quarta-feira, 4 de junho de 2025

O MILAGRE DE IZABEL E UMA DADIVA DO CÉU A MARIA

 


O MILAGRE DE IZABEL E UMA DADIVA DO CÉU A MARIA

A passagem bíblica que menciona, em que o Anjo do Senhor visita Isabel e Maria e elas são agraciadas por Deus com João Batista e Jesus em seus ventres, é narrada no Evangelho de Lucas, capítulo 1.

É importante notar que o anjo Gabriel é o mensageiro divino enviado por Deus nessas ocasiões. Ele não visita as duas mulheres juntas, mas em momentos distintos.

A Anunciação a Maria

A história começa com o anjo Gabriel sendo enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, para uma virgem chamada Maria, que estava noiva de José. O anjo a saudou dizendo: "Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo". Maria ficou perturbada com essas palavras, sem entender o que significavam.

O anjo, então, a acalmou e revelou a ela que ela havia encontrado graça diante de Deus e que conceberia um filho, a quem deveria chamar Jesus. Ele seria grande e seria chamado Filho do Altíssimo, e Deus lhe daria o trono de Davi, seu antepassado, para reinar para sempre. Maria, surpresa, perguntou como isso seria possível, já que era virgem. Gabriel explicou que o Espírito Santo viria sobre ela e o poder do Altíssimo a cobriria com sua sombra, e por isso o menino seria chamado Santo, Filho de Deus.

Para fortalecer a fé de Maria, o anjo também lhe disse que sua parenta, Isabel, que era considerada estéril e já estava em idade avançada, já estava no sexto mês de gravidez. O anjo concluiu com a poderosa afirmação: "Porque para Deus nada será impossível."

A Visitação de Maria a Isabel

Após a visita do anjo Gabriel, Maria prontamente se dirigiu à região montanhosa da Judeia, para a casa de Zacarias e Isabel. Quando Maria saudou Isabel, um evento extraordinário aconteceu: o bebê no ventre de Isabel saltou de alegria, e Isabel foi cheia do Espírito Santo.

Isabel, então, exclamou em alta voz: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre! E de onde me provém isto, que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Pois, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está no meu ventre saltou de alegria. Bem-aventurada aquela que creu, pois se hão de cumprir as coisas que dá parte do Senhor lhe foram ditas!".

Este encontro é um momento de grande regozijo e confirmação divina. Isabel, cheia do Espírito Santo, reconhece a divindade do filho que Maria carregava e abençoa a fé de Maria. É um testemunho claro da ação de Deus na vida dessas duas mulheres e do cumprimento de Suas promessas, com João Batista (ainda no ventre de Isabel) "saudando" a chegada de Jesus (no ventre de Maria).

Essa passagem é fundamental para a compreensão da história do nascimento de Jesus e de João Batista, mostrando a intervenção divina e a fé de Maria e Isabel diante de milagres que mudariam para sempre a história da humanidade.

CONTEXTO HISTORICO

1. ZACARIAS E IZABEL.


Exercendo ele o sacerdócio diante de DEUS (8) indica que se tratava de um sacerdote - em uma época em que o sacerdócio era frequentemente corrupto e secularizado - que percebia o caráter sagrado do seu trabalho e o relacionamento, tanto do seu trabalho quanto da sua pessoa, com DEUS. DEUS não somente escolhe grandes homens para executarem grandes tarefas, mas Ele também destina grandes pais para esses homens - grandes, de acordo com o padrão de DEUS.

Na ordem da sua turma significa a ordem de Abias. Na Páscoa, no Pentecostes, e na Festa dos Tabernáculos todos os sacerdotes serviam simultaneamente, mas durante o resto do ano cada uma das 24 ordens servia durante uma semana a cada seis meses. Zacarias estava servindo durante uma dessas semanas no Templo. Depois de terminar o seu período de serviço, ele retornaria à sua casa.

Os deveres do sacerdote eram atribuídos por meio da sorte sagrada (9). Era uma das maiores honras que um sacerdote poderia ter era a de oferecer incenso, e um sacerdote não poderia tirar outra sorte melhor durante aquela semana de serviço. O incenso era oferecido antes do sacrifício matinal, e depois do sacrifício vespertino, no altar do incenso. Este altar se localizava no Templo, imediatamente antes do véu que separava o Lugar SANTO do Lugar Santíssimo.

Toda a multidão... estava fora, orando, à hora do incenso (10). Esta era uma ocasião altamente sagrada. O incenso oferecido simbolizava as orações do povo, que eram ofertadas ao mesmo tempo, pelas mulheres no pátio das mulheres, pelos homens no pátio dos homens e pelos demais sacerdotes no pátio dos sacerdotes.

Então, um anjo do Senhor lhe apareceu [a Zacarias] (11). A voz divina da revelação não havia se pronunciado durante quatro séculos. Então, de repente, apareceu o anjo do Senhor. Observamos que o anjo não “se aproximou”, ele apareceu - de repente, sem aviso. O fato de ele ter aparecido a um sacerdote no Templo ressalta as características de Antigo Testamento desse início da revelação do Novo Testamento. João seria um precursor do CRISTO que viria e do seu Reino. Ele também seria um elo com a revelação do Antigo Testamento, que agora estava chegando ao seu final. A direita do altar do incenso é o lado norte, entre o altar do incenso e a mesa dos pães da proposição. Observamos como Lucas é específico com os mínimos detalhes. Esta é uma característica que podemos observar em todo o seu Evangelho, e é mais uma prova da sua autenticidade.

Zacarias... turbou-se... e caiu temor sobre ele (12). Esta era uma reação natural sob estas circunstâncias incomuns.

O anjo lhe disse... não temas (13). Embora o medo fosse a reação humana natural, a missão do anjo proporcionava motivo para alegria. A sua presença não era uma indicação do desagrado de DEUS, mas da Sua aprovação, e da adequação de Zacarias para uma tarefa divina muito significativa.

... a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho. A oração à qual o anjo se refere deve ter sido feita em um período anterior da vida de Zacarias; a sua dificuldade em acreditar na promessa do anjo evidencia que há muito tempo ele já tinha deixado de orar por um filho, ou até mesmo de esperar por ele. Mas DEUS não se esquece das orações passadas. O que parece ser uma demora ou uma recusa da parte de DEUS, é somente a Sua perfeita sabedoria e o Seu perfeito planejamento. Sem dúvida, Zacarias orava frequentemente pedindo também pela vinda do Messias, mas a oração mencionada era aquela em que ele pedia um filho.

E lhe porás o nome de João. DEUS não apenas convocava e enviava os seus profetas, mas também frequentemente lhes dava o nome. “João” significa “Jeová mostra graça” ou “a misericórdia” ou “a graça de Jeová”.2 Este era um nome apropriado para alguém cujo ministério demonstra tão claramente a lembrança e a misericórdia de DEUS para com o seu povo.  Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 358-359.

 

A FELICIDADE DE UM LAR PIEDOSO: “Ambos eram justos...” 1) Este casal judaico reconhecia a mão de DEUS em todos os acontecimentos da vida, v.8. 2) Naturalmente isto foi porque oravam por tudo, v. 13. 3) Era um lar livre da miséria produzida por bebida forte e que assola tantos lares atualmente, v. 15. 4) Suas vidas eram irrepreensíveis. Eram alçados a observar os preceitos das Escrituras, v.6. Deve distinguir-se entre ser irrepreensível e ser perfeito. O aluno que se aplica sinceramente para recitar corretamente as lições, não é repreendido pelo professor, apesar das imperfeições. 5) Como suportavam com paciência em oração o desapontamento, assim transbordavam com hinos de louvor, quando DEUS por fim deu o filho. O louvor de Zacarias mostra que a mente do velho era embebida da palavra de DEUS. 6) A influência do lar piedoso. Quantas pessoas foram grandemente abençoadas pelo contato com o lar de Zacarias e Isabel? 7) DEUS tem planejado a vida inteira de todas as pessoas, v. 17. Todos temos carreira marcada, At 20.24. 8) O filhinho neste lar era cheio do ESPÍRITO SANTO, desde o começo, v.15.

 

2. JOSÉ E MARIA.  


A Mensagem do Anjo (1:26-33)

No sexto mês depois da concepção de Isabel, foi o anjo Gabriel enviado... a Nazaré (26). É óbvio que Lucas está escrevendo para gentios, pois nenhum judeu precisa ser lembrado de que Nazaré era uma cidade da Galileia. Embora, como descendentes de Davi, tanto José quanto Maria chamassem Belém de terra de seus antepassados, eles estavam naquela época vivendo em Nazaré, que se situava a cerca de 130 quilômetros a nordeste de Jerusalém, em um planalto no lado norte do Vale de Esdrelom.

A uma virgem desposada com... José (27). Maria ainda era uma virgem, e estava noiva de José. Os noivados ou contratos de casamento entre os israelitas nos tempos bíblicos eram mais significativos e representavam um laço mais forte do que na atualidade. A lei mosaica considerava a infidelidade sexual por parte de uma jovem que fosse noiva como adultério, e ela era punida por esta transgressão (Dt 22.23-24). Frequentemente existia um intervalo de meses entre o noivado e o casamento, mas ainda assim o noivado já representava um compromisso que só poderia ser rompido através do divórcio. Este último fato é exemplificado pela decisão de José de divorciar-se de Maria, antes de saber da natureza da sua concepção (Mt 1.19), embora ele e Maria ainda não estivessem casados.

Neste ponto, é bom lembrar que a narrativa de Lucas da anunciação e do nascimento de JESUS são feitos a partir do ponto de vista de Maria. Neste aspecto, a história difere do relato de Mateus, que é feito a partir do ponto de vista de José. É provável que Lucas tenha obtido esta informação direta ou indiretamente de Maria, quando ele passou dois anos na Palestina. Lucas também estava mais interessado em mostrar o relacionamento de JESUS com a humanidade através da Sua mãe, do que a Sua relação legal com o trono de Davi através de José, o seu pai oficial, embora não fosse o seu pai biológico.

Da casa de Davi se refere a José e não a Maria. A gramática do texto grego original e também a da versão em nosso idioma, exige esta interpretação. Mas isto não quer dizer que Maria não fosse descendente de Davi, pois os versículos 32 e 69 deste mesmo capítulo dão a entender fortemente que ela era da linhagem de Davi.

Entrando o anjo onde ela estava (28). Isto não foi um sonho nem uma visão, mas uma autêntica visita de um anjo.

Salve. Esta é uma saudação com alegria. A palavra no original é o imperativo de um verbo que significa “alegrar-se” ou “ficar feliz”. A forma usada aqui é uma saudação normal. Seria o equivalente a: “Que a alegria esteja com você”.

Agraciada (literalmente, “com a graça”); bendita és tu entre as mulheres. O anjo a honrou pelo que ela iria se tornar, antes mesmo que ela soubesse o assunto das boas-novas. É certo que Maria deveria receber honra, e o anjo nos deu o exemplo. Mas a adoração a Maria é completamente injustificada.

Ela turbou-se muito com aquelas palavras (29) significa, literalmente, “ela ficou grandemente agitada”. A saudação e a presença do anjo a perturbaram (acréscimo de Ev. Luiz Henrique). O que ele lhe disse era mais difícil de entender do que a sua aparição e, aparentemente, mais inesperado.

Ela considerava: significa, literalmente, “ela estava pensando”. Isto representa uma prova de sua presença de espírito neste momento crítico da sua vida.

Em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho... JESUS (31). Aqui temos o anúncio da Encarnação. O Filho de DEUS realmente se tornaria carne, seria concebido e nasceria de uma virgem. Neste Filho a divindade e a humanidade estariam unidas de maneira inseparável. O seu nome, JESUS, significa “Salvador” ou, mais literalmente, “DEUS salva”. É o equivalente grego do hebraico “Josué”. Lucas não joga com as palavras na etimologia do nome “JESUS”, como faz Mateus. Os seus leitores, sendo gentios, não teriam entendido o objetivo das palavras “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” de Mateus 1.21, por não conhecerem a relação etimológica entre as palavras “JESUS” e “salvar”.

Este será grande (32), no seu sentido mais elevado e verdadeiro. DEUS é grande, e toda a grandeza verdadeira vem dele e é reconhecida por Ele. (Isaías 9.6).

Será chamado Filho do Altíssimo não quer dizer que Ele simplesmente “seria chamado” de Filho de DEUS, mas é equivalente a “Ele não apenas será o filho de DEUS, como também será reconhecido como tal”. Ele terá as marcas da divindade. Esta palavra hebraica era de uso comum, e literalmente equivalente a “Ele será o Filho do Altíssimo”.

O trono de Davi, seu pai. Evidentemente, isto deixa claro que Maria era descendente de Davi. Como muitos poderão argumentar, é verdade que o direito de JESUS ao trono viria através de José, apesar de não ser o seu verdadeiro pai. Mas aqui se menciona a filiação, e não se menciona José. Além disso, deve-se observar que Lucas está escrevendo a partir do ponto de vista de Maria; e também que o seu interesse pelas relações humanas de JESUS está ligado à relação verdadeira, e não àquela que era considerada legal entre os judeus.

Reinará eternamente na casa de Jacó (33). Isto é praticamente equivalente ao que está escrito na frase seguinte: O seu Reino não terá fim, exceto que a primeira enfatiza o aspecto judaico do reino. Lucas enfatiza muito claramente, em seu Evangelho, a universalidade do reino de CRISTO; mas Paulo, que foi professor de Lucas, enfatizava a continuidade do reino de Israel - e da semente de Abraão - no reino de CRISTO. A última é a flor e o fruto; a primeira é a videira.

A Pergunta de Maria (1.34)

Como se fará isso? (34) Não se trata de uma pergunta como produto da dúvida, mas da perplexidade e da inocência. Ela não está dizendo “Não pode ser”, mas pedindo uma explicação sobre como isso pode ser, e como será feito. Uma comparação superficial da pergunta de Maria com a expressão de dúvida de Zacarias (1.18) faria com que ambas parecessem muito similares. Um olhar mais detalhado sobre as duas perguntas irá provar conclusivamente que elas não se assemelham nem em significado, nem em espírito.

Zacarias perguntou: “Como saberei isso?”, querendo dizer, “Que sinal você vai me dar como prova de que isto irá acontecer?” Mas Maria perguntou “Como se fará isso?”, ou seja, que meios farão isso acontecer?

Existe ainda outra diferença que deve ser observada. O milagre que foi prometido a Zacarias era um caso normal de cura divina, aliado a uma capacitação divina de uma mulher para dar à luz em idade avançada. Isto realmente era um milagre. Mas a maravilha que foi prometida a Maria continua confundindo a imaginação dos maiores pensadores da igreja e do mundo em todas as gerações. E nada menos do que o mistério da Encarnação divina - DEUS se tornou carne.

3. A Resposta do Anjo (1.35-38)

Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO (35). O anjo respondeu amavelmente à pergunta que tinha sido feita de forma tão inocente. A resposta não esclarece o mistério: somente indica o agente. O ESPÍRITO SANTO, como agente de DEUS Pai, toma o lugar de um marido de alguma maneira não explicada - e talvez inexplicável. Aqui, na resposta do anjo, podemos ver o poder procriativo da mulher na sua mais completa pureza, unido à onipotência de um DEUS amoroso e santo. Vemos delicadeza, significado e mistério unidos nas palavras a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Esta “cobertura com a sombra do Altíssimo” possivelmente inclui tanto o milagre da concepção quanto a supervisão, o cuidado e a proteção contínuos de Maria pelo ESPÍRITO SANTO. Será chamado Filho de DEUS não se refere à eterna filiação do CRISTO pré-encarnado, mas sim ao milagre da Encarnação. Como DEUS tomou o lugar de um pai terreno, JESUS pode ser chamado Filho de DEUS da mesma forma que um menino é chamado de filho de seu pai.

Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 362-364.

 

 A palavra de DEUS é a semente de DEUS, quando o anjo Gabriel comunica a Maria que ela vai conceber, isso é a Palavra de DEUS entrando no útero virgem de Maria, e assim ela concebe a vida de JESUS em seu ventre.

O pastor das ovelhas, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas, entrou na terra (curral ou aprisco das ovelhas) pela porta como todos nós - a porta do nascimento físico através de uma mulher.  Aquele que entra por outra porta (não nasceu de uma mulher) é ladrão e salteador - Satanás. (Jo 10).

 

Maria ficara perplexa ante o fato de que ela haveria de ser a progenitora do Messias davídico, e também porque isso era um anúncio virtual de que teria um filho antes da consumação de seu matrimônio, como ocorrência inteiramente desvinculada desse casamento.

Maria, mostrando-se digna representante das mulheres da mais profunda confiança no Senhor, —não requereu um sinal—ou qualquer espécie de confirmação, mas aceitou a declaração por um notável ato de fé. O vs. 45 afirma a sua crença: «Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 16.

 A informação adicional que o anjo transmite a Maria, respondendo à sua pergunta a respeito do nascimento deste príncipe.

1. A pergunta que ela faz é apropriada: “Como se fará isto?”, v. 34. Como eu posso conceber um filho na atualidade (pois foi isto o que o anjo quis dizer), se eu “não conheço varão”? Deverá ser de outra maneira, e não pelo modo normal de concepção? Se for assim, diga-me “como se fará isto?” Ela sabia que o Messias devia nascer de uma virgem; e, se ela devia ser a sua mãe, ela queria saber como isto aconteceria. Estas não eram palavras resultantes da sua falta de confiança, ou de qualquer dúvida sobre o que o anjo lhe havia dito, mas de um desejo de receber mais orientação.

2. A resposta que ela recebe é satisfatória, v. 35. (1) Ela irá conceber pelo poder do “ESPÍRITO SANTO”, cuja obra é santificar, e, portanto, santificar a virgem, para este propósito. O ESPÍRITO SANTO é chamado de “virtude do Altíssimo”. Ela pergunta “como se fará isto? Isto é suficiente para ajudá-la a superar as dificuldades que parecem existir. Um poder divino o realizará, não o poder de um anjo empregado para isto, como em outros milagres. Mas, o poder do próprio “ESPÍRITO SANTO”. (2) Ela não deve fazer perguntas a respeito da maneira como isto se realizará, pois o ESPÍRITO SANTO, sendo “a virtude do Altíssimo”, irá cobri-la “com a sua sombra”, como a nuvem cobriu o tabernáculo quando a glória de DEUS tomou posse dele, para escondê-lo daqueles que poderiam - com excessiva curiosidade - observar o que acontecia, “bisbilhotando” os seus mistérios. A formação de cada bebê no útero, e a entrada do espírito da vida nele, são mistérios da natureza; ninguém conhece “o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida”, Eclesiastes 11.5. Nós fomos formados no oculto, Salmos 139.15,16. A formação do menino JESUS é um mistério ainda maior, sem controvérsia, “grande é o mistério da piedade”, DEUS manifestado em carne, 1 Timóteo 3.16. E uma coisa nova criada na terra (Jr 31.22), a cujo respeito nós não devemos cobiçar conhecer além do que está escrito.

(3) A criança que ela irá conceber é santa, e, portanto, não deve ser concebida da maneira normal, porque ela não deverá compartilhar da corrupção e da contaminação comuns à natureza humana. O bebê é mencionado enfaticamente como “o SANTO”, como nunca houve; e Ele será chamado de “Filho de DEUS”, como o Filho de DEUS por geração eterna, o que indica como Ele será formado pelo ESPÍRITO SANTO, nesta concepção. A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 517.

 

Acontecimentos marcantes da vida de Maria

Os principais acontecimentos da vida de Maria:

  • A anunciação do anjo a Maria: O anjo Gabriel visita Maria e anuncia que ela conceberá e dará à luz um filho, Jesus, que será chamado Filho de Deus. Maria aceita a missão com humildade.
  • Maria visita Isabel: Ao saber que sua prima Isabel estava grávida de João Batista, Maria foi visitá-la. Quando Maria, já esperando Jesus, chegou à casa de Isabel, o bebê no ventre de Isabel saltou de alegria, e Isabel imediatamente reconheceu que Maria carregava o Salvador.
  • O nascimento de Jesus: Maria e José viajam para Belém devido a um censo e, ali, Maria dá à Luz Jesus em um estábulo, colocando-o em uma manjedoura.
  • Apresentação no Templo: Maria e José levam Jesus ao Templo de Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, conforme a lei. O profeta Simeão reconhece Jesus como o Messias.
  • Fuga para o Egito: Maria e José fogem com Jesus para o Egito após serem avisados em um sonho que o rei Herodes estava procurando matar o menino.
  • Jesus no Templo aos 12 anos: Quando Jesus tinha 12 anos, Maria e José o perdem durante uma peregrinação a Jerusalém. Eles o encontram no Templo, discutindo com os doutores da lei.
  • Bodas de Caná: Durante um casamento em Caná, Maria informa a Jesus que o vinho acabou. Jesus realiza seu primeiro milagre, transformando água em vinho.
  • A mãe e os irmãos de Jesus: Maria e os irmãos de Jesus vão procurá-lo, Jesus utiliza a oportunidade para ensinar sobre a verdadeira família de Deus.
  • A crucificação de Jesus: Maria está presente ao pé da cruz durante a crucificação de Jesus. Em seus últimos momentos, Ele confia o cuidado de sua mãe ao discípulo amado, João.
  • Presença após a ressurreição: Após a ascensão de Jesus, Maria é mencionada como parte da comunidade de crentes que se reúne para oração e aguardam o derramar do Espírito Santo.

O que podemos aprender com a vida de Maria

A vida de Maria, mãe de Jesus, nos ensina lições importantes e inspiradoras. Primeiro, ela mostra o valor da fé e da obediência a Deus. Maria aceitou a missão de ser a mãe do Salvador com humildade e coragem, mesmo diante de grandes desafios e incertezas. Mesmo sem saber o que poderia acontecer, ela aceitou a missão.

Maria também nos ensina sobre a importância da entrega e da perseverança. Ela permaneceu ao lado de Jesus durante toda a Sua vida, desde o nascimento até a sua crucificação, demonstrando amor e apoio inabaláveis. Sua presença constante é um exemplo de compromisso e dedicação a Deus.

Além disso, Maria é um modelo de serviço e humildade. Apesar de sua posição especial como mãe de Jesus, ela sempre agiu com humildade e serviu aos outros. Sua vida nos inspira a buscar um relacionamento mais próximo com Deus, a obedecer a Seus planos e a viver com fé e coragem, independentemente das dificuldades.

Estudo bíblico sobre Maria

O nascimento de Jesus


Maria recebeu a mensagem do anjo Gabriel, que lhe revelou que ela ficaria grávida pelo poder do Espírito Santo e que seu filho se chamaria Jesus.

José, seu noivo, ficou confuso quando soube que Maria estava grávida, mas um anjo também apareceu a ele em sonho. O anjo explicou que o bebê era do Espírito Santo e que José deveria tomar Maria como sua esposa e cuidar dela e do menino. José, sendo um homem justo e obediente, fez o que o anjo mandou.

Quando estava perto do nascimento de Jesus, Maria e José viajaram para Belém devido a um censo ordenado pelo imperador. Chegando lá, não encontraram lugar para ficar, pois as hospedarias estavam lotadas. Acabaram encontrando abrigo em um estábulo. Foi ali, em humildes condições, que Maria deu à Luz Jesus. Ela o envolveu em faixas e o deitou em uma manjedoura.

Este nascimento simboliza a chegada do Salvador e o cumprimento das promessas de Deus. A primeiras pessoas a visitarem, foram os pastores, que receberam a notícia do nascimento do Salvador por meio de anjos. Durante toda a gestação, Maria desempenhou um papel crucial, aceitando com fé a sua missão e cuidando de Jesus, mostrando dedicação e obediência.

A anunciação do anjo a Maria

Maria estava sozinha durante o dia, quando o anjo, que se chamava Gabriel, apareceu na sua frente. Gabriel lhe disse que ela era muito abençoada e escolhida por Deus para uma grande missão. Maria ficou surpresa e um pouco assustada, mas o anjo a tranquilizou, dizendo que ela daria à luz um filho, Jesus, que seria o Filho de Deus e o Salvador do mundo.

Ao saber da notícia dada pelo anjo Gabriel, Maria respondeu com humildade e fé. Ela disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lucas 1:38). Isso significa que Maria aceitou a vontade de Deus sem hesitação, mesmo sem entender completamente o que isso implicaria. Este momento marca o início da vida de Jesus na Terra, mostrando a importância da obediência e fé de Maria.

Maria visita Isabel após a notícia do anjo Gabriel

Logo após receber a notícia do anjo Gabriel, Maria foi visitar sua prima Isabel, que morava em outra cidade e também estava grávida milagrosamente. Ao chegar, Maria saudou Isabel, e, nesse momento, o bebê no ventre de Isabel, que era João Batista, saltou de alegria.

Isabel, cheia do Espírito Santo, reconheceu que Maria carregava o Salvador e a abençoou, dizendo que ela era muito especial por crer na promessa de Deus. A visita de Maria a Isabel mostra o poder da fé e da comunhão entre as pessoas que confiam em Deus.

Em resposta a Isabel, Maria louvou ao Senhor com um cântico, exaltando a grandeza de Deus e Sua bondade:

O cântico de Maria

Então disse Maria: "Minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, pois atentou para a humildade da sua serva.

De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada, pois o Poderoso fez grandes coisas em meu favor; santo é o seu nome.

A sua misericórdia estende-se aos que o temem, de geração em geração.

Ele realizou poderosos feitos com seu braço; dispersou os que são soberbos no mais íntimo do coração.

Derrubou governantes dos seus tronos, mas exaltou os humildes.

Encheu de coisas boas os famintos, mas despediu de mãos vazias os ricos.

Ajudou a seu servo Israel, lembrando-se da sua misericórdia para com Abraão e seus descendentes para sempre, como dissera aos nossos antepassados “Lucas 1:46-55

 

Fuga para o Egito

Após o nascimento de Jesus, Maria e José foram alertados em um sonho sobre o perigo que o rei Herodes representava para o menino. Herodes, temendo perder o trono, havia ordenado a matança dos recém-nascidos em Belém.

Para proteger Jesus, Maria e José fugiram com Ele para o Egito. Eles permaneceram lá até a morte de Herodes, que ocorreu cerca de dois anos depois. Quando a ameaça passou, receberam uma nova instrução de Deus para retornarem à sua terra natal. A fuga para o Egito foi crucial para garantir a segurança e a vida de Jesus nos primeiros anos de sua vida.

Apresentação de Jesus no Templo

Quando Jesus tinha cerca de 40 dias, Maria e José o levaram ao Templo de Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, conforme a lei judaica. Lá, encontraram o profeta Simeão, que havia sido prometido por Deus que veria o Messias antes de morrer. Simeão, cheio do Espírito Santo, reconheceu Jesus como o Salvador e louvou a Deus, dizendo que o menino seria uma luz para as nações e a glória de Israel.

Maria ouviu essas palavras com reverência, sabendo que o plano de Deus estava se cumprindo. Também estava presente a profetisa Ana, que agradeceu a Deus e falou sobre Jesus para todos que esperavam a redenção de Jerusalém. A apresentação no templo confirmou a missão de Jesus e o papel de Maria como mãe do Salvador.

 

 

terça-feira, 3 de junho de 2025

JERUSALÉM A CIDADE DE DEUS

 

JERUSALÉM

Jerusalém é uma das cidades mais antigas e significativas do mundo, com uma história milenar que a torna sagrada para três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Sua trajetória é marcada por conquistas, destruições e reconstruções, e seu simbolismo se estende do terreno ao celestial.

Jerusalém nos Tempos Bíblicos Antigos


A história de Jerusalém nos tempos bíblicos é rica e complexa:

  • Origens Antigas: As primeiras evidências arqueológicas de assentamentos em Jerusalém remontam ao quinto milênio a.C. No século X a.C., era uma cidade jebusita.
  • A Capital de Israel: O rei Davi conquistou Jerusalém por volta de 1004 a.C., tornando-a a capital do Reino Unido de Israel e Judá. A cidade passou a ser conhecida como "Cidade de Davi" e se tornou o centro político e religioso dos judeus.
  • O Primeiro Templo: O filho de Davi, Salomão, construiu o Primeiro Templo em Jerusalém, destinado a abrigar a Arca da Aliança. Este período, conhecido como Período do Primeiro Templo, durou mais de 600 anos.
  • Exílios e Destruição: Após a morte de Salomão, o reino se dividiu, e Jerusalém permaneceu como capital do Reino de Judá. A cidade foi sitiada e destruída pelos babilônios em 586 a.C., e grande parte de sua população foi exilada.
  • Reconstrução e Segundo Templo: Após o retorno do exílio, o Segundo Templo começou a ser construído no Monte do Templo. A cidade e seus muros foram reconstruídos, como narrado no livro de Neemias.
  • Domínio Romano: No século I a.C., Jerusalém foi anexada ao Império Romano. Durante o reinado de Herodes, o Grande, a cidade foi ampliada e embelezada. No entanto, tensões e revoltas contra o domínio romano levaram à destruição do Segundo Templo em 70 d.C., um evento traumático para o povo judeu.

Ao longo de sua história bíblica, Jerusalém é chamada por vários nomes na Bíblia, como "Salém", "Ariel", "Jebus", "cidade de Deus", "cidade santa" e "Sião", e é citada centenas de vezes no Antigo e Novo Testamentos. Ela representa o lugar da presença de Deus e da comunhão com Ele.

A Nova Jerusalém Celestial



A Nova Jerusalém Celestial é uma visão escatológica que contrasta com a Jerusalém terrena e é amplamente descrita no livro do Apocalipse (Apocalipse 21 e 22). Ela não é uma cidade física na Terra, mas sim uma representação simbólica de realidades espirituais futuras:

  • A Cidade de Deus: A Nova Jerusalém é a cidade que Deus fará para os fiéis. É descrita como "a noiva, a esposa do Cordeiro" (Apocalipse 21:9-10), simbolizando o grupo de seguidores de Jesus Cristo que reinará com Ele no céu.
  • Origem Celestial: A Bíblia sempre menciona que a Nova Jerusalém desce do céu, guardada por anjos. Seu tamanho colossal, em forma de cubo (com dimensões de aproximadamente 2.200 km de comprimento, largura e altura), indica que ela não poderia existir fisicamente na Terra, sugerindo seu caráter celestial.
  • Glória e Perfeição: A cidade não necessita de sol ou lua, pois é iluminada pela glória de Deus e do Cordeiro (Jesus Cristo). É construída com materiais preciosos como ouro puro, jaspe e adornada com doze fundamentos de pedras preciosas, simbolizando sua beleza e perfeição.
  • Ausência de Sofrimento: Na Nova Jerusalém, não haverá mais templo, pois, a presença de Deus será total e direta. Lá, Deus "enxugará toda lágrima dos seus olhos. Não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas" (Apocalipse 21:4).
  • Vida Eterna e Abundância: Um rio de água da vida, claro como cristal, flui do trono de Deus e do Cordeiro, e a árvore da vida, que dá fruto doze vezes por ano, representa a restauração, cura e abundância de vida eterna que os habitantes desfrutarão.
  • Cumprimento das Promessas: A Nova Jerusalém é o cumprimento final de todas as promessas de Deus e o destino dos salvos por Jesus. É um lugar de bênção inimaginável, onde o povo de Deus viverá em plena comunhão com Ele para sempre.

Em suma, enquanto a Jerusalém terrena é um local de grande importância histórica e religiosa, palco de eventos cruciais para a fé, a Nova Jerusalém Celestial transcende o físico, representando a esperança de um futuro eterno de paz, justiça e comunhão perfeita com Deus.

Jerusalém, capital de Israel e sede de seu governo, é a maior cidade do país. Seus habitantes constituem um mosaico de diversas comunidades nacionais, religiosas e étnicas. Jerusalém é uma cidade com sítios históricos cuidadosamente preservados e restaurados e modernos edifícios, bairros em constante expansão, zonas comerciais, centros comerciais, parques industriais de alta tecnologia e áreas verdes bem cuidadas. É uma cidade antiga e moderna ao mesmo tempo, com tesouros do passado e planos para o futuro.

A santidade de Jerusalém é reconhecida pelas três grandes religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islã - mas a natureza desta santidade difere nas três crenças.
Para o povo judeu, a própria cidade é santa. Escolhida por Deus em sua aliança com Davi, Jerusalém é a essência e o centro da existência e continuidade espiritual e nacional judaicas. Durante 3.000 anos, desde o tempo do rei Davi e da construção do primeiro Templo por seu filho, o rei Salomão, Jerusalém tem sido o foco da prece e da devoção judaicas. Há quase 2.000 anos os judeus se viram na direção de Jerusalém e do Monte do Templo quando oram, onde quer que estejam.


Para os cristãos, Jerusalém é uma cidade de lugares santos associados a eventos da vida e ministério de Jesus e ao início da igreja apostólica. Estes são locais de peregrinação, prece e devoção. As tradições que identificam alguns destes sítios datam dos primeiros séculos do cristianismo.
Na tradição muçulmana, o Monte do Templo é identificado como "o mais remoto santuário" (em árabe: masjid al-aksa), de onde o “profeta” Maomé, “acompanhado pelo anjo Gabriel, fez a jornada noturna ao trono de Deus” (Alcorão, Surata 17:1, Al-Isra).


A soberania judaica sobre a cidade terminou no ano 135 d.C., com a repressão da segunda revolta judaica contra Roma; e só foi restaurada em 1948, quando o Estado de Israel foi estabelecido. Durante todos aqueles séculos, Jerusalém esteve sob o domínio de poderes estrangeiros. Contudo, através dos tempos, sempre houve judeus vivendo em Jerusalém, e desde 1870 eles constituem a maioria da população da cidade.


Em consequência dos combates durante a guerra da Independência, em 1948, e a subsequente divisão de Jerusalém, as sinagogas e academias religiosas históricas no quarteirão judaico da cidade velha foram destruídas ou seriamente danificadas. Com a reunificação da cidade após a guerra dos seis dias, em 1967, elas foram restauradas e o quarteirão judaico reconstruído.


Hoje em dia, Jerusalém é uma cidade movimentada e vibrante. É um centro cultural de renome internacional, que oferece festivais de cinema e artes dramáticas, concertos, museus singulares, grandes bibliotecas e convenções profissionais.


"Três mil anos de história nos contemplam hoje, na cidade de cujas pedras a antiga nação judaica se ergueu; e deste ar puro da montanha, três religiões absorveram sua essência espiritual e sua força...


"Três mil anos de história nos contemplam hoje, na cidade onde as bênçãos dos sacerdotes judeus misturam-se aos chamados dos muezins muçulmanos e aos sinos das igrejas cristãs; onde em cada alameda e em cada casa de pedra foram ouvidas as admoestações dos profetas; cujas torres viram nações se erguerem e caírem - e Jerusalém permanece para sempre...
"Três mil anos de Jerusalém são para nós, agora e eternamente, uma mensagem de tolerância entre religiões, de amor entre os povos, de entendimento entre as nações..."

(Yitzhak Rabin, setembro de 1995)


Não há outra cidade na face Terra como Jerusalém

Há cidades conhecidas por seu tamanho, seu clima e beleza, ou ainda por sua força industrial. Mas nenhuma se compara em majestade a Jerusalém. Por quê? Porque Jerusalém é a cidade de Deus, a capital da nação que Deus criou por sua palavra (Gn 12:1-3; 13:14) e com a qual ele mais tarde estabeleceu um laço eterno, um pacto de sangue incondicional (Gn 15:8-18).


Esta é acidade que Deus escolheu para a sua habitação: “Mas escolhi Jerusalém para que ali seja estabelecido o meu nome... nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias... nesta casa e em Jerusalém, que escolhi... porei o meu nome para sempre” (2Cr 6:6; 7:16). O rei Davi, o homem que expulsou os jebuseus de Jerusalém, nela reinou por muitos anos. Também os filhos de Corá escreveram sobre a cidade de Deus com uma paixão santa, dizendo: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, na cidade do nosso Deus. Seu santo monte, belo e sobranceiro, é a alegria de toda a terra; o monte de Sião, para os lados do Norte, a cidade do grande Rei. Como temos ouvido dizer, assim o vimos na cidade do Senhor dos Exércitos, na cidade do nosso Deus. Deus a estabelece para sempre” (Sl 48:1-2,8).


O mais apaixonado verso da Bíblia referente a Jerusalém foi escrito no livro dos Salmos: “Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar do ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria” (Sl 137:5-6). O autor desse Salmo provavelmente era músico e cantor. Com estas palavras, ele estava dizendo que, caso se esquecesse de Jerusalém e dos propósitos de Deus para aquela cidade, ele preferia que sua mão direita não tivesse mais condições de tocar um instrumento – uma das coisas mais preciosas para ele - e que não pudesse mais abrir sua boca para cantar. Um músico que não pode tocar e um cantor incapaz de cantar são pessoas que perderam o propósito da vida. Do mesmo modo, o homem que se esquecer de Jerusalém, coração e alma de Israel, não tem razão para continuar vivendo.


Jerusalém é um monumento à fidelidade de Deus. O salmista escreveu: “Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião, que não se abala, firme para sempre. Como em redor de Jerusalém estão os montes, assim o Senhor, em derredor do seu povo, desde agora e para sempre” (Sl 125:1-2).


Jerusalém é um testemunho vivo a todos os crentes de que não pode ser abalada pelas tempestades da vida, pois está abrigada nos braços de Deus, assim como Israel está protegido pelos montes.


Nos últimos dias, pouco antes da segunda vinda de Cristo, as nações do mundo se reunirão para lutar contra Jerusalém, e Deus vai defender a sua habitação na Terra.


O profeta Zacarias registra que “esta será a praga com que o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearem contra Jerusalém: a sua carne se apodrecerá, estando eles de pé, apodrecer-se-lhes-ão os olhos nas suas órbitas, e lhes apodrecerá a língua na boca” (Zc 14:12). Creio que esta descrição feita por Zacarias é de um ataque nuclear, o qual gera um calor de um milhão de graus Celsius em menos de um segundo. É assim que nossas línguas e olhos se dissolveriam em nossos bocas e órbitas antes mesmo de nossos corpos caírem no chão.


Durante o reino milenar de Cristo, Jerusalém será o centro do universo. Zacarias escreve:

“Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos” (Zc 14:16).
Quando Jesus Cristo retornar à Terra, ele estabelecerá o seu Trono na cidade de Deus – Jerusalém. Reis, rainhas, príncipes e monarcas virão à Cidade Santa “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2:10,11).

Concluindo este pequeno relato, espero que os cristãos possam atender ao mandado bíblico que diz: "Orai pela paz de Jerusalém; prosperem aqueles que te amam"(Sl 122:6). Que tenhamos consciência da importância de Jerusalém para nós, para o povo judeu e para a redenção da igreja de Cristo e de Israel!

A NOVA JERUSALEM CELESTIAL

2. E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.

3. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus.

4. E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas.

Apocalipse 22.14:

Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.

Quero falar sobre a nova Jerusalém celestial, a Formosa Jerusalém, o local que substituirá o Éden como morada de Deus com os homens. O lugar que Jesus tem preparado para a sua Igreja.

A Formosa Jerusalém celestial é explicitamente mencionada e revelada no capítulo 21 do livro do Apocalipse, mas, antes da visão do apóstolo João, já havia referências a ela nas Escrituras. O próprio Jesus já havia mencionado existir um lugar que seria por Ele preparado para que os seus servos nele habitassem para sempre com o Senhor (João 14:2,3):

“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês. E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também”.

O objetivo de Deus é fazer com que tenhamos, novamente, um lugar onde possamos habitar com Ele, e a Nova Jerusalém é esse local.

O Senhor é tão maravilhoso que, ao invés de tão somente substituir o Éden, proporcionou um lugar melhor do que o Éden. A Nova Jerusalém apresenta-se, portanto, como o ambiente, o lugar onde Deus morará com os homens. É a restauração da convivência completa e perfeita entre Deus e os homens que havia antes que o pecado causasse o atual estado de divisão que existe entre Deus e a humanidade. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo, de vermos Deus como Ele é (1João 3:2)

Concordo com o grande mestre, o pr. Antônio Gilberto, quando diz: “se pudéssemos todos apreciar de fato, pela visão do Espírito, o que é o Céu, a eterna bem-aventurança dos salvos, teríamos tanto desejo de ir para lá, e nos desprenderíamos tanto das coisas daqui, que o diabo não teria um só torcedor, um só amigo seu na terra. Inúmeros crentes por não terem essa visão estão demasiadamente presos às coisas deste mundo, que jaz no maligno (1João 5:19)”.

As características da Nova Jerusalém

O apóstolo João disse: “... e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém...”.

Isto quer nos parecer que João não teve dúvidas em identificar o que ele viu. Ele disse ter visto uma cidade. Contudo, descrever como era essa cidade, tornou-se um desafio para o grande homem de Deus, o apóstolo João. Certamente que, sob a orientação do Espírito Santo, ele usou símbolos, figuras, para falar da grandeza, da perfeição, da beleza da Formosa Jerusalém celestial.

Vejamos, então, algumas características da Nova Jerusalém celestial:

1. É um lugar real

A Formosa Jerusalém celestial é uma cidade real, visível, palpável; uma cidade que tem fundamentos e cujo artífice e construtor é o próprio Deus (Hb.11:10).

a) Abraão pôde crer na existência desta Cidade. Abraão viveu aqui na terra, porém, não fixou nela as suas raízes; ele tinha os pés na terra e o pensamento no Céu. Era diferente de muitos pregadores de hoje, os quais induzem o povo a pensar e a lutar pela conquista dos bens terrenos. Com relação a ele, Abraão, a Bíblia diz: “pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb.11:9,10).

Abraão creu na existência desta cidade. Não sabemos como ele teve essa revelação, mas ele tinha convicção de que ela era real. Hoje nós sabemos, pela revelação que foi dada ao apóstolo João, que esta cidade é a Formosa Jerusalém celestial.

b) Paulo também pôde crer como creu Abraão. Por isto ele disse: “... a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp.3:20).

Abraão não fundou nenhuma cidade na terra; nem ergueu um império para si, ou para os seus. Paulo, também, não! Abraão e Paulo, dois homens chamados por Deus, viveram na esperança de um dia habitar na Jerusalém celestial, a cidade que tem fundamento e cujo artífice e construtor é Deus.

c) nós também podemos crer, como creram Paulo e Abraão. Nós somos crentes, porque cremos. Fomos chamados para crer. Não necessitamos de ver, para crer, mas, cremos, para ver. Por isto temos a viva esperança não apenas de ver, mas de morar, eternamente, na Formosa Jerusalém celestial.

d) lá, o nosso corpo será real. O corpo de Jesus era real, era palpável, podia ser tocado pelas mãos dos homens. Para vir à terra Ele tomou um corpo igual ao nosso. Quando ressuscitou, o seu corpo não era intangível, não era uma simples “fumaça”. Ele podia ser tocado pela mão de alguémSabemos, pela Bíblia, que quando Ele vier este nosso corpo corruptível e mortal será transformado - “porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1Co.15:53). Será, pois, nesse dia, que o Senhor Jesus “... transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp.3:21). Portanto, o nosso corpo com o qual seremos levados para o céu, no dia da vinda do Senhor, será conforme o corpo de Jesus. Então nós receberemos um corpo real, palpável. Não seremos “uma fumaça”!

Em 1Pedro 1:3-4 está escrito: “bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para vós”. Pedro quis dizer que nós temos esperança de que um dia, todo o sofrimento, toda dor, todo mal, vai ser debelado para sempre, e sempre e sempre. Oh! quão superlativa esperança! Portanto, a Formosa Jerusalém celestial é um lugar real e tangível.

2. Sua localização

A Formosa Jerusalém não é o Céu; ela está no Céu, e que, de lá, descerá até próximo à terra, quando o Senhor Jesus Cristo vier para implantar seu reino, aqui na terra, conforme o apóstolo João escreveu - “...falou comigo, dizendo: vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. e levou-me a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu” (Ap.21:9-10).

A Formosa Jerusalém descerá do Céu e estará aqui durante o milênio. A Nova Jerusalém é um cosmo. Tal como o anjo mostrou a João, estará no milênio colocada, fixamente, no vazio, entre o céu e a terra, sobre a Jerusalém terrestre, pela mesma força que sustenta infinitas toneladas de águas presas pelas nuvens e que sustenta a terra, suspensa sobre o nada, conforme escreveu Jó: o norte estende sobre o vazio; suspende a terra sobre o nada. Prende as águas em densas nuvens, e a nuvem não se rasga debaixo delas” (Jó 26:7-8).

Veja o que o anjo narra para João: “...a esposa, a mulher do cordeiro...”. Isto é uma metáfora, aplicada à cidade santa. Significa que o povo de Deus habitará nela. João usa linguagem simbólica para descrever a cidade santa, cuja glória ultrapassa os limites da compreensão do entendimento humano.

3. Seu Aspecto

Não devemos nos esquecer que a Nova Jerusalém é de outra dimensão, da dimensão celestial. Portanto, muito de sua descrição é figurativa, é alegórica. Não pode ser compreendida literalmente, pois se trata de uma descrição feita por Deus aos homens para que pudéssemos compreender, na limitação da nossa mente, o que nos está reservado, pois é algo que está muito além de nossa parca imaginação. Disse o apóstolo Paulo: “as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que deus preparou para os que o amam” (1Co.2:9).

a) ela tem a glória de Deus (Ap.21:11) - “e tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente”. A glória de Deus é uma característica típica dos lugares santos, e, por isso, a Nova Jerusalém é o lugar santo por excelência e nela não haverá necessidade de templo, pois o seu templo será o próprio Deus.

b) a cidade tem 12 portas (Ap.21:12) - “e tinha um grande e alto muro com doze portas, e, nas portas, doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos de Israel”. As doze portas representam Israel. Os doze alicerces representam a Igreja. Isto destaca o fato de que seus habitantes são os santos de Deus do Antigo Testamento e do Novo Testamento.

c) a cidade tem um “muro” “e tinha um grande e alto muro...” (Ap.21:12). O muro da cidade sugere a segurança e organização que os salvos desfrutarão ali; e também que a cidade está reservada a um povo separado.

d) a Formosa cidade não necessita de sol nem de luz – a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. E as nações andarão à sua luz, e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. Ela não necessitará de sol nem de luz, porque será iluminada pela glória divina e, mais, terá o Cordeiro como sua lâmpada (Ap.21:23).

e) nessa cidade maravilhosa não haverá doença e nem morte. A vida é eterna e de felicidade absoluta (Ap.22:1,2) – e mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações”.

No éden, o homem possuía uma eternidade condicional, embora, enquanto obedecesse ao Senhor, jamais morreria. Na Nova Jerusalém, porém, a situação é bem diferente: o homem terá a vida eterna. A vida eterna é recebida por todos aqueles que creem em Jesus Cristo. Está escrito: “e esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna” (1João 5:25). “quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1João 5:12). “e a vida eterna é esta: que conheçam a Ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).

- “o rio puro da água da vida “(Ap.22:1,2). Isto fala-nos de perene comunhão com Deus. O rio puro da água da vida que procede do trono de Deus e do Cordeiro é símbolo da comunhão entre Deus e o homem através de Jesus Cristo. Disse Jesus: “quem crê em mim, como diz a escritura, rios de água viva manarão do seu ventre” (João 7:38). “…aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna (João 4:14). Somente pode morar na Nova Jerusalém quem recebeu a água viva oferecida por Jesus.

- “no meio da praça…estava a árvore da vida” (Ap.22:2). Isto nos fala de eternidade. A vida na Nova Jerusalém é eterna, pois Deus se encarregará de regenerar constantemente o homem, de impedir que o tempo tenha qualquer efeito sobre ele. É o Estado Eterno, ou sejao tempo não mais existirá. A árvore da vida é o próprio Cristo, o Pão da vida - “…o Pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra” (João 6:50). “…o Pão vivo que desceu do céu [que] se alguém comer (…) viverá para sempre” (João 6:51a).

O texto de Apocalipse 22:2 também nos fala: “de mês em mês, dá seu fruto e que seu fruto é restaurador, sarador, é para a saúde das nações”. Quanto a periodicidade mencionada (“mês em mês”) é figurativa. Na Nova Jerusalém não haverá mais tempo; apenas retrata a constância com que se dará esta comunhão.

· “saúde das nações”. Também é figurativa a afirmação concernente à “saúde das nações”, pois, na Nova Jerusalém, não haverá qualquer possibilidade de doença.

f) na Formosa Jerusalém não haverá templo, pois o seu templo é o Senhor - “e nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Ap.21:22). A presença e a comunhão íntima com Deus permearão toda a cidade santa.

g) para sempre serviremos ao Senhor (Ap.22:3) - “e ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão”. Aqueles que tiverem sido servos do Senhor aqui na Terra hão de continuar a servi-lo ali: "os seus servos o servirão".  Alguns pensam que na eternidade com Cristo, na santa Cidade, não haverá trabalho. Esquecem-se de que Deus, sendo perfeito em tudo, trabalha: “e Jesus lhes respondeu: meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5:17).

Estejamos, pois, preparados para o glorioso dia da vinda do Senhor Jesus Cristo, pois assim estaremos sempre com o Senhor - “portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras" (1Ts.4:17,18).

4. A perfeição da Cidade    

Na Nova Jerusalém haverá:

a) governo perfeito. O homem não tem sabido, nem podido governar bem na terra. Aqui, os governos são injustos. Todas as tentativas humanas nesse sentido fracassaram.

Mas, Cristo exercerá um governo perfeito. Nunca jamais haverá desordem, insatisfação, injustiça, conflitos, guerras, fome, desemprego etc.

b) habitantes perfeitos - “e ali nunca mais haverá maldição contra alguém” (Ap.22:3). Nunca jamais haverá pecado, o que resultará em santidade perfeita. Foi o pecado que trouxe toda sorte de maldição - “maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida” (Gn.3:17).

c) serviço perfeito - "os seus servos o servirão" (Ap.22:3). O maior privilégio do homem é servir a Deus. O trabalho para Deus será então perfeito, culto perfeito, atividades perfeitas. Quantas maravilhas aguardam os salvos!

d) comunhão perfeita. João ouve uma proclamação vinda do céu: “eis o Tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles” (Ap.21:3). Como povo de Deus, desfrutaremos comunhão mais próxima com Ele do que jamais imaginamos. Somente na Nova Jerusalém, esta comunhão será restabelecida por completo, ocorrendo aquilo que é dito pelo apóstolo João, de vermos Deus como Ele é (1João 3:2).

e) visão perfeita "contemplarão a sua face" (Ap.22:4). Somente com uma visão perfeita será isso possível. Na Formosa Jerusalém veremos a face do nosso Senhor!

f) identificação perfeita - "e nas suas frontes está o nome dele" (Ap.22:4). Nome na Bíblia fala de caráter, daquilo que a pessoa de fato é. Na Formosa Jerusalém haverá então uma perfeita identificação entre Deus e os seus remidos. No Antigo Testamento o sumo sacerdote levava gravadas numa lâmina de ouro puro, sobre a sua coroa sagrada, as palavras: "santidade ao Senhor" (Êx.39:30), mas na Formosa Jerusalém, onde a santidade é perfeita, o próprio nome de Deus estará sobre a fronte dos seus filhos.

g) interação perfeita - "e reinarão pelos séculos dos séculos" (Ap.22:5). Na Formosa Jerusalém, todos juntos, harmonicamente, e sempre, reinaremos. Isso jamais será conseguido aqui, mas no perfeito Estado Eterno, sim!

CONCLUSÃO

O Apocalipse encerra a história humana da mesma forma que o livro de Gênesis a iniciou: no paraíso. Mas existe uma diferença inconfundível no livro de Apocalipse: o mal foi eliminado para sempre. Gênesis descreve Adão e Eva caminhando e falando com Deus. Apocalipse descreve as pessoas adorando a Deus face a face. Gênesis descreve um jardim com uma serpente do mal. Apocalipse descreve uma Cidade perfeita, sem qualquer influência maligna. O Jardim do Éden foi destruído pelo pecado, mas o Paraíso foi recriado na Nova Jerusalém celestial.

 

segunda-feira, 2 de junho de 2025

DESERTO LUGAR DE PROVAÇÃO, APRENDIZADO E INTIMIDADE COM DEUS

A PEREGRINAÇÃO DO POVO DE ISRAEL PELO DESERTO ATÉ CHEGAR NO SINAI

A jornada do povo de Israel pelo deserto após a saída do Egito é um dos eventos mais significativos e marcantes da história bíblica, culminando na chegada ao Monte Sinai, onde a Lei foi dada por Deus. Essa peregrinação foi um período de provações, aprendizado e profunda revelação divina.

A Partida do Egito e a Travessia do Mar Vermelho

Após séculos de escravidão no Egito, Deus, através de Moisés, libertou os israelitas por meio de uma série de pragas devastadoras. A saída foi apressada e dramática. No entanto, o faraó se arrependeu de tê-los deixado ir e perseguiu-os com seu exército. Os israelitas se viram encurralados entre o exército egípcio e o Mar Vermelho. Foi nesse momento de desespero que Deus agiu miraculosamente, abrindo o Mar Vermelho para que passassem em terra seca. O exército egípcio, ao tentar segui-los, foi submerso pelas águas, garantindo a libertação definitiva de Israel da opressão.

O Deserto: Um Teste de Fé e Dependência

Após a travessia do Mar Vermelho, os israelitas entraram no deserto, um ambiente hostil e inóspito. Essa fase da jornada durou aproximadamente 40 anos, embora a distância até Canaã não justificasse tanto tempo. A peregrinação pelo deserto não foi apenas uma viagem geográfica, mas também um período de purificação e formação espiritual. Deus os guiou com uma coluna de nuvem de dia e uma coluna de fogo à noite, simbolizando Sua presença constante e orientação.

Durante esse tempo, o povo enfrentou diversas dificuldades:

  • Falta de Água: Uma das maiores provações foi a escassez de água. Em várias ocasiões, o povo murmurou contra Moisés e Deus. Em Massa e Meribá, por exemplo, Deus providenciou água miraculosamente de uma rocha.
  • Fome: Para alimentar a vasta população no deserto, Deus enviou o maná do céu todas as manhãs e codornizes à noite, sustentando-os de forma sobrenatural.
  • Murmurações e Rebeliões: Apesar dos milagres e do cuidado divino, o povo frequentemente murmurava, questionava a liderança de Moisés e desejava voltar ao Egito. Houve rebeliões, como a de Corá, Datã e Abirão, que desafiaram a autoridade de Moisés e Arão.
  • Ataques de Inimigos: Os israelitas também enfrentaram ataques de povos como os amalequitas, demonstrando a necessidade de confiar na proteção de Deus.

Essas provações tinham um propósito divino: ensinar ao povo a dependência de Deus, a obediência aos Seus mandamentos e a confiança em Suas promessas, forjando uma identidade como nação escolhida.

A Chegada ao Sinai e a Aliança


Após cerca de três meses de caminhada pelo deserto, o povo de Israel chegou ao Monte Sinai (ou Horebe). Foi neste monte que Deus se revelou a Moisés em uma sarça ardente e o comissionou para libertar seu povo. No Sinai, a presença de Deus se manifestou de forma grandiosa, com trovões, relâmpagos, uma nuvem espessa e um som de trombeta muito forte.

No Monte Sinai, Deus estabeleceu uma aliança solene com Israel. Ele proferiu os Dez Mandamentos, a base da lei moral e cerimonial que regeria a vida do povo. Moisés subiu ao monte para receber as tábuas da Lei e as instruções detalhadas para a construção do Tabernáculo, o local de adoração itinerante que simbolizava a presença de Deus no meio do Seu povo.

A permanência no Sinai foi crucial para a organização social e religiosa de Israel. A lei dada por Deus não apenas forneceu um código de conduta, mas também estabeleceu os princípios da adoração e do relacionamento de Israel com Deus, preparando-os para se tornarem uma nação santa e um reino de sacerdotes.

A peregrinação pelo deserto, culminando no Sinai, transformou um grupo de escravos libertos em uma nação com uma identidade e um propósito divinos, fundamentados na obediência à Lei de Deus. A jornada continuaria até a Terra Prometida, mas o Sinai representou o marco da formação da aliança entre Deus e Seu povo.

A PEREGRINAÇÃO DE ISRAEL NO DESERTO ATÉ O SINAI

Texto Bíblico: Êxodo 19:1-6; Números 11:1-3

“Ora, tudo isso lhes sobreveio como figuras, e estão escritos para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1Co 10:11)

INTRODUÇÃO

Neste Estudo trataremos acerca da caminhada do povo de Israel até a região do Sinai. Veremos como Deus guiou e sustentou seu povo durante a árdua jornada pelo deserto, a despeito da infidelidade, do pecado da murmuração e do pecado da idolatria. Só precisou três dias de peregrinação para demonstrar que era um povo obstinado. Em cada dificuldade deparada os hebreus murmuravam e demonstravam ingratidão. A idolatria no Egito era tão forte que chamuscou a alma do povo hebreu, demonstrado isso de forma tangível, na planície do Sinai, quando eles cultuaram um bezerro de ouro. Mas, a fidelidade de Deus e seu amor, foram determinantes para que Ele cuidasse, dia a dia, dos descendentes de Abraão. Deus tem um compromisso com a sua Palavra, Ele vela para cumpri-la. Apesar de nossas fraquezas, Deus não nos deixa sozinhos em nossa jornada rumo à Pátria Celestial.

 

I.  ISRAEL PEREGRINA PELO DESERTO

"Depois, fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur, e andaram três dias no deserto; e não acharam água. E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?" (Êx 15:22,24).

Após a travessia do Mar Vermelho e livre definitivamente dos egípcios e do seu ardiloso rei, os hebreus agora iniciam sua Jornada de Fé rumo à Terra Prometida. O deserto é a sua trajetória até Canaã. Mas primeiramente tinha que passar pelo Sinai, porque ali, ao pé do monte Sinai, Israel receberia a lei, firmaria aliança perpétua com o Senhor e seria devidamente organizado como nação.

As dificuldades da caminhada são maiores do que podemos imaginar. Toda a viagem por ali terá sido muito penosa. Para atravessar o deserto de forma resiliente é necessária uma força motriz, a Fé. Sem este elemento propulsor não se atravessa o deserto incólume. É quando entramos na experiência do deserto que somos postos à prova, a fim de que se manifeste até que ponto conhecemos Deus e o nosso próprio coração.

Por que Deus guiou o seu povo por uma região tão medonha? Segundo Paul Hoff, Deus tinha que concretizar alguns propósitos:

a) Deus colocou os israelitas na escola preparatória do deserto, a fim de que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a Terra Prometida. Ainda não estavam em condições de enfrentar as hostes de Canaã, nem desenvolvidos espiritualmente para servir ao Senhor uma vez que entrassem. Embora tenham sido libertados da escravidão, ainda tinham espírito de escravos, isto é, demonstravam traços de covardia, murmuração e rebeldia.

b) Deus desejava que os israelitas aprendessem a depender inteiramente dele. Desde o momento em que Israel partiu do Egito, Deus começou a submetê-lo a uma série de provas, tendo em vista desenvolver e fortalecer a sua fé. Não havia água nem alimentos. A única maneira de conseguir estas coisas era recebê-las do Senhor. O deserto era uma praça de esportes onde se podia desenvolver os músculos espirituais.

c) Deus conduziu-os ao deserto para prová-los e trazer à luz o que havia em seus corações (ler Dt 8:2-5). As provas e aflições no deserto demonstrariam se os hebreus creriam ou não na onipotência, no cuidado e no amor de Deus.

O apóstolo Paulo referiu-se às experiências de Israel no deserto como elementos que nos servem de exemplo e de advertência a fim de que não caiamos nos mesmos erros (1Co 10:1-13).

1. Israel chega a Mara (Êx 15:22-25). 

A primeira prova da Fé do povo hebreu, após o milagre do Mar Vermelho, aconteceu depois de três dias de viagem. Os hebreus estavam sedentos e exauridos pelo intenso calor do deserto, e após esses três dias de peregrinação, encontraram apenas águas amargas em Mara. As águas estavam impróprias e impotáveis para serem bebidas. Certamente, Deus estava provando a fé do seu povo recém-liberto da escravidão. Todavia, a Fé dele, mais uma vez, foi reprovada. O povo cometeu, pela segunda vez, o perigoso pecado da murmuração –E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?” (Ex 15:24). Os hinos de louvores entoados pelo triunfo sobre o exército de Faraó no milagre do Mar Vermelho foram depressa substituídos pelas palavras de descontentamento; o aspecto das coisas depressa mudou. Em relação a Deus a murmuração é uma reclamação descabida. Quando você murmura, você está dizendo que Deus não está sendo suficiente. Por isso a murmuração em ralação a Deus é pecado.

Uma grande vitória como a travessia do Mar Vermelho proporcionou uma visão maravilhosa da onipotência de Deus, mas não treinou a fé para os problemas mais corriqueiros, como a necessidade diária de comida e bebida. Às vezes, grandes experiências com Deus não são suficientes para curar o coração duro e queixoso. Segundo Silas Daniel, é preciso que haja um arrependimento e um quebrantamento sinceros, seguidos de uma submissão total a Deus. Ou, como afirma o apóstolo Paulo, “crucificarmos o eu e entronizarmos Cristo somente” (Ef 4:31,32).

Em sua primeira prova após a travessia do Mar Vermelho, a Fé (o combustível) do povo foi reprovada. Eles não perceberam que Deus "ali os provou". Moisés, porém, tinha Fé; ele confiava na providência divina. Então ele orou e Deus lhe mostrou um lenho, que foi jogado nas águas amargas e elas se tornaram boas para o consumo.

Não existe nenhuma prova de que o lenho que foi lançado nas fontes tivesse a propriedade de tornar potáveis as águas. Deus tornou-as potáveis. O milagre não somente mostrou que Deus tinha cuidado de seu povo, mas também simbolizou no começo desta viagem que o Senhor tiraria as amargas experiências futuras se os israelitas buscassem sua ajuda.

O que podemos apreender com a experiência de Mara:

a) Às vezes, depois de alcançar grandes vitórias, como na travessia do mar Vermelho, vêm as experiências amargas.

b) A árvore lançada na água assemelha-se ao poder da cruz, não só porque redime, mas porque tem semelhança de uma vontade submissa a Deus. Ao aceitar as provas como permitidas por Deus, as amargas experiências tornam-se ternas.

c) A experiência de Mara deu a oportunidade de revelar-se outro aspecto do caráter de Deus por meio de um novo nome: Jeová Rafa, ou seja, "o Senhor que te sara". Deus provê cura. Como a mãe ama a seus filhos por inclinação natural, assim Deus cura a seu povo, pois está em sua natureza curar. Deus é a saúde de seu povo. Se lhe obedecesse, Ele não traria nenhuma das enfermidades mediante as quais julgou os egípcios.

Segundo Leo G. Cox, “assim como Deus curou as águas amargas de Mara, assim Ele curaria Israel satisfazendo-lhes as necessidades físicas e, mais importante que tudo, curando o povo de sua natureza corrompida”. Deus queria tirar o espírito de murmuração do meio do povo e lhe dar uma fé forte.

2. Rumo ao Sinai (Êx 16:1-21). Moisés agora conduz o povo rumo ao Sinai. Mas, para chegar lá teve que parar em três localidades: Elim, Sim e Refidim. Em cada uma dessas localidades houve um expediente especial da parte de Deus ao povo hebreu.

- A chegada em Elim – Então, chegaram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas” (Êx 15:27). Elim era um verdadeiro oásis no deserto. Ali havia água em abundância e também palmeiras. O Senhor, que cura as águas de Mara, conduz seu povo a um lugar de descanso e refrigério. Assim como há épocas de severas provações, também há "tempos de refrigério" na presença do Senhor (Atos 3:19).

- De Elim, Moisés conduziu o povo pelo “deserto de Sim”. "E partidos de Elim, toda a congregação dos filhos de Israel veio ao deserto de Sim, que está entre Elim e Sinai, aos quinze dias do mês segundo, depois que saíram da terra do Egito" (Ex 16:1). Nessa localidade os hebreus vivenciaram pela primeira vez o milagre do maná e onde se maravilharam com o milagre das codornizes (Êx 16:1-21).

Na localidade de Sim os israelitas sentiram fome e começaram a expressar de novo seus queixosos lamentos. Esquecendo-se da aflição no Egito, queriam voltar para onde tinham alimento em abundância. As queixas eram dirigidas contra Moisés, porém na realidade murmuravam contra o Senhor (Êx 16:8). Deus retribuiu-lhes o mal com o bem (2Tm 2:13); proveu codornizes e maná. A partir de então, o maná era fornecido diariamente, durante os quarenta anos de peregrinação no deserto (Êx 16:35); foi um fato completamente milagroso – “Eis que vos farei chover pão dos céus (Êx 16:4); caía todas as noites, juntamente com o orvalho; a ração diária era de um gômer (3,7 litros) por pessoa. Quanto às codornizes foram fornecidas somente uma vez mais na marcha através do deserto (Nm 11:31,32).

Segundo Paul Hoff, a provisão de Deus no deserto de Sim nos fornece algumas lições:

a) Deus deseja ensinar a seu povo a confiar nele como provedor de seu sustento diário e a não se preocupar com o dia de amanhã. Deus provia cada vez para apenas um dia, exceto na véspera do sábado. Nunca falhou com seu povo nos quarenta anos de peregrinação.

b) Deus quis ensinar a seu povo a não ser preguiçoso nem avaro. Embora o maná fosse uma dádiva do céu, cada família tinha de fazer sua parte recolhendo o maná todas as manhãs. Ao avaro que recolhia muito mais do que necessitava, nada lhe sobrava (Êx 16:18).

c) Deus desejava ensinar os hebreus a obedecer-lhe, por isso lhes deu normas para recolher o maná. Se por incredulidade ou avareza um hebreu guardava maná para o dia seguinte, aparecia bicho e apodrecia o maná. Ou se não cumprisse a ordem de recolher uma porção dobrada na sexta-feira, jejuava forçosamente no dia de descanso porque nesse dia não caía maná do céu. Desse modo Deus provou a seu povo (Ex 16:4) e o preparou para receber a lei.

d) O maná é um símbolo profético de Cristo, o Pão verdadeiro (João 6:32-35). Assim como o maná, Cristo, que veio do céu, tem de ser recolhido ou recebido cedo na vida (Êx 16:21; 2Co 6:2) e tem de ser comido ou recebido pela fé para tornar-se parte da pessoa que o come.

- De Sim, Moisés conduz o povo à localidade de Refidim Depois, toda a congregação dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim pelas suas jornadas, segundo o mandamento do SENHOR, e acamparam em Refidim; e não havia ali água para o povo beber” (Êx 17:1). A palavra “Refidim” quer dizer “descansos ou lugares para descansar”.

 

Chegados a Refidim onde esperavam encontrar um grande manancial, não acharam nada. Sob qualquer aspecto, Deus não estava tornando as coisas fáceis. A falta de água causou sofrimento cuja severidade podemos avaliar, mas isto não pode justificar a reação dos israelitas. Pela quarta vez, o povo murmurou contra Deus. Estavam prestes a apedrejar Moisés, e em sua incredu­lidade provocaram a Deus. Desconfiavam do cuidado do Senhor e com sarcasmo falaram a respeito da presença do Senhor no meio deles (Êx 17:7) a qual se manifestara a eles de modo tão patente na coluna de nuvem e na coluna de fogo e em seus livramentos no passado. Por isto se deu ao lugar o nome de Massá (Prova) e Meribá (Contenda). Moisés levou consigo os anciãos de Israel a Horebe a fim de que presenciassem a fonte milagrosa e dela dessem testemunho (Êx 17:6).

 

A rocha de Horebe é uma figura profética de Cristo ferido no Calvário (1Co 10:4), e a água é a figura do Espírito Santo que foi dado depois que Jesus foi crucificado e glorificado. Moisés feriu a rocha só uma vez e a água manou continuamente. Assim, também, ira de Deus feriu a Cristo uma vez e a corrente do Espírito ainda flui.

Nessa localidade também ocorreu a batalha contra os Amelequitas (Êx 17:8). O juízo de Deus foi severo contra esses inimigos de Israel – E, assim, Josué desfez a Amaleque e a seu povo a fio de espada(Ex 17:13). O juízo severo foi pronunciado porque Amaleque levantou a mão contra o trono de Deus, isto é, recusou-se a reconhecer que era o Senhor quem operava maravilhas a favor de Israel. “E Moisés edificou um altar e chamou o seu nome: O SENHOR é minha bandeira(Êx 17:15). Os crentes devem lutar contra os inimigos espirituais, mas devem lembrar-se também de que lutam sob a bandeira do Senhor e "na força do seu poder".

Foi após essa batalha que o sogro de Moisés, Jetro, trouxe finalmente a esposa de Moisés, Zípora, com seus dois netos para o genro (Ex 18:1-12). Também, Jetro sob inspiração divina, deu conselhos importantes a Moisés (Êx 18:13-27). 

II. ISRAEL NO MONTE SINAI 


1. O Monte Sinai (Êx 19:2). Finalmente, após três meses da saída do povo do Egito, o acampamento israelita se moveu mais uma vez, partindo de Refidim e chegando ao pé do monte Sinai, onde o povo ficaria por cerca de um ano (Êx 19:1,2; Nm 10:11).

Ao pé do monte Sinai Israel recebeu a lei e fez aliança com o Senhor. Foi devidamente organizado como nação e aceitou ao Senhor como seu Rei. Esta forma de governo chama-se teocracia. Todo o livro de Levítico, que trata do ministério e do culto ao Senhor, teve o seu desenrolar no acampamento do Sinai, ao pé do monte.

Segundo Paul Hoff, a lei era um mestre para ensinar a Israel através dos séculos e ajudá-lo a permanecer em contato com Deus (Gl 3:24). Mas junto com a lei foi instituído um sistema de sacrifícios e cerimônias para que o pecado fosse retirado. Assim se ensinou que a salvação é pela graça.

Os israelitas prometeram solenemente cumprir toda a lei, e o motivo que levaria a cumprir a lei seria o amor e a gratidão a Deus por havê-los redimido e feito filhos seus. Todavia, não perceberam quão fraca é a natureza humana, nem quão forte é a tendência para pecar. Séculos depois parece que se esqueceram de que estavam obrigados pelo pacto a obedecer. Imaginaram que o Pacto era incondicional e que bastava ser descendente de Abraão para gozar do favor divino (Jr 7:4-16; Mt 3:9; João 8:33). Embora a salvação de Israel fosse um dom de pura graça e não pudesse ser negociada pela obediência, podia, contudo, ser perdida pela desobediência.

2. A permanência no Sinai. Apesar de terem chegado ao Sinai em Êxodo 19:1, os israelitas não iriam partir até Números 10:11,12. Chegaram “ao terceiro mês” (Ex 19:1) após partirem do Egito; Números 10:11 relata que os israelitas partiram do Sinai “no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês”. Ou seja, o acampamento aos pés do Sinai durou cerca de onze meses. Seguramente, trata-se de um grande e importante momento nas vidas do povo de Deus. Mas, infelizmente, foi neste local que ocorreu o episódio mais marcante e emblemático da transgressão israelita em sua peregrinação no deserto, e que seria lembrado no Novo Testamento (1Co 10:7) como um dos maiores exemplos de apostasia da história - a criação do bezerro de ouro (Êxodo cap. 32). Com este ato insano Israel quebrou a aliança com o seu Deus. Pasme, isso ocorreu somente quarenta dias após haver prometido solenemente que guardariam a lei (Êx 19:8). Israel foi castigado, apesar da intercessão de Moisés e da misericórdia de Deus. Falaremos mais acerca desse episódio a seguir.

III. A IDOLATRIA DOS ISRAELITAS  

1. O bezerro de ouro (Êx 32:1-6). Menos de quarenta dias depois de haver prometido solenemente que guardariam a lei, os israelitas quebraram a aliança com o Rei divino. Enquanto Moisés estava no monte com o Senhor, o povo israelita cansou-se de esperar seu líder e pediu a Arão que lhe fizesse uma representação visível da divindade. Isso mostra a tendência idólatra do coração humano. Não se contenta com um Deus invisível; quer ter sempre um Deus a quem se possa ver e apalpar. Israel queria servir a Deus por meio de uma imagem e a fez provavelmente na forma do deus egípcio, o boi Apis. Foi um grave pecado contra o Senhor (Êx 32:21). Diversas passagens bíblicas relacionam o ídolo aos demônios, e o culto idólatra ao culto diabólico (cf Lv 17:7; 1Co 10:19,20).

O primeiro mandamento de Deus no Sinai foi: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20:3). E o segundo mandamento foi não fazer imagens de escultura e nem se encurvar a elas (Êx 20:4-6). Segundo Leo G. Cox, “os versículos 4 e 5 devem ser considerados juntos. Não há condenação para confecção de imagens, contanto que não se tornem objetos de veneração. No Tabernáculo (Êx 25:31-34) e no primeiro Templo (1Rs 6:18,29) haviam obras esculpidas. A idolatria consiste em transformar uma imagem em objeto de adoração e atribuir a ela poderes do deus que representa. Se considerarmos que gravuras ou imagens de pessoas possuam poderes divinos e que sejam adorados, então elas se tornam ídolos. Deus apresentou os motivos para esta proibição: Ele é ‘Deus zeloso’, no sentido de que não permite que o respeito e a reverência devidos a Ele sejam dados a outrem”. Está escrito: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de esculturas(Is 42:8).

Segundo Silas Daniel, “há muitos ‘bezerros de ouro’ construídos por aí e que nada tem a ver com o Deus da Bíblia, apesar de serem tratados como se fossem representações fidedignas do verdadeiro Deus. Há, por exemplo, o ‘bezerro de ouro’ do evangelho da autoajuda, da teologia da prosperidade, do teísmo aberto, da teologia da libertação, do ecumenismo, do liberalismo etc. Que Deus nos livre dessas versões deturpadas dele! Conheçamos e prossigamos em conhecer o Deus da Bíblia (Os 6:3), pois somente assim poderemos ter um relacionamento saudável e realmente edificante com o Senhor”.

2. Cuidado com a idolatria.  Silas Daniel diz que “a idolatria é um dos pecados mais terríveis listados na Bíblia, porque consiste em dar glória e veneração a algo ou alguém que não seja o próprio Deus, o único que é digno de toda a honra, toda glória, todo louvor e toda adoração. Entretanto, apesar de tão claro, este é um dos pecados mais praticados e mais ignorados em nossos dias no meio evangélico. É triste dizer, mas está se tornando cada vez mais comum evangélicos que desenvolvem verdadeiros comportamentos idolátricos em relação a pessoas e coisas que, obviamente, não devem receber a nossa adoração.

 

As Sagradas Escrituras nos advertem, em 1João 5:21, contra o pecado da idolatria: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”. A Bíblia Viva traduz assim este versículo: "Meus queridos filhos, afastem-se de qualquer coisa que possa tomar o lugar de Deus no coração de vocês". Na verdade, o que João está dizendo é: não abandone o real pelo ilusório. Todos os substitutos de Deus são ídolos e deles o crente deve guardar-se, vigilante.

Diz ainda Silas Daniel: “Idolatria não é só se prostrar diante de um ídolo de pedra, barro ou metal. Coisas ou pessoas também podem se tornar ídolos em nossa vida, quando começam a ganhar em nosso coração um lugar que não deveriam ter. Uma coisa é gostar, admirar e respeitar; outra bastante diferente é ‘endeusar’, idolatrar. Logo, segue o alerta: cuidado para que o mero gostar e admirar não dê lugar à adoração por pessoas e coisas. Não só a idolatria a pessoas tem feito muitos males na vida de muitos crentes”. Nossos ídolos podem ser qualquer coisa ou pessoa que ameace ocupar o trono do nosso coração. Substitutos de Deus podem exigir muito de nosso tempo, dinheiro e energia.

Segundo Silas Daniel, o profeta Samuel falou também sobre outro tipo de idolatria sutil no meio dos crentes. Disse ele, conforme registrado em 1Samuel 15:23: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor. Ele também te rejeitou a ti...”. Segundo o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, “porfiar” significa “discutir com calor”, “insistir”, “teimar”, “competir” e “disputar”. Ou seja, porfiar” significa insubordinação, disputa entre irmãos, espírito de competição dentro da igreja, teimosia, arrogância, contenda, tudo isso, afirma Samuel, é pecado de idolatria. Portanto, fiquemos distante deste ídolo!

CONCLUSÃO

Os israelitas, durante a sua peregrinação até o Sinai cometeram vários deslizes espirituais. Diante de cada dificuldade, eles logo murmuravam. Descontentes, reclamaram de Moisés, todavia, eles não estavam murmurando de Moisés, mas do próprio Todo-Poderoso que os libertara da escravidão. Eles ainda eram uma massa de gente briguenta, murmuradora e sem fé caminhando pelo deserto. Mas, Deus escolheu e separou Israel para que se transformasse em uma nação santa. O deserto era somente um lugar de passagem, porém se tornou uma grande escola para o povo de Deus. Qual é a sua reação diante das adversidades? Como evitar a murmuração e não cometer os mesmos erros dos israelitas? Mantendo viva a chama da fé. A fé nos faz ver o impossível (Hb 11:1). Sem fé é impossível vencer as dificuldades cotidianas sem murmurar. Depois do deserto, Israel estava pronto para conquistar a Terra Prometida. Depois dos "desertos" desta vida, também estaremos prontos para a eternidade com Deus. Creia nisso!

A frase de Billy Graham, "No deserto você descobre três coisas: Quem é amigo, quem é você, quem é Deus," contém uma sabedoria profunda que muitas vezes só se torna clara nos momentos mais desafiadores de nossas vidas. 💬

"Quem é amigo": Nos momentos difíceis e solitários do deserto, as relações são testadas. Amigos verdadeiros se destacam, oferecendo apoio, conforto e companhia. É quando percebemos quem está disposto a caminhar ao nosso lado, independentemente das circunstâncias. O deserto separa as amizades superficiais das profundas e duradouras.

"Quem é você": A adversidade nos leva a uma jornada de autoconhecimento. No deserto, somos confrontados com nossos medos, fraquezas e limitações. Aprendemos a superar desafios, a adaptar-nos e a crescer como indivíduos. É uma oportunidade para explorar o nosso interior, entender nossos valores e identificar nossas prioridades.

“Quem é Deus": O deserto também é um lugar de revelação espiritual. Muitas pessoas relatam que, nos momentos mais difíceis de suas vidas, encontraram uma conexão mais profunda com sua espiritualidade ou religião. A solidão e a escassez no deserto podem nos aproximar de Deus, ensinando-nos a confiar em Sua orientação e força.


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