoção dos pecados. Jesus vinha para demonstrar a iniciativa divina neste empreendimento, mas para que o reino de Deus se instalasse, era necessário o arrependimento.


d) e crede no Evangelho. Havendo um arrependimento, o reino de Deus se instalaria se houvesse fé na mensagem. As duas coisas que deveriam ser feitas pelo povo judeu, portanto, seria o arrependimento de seus pecados e a fé na mensagem trazida pelo Senhor. O reino de Deus, porém, não se instalou na nação judaica, porque ela não recebeu o Senhor, não creu Nele nem em Sua mensagem. Ante a rejeição de Israel, a pregação do reino de Deus se estendeu também aos gentios (Mt 21:43; At 11:18; Rm 11:11), abrindo-se, então, uma oportunidade para que recebessem a Deus através de Jesus Cristo (João 1:12,13; Rm 9:30-33,10:11-25). Vive-se o momento da dispensação aos gentios, da oportunidade para que todos aceitem a Cristo como Salvador (Mt 24:14; 28:19; Mc 16:15).


3. Reino de Deus ou Reino dos Céus. “Disse, então, Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no Reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus” (Mt 19:23,24).
A expressão “reino dos céus” somente encontramos no evangelho de Mateus (31 vezes na Versão Almeida Revista e Corrigida), mas a expressão “reino de Deus” é encontrada em todos os quatro evangelhos. Para todo propósito prático não há nenhuma diferença – as mesmas coisas são ditas a respeito de ambos. Por exemplo, em Mateus 19:23, Jesus disse que seria difícil a um homem rico entrar no reino dos céus. Tanto Marcos (10:23) como Lucas (18:24) registram o que Jesus disse a respeito do reino de Deus (ver, também, Mt 19:24, que registra um aforismo semelhante usando “o reino de Deus”). Isto mostra que as expressões são equivalentes.


III. AS MANIFESTAÇÕES DO REINO DE DEUS

1. No passado. O projeto de Deus sempre foi que o seu povo vivesse na terra dirigido e governado pelo céu. De Moisés a Samuel o governo de Israel foi a Teocracia, isso durou cerca de 450 anos; então, o povo de Israel rejeitou a teocracia e adotou a monarquia (1Samuel 8:4-7,19-22). A monarquia trouxe sérias consequências para Israel; a pior delas foi a divisão da nação. Quando o Senhor Jesus veio, Ele mostrou com a sua vida como é que se vive governado pelas leis do céu, fazendo toda a vontade de Deus, cumprindo os seus propósitos e assim, implantando o Reino de Deus na terra.


Há correntes teológicas que entendem ser a monarquia em Israel um fato tolerado pelo Senhor, visto que os planos divinos tinham por objetivo uma unidade das tribos de Israel, sob o comando direto de Deus, que falava por meio de seus profetas e organizava a sociedade pela lei de Moisés. Em que pese essas opiniões, o sistema monárquico abriu caminho para a vinda do Messias como Rei não apenas da nação, mas de todos os homens. E Deus deixou claro que o Messias viria da linhagem do rei Davi. O Senhor Jesus Cristo é da descendência de um rei, o que lhe legitima receber o trono de Israel: "Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai," (Lc 1:32)

2. No presente. O Reino de Deus tem uma dimensão presente, que se configura no cumprimento em Cristo de todas as promessas messiânicas do Antigo Testamento. A expressão “é chegado”, que aparece tanto em Mateus 4:17 como em 12:28, segundo pensam os eruditos, denota a idéia de “presença real”, agora, e não de proximidade, como algo apenas para o futuro. Ou seja, a presença pessoal do Messias na história implica a presença efetiva do Reino de Deus entre os homens. Ele se manifesta a partir do coração de cada um, daí onde se percebe que o Reino está presente é também possível sentir os seus efeitos. Jesus disse: “Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, é conseguintemente chegado a vós o Reino de Deus” (Mt 12:28; Lc 11:20; Lc 17:20b, 21). A primeira mensagem de Jesus aos seus ouvintes assim com a de João, o batista foi: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus” (Mt 3:2).


Tanto é uma realidade presente o reino de Deus que, desde já, o podemos ver (João 3:3), como, também nele entrar (Mt 19:24; 21:31; Mc 9:47; 10:15;10:23-25; Lc 16:16; João 3:5; At 14:22), algo que está entre nós, ainda que não com aparência exterior (Lc 17:20,21). Além disso, é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).


3. No futuro. O aspecto futuro do Reino de Deus está ligado ao reino milenar de Cristo sobre a terra por ocasião da sua segunda vinda em glória (1Co 15.23-25; Ap 20:1-6). Há aqueles que totalmente materializam o Milênio, e os que no todo o espiritualizam. Evitemos esses extremos. Essa época áurea do Milênio é ansiosamente aguardada pelo povo israelita (ler Lucas 2:38 e Atos 1:6,7). Jesus não lhes tirou esta esperança, apenas não revelou o tempo e a hora do seu cumprimento. É esta esperança que tem impulsionado o regresso dos judeus à sua pátria e também motiva o seu rápido progresso. O Milênio será a resposta aos milhões de orações do povo de Deus através dos tempos: “Venha o Teu Reino!”.


Durante o Milênio toda e qualquer oposição a Deus será neutralizada por Cristo (1Co 15:24-26). Ele preparará a Terra para o estabelecimento do Reino Eterno de Cristo sob Deus, conforme a palavra divina em Lucas 1:32,33.


A Forma de Governo, no milênio, será teocrática, isto é, Cristo reinará diretamente, através de seus representantes. A profecia inicial disto está em Gênesis 49:10. Outras referencias são Isaias 1:26 e Daniel 7:27.


No Milênio, todos os reinos do mundo estarão sob o senhorio de Cristo. Cumprir-se-á em sua plenitude Filipenses 2:10,11: “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”. Nesse Dia conheceremos a letra e a música da “Canção dos Reis da Terra”, cujo relato e tema estão no Salmo 138:4,5. Todos os reis e chefes de estado, sem exceção, cantarão essa canção. O Salmo 72:8-19 descreve com mais detalhes as glórias desse reino universal e teocrático de Cristo.


Com o estabelecimento do Milênio findará aqui na Terra toda e qualquer supremacia e predominância de nações, com exceção de Israel: “O Senhor será rei sobre a Terra; naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome” (Zc 14:9).


A Igreja integrará a administração de Cristo (1Co 6:2; Ap 2:26,27), todavia o Milênio será um reino proeminentemente judaico. Jesus reinará sobre Israel através de seus apóstolos, conforme sua promessa feita em Mateus 19:28, e reinará sobre os gentios certamente através da Igreja. As passagens de Ezequiel 34:23,24; 37:24-25; Jeremias 30:9; Oséias 3:5 indicando que Davi reinará, certamente, apontam para o grande Filho de Davi, como é chamado nos evangelhos o Senhor Jesus (ver Isaias 16:5 e Lucas 1:32,33).


O Reino de Cristo sobre todas as nações será literal e universal. Ele vem para reger as nações como REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. Sendo Ele o potentado único que regerá no Milênio, cabe-lhe bem a doxologia de 1Timóteo 1:17: “Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém”.


CONCLUSÃO

O “reino de Deus” está progressivamente se revelando. Começou a fazê-lo com a revelação da Divindade em Cristo Jesus, com a manifestação do Seu mistério, que é a Igreja, mas ainda o fará por intermédio do reino millenial de Cristo e, por fim, após o Juízo do Trono Branco, com a retirada dos atuais céus e terra, se manifestará em toda a sua plenitude, pois, como o reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo, sua manifestação plena somente se poderá dar em “novos céus e nova terra onde habitam a justiça” (2Pedro 3:13).

 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

TER PACIÊNCIA

 

TER PACIÊNCIA


Texto Bíblico: Tiago 5:7-11

“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação [...]" (Rm.12:12).

A Bíblia aborda a paciência não apenas como uma "espera passiva", mas como uma virtude ativa e uma demonstração de força espiritual. No grego do Novo Testamento, a paciência é frequentemente traduzida de duas formas: makrothumia (paciência com as pessoas) e hupomone (perseverança sob circunstâncias difíceis).

Aqui estão os pilares do que as Escrituras ensinam sobre o tema:

1. A Origem da Paciência

Para a Bíblia, a paciência não é algo que fabricamos sozinhos, mas um reflexo do caráter de Deus e uma evidência de maturidade espiritual.

  • Fruto do Espírito: Em Gálatas 5:22, a paciência é listada como parte do "Fruto do Espírito". Isso significa que ela cresce naturalmente à medida que a pessoa se aproxima de Deus.
  • O Exemplo de Deus: Deus é descrito como "longânimo" (lento para se irar). A paciência humana é vista como uma imitação dessa misericórdia divina.

2. Paciência nas Tribulações

A Bíblia reconhece que a vida é difícil, mas sugere que o sofrimento tem um propósito educativo.

  • Tiago 1:2-4: Este trecho afirma que a "prova da vossa fé produz paciência" e que essa paciência deve completar sua obra para que o indivíduo seja "perfeito e íntegro".
  • Romanos 5:3-4: Paulo escreve que nos gloriamos nas tribulações, porque a tribulação gera paciência, a paciência gera experiência e a experiência gera esperança.

3. Paciência nos Relacionamentos

Ter paciência com os outros é visto como um ato de amor e humildade.

  • Efésios 4:2: Recomenda suportar uns aos outros em amor, com toda humildade e mansidão.
  • 1 Coríntios 13:4: A famosa definição de amor começa com: "O amor é paciente".

4. Exemplos Práticos e Metáforas

A Bíblia utiliza figuras do cotidiano para ilustrar a espera confiante:

Exemplo

Lição

O Lavrador

Assim como o agricultor espera a chuva e a colheita, devemos esperar o tempo de Deus (Tiago 5:7).

Citado como o maior exemplo de perseverança diante de perdas catastróficas.

Abraão

Esperou décadas pelo cumprimento de uma promessa, sendo fortalecido na fé.

Resumo em uma frase:

"A paciência bíblica é a confiança de que Deus está no controle, mesmo quando o relógio ou as pessoas parecem estar contra você."

1. Para manter a calma nas adversidades

Salmo 40:1 "Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor."

  • Reflexão: A paciência aqui não é um silêncio vazio, mas uma espera com expectativa. Este verso nos lembra que Deus não ignora o tempo de espera; Ele está "se inclinando" para ouvir, mesmo quando parece que nada está acontecendo.

2. Para lidar com as tensões do dia a dia

Provérbios 15:18O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo aplaca a luta."

  • Reflexão: A paciência é apresentada como um "poder de paz". Em um momento de estresse ou discussão, a pessoa paciente tem a habilidade de desarmar conflitos em vez de alimentá-los. Ser paciente é, muitas vezes, uma escolha estratégica pela paz.

3. Para quando os resultados demoram a aparecer

Gálatas 6:9 "E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos."

  • Reflexão: Às vezes a paciência se desgasta porque não vemos o retorno do nosso esforço. Este versículo funciona como uma promessa: existe um "tempo próprio" para a colheita. A paciência aqui é sinônimo de persistência.

INTRODUÇÃO

Neste estudo a respeito da Paciência ou Longanimidade, como Fruto do Espírito, e as Dissensões, como obra da carne. Poucas pessoas podem fazer suas as palavras do Salmista Davi: “Esperei com paciência no Senhor...” (Salmos 40:1). O mundo vive, hoje, numa ansiedade neurótica. As pessoas, a cada dia, estão mais ansiosas, o que contribui para o aumento das dissensões. Basta ler ou assistir os noticiários para vermos casos de brigas e confusões por coisas frívolas. Muitos desses casos acabam em tragédia e famílias destruídas. Mas o crente fiel precisa fazer a diferença: mostrar amor, tolerância, dar provas de paciência, pois “... o Fruto do Espírito é... Paciência...”, ou Longanimidade.

I. PACIÊNCIA: ATO DE RESISTÊNCIA À ANSIEDADE

 1. A Paciência como Fruto do Espírito. O termo Paciência no grego é “makrothümia” (em que "makros" é "grande", "longo" e "thumos" quer dizer "paixão", "sentimento") e significa Longanimidade - Mas o fruto do Espírito é....Longanimidade...” (Gl.5:22). Longanimidade, aqui, significa ser equilibrado em vez de ter pavio curto, ser demorado em irritar-se, ter boa vontade para com quem fere, sofrer por um longo tempo. No latim, longânimo é ânimo longo.

Conforme as Escrituras Sagradas, ser longânimo é não retaliar, é não vingar a ofensa; é amar os inimigos, que são todos aqueles que nos fazem mal (Mt.5:43-45); é andar a segunda milha (Mt.5:41).

 

No Antigo Testamento, Longanimidade é geralmente atribuída a Deus, por sua capacidade de reter sua indignação diante da provocação humana - “Misericordioso e piedoso é o Senhor, longânimo e grande em benignidade” (Salmo 103:8). Nosso pecado provoca a ira de Deus, mas Ele não a descarrega sobre nós, bem diferente daqueles discípulos de Jesus referidos em Lucas 9:51-56. Diante da falta de hospitalidade por parte dos samaritanos os apóstolos Tiago e João perguntaram: “Senhor, quer que mandemos descer fogo do céu para os consumir?”. A resposta de Jesus foi rápida e incisiva: “Vocês não sabem de que espírito são vocês, pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las”.

 A Longanimidade de Deus nos salva. Se não fosse, há muito tempo, o homem e a Terra não mais existiriam. É o Espírito Santo que, na formação de Seu Fruto, em nós, nos transmite esta virtude de Deus. Isto faz a diferença entre o homem de Deus e o ímpio – “O longânimo é grande em entendimento, mas o de animo precipitado exalta a loucura(Pv.14:29).

Portanto, para ser discípulo de Jesus, para ser um crente frutífero, é necessário ter Longanimidade – Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de [...] longanimidade” (Cls.3:12). Você é um discípulo de Jesus?

 2. A Paciência e a Ansiedade. Você sabe o que significa a palavra Ansiedade na língua grega? Significa estrangulamento, apertar o pescoço, tirar o oxigênio, sufocar. É uma perturbação interior causada pela incerteza, pelo medo. Ela gera angústia e sofrimento, porém Deus não quer que seus filhos vivam com o coração perturbado, ansioso (João 14:1).

A Ansiedade é a maior doença do século. De acordo com a organização mundial de saúde, mais de 50% das doenças são psicossomáticas. A maioria das pessoas que passam pelos hospitais é vítima da ansiedade. Hoje, o remédio mais receitado é o Rivotril, um ansiolítico (ou, popularmente, um calmante); é prescrito por psiquiatras a pacientes em crise de ansiedade. Vivemos hoje o império dos medicamentos ansiolíticos.  As pessoas dormem um sono artificial. As pessoas estão buscando uma "paz química".

A Ansiedade atinge homens e mulheres, jovens e velhos, doutores e analfabetos, religiosos e ateus; as pessoas andam com os nervos à flor da pele; são como um vulcão prestes a entrar em erupção; são como um barril de pólvora pronto para explodir. Este aspecto assustador por que passa o homem e a mulher é uma prova contundente da ausência da presença de Deus em suas vidas.

A Ansiedade tem afastado muitas pessoas de Deus; ela é o útero onde é gestada a incredulidade. Onde começa a ansiedade termina a fé. A ansiedade nos leva a perder o testemunho cristão.  

Muitos cristãos vivem sofrendo por antecipação, pois se esquecem do que Jesus nos ordenou: "[...] Não andeis ansiosos quanto à vossa vida [...]" (Mt.6:25). O Eterno, o Guardador da nossa vida, é tão preocupado conosco que realmente não precisamos estar ansiosos por nada. É uma honra para Ele assumir todas as nossas preocupações. Por isso, Pedro diz: "lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1Pd.5:7). Certamente, uma coisa não funciona sem a outra. Somente quando lançamos todas as nossas ansiedades sobre Jesus, Ele cuida de nós. Mas se arrastamos as nossas ansiedades junto conosco, então nós mesmos criamos muita aflição, muito sofrimento e muita inquietação. Além disso, toda preocupação não adianta nada, pois o próprio Senhor Jesus diz"Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida... vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas" (Mt.6:27,32b).

Você crê que o Senhor Jesus ouve as orações? Você crê que Deus cuida de nós? Você crê que Deus zela pelos nossos interesses? Você crê que Deus consegue resolver as nossas maiores dificuldades? Você crê que nada em nossa vida passa despercebido para o Senhor Jesus? Você crê que Deus é o Todo-Poderoso? Você crê que Deus nos dirige e faz com que tudo contribua para o nosso bem? Se você pode responder a todas estas perguntas afirmativamente, então por que ainda se preocupa? Muitos sabem decorado o Salmo 23: “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará…”; mas, mesmo assim, ainda não aprenderam a entregar as suas preocupações totalmente ao Senhor. Quando surgem novos problemas, voltam a se preocuparem e ficam ansiosos, exatamente como fez Israel no deserto. Assim vemos que a ordem "não andeis ansiosos" é de fato uma das tarefas mais difíceis para o verdadeiro cristão.

Nós devemos decidir quem deve carregar os fardos da nossa vida: Deus ou nós. É preferível que entreguemos a Deus. É claro que não se preocupar mais com os problemas não quer dizer que eles são retirados de nós instantaneamente, mas, sim, que é levado o peso que esses fardos representam em nossas vidas. Os problemas nem sempre são solucionados imediatamente, mas somos libertos da pressão deles. Então podemos experimentar o que diz o Salmo 68:19"Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação". Portanto, não devemos andar ansiosos por nada desta vida, pois o Pai Celeste está atento a todas as nossas necessidades (Ler Mt.6:25-33).

Os sofrimentos ao longo de nossa jornada não são para nos destruir, mas servem para nós lapidar, para nos tornar mais pacientes e perseverantes (Hb.12:7-11). Precisamos aprender a esperar com paciência e tranquilidade em Deus, tendo a certeza de que todas as coisas cooperam para o nosso bem (Rm.8:28). Creia nisso!

 


3. Jó, exemplo de Paciência em meio à dor. Paciência é a capacidade de resistir as aflições, com resignação. Jó é um exemplo de crente paciente, de fé e persistente diante das tribulações. Foi pela capacidade de resistir às aflições, com resignação, que Jó se tornou um símbolo da paciência – “Eis que temos por bem-aventurado os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso” (Tg.5:11).

 Jó era um homem piedoso, justo, próspero, bom pai, sacerdote da família, preocupado com a glória de Deus. O próprio Deus dá testemunho a seu respeito. Deus o constitui Seu advogado na terra. Satanás prova Jó com a permissão de Deus. Jó perdeu todos os seus bens, perdeu todos os seus filhos e perdeu também a sua saúde (Jó 1:22; 2:10). Jó perdeu o apoio da sua mulher. Jó perdeu o apoio dos seus amigos. Jó faz 16 vezes a pergunta: “por quê?”. Jó expressa sua queixa 34 vezes. Mas, no auge da sua dor, ele disse para Deus: "Ainda que Deus me mate, nele esperarei..." (Jó 13:15).

 Deus restaura a sorte de Jó, dando-lhe o dobro dos bens. Jó esperou pacientemente no Senhor e Deus o honrou. Ele não explicou nada para Jó, mas apesar de Jó não conhecer os porquês de Deus, ele pôde conhecer o caráter de Deus (Jó 42:5). A maior bênção que Jó recebeu não foi saúde e riqueza, mas um conhecimento mais profundo de Deus. Jó passou a conhecer o Senhor de uma forma nova e mais profunda.

O propósito de Satanás era fazer de Jó um homem impaciente com Deus, isto porque um homem impaciente com Deus é uma arma nas mãos do maligno. Mas o propósito de Deus em permitir Jó sofrer foi fortalecê-lo e fazer dele uma bênção maior para o mundo inteiro.

Como Jó, devemos esperar para que o Senhor complete seu amoroso propósito em nós, mesmo em meio ao sofrimento. Não perca a sua paciência! Em tudo dê graças, pois neste mundo tudo é passageiro, até mesmo as aflições (1Ts.5:18).

II. DISSENSÕES, RESULTADO DA IMPACIÊNCIA

Só lembrando, Dissensão significa sedição, rebelião, e também posicionar-se uns contra os outros. Trata-se daquele sentimento que só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros.

 1. Exemplos bíblicos de impaciência. A impaciência é um dos males que atormenta a humanidade, a causa de muitas doenças psíquicas, e até somáticas. Nos dias em que vivemos, em que a imediatidade e a pressa são a regra, falar em paciência soa estranho e se apresenta como um desafio. Ninguém quer esperar, mas em qualquer lugar aonde se vá, impõe-se a necessidade de esperar. Para saber esperar é preciso ter paciência: paciência para esperar o transporte coletivo; paciência para esperar nos congestionamentos do trânsito; paciência nos bancos, nos supermercados; paciência para pagar e receber; paciência para ser atendido nos consultórios e nos hospitais públicos, até mesmo particulares; paciência para registrar uma queixa, ou elaborar um Boletim de Ocorrência; paciência de Jó, se precisar bater às portas do Poder Judiciário; paciência para com tudo e para com todos. Em consequência, os homens sem Deus vivem no limite de poder suportar as tensões motivadas pelo ritmo da vida moderna. Todos estão prestes a explodir. Mas o crente fiel precisa dar provas de paciência, pois “... o fruto do Espírito é... paciência...”, ou longanimidade.

Na Bíblia encontramos exemplos de pessoas que foram extremamente pacientes e impacientes:

- No teste final de Pedro, Jesus fez questão de ressaltar ao apóstolo, que até então fora um depósito de impaciência e precipitação, que ele deveria apascentar suas ovelhas (João 21:15-17). Vemos, portanto, que a própria ideia de apascentar o rebanho de Deus está relacionada com a indispensável longanimidade que deve acompanhar o ministério pastoral. Nas chamadas epístolas pastorais de Paulo (1 e 2Timóteo e Tito), vemos quanto está qualidade é importante para o exercício do dom ministerial de pastor. Paulo, em 1Timóteo, na saudação inicial, lembra a incumbência que havia dado a Timóteo quando determinou que ele ficasse em Éfeso; ele aconselhava a Timóteo que também fosse paciente, procurando antes ser um intercessor, alguém que escolhesse homens igualmente ponderados para o ministério, bem como persistente no ensino da Palavra e perseverante na doutrina, bem como cuidadoso no trato com os irmãos. Vemos, portanto, que a paciência é uma qualidade extremamente necessária para os ministros do Evangelho e que deve sobressair dentre as demais.

- Sarai, esposa de Abrão, é outro exemplo de impaciência registrada na Bíblia. Devido à sua esterilidade e idade avançada, ela é tomada pela impaciência e decide agir por conta própria, oferecendo sua serva Agar a Abraão para que ele tivesse um filho com ela (Gn.16:1-4). Esperar com paciência até que as promessas de Deus se cumpram não é fácil. Por isso, precisamos estar cheios do Espírito Santo a fim de que não venhamos a tomar decisões por nossa conta (Ef.5:18).

- Saul, primeiro rei de Israel, é outro exemplo de impaciência. O Senhor havia ordenado que Ele ficasse em Gilgal até a chegada de Samuel (1Sm.13:1-9). Saul esperou durante sete dias, mas depois perdeu a paciência e ofereceu ele mesmo os holocaustos. Essa era uma tarefa exclusiva dos sacerdotes (cf. Hb.9:7). O texto bíblico afirma que, acabando ele de oferecer sacrifício, Samuel chegou (1Sm.13:10). A impaciência de Saul e a sua desobediência o levaram a perder o trono e a alma (1Sm.13:11-14).

2. Deixe de lado toda Dissensão. Dissenção significa “desunião, divisão, sedição”. É a ação de dividir, de desunir, algo que é sinal da ausência do Espírito Santo na vida da pessoa (cf. Jd.19). Segundo o apóstolo Paulo, “Dissensão” é uma manifestação da Carne (Gl.5:20). Se em uma igreja há brigas e divisões, isso mostra que os crentes são carnais (cf. 1Co.3:3). Quem é guiado pelo Espírito Santo não incentiva e nem faz parte de discussões, contendas e nem de divisões.

O homem carnal vive separado de Deus por causa do pecado e, portanto, a sua natureza é própria da divisão, da separação, do desconhecimento do que é unir. Todos quantos estão a fomentar a desunião entre os irmãos, que estão a promover dissensões, separações e divisões são pessoas diretamente envolvidas com a carne, pessoas dominadas pelo pecado e que, portanto, jamais podem ter lugar em nossas vidas ou em nossas igrejas locais.

Não nos esqueçamos de que o semear contendas entre os irmãos é algo abominável diante de Deus (Pv.6:16-19). Deus opera na união (Sl.133). Quantos ministérios já foram despedaçados e as ovelhas dispersadas por causa de contendas. Paulo, em Romanos 16:17, exorta os crentes a ficarem atentos àqueles que estavam promovendo dissensões e escândalos a fim de se apartarem deles. Onde há dissensões não existe vencedor, pois todos saem perdendo. Exorta o apóstolo Paulo: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer” (1Co.1:10). Dissensões é resultado da impaciência, é resultado da ausência de maturidade espiritual.

3. Evitando o partidarismo. O partidarismo na igreja traz severos prejuízos à espiritualidade e ao desenvolvimento da obra de Deus. Contudo, o maior prejuízo está ligado aos relacionamentos entre os irmãos em Cristo. Paulo foi severo e contundente no combate a espírito divisionista que imperava na igreja de Corinto, que a despeito de sua pretensa espiritualidade, ficou na história como um alerta às igrejas cristãs de todo o mundo, registrado na carta que Paulo lhes escreveu. Ele comparou a igreja a um corpo - “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo”(1Co.12:12); “E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós” (1Co.12:21); “Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros”(1Co.12:25); “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (1Co.12:27).

Nada debilita mais a unidade do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada uma busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. O sentimento partidarista promove rupturas relacionais motivadas por inimizades.

Como é possível estarem duas pessoas ligadas ao mesmo Deus e inimigas? O profeta Amós escreveu: “Andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Am.3:3).

Como é possível duas pessoas afirmarem viver no amor de Deus e se odiarem? O apóstolo João orienta: “Se alguém disser: amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1João 4:20).

Como é possível duas pessoas louvar a Deus, cantar ao seu Santo nome, se estão em desacordo? O Senhor Jesus afirmou: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta” (Mt.5:23,24).

A igreja precisa resgatar a sua identidade de comunidade unida, de um grupo de pessoas que irmanadas na cruz de Cristo, trabalham, se motivam mutuamente e se doam ao próximo. Jesus não morreu na cruz por uma igreja dividida, mas para formar um só corpo a fim de que os perdidos possam se voltar para o Pai (João 17:21). Que venhamos a fazer todo o possível para manter o vínculo da paz, e não deixar que as disputas e partidarismos venham macular a Igreja do Senhor. Jesus disse que todo reino dividido não subsistirá, por isso, tenhamos cuidado (Mt.12:25).

 

III. PACIÊNCIA, PROVA DE ESPIRITUALIDADE E MATURIDADE CRISTÃ

 

1. Pacientes até a volta de Jesus. Devemos ser pacientes até Jesus voltar. Tiago consolou os irmãos que estavam sofrendo com a opressão dos ricos injustos, afirmando que a vinda de Jesus estava próxima (Tg.5:8); está às portas (Tg.5:9). Enquanto Jesus não volta não esperamos vida fácil neste mundo (João 16:33); Paulo nos lembra que é em meio a muita tribulação (At.14:22).

Se você está sofrendo e enfrentando alguma situação de injustiça, não se desespere, pois em breve Jesus voltará e dará fim a toda a dor, sofrimento e injustiça - “Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima(Tg.5:7,8).

Mas, como podemos experimentar esse tipo de paciência até Jesus voltar? Tiago dá três exemplos de paciência para encorajar os crentes:

a) A paciência do lavrador (Tg.5:7,8). O lavrador ilustra a necessidade de paciência, pois não colhe no mesmo dia em que planta. Antes, vêm as primeiras chuvas que fazem a semente germinar; depois, no final da estação, vêm as últimas chuvas, necessárias para a plantação produzir os frutos. Por que o agricultor espera? Porque o fruto é precioso (Tg.5:7).

Se uma pessoa é impaciente, ela nunca deve ser um agricultor. Em Israel o agricultor dependia totalmente das primeiras chuvas que vinham em outubro (para o plantio), e das últimas chuvas que vinham em março (para a colheita). O tempo está fora do seu controle. Ele tem que confiar e esperar. É Deus quem faz a semente brotar, germinar, crescer e frutificar. Ele não pode fazer nada nesse processo (Mc.4:26-29). Uma vez que as injustiças da Terra serão corrigidas quando o Senhor voltar, o povo de Deus deve ser paciente como o lavrador. Seu coração deve estar firmado na certeza da vida do Senhor.

b) A paciência dos profetas – “Meus irmãos, tomai por exemplo de aflição e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor” (Tg.5:10). Os profetas foram homens que andaram com Deus, ouviram a voz de Deus, falaram em nome de Deus, mas passaram também por grandes aflições. Eles trilharam o caminho estreito das provas e foram pacientes. Os profetas foram perseguidos sem piedade por terem proclamado a Palavra de Deus fielmente. Ainda assim, permaneceram firmes “como quem vê aquele que é invisível” (Hb.11:27,32-40).

Admiramos profetas como Isaias, Jeremias e Daniel com grande respeito. Honramos esses homens por sua vida e zelo e devoção. Devemos nos lembrar, porém, de que passaram por grandes tribulações e sofrimentos e os suportaram com paciência.

 Privilégio e sofrimento, sofrimento e ministério caminharam lado a lado na vida dos profetas. Isaías não foi ouvido pelo seu povo; ele foi serrado ao meio. Jeremias foi preso, jogado num poço e maltratado por pregar a verdade; ele viu o cerco de Jerusalém e chorou ao ver o seu povo sendo destruído. Daniel foi banido da sua terra e sofreu pressões quando jovem; sofreu ameaça e perseguição por causa da sua fidelidade a Deus, a ponto de ser jogado na cova dos leões. Ezequiel também foi duramente perseguido. Estêvão denunciou o sinédrio da seguinte forma: "A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes anunciaram a vinda do justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e homicidas" (At.7:52).

Quando você estiver enfrentando sofrimento, não coloque em dúvida o amor de Deus, pois pessoas que andaram com Deus como você, também passaram pelas aflições. Seja paciente!

c) A paciência de Jó – “Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso(Tg.5:11). Jó é um excelente exemplo de paciência ou firmeza. Talvez ninguém na história do mundo tenha sofrido tantas perdas em tão pouco tempo quanto Jó. Em momento algum, porém, amaldiçoou a Deus ou se afastou dele. No final, sua perseverança foi recompensada. Deus se revelou a ele cheio de terna misericórdia e compassivo, como sempre. Veja mais sobre a Paciência de Jó no item I.3.

 2. Quando a paciência é provada. O Senhor prova a paciência e a fé dos seus filhos. O alvo de Deus em nossa vida é a maturidade cristã (Tg.1:2-4,12; Rm.8:29; Cl.1:28). À medida que somos provados, precisamos pedir a Deus para nos mostrar o que Ele está fazendo. Deus nos prova para nos fazer desmamar de atitudes infantis.

 Deus trabalhou 25 anos na vida de Abraão antes de lhe dar o filho da promessa. Deus trabalhou 13 anos na vida de José antes de colocá-lo no trono. Deus trabalhou oitenta anos na vida de Moisés antes de usá-lo como líder do seu povo. Jesus trabalhou três anos na vida dos apóstolos antes de enviá-los ao mundo.

 As provações, portanto, visam a glória de Deus. Jesus disse que o cego de nascença nasceu cego para que nele se manifestasse a glória de Deus (João 9:1-7). De Lázaro, Jesus disse: "Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus..." (João 11:4). Depois de provado por Deus e restaurado por Ele, Jó disse: "Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos" (Jó 42:5).

Qual deve ser a atitude com que vamos enfrentar as provações da vida? Tiago responde: "... tende por motivo de grande gozo..." Tg.1:2). Em vez de murmurar, de reclamar, de ficar amargo, de enfiar-se em uma caverna, devemos nos alegrar intensamente. Essa alegria é confiança segura na soberania de Deus, de que Ele está no controle, de que Ele sabe o que está fazendo e sabe para onde está nos levando.

Se você está sendo provado, não desanime, permaneça firme no Senhor. Disse Tiago: em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias provações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo (1Pd.1:6,7).

3. Maturidade cristã. A Paciência é uma característica da maturidade cristã e do crescimento espiritual. Os crentes imaturos são sempre impacientes. A impaciência pode acarretar graves consequências: Abraão coabitou com Agar; Moisés matou o egípcio; Sansão contou seu segredo para Dalila e; Pedro quase matou Malco.

Como você descreveria alguém espiritualmente maduro? Leonard Wedel diz: "Uma pessoa madura não se leva a sério demais... mantém sua mente alerta... não entra em pânico sempre que uma situação adversa se levanta... É alguém notável demais para passar despercebida, mas nunca se sente importante demais para fazer coisas nem tão importantes assim. Nunca é orgulhosa demais para assumir tarefas humildes... nunca aceita o sucesso ou o fracasso como permanentes... é capaz de controlar seus impulsos... não tem medo de cometer erros... tem fé em si mesma, e essa fé torna-se mais forte ao ser fortalecida pela fé em Deus".

E então? Considerando esse padrão, como você avalia sua maturidade espiritual? É bom ressaltar que maturidade não se alcança apenas lendo um livro, é preciso passar pelas provas. O crente maduro permanece firme diante das perseguições e aflições. Jesus disse: "Bem-aventurado sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós" (Mt.5:11,12).

Quando somos provados, desenvolvemos a paciência triunfadora. Quando somos provados somos aprovados por Deus. Quando somos provados somos galardoados por Deus. Quando somos provados temos a oportunidade de demonstrar nosso amor por Deus. A Bíblia diz que nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co.4.17). Como Lutero expressou no hino Castelo Forte, ainda que percamos família, bens, prazeres, Deus continua sendo nosso Castelo Forte.

- Maturidade é atitude prudente. As Escrituras Sagradas dizem que são as suas atitudes que determinam se você é maduro ou não. Deus quer que você cresça e tenha atitudes como as de Cristo (cf. Ef.4:13, Gl.4:19, Cl.1:28). A atitude faz a diferença, é o seu caráter; Caráter é o que você é no escuro. Não busque apenas o reconhecimento, dê prioridade ao caráter. Reconhecimento é o que as pessoas dizem a seu respeito, Caráter é o que Deus diz de você.

- Maturidade é saber reagir positivamente diante das adversidades e correções. Diz Tiago: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma” (Tg.1:2-4).

As provações de nossa fé trabalham por nós, e não contra nós, visto que produzem perseverança. A perseverança visa nos levar à maturidade. Paulo diz em Romanos 5:3-5 que as tribulações são pedagógicas, levam-nos à maturidade.

Deus está no controle de nossa vida. Tudo tem um propósito. Diz o apóstolo Paulo: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus..." (Rm.8:28). Paulo diz ainda que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória (2Co.4:17). Em Efésios 2:8-10, Paulo diz que Deus trabalha por nós, em nós e através de nós. Ele trabalhou em Abraão, em José, em Moisés, antes de trabalhar através deles. É assim que Deus faz com você ainda hoje. Lembre-se disso!

- Maturidade é sinônimo de estabilidade emocional. O crente maduro sabe administrar suas emoções de raiva, de ódio, de ira, de tristeza, ele sabe conviver com tudo isto, sabe sentir, porém, não permite isto dominar. Dizem as Sagradas Escrituras: “Irai-vos, mas não pequeis” (Ef.4:26); “Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama, e calai-vos” (Salmos 4:4); “De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais (2Ts.1:4); “Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” (Hb.12:7).

CONCLUSÃO

A Paciência é seguramente a virtude que torna o homem semelhante a Deus. Que venhamos crescer na graça e na sabedoria de Deus, buscando desenvolver esta virtude do Fruto do Espírito e deixando de lado as dissensões, pois em breve o Senhor Jesus voltará. Israel é o maior sinal de sua volta; é o relógio de Deus. Esteja atento!

 

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