FIRMES NA FÉ E NA FIDELIDADE
Texto Bíblico: Hebreus 10:35-39
"Se formos
infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2Tm.2:13).
O tema "Firmes na Fé e na
Fidelidade" é um convite profundo à perseverança cristã, especialmente
em momentos de tribulação, dúvida ou cansaço espiritual. A Palavra de Deus nos
lembra que a vida com Cristo não é isenta de lutas, mas é garantida pela
fidelidade imutável de Deus e sustentada pela nossa confiança nEle.
1. O Chamado à Perseverança
(Hebreus 10:35-39)
No texto de Hebreus, o escritor
exorta os crentes a não abandonarem a confiança que têm em Deus, pois ela traz
consigo uma grande recompensa.
- A Necessidade de Constância: O
verso 36 destaca: "Vocês precisam
perseverar, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcancem a
promessa". A fé
verdadeira não é apenas um pico de emoção momentânea, mas uma caminhada
contínua de obediência e paciência.
- O Justo Vive pela Fé: O
autor lembra que "o meu justo viverá
pela fé" (v. 38). Retroceder gera o desagrado de Deus, mas
avançar com firmeza demonstra a genuinidade da nossa salvação. Não somos
daqueles que retrocedem para a perdição, mas daqueles que creem para a
preservação da alma.
2. A Âncora da Nossa Fidelidade:
A Fidelidade de Deus (2 Timóteo 2:13)
"Se formos
infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo."
Esta declaração de Paulo a
Timóteo é, ao mesmo tempo, um profundo alívio e um chamado solene à
responsabilidade:
- A Graça Inabalável: Em
nossa fragilidade humana, muitas vezes falhamos. Fraquejamos na confiança,
vacilamos na obediência e tropeçamos no caminho. No entanto, a aliança de
Deus conosco não depende da nossa perfeita constância, mas da natureza
incorruptível dEle.
- Deus é fiel à Sua Própria Essência: Ele
não pode negar a si mesmo. Se Ele prometeu, Ele cumprirá. A nossa
segurança eterna está firmada no caráter de Deus, e não na força
inconstante do nosso próprio esforço.
3. Como Permanecer Firmes Hoje?
Para mantermos nossa fé e
fidelidade ativas e inegociáveis no dia a dia, precisamos cultivar três
atitudes fundamentais:
- Alimentar a Raiz da Fé: A
fé autêntica cresce por meio da comunhão diária com a Palavra de Deus e da
oração. Quanto mais conhecemos a quem servimos, mais confiamos em Suas
promessas.
- Guardar o Coração do Desânimo: As
pressões do mundo e as lutas diárias tentam esfriar o nosso fervor. É
preciso blindar a mente contra a desesperança, lembrando das vitórias que
o Senhor já nos concedeu no passado.
- Olhar para a Recompensa Futura:
Assim como os heróis da fé em Hebreus, devemos manter os olhos fitos na
eternidade, entendendo que os sofrimentos e provações do presente não se
comparam à glória que nos está reservada.
Que essa verdade encha o seu
coração de ânimo hoje: mesmo quando nos sentimos fracos, a fidelidade de Deus
nos sustenta, capacitando-nos a permanecer firmes até o fim.
INTRODUÇÃO
A Fidelidade é uma qualidade do
Espírito Santo voltada para a própria pessoa. Ela é um elemento fundamental na
vida espiritual do crente. No início da conversão, muitos desenvolvem uma fé
inabalável, revelando sua fidelidade ao Senhor, mas com o passar dos anos,
diante das muitas adversidades, os crentes vão esmorecendo na fé e
comprometendo a sua fidelidade para com o Senhor. Todavia, não podemos nos
esquecer de que precisamos permanecer fiéis até o fim, condição sem a qual não
receberemos a “coroa da vida” (Ap.2:10). Lembremos que o deserto é a trajetória
de nossa caminhada rumo à Pátria Celestial. Logo, enfrentamos momentos
difíceis, mas Deus está conosco nos dando a vitória diante das intempéries; Ele
está no controle de tudo. O Deus que sustentou o povo de Israel no deserto
durante 40 anos, que sustentou Abraão e seus descendentes é o Deus que vai nos
sustentar e ajudar-nos a enfrentar as adversidades da vida. O que Ele quer de
nós? Certamente, Fidelidade a Ele.
I. O SIGNIFICADO DE FIDELIDADE
1. Definição.
Fidelidade é a característica de quem tem bom caráter, de quem é leal, é fiel e
demonstra respeito por alguém e pelo compromisso assumido com outrem; é
sinônimo de lealdade. Se Deus procura os fiéis da terra para que estejam com
Ele, a Fidelidade, entre outras virtudes, é algo que atrai a atenção de Deus. A vida de Paulo é um exemplo de como podemos vencer as
crises e permanecermos fiéis ao Senhor.
2. A Fidelidade como Fruto do Espírito. A Fidelidade como Fruto do Espírito é desenvolvida em nós pela ação do Espírito Santo (Gl.5:22). À medida que confiamos em Deus e passamos a ter uma maior comunhão com Ele, mediante a leitura e estudo da Palavra de Deus, e oração, desenvolvemos o Fruto do Espírito.
Segundo o Pr. Antônio Gilberto, “a Fidelidade como Fruto do Espírito tem muito a ver com a moral e ética cristã. Esse fruto abençoado coloca o padrão cristão no nível de responsabilidade em palavras e ação. Houve um tempo em que a palavra de um homem tinha grande valor, e um aperto de mão era tão bom quanto um contrato assinado. Isto não parece ser verdade em nossos dias. Mas o homem que anda com Deus é diferente, porque nele está a lealdade, honestidade e sinceridade. O Espírito Santo sempre concede poder para o cristão ser um homem de palavra. A Fidelidade como Fruto do Espírito nos torna leais a Deus, leais a nossos companheiros, amigos, colegas de trabalho, empregados e empregadores. O homem leal apoiará o que é certo mesmo quando for mais fácil permanecer calado. Ele é leal, quer esteja calado, quer esteja sendo observado, quer não. Este princípio é ilustrado em Mateus 25:14-30. Os servos que eram fiéis e fizeram como foram instruídos mesmo na ausência do senhor foram elogiados e recompensados. O servo infiel foi castigado" (GILBERTO, António. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD.2004 p. 112).
3. Fé e Fidelidade não é a mesma coisa. Embora muitos considerem que Fé e Fidelidade são a mesma coisa, ou tem significado idêntico, nós nos permitimos pensar de forma diferente. Acreditamos que são duas virtudes diferentes. Acreditamos que em Gálatas 5:22, quando Paulo diz que uma das virtudes do Fruto do Espírito é a fé (ARC), ele está se referindo à Fé Espiritual, e não a Fé Natural.
A fé natural é uma virtude própria da natureza do ser humano. Todo ser humano a possui. Esta pode até guardar alguma semelhança com a fidelidade. Tanto que, na língua grega, que não cuidava de coisas espirituais, a palavra “pistis” tanto significava fé, como também fidelidade.
João Ferreira de Almeida, que
concluiu em 1670 a Tradução do Novo Testamento, do grego para a língua
portuguesa, houve por bem, em Gálatas 5:22, traduzir o vocábulo “pistis” por
fé.
Certamente que, na época, como
também hoje, na língua portuguesa fé não tem o mesmo significado de fidelidade.
No sentido que nossa língua dá às
duas palavras, um homem religioso pode ser fiel ao seu deus, ou ao ensino
religioso que recebeu, mesmo não tendo a fé espiritual. O ateu, ainda que negue
a existência de Deus, pode, e é fiel à sua doutrina. Assim, enquanto o homem
natural, religioso, ou não, pode manter absoluta fidelidade ao seu deus, ou à
doutrina na qual foi educado, ou formado, a ponto de morrer em sua defesa, é
certo que esse homem não possui a Fé Espiritual. Aconteceu com Paulo, antes de
ser cristão. Ele era um homem que consagrava absoluta fidelidade à doutrina do
judaísmo na qual era formado e dedicava completa lealdade aos de sua nação,
contudo, não possuía a Fé Espiritual.
A Fé Espiritual é um dom de Deus. Segundo a Bíblia, o Senhor Jesus é o seu autor e consumador – “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé...” (Hb.12:2), ou, como diz a Bíblia na Linguagem de Hoje: “Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele quem a aperfeiçoa...”. Biblicamente, só existe uma maneira de o homem adquirir esta fé, é pela Palavra de Deus – “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm.10:17). Nenhum homem, por mais fiel que seja a qualquer deus, a qualquer doutrina, mesmo aquelas fundadas em boas obras, será salvo sem esta fé – “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef.2:8). A Fé Espiritual é essencialmente divina. Homem algum, em tempo algum alcançou, ou poderá alcançar a Salvação sem antes adquirir esta fé. Ela nunca foi e não será jamais adquirida por qualquer tipo de esforço humano, por mais sincero que seja, ou pelo pagamento de qualquer quantia.
É, pois, absolutamente possível
manter fidelidade e lealdade a alguém, ou a alguma coisa, mesmo sendo, apenas,
um homem natural. Não se pode negar que existem muitos maridos, não crentes,
que mantêm absoluta fidelidade às suas esposas. A recíproca é também
verdadeira. Enquanto isso acontece, existem maridos e esposas crentes, salvos,
que, às vezes vacilam, escorregam e caem.
Acreditamos, portanto, existir fidelidade sincera, real, absoluta no homem natural, no qual não existe a fé espiritual. Portanto, para nós, fidelidade, ou lealdade, não tem o mesmo significado da Fé Espiritual, são duas virtudes diferentes. Enquanto a Fé Espiritual só pode ser recebida de Deus e através de Sua Palavra, a Fidelidade pode ser transmitida e gravada no caráter do homem através do ensino, da doutrinação, de tal forma que, em nome dessa fidelidade, ou lealdade, a pessoa chega a renunciar à própria vida; ela pode existir no pecador mais renitente, no ímpio, no religioso, no ateu e materialista; homens que morrem, mas, não negam suas doutrinas e suas crenças; homens fiéis, homens leais, porém, sem Fé Espiritual.
4. A Fidelidade de Deus. Uma das principais características divinas é a sua imutabilidade. Ele é fiel em sua natureza (2Ts.3:3). Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Tg.1:17). A Bíblia ressalta, ainda, que Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8). Ora, esta imutabilidade leva-nos à conclusão de que Deus, as três Pessoas, é fiel, pois, todo aquele que não muda, que mantém firme a sua posição é fiel. O Deus que é fiel, pela sua graça, nos salvou e nos deu uma nova vida a fim de que tenhamos comunhão com Ele e com o seu Filho (1Co.1:9). Como filhos de Deus e novas criaturas (2Co.5:17), precisamos ter para com Deus a mesma atitude de lealdade que Ele tem para conosco.
a) Deus é fiel no cumprimento de suas promessas. Deus cumpre os compromissos que assume, é leal. Todos os pactos constantes na Bíblia que foram firmados entre Deus e o homem sempre tiveram, da parte de Deus, seu pleno cumprimento.
- No Éden, Deus
prometeu vida ao homem enquanto ele não comesse da árvore do conhecimento do
bem e do mal, o que foi rigorosamente cumprido.
- Antes do dilúvio,
prometeu salvar Noé e sua família na arca, o que cumpriu e, posteriormente,
prometeu nunca mais destruir a Terra com um novo dilúvio, o que tem se cumprido
desde então, pois nunca mais houve um dilúvio universal.
- A Abraão, homem
sem filhos e já idoso, prometeu uma descendência como a areia do mar e que dele
sairiam povos e reis. Deus tem cumprido este compromisso, como podem
testemunhar os milhões de judeus e árabes que hoje existem.
- A Israel, Deus
prometeu que seria sua propriedade peculiar, seu reino sacerdotal e tem
cumprido até aqui a sua parte no pacto, preservando a nação israelita, apesar
da incredulidade dela, ao longo dos séculos, de forma evidentemente miraculosa,
como foi a restauração do Estado de Israel no local geográfico escolhido por
Deus, como prova de mais um compromisso que Deus tem cumprido, a de entregar a
Terra de Canaã a Israel.
- A Davi, prometeu
que sua descendência governaria eternamente sobre Israel e sabemos que a vinda
de Cristo, que é descendente de Davi e vivo está, é a demonstração do
cumprimento desta promessa, pois para sempre o Senhor reinará sobre Israel.
- À Igreja, prometeu
que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, e é o que tem
acontecido; Satanás tem investido ferozmente todas as suas ferramentas
destruidoras contra a Igreja, ao longo de seus dois mil anos de existência, mas
essas ferramentas não foram capazes de mudar o foco da Igreja e nem de
arrefecer o seu ânimo no cumprimento de seu dever: pregar o evangelho a toda a
criatura. Milhões de crentes foram mortos, mas o sangue dos mártires tornou-se
a sementeira do evangelho. Nosso Deus é Aquele que vela pela sua Palavra para a
cumprir (Jr.1:12).
b) Deus é grande em Fidelidade. As
Sagradas Escrituras confirmam isto:
- Lam.3:23: “Grande é a Tua fidelidade”.
- Êxodo 34:6: “E, passando o Senhor por diante dele [Moisés] clamou:
Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente, e longânimo, e grande em misericórdia
e fidelidade”.
- Salmo 57:10: “A Tua benignidade, Senhor, chega até aos céus, até as nuvens
a Tua fidelidade”.
- Salmo 108:4: “Porque acima dos céus se eleva a Tua misericórdia, e a Tua
fidelidade para além das nuvens”.
- Salmo 89:8: “Ó Senhor Deus dos Exércitos, quem é poderoso como Tu és,
Senhor, com a Tua fidelidade ao redor de Ti?”.
c) A Fidelidade de Deus é Eterna. Afirmam
as Escrituras Sagradas:
- Salmo 117:1,2: “Louvai ao Senhor
vós todos os gentios, louvai-O todos os povos. Porque mui grande é a Sua
misericórdia para conosco, e a fidelidade do Senhor subsiste para sempre.
Aleluia!”.
- Salmo 100:4b-5:” rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome. Porque o Senhor é bom,
a Sua misericórdia dura para sempre, e, de geração em geração, a Sua
fidelidade”.
- Salmo 119:90: “A Tua fidelidade estende-se de geração em geração...”.
- Salmo 146:6: “que fez os Céus e
a terra, o mar e tudo o que neles há, e mantém para sempre a Sua fidelidade”.
- 2Tm.2:13: “Se somos infiéis, Ele permanece fiel...”.
II. IDOLATRIA E HERESIA: UM
PERIGO À FIDELIDADE
1. O que é idolatria? É
colocar qualquer coisa, ou pessoa, em lugar de Deus. Significa que Deus deixou
de ocupar o lugar central na vida do homem, para ficar em segundo plano. Logo,
se colocarmos os bens materiais acima de Deus, estamos incorrendo no pecado da
idolatria.
A idolatria aparece na relação de
obras da carne apresentada por Paulo aos Gálatas (Gálatas 5:20), por isso é tão
comum em tantas culturas, mas é abominável para Deus porque através da
idolatria o homem rejeita o Deus Criador em troca da criatura.
O ser humano acredita mais
facilmente em coisas visíveis do que em um Deus invisível (1Tm.1:17). Por isto,
ele é tendente a fazer ídolos para reverenciá-lo. A palavra ídolo vem do grego
“eidólon”, e significa imagem; é, pois, uma representação da divindade, de que
se faz objeto de culto, usurpando essa imagem o lugar de Deus e recebendo a
adoração e o culto que só a Ele é devido. “Os
israelitas, embora tivessem visto de perto a glória e o livramento de Deus, por
diversas vezes se deixaram levar pela idolatria. Ainda na travessia do deserto,
quando Moisés estava no monte Sinai para encontrar-se com o Senhor, o povo fez
um bezerro de ouro e o adorou (Êx.32:1-18). Já no período monárquico,
depois da morte de Salomão e a divisão do reino, todos os reis do Reino do
Norte fizeram o que era mal aos olhos do Senhor, levando o povo à adoração de
ídolos (1Rs.16:25,30; 22:52-54; 2Rs.3:3). Jeroboão I, fundou um sistema
religioso idólatra, mandando fazer dois bezerros de ouro, institucionalizando a
idolatria em Israel (1Rs.12:26-33).
O ídolo é veementemente condenado
na Bíblia – “Maldito o homem que fizer
imagem de escultura ou de fundição, abominação ao SENHOR, obra da mão do
artífice, e a puser em um lugar escondido! E todo o povo responderá e dirá:
Amém!” (Dt.27:15). Os dois primeiros mandamentos proíbem a adoração de
imagens, bem como a adoração a qualquer outro deus (cf. Êxodo 20). A idolatria
era classificada como uma ofensa de estado e cheirava traição, devendo ser
punida com a morte (Dt.17:2-7). Leia mais: Lv.26:1; 1Sm.12:21; Sl.115:2-8;
At.15:20; 1João 5:21).
Todavia, idolatria não é somente
adorar a imagens, no sentido físico, é também adorar tudo aquilo
que toma o lugar de Deus em nossa vida, aquilo que amamos, nos dedicamos,
entregamos toda a nossa atenção, intenção e tempo, em detrimento da presença de
Deus em nossa vida, aquilo que rouba a nossa adoração e comunhão com Ele.
Muitas vezes, o trabalho, a
faculdade, prazeres, propósitos de vida, filhos, enfim, tudo isto é bênção do
Senhor, mas não podem ocupar o lugar do Senhor em minha vida, não podem roubar
a nossa adoração e o nosso tempo com Deus; Ele precisa estar no centro, mas
quando todos esses fatores de nossa vida estão cheios da nossa atenção,
dedicação e tempo, de maneira que não há mais tempo para orar, não há mais
tempo para adorar e relacionar-se com Deus, e ouvir a sua voz através da sua
palavra, e o problema maior é que perdemos a sensibilidade espiritual e
passamos a viver assim, então há ídolos na nossa vida.
Não podemos jamais esquecer que
tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus, em nosso coração, é idolatria. Qualquer
pessoa ou objeto a que nos dedicamos com extremada atenção, e que não podemos
viver sem os quais, podem se tornar um ídolo. A idolatria é a quebra da nossa
fidelidade ao verdadeiro Deus.
2. Heresia. Heresia vem da expressão grega “háiresis”, que pode ser entendida como uma escolha que resulta numa separação. Segundo o Dicionário Teológico (CPAD) podemos definir heresia "como uma rejeição voluntária de um ou mais artigos da fé". Aquela pessoa que, embora conhecendo a verdade, desvia-se dela, abraçando uma doutrina falsa, ou uma doutrina contrária àquela revelada pela Bíblia Sagrada, chamamos de herege. O herege não é um cristão. A Bíblia fala de heresia em 2Pedro 2:1 e Judas 4, e afirma que é um fruto da carne (Gl.5:20).
Vamos entender melhor este
assunto, tomando o seguinte exemplo: o Brasil tem um sistema federativo de
governo. Embora formado por 27 Estados, tem um único presidente e é regido por
uma só Constituição. Cada um dos 27 Estados tem sua própria constituição e pode
fazer suas próprias leis. Há, porém, um limite para estas legislações - as
constituições e as leis estaduais precisam estar de acordo com a Constituição
Federal; esta representa a lei maior e não pode ser violada.
Assim, a Bíblia Sagrada é a
Constituição, ou a Lei Maior que rege a Igreja do Senhor que está aqui na
Terra. Cada igreja local, bem como cada denominação evangélica, à semelhança
dos estados brasileiros, pode ter sua organização própria, seu governo, suas
leis, desde que estas estejam de acordo com a Bíblia Sagrada.
Assim, só será considerada uma igreja evangélica aquela que estiver de acordo com as doutrinas bíblicas. Elas podem ter diversas diferenças, entre si, assim como cada estado tem seus próprios costumes; embora a língua oficial seja a mesma, há diferença de pronúncias, variam os sotaques em cada região, há diferenças alimentares, climáticas etc. Tudo é permitido desde que a Constituição Federal seja obedecida. Caso um Estado passe a legislar de forma contrária à Constituição Federal, e persista em continuar no erro, será considerado um Estado rebelde e estará sujeito a sansões penais. Assim é a heresia; ela não é uma denominação, ou igreja evangélica; ela é rebelião contra as doutrinas bíblicas.
Uma Heresia tem suas próprias doutrinas e estas são sempre contrárias às verdades bíblicas. Os seguidores de uma determinada heresia formam o que chamamos de SEITA. Daí, biblicamente, não podemos confundir uma denominação, ou igreja evangélica com uma Seita. Uma Seita é sempre regida por uma doutrina antibíblica.
Precisamos ter cuidado, pois atualmente muitos estão se utilizando de argumentos falsos para enganar e macular a Igreja do Senhor. Estamos vivendo tempos difíceis, nos quais muitas igrejas já não conservam mais a sã doutrina, sendo os crentes enganados por filosofias humanas e ensinos de demônios contrários à Palavra de Deus. Devemos, portanto, acatar a exortação de Paulo: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tito 2:10,11). Perceba neste texto a gravidade que representa uma heresia. Contemplando e avaliando a galeria onde as heresias estão colocadas e a sentença de que o herege não herdará o Reino de Deus não se pode deixar de considerar o perigo que uma heresia representa para “uma Igreja”, e o porquê Paulo, falando sobre o herege, disse: “evita-o”.
III. SEJAMOS FIÉIS ATÉ O FIM
A Fidelidade é um princípio
básico da vida cristã. Hoje os maridos e esposas estão quebrando os votos
assumidos no casamento. Os crentes estão quebrando os votos feitos na profissão
de fé. Como ser um crente fiel em tempos de adversidades? Tomemos como exemplo
a fiel igreja de Esmirna; ela foi uma igreja sofredora, perseguida, pobre,
caluniada, aprisionada, enfrentando a própria morte, porém, uma igreja fiel que
só recebeu elogios de Cristo (Ap.2:8-11).
“E ao anjo da
igreja que está em Esmirna escreve: Isto diz o Primeiro e o Último, que foi
morto e reviveu: Eu sei as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és
rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus e não o são, mas são a sinagoga de
Satanás. Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará
alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de
dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem
ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano
da segunda morte”.
É válido ressaltar que, dentre as sete igrejas que receberam cartas, somente duas receberam elogios: Esmirna e Filadélfia. Sabemos que não há igreja local isenta de imperfeições, mas na carta endereçada à igreja em Esmirna não foram apresentadas pelo Senhor as suas imperfeições. Isso deve nos servir de lição: uma igreja pobre e perseguida não recebeu repreensões do Senhor, mas elogios, não porque era pobre e perseguida, e sim porque era fiel a Jesus.
1. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo em meio à tribulação (Ap.2:9). Tribulação tem a ideia de aperto, sufoco, esmagamento. A igreja estava sendo espremida debaixo de um rolo compressor. A pressão dos acontecimentos pesava sobre a igreja e a força das circunstâncias procurava forçar a igreja a abandonar a sua fé. Os crentes em Esmirna estavam sendo atacados e mortos. Eles eram forçados a adorar o imperador como deus. Segundo alguns estudiosos, de uma única vez foram lançaram do alto do monte Pagos 1200 crentes; doutra feita, lançaram 800 crentes. Os crentes estavam morrendo por causa da sua fé.
Somos chamados a ser fiéis até às últimas consequências, mesmo em um contexto de hostilidade e perseguição. Hoje, Jesus espera de seu povo fidelidade na vida, no testemunho, na família, nos negócios, na fé. Não venda seu Senhor por dinheiro, como Judas; não troque seu Senhor, por um prato de lentilhas, como Esaú; não venda sua consciência por uma barra de ouro, como Acã. Seja fiel a Jesus, ainda que isso lhe custe seu namoro, seu emprego, seu sucesso, seu casamento, sua vida. Jesus diz que aqueles que são perseguidos por causa da justiça são bem-aventurados (Mt.5:10-12). O mundo perseguiu a Jesus e também nos perseguirá.
2. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo mesmo enfrentando prisões impiedosas (Ap.2:10). Alguns crentes de Esmirna estavam enfrentando prisões tenebrosas. Naquela ocasião, a prisão era a antessala do túmulo; os romanos não cuidavam de seus prisioneiros. Normalmente os prisioneiros morriam de fome, de pestilências, ou de lepra.
Somos chamados a sermos fiéis não apenas até o último instante da vida, mas, sobretudo, até às últimas consequências, mesmo num contexto de hostilidade e perseguição. O pastor da igreja de Esmirna, Policarpo, discípulo de João, foi martirizado em 155 d.C. Fiel até à morte, esse dedicado líder foi queimado vivo em uma fogueira. Seus algozes pediram-lhe que dissesse: "César é Senhor", mas ele recusou a fazê-lo. Levado ao estádio, o procônsul instou com ele, dizendo: "Jura, maldiz a Cristo e te porei em liberdade”. Policarpo lhe respondeu: "Sirvo a Cristo há oitenta e seis anos, e ele nunca me fez mal, só o bem. Então como posso maldizer o meu Rei e Salvador?" [...]. Depois de ameaçá-lo com feras, o procônsul lhe disse: "Farei que sejas consumido pelo fogo". Mas Policarpo respondeu: "Tu me ameaças com fogo que queima por uma hora e depois de um pouco se apaga, mas tu és ignorante a respeito do fogo do juízo vindouro e do castigo eterno, reservado para os maus. Mas, por que te demoras? Faze logo o que queres [...J". Os inimigos furiosos, queimaram-no vivo em uma pira, enquanto ele orava e agradecia a Jesus o privilégio de morrer como mártir.
A promessa de Jesus é clara: "O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte" (Ap. 2:11). Podemos enfrentar a morte e até o martírio, mas escaparemos do inferno, que é a segunda morte, e entraremos no céu, que é a coroa da vida.
3. A igreja de Esmirna foi fiel a Cristo apesar da pobreza absoluta. A igreja de Esmirna era uma igreja pobre: pobre porque os crentes vinham das classes mais baixas; pobre porque muitos dos membros eram escravos; pobre porque seus bens eram tomados, saqueados; pobre porque os crentes eram perseguidos e até jogados nas prisões; pobre porque os crentes não se corrompiam. Esmirna era uma igreja espremida, sofrida, acuada; contudo, uma igreja fiel.
a) embora a igreja fosse pobre financeiramente, era rica dos recursos espirituais. Não tinha tesouros na terra, mas os tinha no céu. Era pobre diante dos homens, mas rica diante de Deus. A riqueza de uma igreja não está na pujança do seu templo, na beleza de seus móveis, na opulência do seu orçamento, na projeção social dos seus membros. A igreja de Laodiceia considerava-se rica, mas Jesus disse para ela que ela era pobre. A igreja de Filadélfia tinha pouca força, mas Jesus colocou diante dela uma porta aberta. A igreja de Esmirna era pobre, mas aos olhos de Cristo ela era rica.
b) Enquanto o mundo avalia os homens pelo ter, Jesus os avalia pelo ser. Importa ser rico para com Deus. Importa ajuntar tesouros no céu. Importa ser como Pedro: "Eu não tenho ouro e nem prata, mas o que eu tenho, isso te dou: em nome de Jesus, o Nazareno anda". A igreja de Esmirna era pobre, mas fiel; era pobre, mas rica diante de Deus; era pobre, mas possuía tudo e enriquecia a muitos. Nós podemos ser ricos para com Deus, ricos na fé, ricos em boas obras. Podemos desfrutar das insondáveis riquezas de Cristo. É melhor ser como a igreja de Esmirna, pobre materialmente e rica espiritualmente, do que como a igreja de Laodiceia, rica, mas pobre diante de Cristo.
Jesus nunca disse que se formos fiéis a Ele jamais teremos problemas, sofrimentos ou perseguições. Na verdade, devemos ser fiéis a Ele durante nossos sofrimentos. Somente assim nossa fé poderá se mostrar genuína. Permaneceremos fiéis se conservarmos nosso olhar em Cristo e naquilo que Ele nos promete para esse momento e para o futuro (ver Fp.3:13,14; 2Tm.4:8).
Que a igreja de Esmirna nos sirva de exemplo e referencial de fidelidade a Deus, coragem e determinação. [...] Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte (Ap. 2:10c-11).
CONCLUSÃO
À medida que buscamos ter maior
comunhão com Deus, desenvolvemos a Fidelidade como Fruto do Espírito. A nossa
confiança em Deus nos ajuda a permanecer fiéis em tudo até o Dia em que iremos
nos encontrar com o Senhor (Ap.2:10). Que no final de nossa jornada, possamos
dizer como o apóstolo Paulo: “Combati o bom
combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm.4:7).

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