segunda-feira, 6 de julho de 2026

DEUS RESTAURA JÓ

 



DEUS RESTAURA JÓ  

Após passar por uma série de provações severas — nas quais perdeu seus bens, seus dez filhos e sua saúde, além de enfrentar a incompreensão de sua esposa e as acusações injustas de seus amigos —, Jó não abandonou sua fé, embora tenha questionado profundamente a Deus e expressado sua dor.

O Ponto de Virada: A Intercessão

Um aspecto central da restauração de Jó é o momento em que ela ocorre. De acordo com o relato bíblico, o "cativeiro" de Jó foi revertido quando ele orou pelos seus amigos.

  • O Perdão como Chave: Ao deixar de se defender das acusações e passar a interceder por aqueles que o julgaram, Jó demonstrou um espírito de perdão e humildade. Esse ato de intercessão sinalizou um rompimento com a mágoa e a autojustificação, abrindo caminho para que sua cura e restauração fossem plenamente realizadas por Deus.

A Natureza da Restauração

A restauração de Jó não foi apenas um retorno ao que ele tinha antes, mas uma renovação completa de sua vida:

  • Restituição Material: Deus lhe deu o dobro de tudo o que ele possuía anteriormente.
  • Família: Ele teve outros dez filhos (sete homens e três mulheres), sendo suas filhas mencionadas como as mais belas daquela terra.
  • Dignidade e Saúde: Sua saúde foi restaurada e ele viveu mais 140 anos, podendo ver até a quarta geração de seus descendentes.
  • Transformação Espiritual: Talvez o aspecto mais profundo da restauração tenha sido a mudança na percepção de Jó sobre Deus. Ele declara: "Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te veem" (Jó 42:5). A restauração, portanto, consolidou um relacionamento muito mais íntimo e profundo com o Criador do que ele possuía antes de suas provações.

Lições Principais

  • O Sofrimento não é o fim: A trajetória de Jó ensina que, para o fiel, o sofrimento pode ser um instrumento de refinamento da fé e de crescimento espiritual, e não necessariamente um sinal de abandono divino.
  • Soberania de Deus: O relato reforça que os planos de Deus são soberanos e que, mesmo quando não compreendemos o propósito de nossas aflições, a confiança e a perseverança mantêm a conexão com o divino.
  • A Força da Intercessão: O ato de perdoar e orar por aqueles que nos feriram é visto como um passo fundamental para o processo de cura emocional e restauração pessoal.


1.1 SINCERO, RETO E TEMENTE A DEUS; E DESVIAVA-SE DO MAL. (1) O temor de DEUS e o desviar-se do mal são o fundamento da vida irrepreensível e da retidão de Jó (cf. Pv 1.7). "Sincero" refere-se à integridade moral de Jó e à sua sincera dedicação a DEUS; "reto" denota retidão nas palavras, nos pensamentos e atos. (2) Esta declaração da retidão de Jó é reafirmada pelo próprio DEUS no versículo 8 e em 2.3 onde, claramente, se vê que DEUS, pela sua graça, pode redimir os seres humanos caídos, e torná-los genuinamente bons, retos e vitoriosos sobre o pecado. Esta declaração envergonha e expõe os erros do ensino evangélico modernista, o qual afirma que: (a) nenhum crente em CRISTO, mesmo com toda assistência do ESPÍRITO SANTO, pode ter a mínima esperança de ser irrepreensível e reto nesta vida; e (b) os crentes podem estar certos de que pecarão todos os dias, por palavras, pensamentos e obras, sem nenhuma esperança de vencer a carne nesta vida.




1.5 MEUS FILHOS. Como pai piedoso, Jó tinha muito zelo pelo bem-estar espiritual de seus filhos. Vivia atento à conduta e modo de vida deles, orando a DEUS para que os protegesse do mal e que experimentassem da parte de DEUS a salvação e suas bênçãos. Jó exemplifica o pai de coração voltado para os filhos, dedicando-lhes tempo e atenção necessários para mantê-los afastados do pecado (ver Lc 1.17)


1.6,7 SATANÁS.
Antes da morte e da ressurreição de CRISTO, Satanás tinha acesso vez por outra à presença de DEUS, quando então questionava a sinceridade e retidão dos fiéis (ver 1.6-12; 2.1-6; 38.7; Ap 12.10). Por outro lado, a Bíblia não declara em nenhum lugar que Satanás tem acesso direto a DEUS na nova aliança (ver Mt 4.10), embora ele continue acusando os crentes. O crente pode eliminar essas acusações por meio do sangue de CRISTO, de uma boa consciência e da Palavra de DEUS (cf. Mt 4.3-11; Tg 4.7; Ap 12.11). Nossa confiança é reforçada pelo fato de termos como nosso Advogado perante o Pai o Senhor JESUS CRISTO (1 Jo 2.1), que está à sua destra, intercedendo por nós (Hb 7.25).



1.8 OBSERVASTE TU A MEU SERVO JÓ? A essa altura, o livro apresenta o conflito entre DEUS e o seu grande adversário, Satanás. DEUS aqui repta Satanás a observar em Jó o triunfo da graça e salvação divinas. Na vida deste seu servo fiel, DEUS demonstrou que seu plano de redimir a raça humana, do pecado e do mal, é exeqüível.


1.9 PORVENTURA, TEME JÓ A DEUS DEBALDE? Satanás reagiu ante a declaração de DEUS, de ser Jó um homem piedoso, e passou a acusar tanto a Jó quanto a DEUS. (1) Satanás questionou os motivos de Jó e, portanto, a veracidade da sua retidão, afirmando que o amor que Jó tinha a DEUS era realmente egoísta e que ele adorava a DEUS somente porque tirava proveito disso. Satanás deixou claro que o amor que Jó tinha a DEUS não era sincero. (2) Satanás insinuou, ainda, que DEUS era ingênuo, que se deixara enganar, e que obtivera a devoção de Jó mediante a concessão de bênçãos e suborno (vv. 10,11). Satanás concluiu que DEUS tinha falhado no seu propósito de reconciliar a raça humana consigo mesmo. Se DEUS deixasse de proteger Jó, e de lhe conceder riquezas, saúde e felicidade, ele (Jó) blasfemaria dEle na sua face! (v. 11).


1.10 CERCASTE. Posto que Satanás vem para roubar, matar e destruir (cf. Jo 10.10), DEUS coloca uma cerca de proteção em volta dos seus, para abrigá-los dos ataques de Satanás. Essa "cerca" é qual "muro de fogo" espiritual, de proteção para os fiéis de DEUS, de modo que Satanás não possa atingi-los. "E eu, diz o SENHOR, serei para ela [Jerusalém] um muro de fogo em redor" (Zc 2.5). (2) Todos os crentes que fielmente procuram amar a DEUS e seguir a direção do ESPÍRITO SANTO têm o direito de pedir e de esperar que DEUS mantenha esse muro de proteção ao seu redor e de suas respectivas famílias.


1.11 TOCA-LHE EM TUDO QUANTO TEM, E VERÁS SE NÃO BLASFEMA DE TI NA TUA FACE! Nos versísulos 6-12 estão propostas as perguntas principais do livro. É possível o povo de DEUS amá-lo e servi-lo por causa daquilo que Ele é, e não apenas por causa das suas dádivas? O justo pode manter sua fé em DEUS e seu amor por Ele em meio a tragédias incompreensíveis e sofrimentos imerecidos?


1.12 SOMENTE CONTRA ELE NÃO ESTENDAS A TUA MÃO. DEUS permitiu a Satanás destruir os bens e a família de Jó; porém, Ele fixou um limite até onde Satanás podia ir e não lhe concedeu o poder de morte sobre Jó. Satanás lançou tempestades e pessoas violentas contra Jó (vv. 13-19).


1.16 FOGO DE DEUS. O "fogo de DEUS" é provavelmente uma expressão referente ao relâmpago (ver Nm 11.1; 1 Rs 18.38).


1.20 E SE LANÇOU EM TERRA, E ADOROU. Jó reagiu às fatalidades que lhe aconteceram, com intensa aflição; mas também, com humildade, submeteu-se a DEUS e continuou a adorá-lo em meio à mais severa adversidade (v. 21; 2.10). (1) Posteriormente, Jó reagiu à calamidade ininterrupta, revelando dúvida, ira e sentimento de isolamento de DEUS (7.11). Mesmo nesse período de trevas e de fé vacilante, Jó não se voltou contra DEUS, todavia expressou francamente diante dEle suas queixas e sentimentos. (2) O livro de Jó demonstra como o crente fiel deve enfrentar os contratempos da vida. Embora possamos enfrentar sofrimentos severos e aflições inexplicáveis, devemos orar, pedindo graça para aceitar o que DEUS permitir que soframos, pedindo-lhe também a revelação e compreensão do seu significado. DEUS cuidará dos nossos confusos sentimentos e lamentos, se os levarmos a Ele - não com rebeldia, mas com sincera confiança nEle como um DEUS amoroso. (3) O livro revela que DEUS aceitou bem as indagações de Jó (38-41) e que, no final, declarou que Jó falara "o que era reto" (42.7).

 

2.3 PARA O CONSUMIR SEM CAUSA. Jó, o sofredor inocente, prefigura tanto JESUS CRISTO como todos os crentes fiéis da nova aliança. (1) Como modelo no AT, do justo sofredor, Jó é uma prefiguração de CRISTO - o Justo Perfeito - que sofreu apesar de ser inocente. O CRISTO imaculado sofreu no seu corpo as conseqüências do mal, e foi considerado "ferido de DEUS" (Is 53.4; 1 Pe 2.24; 4.1). (2) Semelhantemente, Jó exemplifica a perseverança paciente na adversidade que um filho de DEUS deve ter (Tg 5.11; cf. Hb 11, onde muitos dos heróis da fé sofreram e morreram sem experimentarem livramento). Assim como Jó sofreu inocentemente por causa da sua integridade e lealdade a DEUS, todos os crentes fiéis também sofrerão de certo modo. O NT declara que "todos os que piamente querem viver em CRISTO JESUS padecerão perseguições" (2 Tm 3.12) - sofrimento este considerado como a participação "de suas [de CRISTO] aflições" (Fp 3.10; cf. Cl 1.24). Os sofredores inocentes são, pois, companheiros do Senhor (cf. 1 Pe 4.1; 5.10; ver 2.21; 4.13)


2.6 ELE ESTÁ NA TUA MÃO
. DEUS permitiu que Satanás infligisse mais sofrimento a Jó, porque sem esse sofrimento imerecido, nem a plena dedicação de Jó a DEUS poderia ser comprovada, nem o empenho de DEUS para redimi-lo do pecado poderia ser plenamente demonstrado. (1) A prova da fé de um justo, mediante o sofrimento, tem muita importância, pois a honra de DEUS fica em jogo na maior luta espiritual de todos os tempos: i.e., o conflito entre DEUS e Satanás. (2) O apóstolo Pedro, escrevendo sob o aspecto do NT, declara: "Sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações [provações], para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de JESUS CRISTO" (1 Pe 1.6,7).

2.9 AMALDIÇOA A DEUS E MORRE. Este conselho da esposa de Jó exprime o âmago da prova da fé de Jó. Por todo o livro, a profunda angústia de Jó causada pelo sofrimento aparentemente injusto da parte de DEUS tentava-o a renunciar a sua determinação de fidelidade a DEUS, e também deixar de confiar nEle como um DEUS compassivo e misericordioso (cf. 5.11).


2.10 E NÃO RECEBERÍAMOS O MAL? Os crentes verdadeiros devem se preparar tanto para serem provados por DEUS com a adversidade, como para receber o bem da sua mão. Confiarmos em DEUS não significa que Ele sempre nos livrará da aflição, nem a fidelidade a DEUS garante prosperidade e sucesso (ver 2.3; 3 Jo 2). Ao surgir a adversidade, o crente, cuja consciência não o acusa de pecado ou rebelião contra DEUS, deve confiar a sua alma às mãos de DEUS. A fé em DEUS, como nosso Senhor amorável, nas provações e opressões, expressa o seu maior triunfo (1 Pe 1.3-9).


2.11 TRÊS AMIGOS DE JÓ. Ao saberem as adversidades de Jó, três dos seus amigos vieram solidarizar-se com ele e confortá-lo. O livro de Jó contém os diálogos entre eles e o sofredor. O ponto de vista deles expressa uma teologia popular, porém falha, pois criam que só coisas boas aconteciam aos fiéis, ao passo que sofrimentos e lutas sempre indicam pecado na vida da pessoa. Fizeram um esforço sincero para ajudar Jó, procurando fazê-lo reconhecer algum pecado grave. Por fim, DEUS os repreendeu pelo seu erro (42.7).

3.1 JÓ... AMALDIÇOOU O SEU DIA. Jó ficara solitário, humilhado e sofrendo dores. Seu sofrimento -maior era o sentimento de que DEUS o abandonara. (1) No seu discurso (vv. 2-26), Jó disse a DEUS exatamente como se sentia. Começou maldizendo o dia em que nasceu e sua vida de sofrimento, mas note-se que em tudo isso Jó não blasfemou contra DEUS. Seu lamento era uma expressão de dor e desolação, mas não uma expressão de revolta contra DEUS. (2) Sempre é melhor para o crente levar ao Senhor em oração suas dúvidas e sentimentos sinceros. Nunca é errado levarmos a DEUS nossas aflições e angústias, a fim de invocarmos a sua compaixão. O próprio JESUS CRISTO perguntou a DEUS: "DEUS meu, DEUS meu, por que me desamparaste?" (Mt 27.46; cf. Jr 20.14-18; Lm 3.1-18).


3.13 ENTÃO, HAVERIA REPOUSO PARA MIM. O conceito de sepultura para Jó era o de um lugar de repouso. Não a considerava como extinção, mas como um lugar de contínua existência pessoal (vv. 13-19; ver Sl 16.10).


3.25 O QUE EU TEMIA ME VEIO. O maior desejo de Jó era gozar da presença e do favor de DEUS; agora, acontecera aquilo que mais ele temia. Parecia que DEUS o abandonara; e ele não tinha a mínima idéia da razão disso. Mesmo assim, Jó não blasfemou contra DEUS; continuou orando a Ele, rogando sua misericórdia e socorro (6.8,9).

4.1 RESPONDEU ELIFAZ... E DISSE. O cap. 4 inicia o primeiro dos três ciclos principais de diálogos de Jó com Elifaz, Bildade e Zofar. Na leitura desses diálogos, observe o seguinte: (1) Embora as palavras dos três amigos de Jó estejam registradas nas Escrituras, nem tudo que eles disseram é absolutamente correto. O ESPÍRITO SANTO registrou suas palavras, mas não as inspirou. No fim do livro, o próprio DEUS declarou que boa parte daquilo que eles falaram não era bom (42.7,8). (2) Algumas afirmações deles são realmente verdadeiras, e são repetidas no NT (e.g., parte do que Elifaz diz em 5.13, acha-se em 1 Co 3.19). (3) A teologia e a cosmovisão básicas desses conselheiros eram falhas. Eles criam (a) que os verdadeiros justos sempre prosperarão, ao passo que os transgressores sempre sofrerão, e (binversamente, a pobreza e o sofrimento sempre subentendem pecado, ao passo que prosperidade e sucesso subentendem retidão. DEUS revelou
posteriormente que tal atitude é errônea, e que o ponto de vista deles era "loucura" (42.79).


4.7 E ONDE FORAM OS SINCEROS DESTRUÍDOS? O conceito teológico de que os justos não perecerão e que os ímpios serão castigados é certo do ponto de vista da eternidade (ver Gl 6.7; Hb 10.13). No devido tempo haverá justiça. Aqui na terra, comumente não há retribuição justa, e os inocentes sofrem injustamente. Deixar de reconhecer essa verdade foi um grave erro de julgamento de Elifaz (e.g., Mt 23.35; Lc 13.4,5; Jo 9.1-3; 1 Pe 2.19,20).


4.13 VISÕES DA NOITE. Não está declarado que as visões de Elifaz vinham de DEUS. De fato, não vinham de DEUS, pois o descrevem como se Ele não se preocupasse com a raça humana (vv. 17-21). É um erro estabelecer teologia em sonhos e visões, sem apoio na revelação escrita de DEUS.

5.17-27 O HOMEM A QUEM DEUS CASTIGA. Segundo a idéia de Elifaz, se DEUS repreende uma pessoa e ela corresponde devidamente, DEUS a livrará de todos os seus males e aflições. (1) O autor de Hebreus refuta essa idéia enganosa, ao declarar que alguns dos maiores heróis da fé, do AT, foram perseguidos, despojados de todos os seus bens, afligidos, maltratados e até mesmo mortos. Esses justos nunca experimentaram total livramento nesta vida (Hb 11.36-39). (2) A Bíblia não ensina, em parte alguma, que DEUS eliminará da nossa vida todas as aflições e sofrimentos. Os santos nem sempre são poupados de sofrimentos nesta vida.

6.4 AS FLECHAS DO TODO-PODEROSO ESTÃO EM MIM. Jó reconhecia que seu sofrimento provinha, em última análise, da parte de DEUS, ou pelo menos com seu conhecimento e permissão. Sua maior angústia era esta: DEUS parecia estar contra ele, não sabendo ele por quê. Quando o crente enfrenta o sofrimento enquanto se esforça sinceramente para agradar a DEUS, não deve ceder à idéia de que DEUS não se interessa mais por ele. Podemos não saber por que DEUS permite que tais coisas aconteçam, mas podemos saber (como Jó) que por fim o próprio DEUS nos fortalecerá, sustentará e nos fará vitoriosos (cf. Rm 8.35-39; Tg 5.11; 1 Pe 5.10).


6.10 NÃO REPULSEI AS PALAVRAS DO SANTO. Em todo o seu sofrimento, o alívio de Jó consistia no fato de que ele não se desviara do Senhor, nem negou as palavras de DEUS. Desconhecendo qualquer pecado seu, deliberado ou involuntário, Jó afirmou sua inocência no decurso de todo o seu livro (ver 13.23; 16.17; 27.6), convicto de que sempre procurara honrar e obedecer a DEUS. Por isso, ele podia regozijar-se, mesmo na dor.

7.1 JÓ DIRIGE-SE A DEUS. Jó deixou de lado seus amigos, que não compreendiam o que ocorria e passou a orar ao seu Senhor. O principal assunto de Jó em todos os seus discursos era DEUS. Até mesmo quando ele falava de DEUS na terceira pessoa, estava sempre consciente da sua presença. O coração de Jó nunca se apartou do DEUS a quem ele amava.




7.11 NA ANGÚSTIA DO MEU ESPÍRITO. Jó repetidamente fala da angústia e da amargura do seu espírito e alma (cf. 10.1; 27.2). Foi um homem que muito sofreu em todos os aspectos da vida. (1) Fisicamente, perdera suas riquezas, filhos e saúde (1.13-19; 2.7,8). (2) Socialmente, ficou privado dos seus amigos e familiares (2.7,8; 19.13-19). Sofreu zombaria do público (16.10; 30.1-10), e foi abandonado por seus amigos mais chegados (6.14-23). (3) Espiritualmente, sentia-se abandonado por DEUS, crendo que o Senhor se voltara contra ele (vv. 17-19; 6.4). (4) Afligido em todos os sentidos, Jó experimentou uma imensa gama de emoções: ansiedade (vv. 4,13,14), incerteza (9.20), rejeição e traição (10.3; 12.4), medo (6.4; 9.28), solidão (19.13-19) e desespero, emoções que o levaram a desejar a morte (cap. 3).


7.16 RETIRA-TE DE MIM. Com sinceridade, Jó falou com DEUS sobre seus sentimentos de injustiça, rejeição e dúvida. Até mesmo desejou que DEUS se retirasse dele (vv. 16-19), embora noutras ocasiões ansiasse para DEUS falar com ele (14.15; 23.3,5). Os fiéis que passarem por severas provações e sofrimentos devem expressar seus sentimentos abertamente a DEUS em oração. Falarmos sinceramente com DEUS, da nossa angústia e amargura, em atitude de submissão, não é errado. Ana derramou a sua alma diante do Senhor por causa da grande provocação que enfrentava (1 Sm 1.13-16). O próprio JESUS oferecia, "com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas" (Hb 5.7) e, por ocasião da sua morte, experimentou as trevas indescritíveis da separação de DEUS (Mt 27.46).


7.20 SE PEQUEI. Jó considerava a possibilidade de seus conselheiros terem razão, e de DEUS ter desencadeado a sua ira contra ele por causa de alguma transgressão desconhecida. O que Jó não sabia era que DEUS realmente o estava observando, não com ira, mas com compaixão e amor. Embora sob prova até o seu limite, Jó se recusou firmemente a blasfemar contra DEUS (cf. 2.9), e assim foi exaltado o poder libertador de DEUS. No devido tempo, ao terminar a prova, Jó teve a aprovação de DEUS publicamente (42.8).

8.6 SE FORES PURO E RETO. O argumento de Bildade era basicamente o mesmo de Elifaz. Se Jó realmente fosse justo, seria justificado por DEUS. Mas Jó não estava sendo justificado por DEUS, logo, ele devia ter pecado. Bildade argumentava que DEUS, sendo justo, não causaria aflições numa pessoa justa (vv. 3,4,20). O erro de Bildade foi posteriormente manifesto pelo próprio DEUS (42.7,8) e, em sentido pleno, na crucificação de CRISTO, quando, então, DEUS entregou seu próprio Filho ao sofrimento e à morte (Mt 27.31-50).

9.2 COMO SE JUSTIFICARIA O HOMEM PARA COM DEUS? No cap. 9, Jó reconheceu que não poderia ser perfeitamente justo diante de DEUS. Compreendia que, pela sua própria natureza, era inclinado ao seu próprio eu e ao pecado, e que não era inculpável aos olhos de DEUS (cf. 7.21). Mesmo assim, de todo o coração e alma, tinha resistido ao mal e se desviado dele (1.1,8; 2.3). Estava confiante de não ter pecado gravemente a ponto de merecer semelhante sofrimento (6.24; 7.20). Foi por isso que Jó se queixou que DEUS o castigara sem motivo (vv. 16-20). Mesmo assim, a sua fé ainda se mantivera firme, pois persistia em invocar a DEUS (ver 10.2,8-12; cf. Tg 5.11). Não blasfemou contra DEUS (conforme Satanás predisse que ele faria - 1.11; 2.5), embora chegasse a falar palavras das quais se arrependeria depois (vv. 17,20,22,23,30,31; 42.3-6).


9.17 MULTIPLICA AS MINHAS CHAGAS SEM CAUSA. O mais difícil para Jó aceitar era o silêncio contínuo de DEUS numa situação dolorosa que parecia não ter propósito. DEUS, às vezes, permite passarmos por um período sombrio de provas no qual Ele permanece em silêncio e parecendo estar longe. Mesmo em meio às sombras do silêncio de DEUS, Ele tem um plano para a nossa vida, e devemos continuar a confiar nEle.


9.33 NÃO HÁ ENTRE NÓS ÁRBITRO. Jó percebeu a necessidade de um mediador que pudesse ter uma das mãos ligada a ele, e a outra a DEUS, unindo-os assim. JESUS CRISTO tornou-se tal mediador, pois mediante sua morte e ressurreição, Ele nos restaura à comunhão com DEUS (1 Tm 2.5; Hb 9.15).

10.1 FALAREI NA AMARGURA DA MINHA ALMA. No cap. 10, Jó continuou derramando diante de DEUS sua amargura e seus sentimentos por ser tratado injustamente. Mas embora Jó sentisse que DEUS retirara dele o seu amor, continuava mantendo sua confiança na justiça de DEUS e também pleiteando com DEUS uma solução para o seu dilema.

10.2 FAZE-ME SABER PORQUE CONTENDES COMIGO. Em nenhuma de suas orações, Jó pediu cura para seu corpo. A maior preocupação de Jó era o "por quê" do seu sofrimento e do aparente abandono por DEUS do seu servo; saber disso era mais importante para Jó do que seus sofrimentos. Ser aceito por DEUS como um dos seus, mesmo na adversidade, era a coisa mais vital na sua vida.

10.16 TU ME CAÇAS COMO A UM LEÃO FEROZ. Por estar sob severa aflição, Jó julgava que DEUS estava contra ele. O NT provê uma revelação mais completa a respeito do sofrimento do cristão, mostrando que o crente pode até mesmo gloriar-se no sofrimento. (1) Paulo escreveu aos Coríntios: "fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos" (2 Co 1.8). Mesmo na sua aflição, porém, o apóstolo bendizia a DEUS, porque a sua presença e o seu ESPÍRITO estavam com ele para consolá-lo (2 Co 1.3,4,22). A maior glória do sofrimento de Paulo era que ele, assim, participava de alguma maneira das "aflições de CRISTO" (2 Co 1.5; cf. 4.10; Fp 3.10; Cl 1.24; 1 Pe 4.13). (2) Todos os grandes santos de DEUS já verificaram a verdade bíblica que pertencer a DEUS e ao seu reino não implicam necessariamente isenção de sofrimento terreno, mas em livramento para o sofrimento terreno com CRISTO (ver Hb 13.12,13; Tg 5.10,11; 1 Pe 2.21; 4.1).

 

11.1 ZOFAR. Zofar foi áspero ao acusar Jó de hipocrisia (vv. 4-6) e de teimosia (vv. 13-20), e lhe disse que merecia sofrer ainda mais do que já sofrera (v. 6). Sustentava que se Jó se desviasse do pecado, seus sofrimentos cessariam imediatamente, e a segurança, a prosperidade e a felicidade voltariam (vv. 13-19). O discurso de Zofar contém graves erros teológicos. A Bíblia não garante em nenhum lugar uma vida aqui, "mais clara... do que o meio-dia" (v. 17) para o crente fiel. Pelo contrário, "por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de DEUS" (At 14.22).

12.5 TOCHA DESPREZÍVEL É, NA OPINIÃO DO QUE ESTÁ DESCANSADO. Jó condenou a maneira de pensar dos ricos. Desprezam os pobres e necessitados e justificam sua falta de compaixão por eles, supondo que os desafortunados causam seus próprios revezes. Ao mesmo tempo, os prósperos vivem à vontade como ricos, crendo que DEUS os recompensou por sua fé e retidão. As duas suposições são errôneas, porque há muitas exceções entre o povo do reino de DEUS.

12.13 COM ELE [DEUS] ESTÁ A SABEDORIA. Devemos crer que DEUS é sábio e poderoso, e que seus métodos de tratar conosco são os melhores e mais seguros para alcançarmos o melhor para nós (cf. 9.4; 36.5; Is 40.26,28; Dn 2.20; Rm 16.25,27; ver Rm 8.28). (1) O crente nunca deve pensar que DEUS nos prometeu uma vida, aqui, livre de problemas (cf. Sl 34.19). DEUS pode enviar tanto alegria como tristeza, a fim de remover do crente o seu amor pelas coisas deste mundo e atrair esse amor a Ele mesmo. (2) DEUS dirige os acontecimentos na vida do crente dedicado, visando à sua santificação pessoal e desempenho do seu serviço no reino de DEUS (cf. Jacó, em Gn 28-35; José, em Gn 37.28). (3) Nesta vida, os crentes nunca chegam a discernir completamente o propósito supremo de tudo que lhes acontece, nem lhes ficará sempre plenamente claro como DEUS faz todas as coisas cooperarem para o bem (Ec 3.11; 7.13; 11.5; Rm 8.28). Nas situações em que não conseguimos compreender plenamente o método de DEUS para conosco, devemos entregar-nos a Ele como nosso Pai celestial, como CRISTO fez no dia da sua crucificação (cf. Mt 27.46; Lc 23.46).

13.15 AINDA QUE ELE ME MATE, NELE ESPERAREI. Esta é uma das mais admiráveis declarações de fé na bondade de DEUS já pronunciadas. Não importava o que DEUS permitisse que acontecesse a Jó, fosse qual fosse o fardo que DEUS pusesse sobre ele; mesmo que o "matasse", Jó cria que, por fim, DEUS não falharia com ele. Paulo expressou essa mesma confiança no amor de DEUS pelos que lhe são fiéis (Rm 8). Mesmo que o Senhor retire um conforto após outro, ainda que a saúde se arruíne, e aflições seguidas venham sobre nós, podemos, mediante a graça de JESUS CRISTO e o poder da sua morte salvífica, confiar em DEUS com fé inabalável, seguros de que Ele é reto, justo e bom (ver Rm 8.37-39).

14.1 CHEIO DE INQUIETAÇÃO. Para o crente, uma vida "cheia de inquietação" pode ser o resultado de perseguição, injustiça, pobreza, pouca saúde, ou oposição de Satanás à sua luta de fé. DEUS quer que todos os crentes que estão sob sofrimento e opressão neste mundo saibam que está chegando o dia da ressurreição e da vitória, quando, então, estarão com DEUS para sempre (ver Ap 21.1,4 notas). Naquela ocasião, verificarão diretamente que "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (ver Rm 8.18)


14.14 MORRENDO O HOMEM, PORVENTURA, TORNARÁ A VIVER? Jó cria que, depois de morto, estando no Seol (v. 13), DEUS o traria à vida de novo (v. 15; cf. 1 Co 15.20; 1 Ts 4.16,17); noutras palavras, Jó expressou sua esperança numa ressurreição pessoal (ver 19.25,26 notas). A base dessa sólida expectativa era o intenso amor de DEUS pelo seu povo, como diz o versículo 15: "afeiçoa-te à obra de tuas mãos". Por um momento, Jó estendeu a mão a DEUS numa grandiosa expressão de fé.

15.1 ENTÃO, RESPONDEU ELIFAZ. Nos caps. 15-21 os quatro participantes continuaram a sua argumentação, prosseguindo sobre o que tinham dito antes, só que com mais veemência. Jó se apegou resolutamente a DEUS, e ao mesmo tempo afirmando a sua própria inocência e a aparente injustiça da sua calamidade (e.g., 16.19-21).

16.9 NA SUA IRA, ME DESPEDAÇOU. O terrível sofrimento de Jó levou-o a ver DEUS como um tirano cruel, ao invés de um Senhor misericordioso. Sua convicção de que vivera de modo justo e puro (v. 17) levou-o a questionar a justiça de DEUS (cf. 19.6). Mesmo assim, Jó também manteve firme a sua crença de que DEUS era realmente justo; por isso, se tão-somente pudesse entrar em contato direto com Ele (cf. Jó 13.13-27; 23.1-7) ou achar alguém que defendesse a sua causa (ver 9.33), DEUS como sua testemunha confirmaria a sua inocência (vv. 19-21).


16.19 AGORA, ESTÁ A MINHA TESTEMUNHA NO CÉU. Jó, pela fé, sobrepôs-se às suas dúvidas a respeito da bondade de DEUS, pois declarou que o próprio DEUS daria testemunho da sua inocência. Ansiava que DEUS intercedesse por ele no tribunal celestial de justiça. O anseio por um mediador perante DEUS, em nossa defesa, realizou-se em JESUS CRISTO, através de quem DEUS "nos reconciliou consigo mesmo" (2 Co 5.18); "temos um Advogado para com o Pai, JESUS CRISTO, o Justo" (1 Jo 2.1).

17.1 O MEU ESPÍRITO SE VAI CONSUMINDO. Jó, como um homem esmagado pela dor, estava convicto de que morreria dentro em breve. Julgava-se um homem abandonado por DEUS e como objeto de desprezo dos seus companheiros. Jó não podia fazer outra coisa, a não ser perseverar na convicção da integridade da sua causa (v. 9), e manter confiança na justiça de DEUS, apesar de tudo parecer contrário (16.19-22).

19.11 COMO UM DE SEUS INIMIGOS. Jó agora sucumbiu ao grave erro de pensar que DEUS era a causa direta de seus sofrimentos (cf. vv. 8-13). (1) Ele cria que DEUS se tornara seu inimigo e que se comprazia em permitir tormento e agonia sobre ele. Jó não percebia que Satanás era a causa da sua prolongada calamidade. Embora DEUS permitisse que Satanás prejudicasse a Jó, entretanto, era ele, o diabo, quem infligia o sofrimento cruel. (2) O crente não deve culpar a DEUS por aquilo que Ele apenas permite. Neste mundo acontece muita coisa má; DEUS não tem prazer em contemplá-las. Tragédias acontecem entre os seus filhos, as quais Ele permite, com pesar e compaixão (ver 1 Tm 2.4)

19.25 EU SEI QUE O MEU REDENTOR VIVE. No meio do seu sofrimento e desespero, Jó se apegava a DEUS com grande fé, crendo que o Senhor o vindicaria afinal (cf. 13.15; 14.14,15). Jó tinha DEUS como seu "Redentor" ou ajudador. Nos tempos bíblicos, um "redentor" era um parente que, com grande afeição, fazia-se presente para proteger, defender e ajudar a sanar problemas de um parente sofredor (ver Lv 25.25; Dt 25.5-10; Rt 1-4; ver Gn 48.16; Êx 6.6; Is 43.1; Os 13.14).

19.25 E QUE POR FIM SE LEVANTARÁ SOBRE A TERRA. Pela inspiração do ESPÍRITO SANTO, o testemunho de Jó prenunciava JESUS CRISTO como o Redentor que viria salvar seu povo do pecado e da condenação (Rm 3.24; Gl 3.13; 4.5; Ef 1.7; Tt 2.14), livrar os seus do medo da morte (Hb 2.14,15; Rm 8.23), dar-lhes a vida eterna (Jo 3.16; Rm 6.23), livrá-los da ira vindoura (1 Ts 1.10) e publicamente vindicá-los (Ap 19.11-21; 20.1-6). Aqui, Jó estava predizendo a manifestação visível desse Redentor divino.


19.26 AINDA EM MINHA CARNE VEREI A DEUS. Jó expressou profeticamente a certeza de que, depois de seu corpo se desfazer no sepulcro, ele seria fisicamente ressuscitado e, em seu corpo redivivo, contemplaria o seu Redentor. Aqui temos, de forma básica, a revelação de DEUS a respeito da futura vinda de CRISTO no fim dos tempos, a ressurreição dentre os mortos e a vindicação final de todos os fiéis de DEUS (cf. Sl 16.10; 49.15; Is 26.19; Dn 12.2; Os 13.14)

19.27 VÊ-LO-EI POR MIM MESMO. O anseio que Jó sentia por ver seu DEUS-Redentor em muito excedia a todos os demais desejos expressos neste livro (ver 23.3). Jó aspirava pelo dia em que pudesse ver a face do Senhor, plenamente redimido. Semelhantemente, os crentes do NT anseiam pela vinda do seu Salvador (1 Co 1.7; 2 Tm 4.8) e pelo dia da consumação, quando, então, estará "o tabernáculo de DEUS com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo DEUS estará com eles", e "verão o seu rosto" (Ap 21.3; 22.4).

21.7 PORQUE... VIVEM OS ÍMPIOS... SE ESFORÇAM EM PODER? Jó questionava as desigualdades da vida, mormente a prosperidade, o sucesso e alegria de muitos dos ímpios. O Salmo 73 enfoca esse problema teológico. Às vezes, os "limpos de coração" são "afligidos" (Sl 73.1,14), ao passo que os ímpios prosperam e não sofrem "apertos" (Sl 73.3-5). DEUS responde, ao revelar o destino final, tanto dos justos como dos ímpios (Sl 73.16-28). Por fim, DEUS, na sua justiça, porá todas as coisas em ordem, e retribuirá a todos, segundo os atos de cada um e seu amor à verdade (Rm 2.5-11). Os ímpios não permanecerão sem castigo, e os justos não serão deixados sem justiça e galardão (Rm 2.5-11; Ap 2.10).

22.21-30 ASSIM, TE SOBREVIRÁ O BEM. Elifaz apelou a Jó com uma doutrina tradicional, porém simplista, de arrependimento: se Jó resolvesse voltar para DEUS, receber instrução da sua palavra, humilhar-se e afastar-se do pecado, e deixar de confiar nas coisas terrenas e fazer do Todo-poderoso o seu deleite, então com certeza DEUS o livraria de todas as aflições; suas orações seriam atendidas, e teria sucesso em todos os seus esforços. Elifaz, porém, estava equivocado em três aspectos: (1) O arrependimento e a salvação nem sempre resultam em prosperidade material e física. Às vezes, homens e mulheres de fé, por causa da sua fidelidade, são "desamparados, aflitos e maltratados" (Hb 11.37); embora crendo nas promessas de DEUS, todavia no presente não alcançam o cumprimento da "promessa" (Hb 11.39). (2) Ao exortar Jó a arrepender-se a fim de recuperar a sua saúde e prosperidade, Elifaz estava inconscientemente pondo-se ao lado de Satanás e concordando com as acusações deste contra Jó e DEUS. Satanás tinha antes acusado Jó de servir a DEUS apenas em troca daquilo que podia obter dEle (1.9-11). Note que se Jó se arrependesse de algum suposto pecado para obter a bênção de DEUS, então poderia de fato ser acusado de servir a DEUS, apenas visando proveito pessoal. (3) Embora as palavras de Elifaz expressem com eloquência a importância do arrependimento, foram ditas sob motivação errada. Não havia no coração de Elifaz o mínimo de solidariedade por Jó ante seus sofrimentos. Essa falha de Elifaz demonstra que a mensagem de arrependimento que se leva aos fracos e sofredores deve estar acompanhada de palavras de consolo e compaixão.

23.3 AH! SE EU SOUBESSE QUE O PODERIA ACHAR! Durante toda a experiência dos sofrimentos de Jó, seu maior anseio era pela presença do seu Senhor. (1) Raramente Jó mencionou a perda de suas riquezas; simplesmente aludiu à sua profunda tristeza pela perda de seus filhos; era a perda da presença de DEUS o que ele lamentava. Em todos os seus sofrimentos ele desejava achar a DEUS e ter novamente comunhão com Ele (cf. -13.24; 16.19-21; 29.2-5). (2) Esse mesmo anseio por DEUS deve assinalar todos os verdadeiros crentes. "Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó DEUS! A minha alma tem sede de DEUS, do DEUS vivo" (Sl 42.1,2). E também: "Ó DEUS, tu és o meu DEUS; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água" (Sl 63.1).

23.10-12 PROVE-ME, E SAIREI COMO O OURO. Jó estava confiante de que DEUS ainda cuidava da sua vida e que sabia que nenhuma adversidade afastaria Jó da sua lealdade a Ele. (1) Jó considerava seu sofrimento como uma prova da sua fé no Senhor e do seu amor por Ele. Sua prova era semelhante àquela de Abraão, quando lhe foi ordenado sacrificar seu filho Isaque (Gn 22). (2) O próprio JESUS CRISTO foi provado pelo sofrimento que suportou (Hb 5.8) e, por isso, Ele agora é nosso padrão e exemplo (1 Pe 2.21); nós, como seus seguidores, devemos andar em seus passos (Hb 13.12,13). (3) A convicção firme de Jó, de que seria aprovado no teste e que nunca abandonaria o seu Senhor, baseava-se em: (a) sua obediência fiel no passado (vv. 11-12), (b) seu amor à Palavra de DEUS (v. 12) e (c) seu reverente temor a DEUS (vv. 13-15). Semelhantemente, o crente no NT deve manter a firme resolução de nunca se apartar da obediência a DEUS; antes, temer as conseqüências da iniquidade e amar a Palavra de DEUS mais do que o pão de cada dia (cf. Sl 40.8; 119.11; ver Tg 1.21).

 

27.4 NÃO FALARÃO OS MEUS LÁBIOS INIQÜIDADE. Jó é um dos maiores exemplos de firmeza de convicção, de apego à retidão e de perseverança na fé (ver Tg 5.11). Sua determinação inabalável de manter a sua integridade e de permanecer fiel a DEUS não tem paralelo na história da salvação dos fiéis. Nenhuma tentação, sofrimento, ou aparente silêncio da parte de DEUS podia afastá-lo da sua lealdade a DEUS e à sua palavra. Recusou-se a blasfemar contra DEUS e morrer (2.9). (1) Semelhantemente, o crente do NT deve ter esta mesma e única resolução nas tentações, tristezas e nos dias sombrios da vida. Com uma firme convicção, deve continuar resoluto na sua fé, firme até o fim (Cl 1.23). Nunca deve recuar e abandonar a fé, enquanto viver, mas permanecer em tudo fiel à Palavra de DEUS e ao seu amor. Deve "sempre ter uma -consciência sem ofensa, tanto para com DEUS como para com os homens" (At 24.16; cf. 23.1; 1 Co 4.4; 2 Tm 1.3; 1 Jo 3.21). (2) Essa decisão de permanecer fiel a DEUS e inabalável na fé, esperança e amor não é uma opção para o crente (Hb 3.14; 10.35-39; Jd 21). Fazer assim é a sua salvaguarda contra o naufrágio na fé, ante às intensas perseguições, tentações e ataques de Satanás (1 Tm 1.18-20; cf. 6.11-14; 2 Tm 4.5-8; ver Fp 3.8-16). (3) DEUS, por sua parte, promete pelo seu poder guardar os seus fiéis e preservá-los na sua graça, para que obtenham "a salvação já prestes para se revelar no último tempo" (ver 1 Pe 1.5).

28.28 O TEMOR DO SENHOR É A SABEDORIA. O temor de DEUS e a reverência por Ele são fundamentais no relacionamento do crente com DEUS (Sl 61.5; Pv 1.7). (1) O temor do Senhor nos torna cuidadosos e alertas para não ofendermos nosso DEUS santo. Sem esse fundamento, não existe sabedoria genuína, e nenhuma experiência salvífica resistirá às provas do tempo e da tentação. (2) O real temor de DEUS e a real sabedoria bíblica fazem o crente abster-se do mal, e produzem "consolação do ESPÍRITO SANTO" (ver At 9.31). (3) Temer a DEUS e continuar em pecado é uma impossibilidade moral. A pessoa que apregoa a majestade de DEUS e a sua oposição ao mal será notada por seu esforço sincero, decisivo e total de separar-se do pecado (Sl 4.4; Pv 3.7; 8.13; 16.6; Is 1.16) e de obedecer a Palavra de DEUS (Sl 112.1; 119.63; Pv 14.2,16; 2 Co 7.1; Ef 5.21; 1 Pe 1.17).

 29.2 AH! QUEM ME DERA SER COMO EU FUI... COMO NOS DIAS EM QUE DEUS ME GUARDAVA! Jó prosseguia no seu desejo de ter a comunhão com DEUS que dantes desfrutava (ver 23.3). Ansiava por (1) o cuidado e proteção especiais de DEUS (cf. Nm 6. 24-26; Sl 91.11; 121.7,8); (2) a candeia de DEUS para lhe mostrar o caminho nas situações obscuras ou difíceis (v. 3); (3) a íntima comunhão e amor de DEUS (vv. 4,5; cf. Pv 3.32); (4) a graça de DEUS para lhe ajudar a praticar o bem (vv. 12-17); e (5) sabedoria para compartilhar com os outros (vv. 21-25). Aquilo que DEUS era para Jó, Ele promete ser para todos os que creem no Senhor JESUS CRISTO (ver Jo 15.15; Rm 8.1,31,33; 2 Ts 3.3; 1 Pe 3.13).

 

30.20 CLAMO A TI, MAS TU NÃO ME RESPONDES. Todos os filhos de DEUS têm essa experiência em algum momento da sua vida com Ele; uma ocasião em que clamam a DEUS por socorro e Ele parece não ouvir. Até mesmo o Senhor JESUS CRISTO passou por tal experiência (Mt 27.46). (1) Através dessa experiência, nossa fé é provada. Em tais ocasiões, não devemos deixar de perseverar na fé (ver Mt 15.21-28; Lc 18.1-7; 1 Pe 1.7). (2) Sabemos, pelo modo como DEUS lidou com Jó e com todos os crentes fiéis no decurso da história, que nenhum verdadeiro seguidor do Senhor é jamais abandonado por Ele (Hb 13.5), e nenhuma oração sincera jamais deixa de ser ouvida (cf. Hb 10.32-39).

31.1-34 FIZ CONCERTO COM OS MEUS OLHOS. Nesta seção, Jó passou em revista sua sólida integridade espiritual, sua fidelidade a DEUS e sua bondade para com o próximo. (1) As declarações de Jó a respeito da obra redentora de DEUS nele abrangiam todos os aspectos da vida. Falou da sua inocência quanto aos pecados do coração, inclusive a sensualidade e pensamentos impuros (vv. 1-4), mentira e engano para proveito pessoal (vv. 5-8), e a infidelidade conjugal (vv. 9-12). Falou do seu modo justo de tratar os empregados (vv. 13-15) e seus cuidados dos pobres e necessitados (vv. 16-23). Afirmou que estava livre da cobiça (vv. 24-25), da idolatria (vv. 26-28), da vingança (vv. 29-32) e da hipocrisia (vv. 33,34). (2) O caráter moral e a pureza de coração e da vida, aqui descritos, servem de um magnífico exemplo para todo crente. A vida piedosa que Jó vivia antes do novo concerto pode ser ricamente experimentada por todos aqueles que creem em CRISTO, mediante o poder salvífico da sua morte e ressurreição (Rm 8.1-17; Gl 2.20).


31.1 FIZ CONCERTO COM OS MEUS OLHOS; COMO, POIS, OS FIXARIA NUMA VIRGEM? Jó observava o padrão de santidade interior que CRISTO expressou no sermão da montanha (Mt 5.28). Jó tinha feito um concerto com seus olhos para evitar desejos -sensuais estimulantes de quem olha fixamente com malícia para uma jovem (cf. Gn 3.6; Nm 15.39). Ele sabia que a sensualidade desagradaria ao seu Senhor e arruinaria a sua vida espiritual (vv. 2-4).


31.13 O DIREITO DO MEU SERVO OU DA MINHA SERVA. O modo de Jó tratar seus empregados exemplifica como os patrões devem cuidar dos seus. Tratava seus trabalhadores com equidade, bondade e igualdade; ouvia-os e atendia qualquer queixa justa (cf. Lv 25.42,43,55; Dt 15.12-15; 16.12). Jó sabia que um dia teria de prestar contas a DEUS pelo modo como ele tratava os outros (v. 14; ver Cl 3.25).

32.2 ELIÚ. Um novo conselheiro, Elui, surge agora na narrativa. Até aqui tinha evitado expressar sua opinião, porque era mais jovem do que os outros (v. 4). Ele estava seguro de que conhecia as causas do sofrimento de Jó e que podia instruí-lo quanto à atitude certa que deveria manter diante de DEUS. O discurso de Eliú difere dos três primeiros conselheiros, ao salientar que o sofrimento pode ser uma misericordiosa correção divina para iluminar a alma (33.30) e dar lugar a uma comunhão mais profunda com DEUS (36.7-10). Eliú, todavia, como os demais conselheiros, julgava que Jó pecara, e por isso merecia o seu sofrimento.

32.8 HÁ UM ESPÍRITO NO HOMEM. Apesar de Eliú alegar que tinha discernimento espiritual da parte de DEUS (cf. 33.4), isso não quer dizer que suas declarações e teologia sejam infalíveis. Algumas apresentam muito discernimento; outras estão aquém da revelação bíblica.

33.9 LIMPO ESTOU, SEM TRANSGRESSÃO. Eliú declarou, falsamente, que Jó dizia ter perfeição moral, i.e., que não falhara em toda a sua vida. Jó nunca afirmou que era impecável (ver 13.26), mas tão-somente que tinha seguido os caminhos do Senhor de todo o coração, e que não se recordava de ter cometido uma transgressão tão grave que merecesse um castigo tão severo (27.5,6; 31.1-40).

34.37 AO SEU PECADO ACRESCENTA A TRANSGRESSÃO. Eliú julgava que Jó, ao levantar questionamentos e queixumes contra DEUS (19.6; 27.2), demonstrava rebelião aberta contra DEUS. Apesar de Jó ter errado gravemente nas suas queixas contra DEUS, seu coração estava firme nEle como seu Senhor (Jó 19.25-27; 23.8-12; 27.1-6). No seu zelo de isentar a DEUS de qualquer culpa, Eliú não compreendeu plenamente a necessidade de Jó expressar seus sentimentos mais profundos diante de DEUS (cf. Sl 42.9; 43.2).

35.6 SE PECARES, QUE EFETUARÁS CONTRA ELE? Eliú cria que DEUS está tão distanciado de nós (v. 5), que nossos pecados ou retidão não têm efeito sobre Ele. (1) A concepção de Eliú é errônea. A Bíblia revela que DEUS sente emoções. Ele pode sentir mágoa quando o ser humano rejeita o seu amor. Quando lhe desobedecem e pecam, Ele sente profundo pesar (Gn 6.6; Sl 78.40; Lc 19.41-44; Ef 4.30). (2) Quando, porém, o povo de DEUS com fidelidade o segue em amor, obediência e lealdade, Ele muito se agrada (2 Co 9.7). DEUS cuida dos seus com sentimento profundo, e os acolhe nos seus braços como um pastor (Is 40.11) e os ama com uma ternura maior do que a de uma mãe (Is 49.15). Note a expressão maravilhosa da benignidade de DEUS registrada por Isaías: "Em toda a angústia deles foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu e os tomou, e os conduziu todos os dias da antiguidade" (Is 63.9; cf. Is 53; Hb 4.14,15).

38.1 DEPOIS DISTO, O SENHOR RESPONDEU A JÓ. Agora foi o próprio DEUS quem se dirigiu a Jó. DEUS revelou a ignorância de Jó quanto ao propósito divino em tudo quanto estava acontecendo. Jó ficou perplexo ao perceber quão pouco os seres humanos realmente sabem e conhecem a respeito do Todo-poderoso. Por outro lado, vemos primeiramente na resposta de DEUS a Jó, sua presença, misericórdia e amor para com ele. (1) A oração constante de Jó, e seu mais profundo anseio para achar a DEUS, foram por fim atendidos (ver 23.3; 29.2), confirmando que tudo continuava bem entre ele e seu Senhor. (2) A resposta do Senhor ao seu servo Jó mostra que chegará o dia em que DEUS responderá a todos quantos o invocam com sinceridade e perseverança; mesmo que nossas orações partam de um coração confuso, duvidoso, frustrado ou revoltado, DEUS por fim responderá com sua presença, seu consolo e palavra. (3) O aspecto mais importante em nossa comunhão com DEUS não é a compreensão racional de todos os caminhos de DEUS, mas, sim, a experiência e realidade da sua divina presença e a certeza de que tudo está bem entre nós e Ele. Estando nós em comunhão com DEUS, poderemos suportar qualquer provação que tivermos de enfrentar.


38.3 CINGE OS TEUS LOMBOS COMO HOMEM. As palavras que DEUS falou a Jó são extraordinárias pelo que enunciam e pelo que não -enunciam. (1) É surpreendente que ninguém jamais explicou a Jó por que ele sofria. Ele nunca soube que seu sofrimento abrangia assuntos tão relevantes como a integridade e justificação da obra divina redentora entre a caída raça humana (ver 1.8,9 notas). O silêncio de DEUS nesse assunto indica que a razão do sofrimento de Jó não era o assunto mais importante em jogo. (2) Tampouco DEUS não fez menção das impensadas e extremadas palavras de Jó nos seus discursos. DEUS não o repreendeu duramente, nem levou em conta a sua precipitação. DEUS compreendia o sofrimento de Jó e usou de compaixão quanto às suas palavras e sentimentos.


38.4 QUANDO EU FUNDAVA A TERRA. As palavras de DEUS no livro de Jó versam totalmente sobre o mundo natural, i.e., a criação e a natureza. DEUS descreve o enigma e a complexidade do universo, e revela que seu método de governar o mundo ultrapassa em muito a nossa capacidade de entender. DEUS queria que Jó soubesse que sua atividade no âmbito da natureza é análoga ao seu governo na esfera moral e espiritual do universo, e que nesta vida o homem não terá uma compreensão total dos caminhos de DEUS. Mas o livro de Jó realmente revela que quando finalmente a verdade completa for conhecida, ver-se-á que os caminhos e atos de DEUS são retos e justos.



38.4 FAZE-MO SABER, SE TENS INTELIGÊNCIA. DEUS repreendeu Jó por falar sem conhecimento (v. 2) e humilhou aquele seu servo sofredor, levando-o a reconhecer que o raciocínio humano não pode rivalizar com o de DEUS, infinito e eterno (cf. 40.1-5). Sem rejeitar as declarações de Jó quanto à sua própria integridade, DEUS contestou a suposição de Jó que DEUS não estaria governando o mundo com justiça (e.g., caps. 21; 24). Mesmo assim, DEUS a seguir afirmou que Jó nos seus diálogos com os conselheiros tinha falado corretamente a respeito dEle (42.7). Noutras palavras, DEUS considerou o erro de julgamento de Jó como oriundo da falta de conhecimento, e não de um fracasso na fé, nem falta de amor sincero por seu Senhor.

39.1 SABES TU O TEMPO...? DEUS continuou a interrogar Jó com perguntas que este não sabia responder. Ao fazer assim, DEUS demonstrou a Jó que era uma insensatez ele querer argumentar com DEUS. Jó humilhou-se e ficou em silêncio, porém foi reconfortado com a certeza da coisa mais importante DEUS não o abandonara. O Senhor estava ali, face a face.


39.2 CONTARÁS OS MESES?
Se DEUS podia levar Jó a reconhecer suas próprias limitações humanas quanto à compreensão dos caminhos de DEUS no mundo, também podia persuadi-lo que Ele é justo e misericordioso, mesmo que Jó não compreendesse a maneira de DEUS operar na sua vida.

40.2 PORVENTURA, O CONTENDER CONTRA O TODO-PODEROSO É ENSINAR? DEUS mais uma vez reptou Jó a comprovar o seu alegado de que Ele governava o mundo de modo impróprio. (1) Se Jó não conseguia compreender como funciona a criação feita por DEUS, nem entender como e por que as coisas acontecem, como pensaria em questionar a DEUS, quanto a sua gestão dos assuntos da humanidade, inclusive o sofrimento que DEUS permitiu que ele (Jó) experimentasse? (2) DEUS estava demonstrando ao seu servo sofredor que Ele criara o mundo com sabedoria, e que o governava com sabedoria e justiça. O infortúnio de Jó não significava que DEUS tinha deixado de amar o seu fiel servo. (3) O sofrimento dos justos não põe em dúvida a bondade de DEUS. Tal sofrimento está sob a vontade permissiva de DEUS, permitida para seus propósitos -sábios, porém nem sempre por nós conhecidos. Circunstâncias adversas não devem extinguir nossa fé no amor de DEUS por nós; Ele as permite visando ao nosso sumo bem (Rm 8.28)


40.3 ENTÃO, JÓ RESPONDEU AO SENHOR. Jó agora teria que decidir se ia continuar aceitando que DEUS fora injusto com ele, tendo em vista seus anos de fiel adoração a DEUS e de obediência à sua Palavra. Persistiria Jó em confiar em DEUS, apesar das circunstâncias insinuarem que DEUS era injusto e arbitrário, ou continuaria firme na convicção de que DEUS parecia ser seu inimigo?


40.4 A MINHA MÃO PONHO NA MINHA BOCA. Jó ficou extasiado ante esta nova revelação de DEUS. Compreendeu quão insignificantes os seres humanos são, diante da sabedoria oculta de DEUS (cf. 1 Co 2.7), e viu que não poderia continuar a falar. Mesmo assim, Jó não estava totalmente disposto a renunciar ao seu ponto de vista, que algo estava errado na maneira de DEUS agir com ele (a resposta final de Jó está em 42.2-6). Mesmo assim, Jó estava chegando a compreender que seu estranho e misterioso sofrimento não fora um mistério para DEUS, e que ao longo dele era possível -confiar em DEUS.

40.6 ENTÃO, O SENHOR RESPONDEU A JÓ. A fim de levar Jó a uma plena submissão ao seu senhorio e caminhos, DEUS continuou o seu argumento. Ele queria neutralizar o que restava da resistência de Jó e levá-lo à plena compreensão do seu amor. Essa persistência amorosa da parte de DEUS revela sua paciência, misericórdia e seu irrestrito cuidado pelos sofredores.

40.8 OU ME CONDENARÁS...? O arrazoado de Jó, de que ele era inocente e que DEUS o estava castigando de modo injusto (ver 19.6), por pouco não o levou a acusar a DEUS. O Senhor perguntou a Jó expressamente, se este ia continuar a manter sua limitada visão do governo divino do mundo, e desta forma rejeitar sua justiça e bondade.

40.15 BEEMOTE. Muitos comentaristas identificam o beemote com o hipopótamo; já o leviatã (cap. 41) é geralmente identificado com o crocodilo gigante ou a baleia. Através dessas ilustrações, DEUS ressalta que se Jó não podia domar os grandes animais do mundo, não tinha condições de questionar e de instruir o DEUS que criara esses animais (41.10). Jó precisava submeter-se, confiante, ao governo de DEUS sobre o universo, e sobre os eventos da humanidade e da vida dos seus seguidores. Precisava confiar em DEUS e manter a sua fé nEle tanto nos sofrimentos e aflições da vida, como na época de bênçãos.

 

42.1 ENTÃO, RESPONDEU JÓ AO SENHOR. A última resposta de Jó a DEUS foi de absoluta humildade e submissão à sua revelação. Confessou (1) que DEUS faz tudo bem; (2) que em tudo que DEUS permite acontecer, Ele procede com sabedoria e propósito; e, portanto, (3) até o sofrimento dos justos tem sentido e propósito divinos.


42.3 FALEI DO QUE NÃO ENTENDIA. Jó reconheceu que os caminhos de DEUS estão além da compreensão humana e que por falta de entendimento seu, ele declarara que eram injustos. (1) Note que Jó, no seu sofrimento e nas suas orações, não pecou contra DEUS. Mesmo assim, sua falta de entendimento e suas queixas contra DEUS quase o levaram ao orgulho e à crença de que DEUS, em certo sentido, não era perfeitamente bom. Agora, com a manifestação e revelação do seu Senhor (cf. v. 5), sua perspectiva mudou completamente. (2) Jó reconheceu o seu erro, e agora estava disposto a obedecer e servir a DEUS, não importando o que viesse a acontecer-lhe. Temeria e amaria a DEUS por causa dEle mesmo, com ou sem saúde, independentemente de qualquer vantagem pessoal. (3) Jó, ao submeter-se totalmente a DEUS com fé, esperança e amor, mesmo ainda sofrendo, sem saber o porquê de tudo, comprovou que a acusação de Satanás era falsa (1.9-11) e assim vindicou o poder de DEUS para redimir a raça humana e reconciliá-la consigo mesmo (ver 1.8,9 notas).


42.5 AGORA TE VÊEM OS MEUS OLHOS. Jó tinha orado, anteriormente, para ver seu Redentor (19.27); agora foi atendido este seu anseio. A Palavra de DEUS e a sua presença deram a Jó uma revelação melhor dos seus caminhos e caráter. Através dessa experiência pessoal, Jó foi transformado por uma disposição de perdoar, uma renovada confiança na bondade de DEUS e uma experiência do amor divino que lhe transmitia confiança. (1) O aparecimento de DEUS a Jó foi uma evidência da retidão deste, e é uma garantia a todos os fiéis de que o Senhor considera as nossas sinceras indagações ao enfrentarmos provações e sofrimento sem explicação. (2) DEUS é paciente com os seus, e deles se compadece em suas fraquezas, seus equívocos e mesmo rancor (Hb 4.15). Em casos como o de Jó, se perseverarmos, DEUS manifestará sua presença e nos dispensará o seu cuidado.


42.6 ME ARREPENDO NO PÓ E NA CINZA. Jó, diante da revelação de DEUS, humilhou-se arrependido. A palavra "arrependo", aqui, indica que Jó se considerou, bem como a sua retidão moral, como simples "pó e cinza", diante de um DEUS santo (cf. Is 6). Jó não negou o que afirmara da sua vida de retidão e integridade moral, mas realmente reconheceu que é inadmissível o homem, finito que é, reclamar e queixar-se de DEUS, e arrependeu-se disso (cf. Gn 18.27).


42.7 ACABANDO O SENHOR DE DIZER. Embora o livro de Jó não ofereça uma explicação final para o problema do sofrimento imerecido pelo justo, a resposta cabal não está em argumento teológico, mas num encontro pessoal entre DEUS e o justo sofredor (como no caso de Jó). (1) Somente a presença pessoal de um DEUS que consola e que vela pelas pessoas pode nos dar confiança na sua graça e propósito para a nossa vida. Aos que creem em CRISTO, DEUS lhes envia o ESPÍRITO SANTO como Ajudador e Consolador (ver Jo 14.16). (2) A presença de DEUS, pelo ESPÍRITO SANTO, nos ensina que podemos ter confiança no amor de DEUS, quer na adversidade, quer na bênção. O ESPÍRITO nos transmite a presença de CRISTO e nos aponta a cruz, mediante a qual temos a garantia de que DEUS é por nós e que Ele visa o melhor para nós (ver Rm 8.28).


42.7 PORQUE NÃO DISSESTES DE MIM O QUE ERA RETO. O Senhor reprovou os três amigos de Jó pela sua falsa teologia da prosperidade e do sofrimento, evidente nas suas acusações contra Jó. Os três principais erros deles foram: (1) Ensinavam um princípio retributivo da prosperidade e do sofrimento que os justos sempre são abençoados e que os ímpios são castigados (ver Jo 9.3). (2) Insistiam que Jó confessasse um pecado que ele não cometera, para livrar-se do sofrimento e receber a bênção divina. Pelo teor do seu conselho, eles tentaram Jó a voltar-se para DEUS, visando ao proveito pessoal. Se Jó tomasse o conselho deles, teria (a) invalidado a confiança de DEUS nele, e (b) confirmado a acusação de Satanás, de que Jó temia a DEUS apenas em troca de bênçãos e vantagens. (3) Falaram com arrogância, alegando terem aprovação divina para sua doutrina e teologia falsas.


42.7 RETO, COMO O MEU SERVO JÓ. DEUS declarou que aquilo que Jó dissera estava correto. Isso não significa que tudo quanto Jó dissera era plenamente certo, mas que as respostas de Jó aos seus amigos eram inteiramente justas diante de DEUS e que sua atitude lhe agradava. DEUS às vezes tolera falhas em nossas orações e também nos permite questionar seus caminhos, estando o nosso coração sincero e realmente entregue a Ele.

42.8 MEU SERVO JÓ. DEUS chama Jó "meu servo" (vv. 7,8) e afirma duas vezes que sua oração foi aceita (vv. 8,9). Jó foi plenamente restaurado ao estado de graça diante de DEUS, e obteve autoridade espiritual com DEUS. DEUS atendera a oração intercessória de Jó pelos seus amigos, face à condição reta de Jó diante de DEUS (vv. 8,9).

                                                                                                          
42.10 O SENHOR ACRESCENTOU A JÓ OUTRO TANTO EM DOBRO A TUDO QUANTO DANTES POSSUÍA. A restauração das riquezas de Jó revela o propósito de DEUS para todos os crentes fiéis. (1) Cumpriu-se o propósito divino restaurador, concernente ao sofrimento de Jó. DEUS permitirá que Jó sofresse, por motivos que ele não compreendia. DEUS nunca permite que o crente sofra sem um propósito espiritual, embora talvez ele não compreenda por quê. Nesses casos o crente deve confiar em DEUS, sabendo que Ele, na sua perfeita justiça, fará o que é sempre melhor para nós e para seu reino. (2) Jó reconciliou-se com DEUS, passando a ter uma vida abundantemente abençoada. Isto revela que por maiores que forem as aflições ou dores que os fiéis tenham que passar, DEUS, no momento certo, estenderá a mão para ajudar os que perseverarem, concedendo-lhes cura e restauração totais. "Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso" (Tg 5.11). (3) Todos que permanecerem fiéis a DEUS, nas provações e aflições desta vida, chegarão por fim àquele estado de delícia e bem-aventurança na presença de DEUS, por toda a eternidade (ver 2 Tm 4.7,8; 1 Pe 5.10; Ap 21; 22.1-5).


sexta-feira, 3 de julho de 2026

A GRAÇA DE DEUS

 


A GRAÇA DE DEUS

Texto Bíblico: “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus(Ef 1:8).

 “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).

 

A Graça de Deus é um dos pilares centrais da teologia cristã e um conceito que, ao longo dos séculos, tem oferecido conforto, esperança e um novo sentido de propósito para milhões de pessoas. Em sua essência, a palavra "graça" (do grego charis) significa um favor imerecido.

Aqui estão alguns pontos fundamentais para refletir sobre esse conceito:

1. O Favor Imerecido

A definição mais clássica de graça é que ela é um presente que não pode ser conquistado, comprado ou merecido. Enquanto a "justiça" é receber o que se merece, e a "misericórdia" é não receber o castigo que se merece, a graça é receber algo bom que não se merece. É o amor de Deus em ação, direcionado à humanidade independentemente de méritos, erros passados ou status social.

2. A Graça como Transformação

Embora a graça seja gratuita, a tradição cristã enfatiza que ela não é estática. Ela é descrita como uma força transformadora. A ideia é que, ao aceitar a graça, a pessoa não permanece a mesma: ela é impulsionada a um movimento de mudança interna, superação de falhas e cultivo de virtudes como a compaixão e o perdão. A graça, portanto, não é um "passe livre" para o erro, mas o combustível para uma vida mais alinhada com os princípios do amor ao próximo.

3. A Universalidade da Graça

A graça é frequentemente apresentada como universal e incondicional. Em narrativas bíblicas, vemos figuras que cometeram erros graves serem restauradas e encontrar um novo caminho através do arrependimento e da aceitação dessa graça. Isso sugere que, para a perspectiva cristã, não existe "limite" para o alcance de Deus: a graça estaria disponível para qualquer pessoa, em qualquer situação, pronta para oferecer um recomeço.

4. Aplicação no Cotidiano

Para muitos, o conceito de graça de Deus se traduz em atitudes práticas:

  • Autoaceitação: Reconhecer que, se Deus oferece graça, a própria pessoa também deve ser capaz de perdoar a si mesma.
  • Perdão ao próximo: Se a graça foi recebida sem merecimento, o exercício de oferecer essa mesma misericórdia aos outros torna-se um dever moral e um reflexo da gratidão.
  • Humildade: Compreender que tudo o que se conquista na vida é, em última análise, fruto de uma benevolência que transcende a própria capacidade individual.

"A graça é o rosto do amor de Deus, que se inclina para curar, restaurar e dar vida, especialmente onde parecia haver apenas fim."

INTRODUÇÃO                                                                         

A graça de Deus traduz a bondade do Senhor e o seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador. Entretanto, apesar do pecado, Deus mostra seu amor em relação ao homem, por intermédio da sua graça. Assim, sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com o Senhor. Quando ainda éramos pecadores, enviou seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. Em seguida, a todos quantos crerem na obra do Filho, Deus permite que venha a novamente ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. Como diz o apóstolo aos efésios, “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus(Ef 1:8). É este favor imerecido que consiste na Graça de Deus.

 


I. AS FALSAS DOUTRINAS CORROMPEM O EVANGELHO DA GRAÇA

1. O evangelho da graça. É o evangelho libertador que Cristo trouxe ao mundo, por mercê de Deus, independentemente das obras humanas (Ef 2:8,9). Paulo se referiu a esse evangelho da graça de maneira muito eloquente em Atos 20:24 – Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. Nenhum título poderia expressar de maneira mais apropriada o evangelho que Paulo pregava do que “o evangelho da graça de Deus”. Esta é a mensagem que toca profundamente e trata do favor de Deus concedido aos pecadores culpados e ímpios que não mereciam outra coisa senão a eternidade no inferno. Este evangelho da graça conta como o Filho do amor de Deus se despiu da glória suprema do Céu para sofrer, derramar seu sangue e morrer no Calvário a fim de oferecer o perdão dos pecados e a vida eterna a todos os que creem nele. A grande paixão de Paulo era testemunhar este evangelho da graça de Deus. A pregação enchia o peito de entusiasmo deste bandeirante da fé cristã. Ele sabia que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Sabia que a mensagem do evangelho de Cristo é a única porta aberta por Deus para a salvação do pecador.

2. As falsas doutrinas (1Tm 1:3,4). Uma falsa doutrina pode ser a negação de uma verdade da fé cristã ou mesmo uma adição a ela. A igreja de Éfeso estava ameaçada por falsas doutrinas e corria sérios riscos em virtude da infiltração de perigosas heresias. A sã doutrina é absoluta e não admite que outro evangelho seja pregado. Nada é mais nocivo para a saúde espiritual da igreja do que as falsas doutrinas. Ninguém é mais perigoso para a igreja do que os falsos mestres. Por isso, Paulo foi enfático: “Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina, nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora”.

 “...para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina”. Que doutrina seria essa que se infiltrava por intermédio de certas pessoas? O texto deixa claro que havia um pano de fundo judaico, pois Paulo menciona fábulas e genealogias sem fim” (1:4) e acrescenta que esses falsos mestres pretendiam passar por “mestres da lei” (1Tm 1:7). Mas há fortes indícios de que Paulo também se referisse a uma heresia de cunho gnóstico, pois o texto menciona a “vãs contendas” (1Tm 1:6) e “o abandono da fé e da boa consciência” (1Tm 1:19).

O gnosticismo era na verdade uma mistura de elementos do judaísmo com a filosofia grega. O resultado dessa mistura produziu uma das mais avassaladoras heresias que atingiu a igreja no século II. Tal heresia, pelo menos de forma embrionária, foi combatida vigorosamente na Epístola de Paulo aos Colossenses. O problema do gnosticismo não era apenas intelectual, mas também ético. O movimento desembocou em duas posturas perigosas: (a) o ascetismo: se a matéria é má, o corpo também o é. Logo, o corpo deve ser subjugado, desprezado e oprimido. Os gnósticos criaram então leis austeras proibindo alimentos e até mesmo o casamento (1Tm 4:3); (b) a licenciosidade: se o corpo é mau, diziam os gnósticos, o que fazemos com ele não importa; o que importa é o espírito. Assim, é permitido que o homem sacie todos os seus impulsos e apetites. Desta forma, o gnosticismo desembocou na imoralidade (2Tm 3:6; Tt 1:16). 

3. O “fim do mandamento” – Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida(1Tm 1:5 - ARC).

Neste versículo, “mandamento” (ARC) não se refere à lei de Moisés nem aos Dez Mandamentos, mas à maneira de combater a falsa doutrina, referida nos versículos 3 e 4. Isso é claramente enfatizada na tradução Corrigida e Fiel: Ora, o fim do mandamento é o amor...”. A tradução da Almeida Revista e Atualizada, também, nos dá uma visão bastante compreensível deste versículo: “Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia(1Tm 1:5 - ARA). Paulo diz que o alvo da missão que acaba de dar a Timóteo não é apenas produzir ortodoxia, mas “o amor que procede de um coração puro, e de uma boa consciência, e de fé não fingida” (Corrigida e Fiel –CF). Essas coisas sempre se evidenciam quando o evangelho da graça de Deus é pregado.

amor, sem dúvida, inclui o amor para com Deus, para com os cristãos e para com o mundo em geral. Deve brotar de um coração puro. Se a vida interior é impura, dificilmente o verdadeiro amor cristão fluirá dela. Esse amor pode também ser o fruto da boa consciência, que é a consciência totalmente livre da ofensa a Deus e ao homem. Finalmente, esse amor deve ser resultado da fé sem hipocrisia (fé sincera), que é a fé sem máscaras.

Os falsos ensinamentos nunca poderiam produzir essas coisas que Paulo enumera e, certamente, nunca seriam resultado de fábulas e genealogias intermináveis! É o ensinamento da graça de Deus que produz um coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” e que, portanto, resulta no amor.

Observe a sequência de resultados neste texto: coração, consciência, fé e amor. Hendriksen diz “que, quando um pecador é levado a Cristo, o primeiro a ser regenerado é o coração. O resultado é que a consciência do homem começa a importuná-lo de tal modo que, dominado pela convicção, ele sente-se feliz em abraçar o Redentor por meio de uma fé viva e consciente. Daí ser plenamente natural a sequência: coração, consciência, fé. Além do mais, é claramente evidente porque o apóstolo declara que esses três – e nesta ordem – dão origem ao amor. Quando o Deus de amor implanta sua nova vida no coração do homem, este chega de forma natural a ter um coração amoroso. Uma consciência isenta de culpa e obediente aos mandamentos de Deus começará aprovar somente aqueles pensamentos, palavras e ações, que estejam em harmonia com o propósito único que resume a lei, a saber: o amor. Uma fé genuína, que abraça a Cristo e todos os seus benefícios, dará como resultado o amor genuíno para com o benfeitor e para com todos os que se acham incluídos em seu amor. Por isso, Paulo fala de “um amor (que procede) de um coração puro, uma sã consciência e uma fé sem hipocrisia”” (William Hendriksen.1 2 Timoteo e Tito. p.81).

4. A finalidade da Lei. Sabendo isto: que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os fornicadores, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros e para o que for contrário à sã doutrina(1Tm 1:9,10).

Uma das maiores finalidades da lei é levar os pecadores ao ponto em que eles se sintam completamente quebrantados sob o peso esmagador de seus pecados. A finalidade da lei é revelar o pecador, e não tirá-lo. Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, “a lei é como uma lanterna: mostra o obstáculo no caminho, mas não tira o obstáculo. É como uma tomografia computadorizada: mostra o tumor interno, mas não o remove. É como o prumo de um construtor civil: mostra a sinuosidade da parede, mas não a corrige. É como um espelho que revela a sujeira do nosso rosto, mas não a elimina” (Rm 3:20; Gl 3:24).

O homem justo não precisa da lei. Essa é a verdade do cristão. Quando ele é salvo pela graça de Deus, não precisa ser colocado sob a lei para viver uma vida santa. Não é o temor da punição que faz o cristão viver de maneira santificada, mas o amor pelo Salvador que morreu no Calvário.

O apóstolo Paulo descreve o tipo de pessoa para quem a lei foi concedida. Muitos comentaristas bíblicos ressaltam que há íntima ligação entre essa descrição e os Dez Mandamentos. Paulo traz aqui um catálogo com quinze pecados terríveis semelhantes aos mencionados em Romanos 1:24-32, Gálatas 5:19-21 e 2Timóteo 3:1-9. Essa lista é um desdobramento das proibições divinas contidas nas tábuas da lei. Os Dez Mandamentos estão divididos em duas seções: os quatro primeiros se referem ao dever do homem em relação a Deus (santidade), enquanto os outros seis dizem respeito ao seu dever em relação ao próximo (justiça).

 


II. A GRAÇA SUPERABUNDOU COM A FÉ E O AMOR

Paulo combate os falsos mestres que entravam sorrateiramente nas igrejas, ressaltando seu chamado para o apostolado. Os falsos mestres falavam de sua própria parte, mas Paulo ensinava da parte de Deus. Eles eram falsos obreiros; Paulo era o ministro autorizado de Deus. Destacamos aqui alguns pontos com relação ao chamado de Paulo:

1. Gratidão a Deus – “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério” (1Tm 1:12- ARA). Paulo dá graças não por aquilo que ele fez para Jesus, mas por aquilo que Jesus fez por ele. Paulo menciona aqui três bênçãos e por elas dá graças: (a) o Senhor o fortaleceu; (b) o Senhor o considerou fiel; (c) o Senhor o designou para o ministério. Paulo reconhece que “[...] a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e o amor que há em Jesus Cristo” (1Tm 1:14).

2. O testemunho da conversão – “a mim, que, noutro tempo, era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade. Transbordou, porém, a graça de nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus(1Tm 1:13,14).

Paulo faz uma digressão para registrar seu passado inglório como implacável perseguidor da igreja. Aqui, Paulo usa três palavras para descrever a si mesmo nesse período de incredulidade. A primeira palavra é “blasfemo”. Ele falava mal dos cristãos e de seu Senhor, Jesus Cristo. A segunda palavra é “perseguidor”. Ele prendeu os cristãos, açoitou-os, forçou-os a blasfemar e deu voto para mata-los ao perceber que a religião do Caminho era uma ameaça ao judaísmo (cf. At 8:3; 9:1; 9:21; 22:4; 26:9,10,11,14). A terceira palavra é “insolente”. Para levar a cabo seu plano opressor, ele sentia um prazer mórbido em afligir de forma violenta os cristãos. Como blasfemo, afligiu os cristãos apenas com palavras insultuosas. Como perseguidor, infligiu sofrimento físico. Como insolente, atacou os cristãos com crueldade e abuso.

 Para com esse homem bárbaro a graça de Deus superabundou (1Tm 1:14). Ele foi plenamente alcançado pela misericórdia. A graça transbordou sobre ele como um rio numa enchente: que não pode ser detido, que extravasa pelas margens e carrega tudo o que vê pela frente, que nada existe que lhe possa resistir. Mas o que o rio da graça trouxe consigo, entretanto, não foi uma devastação; foram bênçãos.

3. Humildade – “Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal(1Tm 1:15).

O Espírito Santo leva Paulo a uma posição em que ele admite ser o principal dos pecadores, ou como alguns traduzem: o principal entre os pecadores”. Se ele não era o líder dos pecadores, certamente estava na primeira fila. Perceba que o título “principal entre os pecadores” não é dado a um homem imerso na idolatria ou na imoralidade, mas a um homem profundamente religioso, criado em um lar judeu ortodoxo. O pecado dele era doutrinal; não aceitou a palavra de Deus em relação à pessoa e à obra do Senhor Jesus Cristo. A rejeição do Filho de Deus é o maior dos pecados.

Deve-se notar também que ele diz: “dos quais eu sou o principal” – não “era”, mas sou. Os homens mais santificados são normalmente os mais conscientes dos próprios pecados. Em 1Corintios 15:9, Paulo se autodenomina “o menor dos apóstolos”. Em Efésios 3:8, ele se intitula “o mínimo de todos os santos”. Agora em 1Timóteo 1:15, ele se denomina “o principal” dos “pecadores”. Aqui temos uma síntese do progresso de Paulo na humildade cristã.

III. UM CONVITE A COMBATER O BOM COMBATE (1Tm 1:18-20)

Paulo tratou até aqui sobre os falsos mestres que pregavam um falso evangelho; falou sobre sua conversão e seu apostolado para proclamar o verdadeiro evangelho. Agora cabe a Timóteo realizar o ministério. Timóteo permaneceu em Éfeso para pastorear a igreja e combater os falsos mestres.

Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem”.

1. O bom combate. “Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto: combate, firmado nelas, o bom combate” (1:18). O dever mencionado neste versículo é, sem dúvida, a missão que Paulo confiou a Timóteo nos versículos 3 e 4: repreender os falsos mestres.

A vida cristã é um combate, uma guerra sem trégua, uma luta sem pausa. Não podemos, porém, entrar nessa peleja trajando armas carnais. Precisamos usar armas poderosas em Deus para anular sofismas e destruir fortalezas. As armas de combate na luta contra a heresia são a fé e a boa consciência. Quem não sabe preservar o que lhe foi confiado também não é capaz de conquistar algo novo. Quem não preserva a boa consciência é como um capitão que solta o leme do navio, passando a vagar sem rumo pelas ondas até que o navio se despedace em rochedos.

2. O combate às falsas doutrinas exige cautela – mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (1:19).

Neste combate, Timóteo deveria conservar a fé e a boa consciência. Não é suficiente ser diligente na doutrina da fé cristã. Pode-se ser muito ortodoxo e ainda não ter boa consciência.

A fé e a boa consciência são como uma armadura para os cristãos. Elas nos impedem de ceder às tentações e de cair em caminhos espiritualmente e moralmente enfraquecedores. Rejeitar a fé e recusar-se a ouvir a própria consciência resultará em um naufrágio na fé. Esta ação deliberada reflete heresia, e não apenas um retrocesso. Conforme diz Calvino, a má consciência é a mãe de todas as heresias. Alguns contemporâneos de Paulo renunciaram à boa consciência e naufragaram na fé. Geralmente são comparados ao todo navegador que joga a bússola fora.

Segundo o rev. Hernandes Dias Lopes, “a consciência é a intuição moral do homem, seu ser moral no ato de julgar seu próprio estado, suas emoções e pensamentos, e também suas palavras e ações, sejam estas passadas, presentes ou futuras. Ela é positiva ou negativa: aprova e condena (Rm 2:14,15). A boa consciência é a voz interior do homem no ato de repetir a voz de Deus, seu juízo pessoal que apoia o juízo de Deus, seu espírito que dá testemunho juntamente com o Espírito de Deus. O aspecto positivo de uma boa consciência é a fé, porque uma boa consciência não somente aborrece o mal, mas também adota o que é certo. Por isso, essa fé é verdadeira e genuína” (Hernandes Dias Lopes. 1Timoteo. p.40/41).

3. A rejeição da fé e suas consequências – “E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem(1Tm 1:20).

Quem rejeita a fé e a boa consciência cristã colhe os resultados de sua má escolha. O resultado é o “naufrágio na fé” (1Tm 1:19). Paulo toma como exemplo Himeneu e Alexandre. Aparentemente, estes dois homens tinham sido membros da igreja (porque Paulo os tinha expulsado da igreja). Não sabemos quem foi Alexandre – ele pode ter sido um colega de Himeneu, ou o latoeiro mencionado em 2Timóteo 4:14 que magoou Paulo. Mas ele não é o Alexandre mencionado na revolta em Éfeso (At 19:33). O erro de Himeneu está explicado em 2Timóteo 2:17,18. Ele enfraquecia a fé das pessoas, ensinando que a ressurreição dos mortos já tinha ocorrido. Estes dois apóstatas estavam à frente do movimento herético, surgido no seio da igreja de Éfeso, com o objetivo de promover dissensão e divisão naquela igreja. 

A expressão entreguei a Satanás significa que Paulo removeu estes dois homens da comunhão da igreja e os devolveu ao mundo – o domínio de Satanás. Paulo fez isto para que eles pudessem ver o seu erro e se arrependessem. O objetivo final desta punição era a correção, para que estes homens “aprendessem a não blasfemar” contra Deus.

Uma das marcas da igreja verdadeira é o uso correto da disciplina. O juízo precisa começar pela Casa de Deus. Se a igreja não julgar a si mesma, será condenada com o mundo. Mas, quando julga a si mesma, é disciplinada pelo Senhor.

A igreja em nossos dias mostra-se frequentemente frouxa quando se trata de disciplinar os cristãos que pecam deliberadamente. A desobediência deliberada deve receber uma resposta rápida e firme, para evitar que toda a congregação seja afetada. Mas a disciplina deve ser ministrada de uma maneira que vise trazer o transgressor de volta a Cristo e ao abraço amoroso da igreja.

A definição de disciplina inclui as seguintes palavras: fortalecimento, purificação, treinamento, correção e aperfeiçoamento. Condenação, retenção de perdão ou exílio permanente não devem fazer parte da disciplina de uma igreja. A pessoa disciplinada deve ser salva da perdição definitiva e reconduzida à vida cristã saudável.

 

CONCLUSÃO

“O cristianismo não nasceu em “berço esplêndido” de condições favoráveis à sua expansão pelo mundo. Pelo contrário. Nasceu debaixo de perseguição e confronto com heresias e ensinos desvirtuados. Na consolidação de igrejas abertas em suas viagens missionárias, Paulo teve que oferecer resistência e ação decidida contra os “lobos vorazes” que haveriam de surgir, até mesmo no seio das igrejas, como no caso da igreja de Éfeso. Com a graça de Deus e o apoio de homens fiéis, como Timóteo e Tito, o apóstolo fez frente aos falsos mestres que se levantaram para prejudicar o trabalho iniciado e desenvolvido em muitas igrejas. Na primeira epístola a Timóteo, Paulo designou o jovem obreiro para pastorear a igreja em Éfeso, para conter a maré de heresias diversas, dentre as quais o gnosticismo e o judaísmo. Atualmente, há muitas heresias infiltrando-se nas igrejas, ou surgindo no seio delas. Os líderes do povo de Deus precisam agir com sabedoria, graça e firmeza contra essas ameaças reais” (Elinaldo Renovato de Lima. As ordenanças de cristo nas cartas pastorais. CPAD).

 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO ISRAEL X EDOM

 

 

 O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO ISRAEL X EDOM

Texto Bíblico: Obadias 1:1-4,15-18

“Porque o dia do SENHOR está perto, sobre todas as nações; como tu fizeste, assim se dará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça” (Ob 15)

O livro de Obadias é o mais curto do Antigo Testamento, contendo apenas 21 versículos, mas apresenta uma das lições mais contundentes sobre a justiça divina e o princípio da retribuição.

Para compreender essa mensagem, precisamos analisar o contexto histórico e a teologia por trás das palavras do profeta.

O Contexto Histórico: Edom e Israel

O livro é um oráculo contra Edom, nação descendente de Esaú (irmão de Jacó). Ao longo da história, Edom manteve uma relação de inimizade persistente com Israel, descendente de Jacó.

O ponto de ruptura ocorre quando Judá é invadido e Jerusalém é destruída pelos babilônios. Edom não apenas se recusou a ajudar seus "irmãos", mas:

  1. Observou com prazer a destruição de Jerusalém (v. 12).
  2. Participou da pilhagem das riquezas de Judá (v. 13).
  3. Capturou e entregou os refugiados que tentavam escapar (v. 14).

O Princípio da Retribuição em Obadias

A teologia de Obadias é definida pelo princípio bíblico da Lei da Semeadura e Colheita (lex talionis), frequentemente encontrada na literatura profética (como em Jeremias 50:15 ou Gálatas 6:7).

O versículo central que resume esse princípio é:

"Como tu fizeste, assim se fará contigo; o teu ato voltará sobre a tua própria cabeça." (Obadias 1:15)

Este versículo estabelece três pilares da retribuição divina em Obadias:

  • A Identidade da Ação: A punição não é aleatória; ela espelha o crime. Edom se orgulhava de sua segurança nas rochas (v. 3), mas seria humilhado. Edom entregou refugiados, logo, Edom não teria refúgio.
  • A Justiça Inevitável: O orgulho de Edom (v. 3) os convencia de que eram intocáveis. Obadias contrasta esse orgulho humano com a soberania de Deus: a soberania divina não ignora a maldade, nem a omissão diante do sofrimento alheio.
  • O Dia do Senhor: O "Dia do Senhor" (v. 15) é o momento em que a história atinge seu clímax judicial. Para Edom, esse dia significa a queda; para Israel, a esperança de restauração e soberania (v. 17-21).

Lições Práticas e Teológicas

  1. A Omissão é uma forma de Ação: Edom foi condenado não apenas pelo que fez, mas por ter ficado "como um deles" (v. 11), assistindo à desgraça do irmão sem intervir. A Bíblia ensina que a indiferença diante da injustiça é, aos olhos de Deus, cumplicidade.
  2. O Orgulho como Queda: O livro começa tratando da autoconfiança excessiva de Edom ("O orgulho do teu coração te enganou"). O princípio da retribuição frequentemente atua para derrubar aqueles que, em seu orgulho, sentem-se acima do julgamento moral.
  3. Justiça Final: Obadias garante que, embora o mal pareça triunfar temporariamente, a justiça de Deus é um balanço que sempre se equilibra. A retribuição não é vingança humana, mas o estabelecimento da ordem de Deus na terra ("O reino será do Senhor", v. 21).

Em suma, Obadias é um lembrete severo de que a nossa postura diante do sofrimento alheio e a nossa conduta moral não são ignoradas pelo Criador. O princípio da retribuição aqui atua como um espelho: o destino final daquele que trata o próximo com crueldade é, inevitavelmente, encontrar a mesma medida aplicada a si mesmo.

INTRODUÇÃO

Obadias, o livro mais curto do Antigo Testamento, representa um dramático exemplo da resposta de Deus a qualquer um que maltrate seus filhos. Deus retribui as ações arrogantes do homem no devido tempo.

Edom era uma nação montanhosa que ocupava uma região a sudoeste do mar Morto. Como descendentes de Esaú (Gn 25:19-27:45), os edomitas tinham um parentesco de sangue com Israel e eram guerreiros robustos, impetuosos e orgulhosos. Pertenciam a uma nação que, por estar no alto da montanha, parecia ser invencível. De todos os povos, deveriam ser os primeiros a se apressar para ajudar seus irmãos do Norte, Israel. Entretanto, ao contrário, apreciavam com maligna satisfação os problemas de Israel, capturavam e devolviam os fugitivos ao inimigo e até saqueavam os seus campos. Por causa de sua indiferença em relação a Deus, por terem-no desafiado, e também pelo orgulho, covardia e traição aos seus irmãos de Judá, os edomitas foram condenados e destruídos - é o princípio da retribuição.

Quando a Igreja sofre nas mãos dos inimigos de Deus, ela precisa voltar-se para a profecia de Obadias e renovar a sua fé no Deus justo ali revelado. Ele se preocupa com o seu povo perseguido e, por trás das circunstâncias presentes, sempre trabalha por ele.

 

I.                 A SOBERANIA DE DEUS

1. Conceito. A declaração mais comum citada nas Igrejas é: “Deus é soberano”. Mas qual o conceito bíblico de soberania? Sendo um dos seus atributos (aquilo que lhe é próprio, qualidade), a soberania de Deus é uma autoridade inquestionável que o Senhor detém sobre o Universo, pelo fato óbvio de que Ele é o Criador e Governador de todas as coisas (Is 44:6;45:6; 46:10; Ap 11:17).

Deus é onipotente, onipresente e onisciente, e, em virtude destes atributos, é soberano, visto que tem todo o poder, está presente em todos os lugares ao mesmo tempo e sabe de todas as coisas. Sem tais atributos, com os quais se relaciona com o mundo, não poderia ser soberano, não teria a autoridade suprema sobre tudo e sobre todos.

Deus, na sua soberania, havia determinado que o filho mais velho de Isaque serviria ao mais moço (Gn 25:23). A linhagem do Messias passaria por Jacó, e não por Esaú. A escolha divina não se baseava em mérito, porque os dois ainda não eram nascidos quando Deus fez sua escolha (Rm 9:11-13). A eleição divina é baseada totalmente na graça e não em merecimentos. Isaque, tolamente, tentou alterar o desígnio de Deus, endereçando a bênção a Esaú (Gn 27:1-4), e Rebeca, por outro lado, tentou manipular as coisas de forma pecaminosa para ajudar na consecução do propósito divino (Gn 27:5-17). Não podemos insurgir-nos contra os propósitos soberanos de Deus, nem precisamos ajudar o Senhor. Ele é poderoso para fazer cumprir seus planos eternos (Jó 42:2). Tanto Isaque quanto Rebeca erraram em suas atitudes. Ambos deixaram de confiar em Deus e de descansar na sua sábia providência. Todas as vezes que tentamos tomar os rumos da vida em nossas próprias mãos, descrendo da Providência, atropelamos as coisas, causamos muitos males a nós mesmos e provocamos nos outros grandes sofrimentos.

2. Livre arbítrio. A soberania de Deus permitiu que o ser humano fosse criado com um atributo, o livre-arbítrio, que é a faculdade mediante a qual o homem é dotado de poder para agir sem coações externas, e de acordo com sua própria vontade ou escolha. Como um livre agente, o ser humano tem a capacidade e a liberdade de escolha, inclusive a de desobedecer a Deus (Dt 30:11-20 e Js 24:15). Isso, por si só, é suficiente para que ele seja responsável pelas consequências de seus atos.

O Senhor não quis criar seres autômatos, verdadeiros “robôs”, mas, na sua soberania, quis que fossem criados seres que, assim como Ele, pudessem saber o que é o bem e o que é o mal, e, portanto, tivessem liberdade para escolher fazer o bem, seguindo, assim, as determinações divinas, ou de fazer o mal, ou seja, escolherem ter uma vida em que estivessem distantes de Deus. Essa liberdade de escolha aparece já nos primórdios de Gênesis, na aurora da raça humana, quando o primeiro casal dá ouvidos à serpente e comete por sua livre vontade a primeira transgressão contra Deus (Gn 3:1-13).

Ao indicar ao homem que ele tinha liberdade, o texto sagrado diz-nos que o Senhor “ordenou” ao homem” (Gn 2:16), numa clara demonstração que o fato de o homem poder comer livremente das árvores do jardim era resultado da soberania divina, não demonstração de sua fraqueza. Se o homem optasse por comer da árvore da ciência do bem e do mal, como acabou optando, nem por isso Deus deixaria de ser soberano. Tanto assim é que, no dia da queda, Deus não só compareceu na viração do dia para ter um relacionamento com o homem, como também lhes aplicou as penalidades que já haviam antes sido prescritas (Gn 2:16,17). Aliás, está prontidão em fazer justiça é uma das características da sua soberania.

Portanto, quando o homem peca, afastando-se de Deus (é o homem que se afasta de Deus, não o contrário, como podemos ver claramente em Gn 3:8 e em Tg 4:8), usa da liberdade que o Senhor lhe dá, mas Deus, em momento algum, se ausenta do mundo ou se distancia do homem para que este possa “respirar liberdade”, como defende a falaciosa “teologia relacional” ou “teísmo aberto” (um dos pontos principais dessa falsa teologia é que ‘Deus não é soberano’), porque a liberdade que Deus dá ao homem não implica em ausência nem afastamento de Deus, até porque Deus é onipresente, tem de estar presente em todos os lugares, em todo o tempo; caso contrário, não seria Deus. Portanto, o livre arbítrio não nega a soberania de Deus; pelo contrário, a confirma.

 

II. O LIVRO DE OBADIAS

Obadias é o menor livro do Antigo Testamento, com apenas vinte e um versículos. O fato de Obadias ser o menor não significa que ele é menos importante. Há lições grandiosas contidas neste livro que precisam ser exploradas. Há alertas solenes que precisam ser ouvidos. Há juízos severos que precisam ser evitados. O livro de Obadias tem uma mensagem urgente, oportuna e necessária para a família, a igreja e as nações. Este livro, mais do que qualquer outro, mostra os frutos amargos dos erros cometidos no passado por uma família piedosa.

1. Contexto histórico. Para que possamos entender o livro de Obadias, precisamos entender o contexto em que o profeta está inserido. Séculos antes de Obadias, Jacó e Esaú, os dois filhos de Isaque, tiveram descendentes que, séculos mais tarde, formaram as nações de Judá e Edom. As relações entre estas duas nações foram marcadas pela hostilidade através do período do Antigo Testamento. O rancor começou quando os dois irmãos gêmeos Esaú e Jacó se dividiram em disputa (cf Gn 27:32–33). Os descendentes de Esaú, consequentemente, se estabeleceram numa área chamada Edom, situada ao sul do mar Morto, enquanto os descendentes de Jacó destinaram-se à terra prometida, Canaã, e se tornaram o povo de Israel. Com o passar dos anos numerosos conflitos se desenvolveram entre os edomitas e os israelitas. Essa amarga rivalidade forma o fundo histórico da profecia de Obadias. Ao longo do período de cerca de 20 anos (605-586 a.C.), os babilônios invadiram a terra de Israel e fizeram repetidos ataques à Jerusalém, a qual foi finalmente devastada em 586 a.C. Os edomitas viram essas incursões como uma oportunidade para eliminar sua amarga sede contra Israel. Então, os edomitas juntaram-se aos babilônios contra seus parentes e ajudaram a profanar a terra de Israel.

Não podemos deixar de crer que Deus, por meio desses acontecimentos, estava julgando seu próprio povo, pois Judá havia sido advertido por Deus acerca de seus pecados. Mas que Ele também iria julgar aqueles que estavam atacando seu povo. Não muito depois desse evento, Deus julgou os edomitas; cinco anos depois de Nabucodonosor ter atacado Jerusalém, ele também expulsou os edomitas de suas terras.

Nos tempos de Cristo, os descendentes dos edomitas foram os da casa de Herodes, chamados de idumeus. Eles mostraram seu desprezo pelos judeus quando os governaram, autorizados pelos romanos, e também pretenderam acabar com o plano da salvação quando Herodes intentou matar o menino Jesus.

Os últimos conflitos entre edomitas e israelitas, entre Esaú e Jacó, estão nas páginas do Novo Testamento. O primeiro é entre Herodes, o Grande, e Jesus (Mt 2:16). Vem a seguir o conflito entre Herodes Antipas e João Batista (Lc 3:19). Herodes Agripa I perseguiu a igreja (At 12:1), e Atos 26 nos mostra o encontro entre Herodes Agripa II e o apóstolo Paulo. No ano 70 d.C., Jerusalém foi destruída pelos romanos; à sua frente estavam membros da família herodiana (edomita). Os judeus foram dispersos e os edomitas acabaram liquidados pelos romanos. Desapareceram para sempre, cumprindo-se o que disse Obadias: "Ninguém mais restará da casa de Esaú" (Ob 18). Os edomitas nunca mais se reergueram, mas os judeus se reagruparam como um Estado, novamente, em 1948.

Este relato é um tipo da vitória da igreja de Deus contra seus inimigos. Hoje, os inimigos fazem aliança para perseguir a igreja, mas no Dia do Senhor, a Igreja, a Noiva do Cordeiro, triunfará sobre todos os seus inimigos. Todos os inimigos de Deus terminam seus dias da mesma maneira: julgados e aniquilados.

O Dia do Senhor virá sobre os ímpios. Não importa quão grande seja seu poder. Eles terão de beber o cálice da ira de Deus. Serão julgados e condenados. Diz o profeta Isaías: "O forte se tornará em estopa, e a sua obra em faísca; ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague" (Is 1:31).

2. Estrutura e mensagem.

a) Estrutura. Obadias começa com um título que identifica a profecia como “visão de Obadias” e que atribui o pronunciamento do Senhor Jeová (v.1). O livro possui duas seções principais:

·   Na primeira seção (vv. 1-14), Deus expressa, através do profeta, sua ardente ira contra Edom, e exige deste uma prestação de contas por sua soberba originada de sua segurança geográfica, e por ter-se regozijado com a derrota de Judá. O juízo divino vem sobre eles. Da sua posição de soberba e falsa segurança, Deus irá derribá-lo (vv 2-4). A terra e o povo serão saqueados e espoliados (vv 5-9). Por quê? Por causa da violência que Edom praticou contra seu irmão Jacó (v.10), porque Edom se regozijou com o sofrimento de Israel e juntou-se com seus atacantes para roubar e violar Jerusalém no dia da sua calamidade (vv 11-13) e porque os edomitas impediram a fuga do povo de Judá e os entregou aos invasores (v.14).

·   A segunda seção (vv. 15-21) refere-se ao Dia do Senhor, quando Edom será destruído juntamente com todos os inimigos de Deus, ao passo que o povo escolhido será salvo, e seu reino triunfará. Apesar do julgamento pelo qual Israel passou, Obadias deixou claro que a nação se ergueria novamente, e que possuiria a terra dos filisteus e dos edomitas, e que iria se alegrar com o reino do Messias (vv 19-21).

b) Mensagem. A mensagem de Obadias é um brado de Deus às nações, às instituições humanas, às igrejas, alertando a todos nós que Deus resiste ao soberbo, e o mal que praticamos contra os outros cairá sobre nossa própria cabeça.

O núcleo da profecia de Obadias é dirigido aos edomitas, por estarem sob o juízo de Deus em virtude da crueldade para com Israel nos dias do seu sofrimento (v.10). Os crimes de Edom são citados na ordem de progressão do seu horror (vv. 11-14): o Senhor não permitirá que fique sem castigo o que Edom fez. O que os edomitas fizeram vai cair sobre as suas próprias cabeças. No entanto, Obadias progride do geral para o particular, do juízo de Deus sobre Edom para o “dia do Senhor”, que vai significar o seu juízo sobre todas as nações, inclusive Israel, e o estabelecimento do reino de Deus.

Os reinos do mundo têm os pés de barro; um Dia eles se tornarão pó, mas o Reino de Deus se erguerá invencível, vitorioso e eterno. Edom caiu, a Babilônia caiu, o império medo-persa caiu, o império grego caiu, o império romano caiu, e todos os demais impérios caíram ou ainda cairão, mas o Reino será do Senhor (Ob 21). O Reino de Deus sobrepuja todos os reinos deste mundo. “Ele cobrirá toda a terra como as águas cobrem o mar” (Hc 2:14). O Reino será do Senhor e do seu Cristo eternamente. Escreveu João: "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos" (Ap 11:15).

3. Posição no Cânon. Obadias não declara quando entregou sua severa denúncia profética. Datar o escrito, que é o livro mais curto do Antigo Testamento, é um problema. Talvez a chave se encontre no versículo 11, mas os estudiosos discordam entre si quanto a que evento específico na história de Jerusalém se refira a profecia de Obadias. É provável que tenha entregado sua mensagem logo em seguida à queda de Jerusalém diante de Nabucodonosor, em 586 a.C. Caso prevaleça esta posição, então a colocação de Obadias entre Amós e Jonas não está baseada na cronologia.

Embora o Novo Testamento não se refira diretamente a Obadias, a inimizade tradicional entre Esaú e Jacó, que subjaz a este livro, também é mencionada no Novo Testamento. Paulo refere-se à inimizade entre Esaú e Jacó em Rm 9:10-13, mas passa a lembrar da mensagem de esperança de que Deus nos dá: todos os que se arrependerem de seus pecados, tanto judeus quanto gentios, e invocarem o nome do Senhor, serão salvos (Rm 10:9-13).

III. EDOM, O PROFANO

1. Origem. Os edomitas eram os descendentes de Esaú, e Judá era a descendência de Jacó. Esaú e Jacó eram irmãos gêmeos, portanto essas duas nações nasceram do mesmo ventre (o ventre de Rebeca, esposa de Isaque). Eram nações gêmeas. Porém, a inabilidade de Isaque e Rebeca acabou provocando ciúmes nos filhos e abrindo uma brecha para o ódio, que não cessou de arder por cerca de dois mil anos.

Tudo começou com um erro de Isaque e Rebeca, pais de Esaú e Jacó. Esses pais cometeram o grave erro de ter preferências por um filho em detrimento do outro. Isaque amava mais a Esaú, e Rebeca tinha predileção por Jacó (Gn 25:28). Essa falta de sabedoria dos pais plantou no coração dos filhos a semente maldita da inimizade, do ódio e da competição. Esse ódio trouxe profundas feridas na vida dos pais, separou os irmãos e atravessou as gerações, desembocando agora em uma atitude irracional de maldade dos edomitas, ao associar-se com os invasores que arrasaram os seus irmãos judaítas. Essa atitude perversa e cruel dos edomitas unindo-se aos caldeus para oprimir, escravizar e matar os judeus foi a gota que transbordou do cálice, trazendo o juízo peremptório de Deus aos edomitas (Ob 10; Ml 1:2-5).

Esaú tornou-se um jovem profano e rejeitou sua herança por um prato de lentilhas (Gn 25:30; Hb 12:16). Alguém disse que essa refeição foi a mais cara da história, jamais alguém pagou um preço tão alto por uma sopa. Esaú demonstrou seu desprezo pelas coisas espirituais. Por ser um homem profano, era materialista. Os valores espirituais não tinham importância para ele. Essa mesma atitude é seguida pelos seus descendentes. Eles se tornaram profanos e materialistas. Embora tivessem divindades, foram essencialmente irreligiosos, vivendo para comer, saquear e vingar-se.

2. O orgulho leva à ruína. Obadias descreve Edom como um povo orgulhoso (Ob 3). Edom habitava no monte Seir, uma cordilheira de montanhas rochosas. Ali estava a capital Petra, a inexpugnável cidade edomita. Do alto de suas rochas escarpadas, os edomitas se vangloriavam de colocar o seu ninho entre as estrelas (Ob 4). Jamais aquela fortaleza havia sido saqueada. Eles se sentiam seguros, blindados por uma fortaleza natural. Mas Deus diz por meio do profeta Obadias que, ainda que eles colocassem o seu ninho entre as estrelas, de lá seriam derrubados. A soberba é a sala de espera do fracasso. Onde o orgulho levanta sua bandeira, a derrota fragorosa é inexoravelmente imposta.

A arrogante cidade dos edomitas foi tomada, seus bens foram saqueados, seu povo foi disperso e eles colheram exatamente o que plantaram. O mal que eles despejaram sobre a cabeça dos judeus caiu sobre a sua própria cabeça.

Assim como o povo de Edom foi destruído por causa de seu orgulho, todos os que desafiam a Deus também serão aniquilados.   PENSE NISSO!

IV. A RETRIBUIÇÃO DIVINA

1. O princípio da retribuição. Retribuição significa “pagar na mesma moeda”. Tal princípio acha-se na Lei de Moisés (Ex 21:23-25; Lv 24:16-22; Dt 19:21). Os pecados de Edom foram orgulho e crueldade. A soberba econômica e política, associada a uma posição geográfica privilegiada fez dos edomitas um povo altivo e soberbo. Alem da soberba, Edom entregou-se à crueldade, associando-se aos caldeus na matança do povo de Judá, seus parentes chegados. Essa atitude abriu feridas no coração de seus irmãos e também atingiu o coração de Deus. A retribuição divina não se fez esperar. O mal que Edom fez a Judá caiu sobre a sua própria cabeça.

A vida é uma semeadura. Colhemos o que plantamos. Aqueles que plantam o mal colhem o mal. Aqueles que semeiam vento colhem tempestade. Aqueles que semeiam na carne, da carne colhem corrupção. Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. Querer fazer o mal e receber o bem é zombar de Deus, e de Deus ninguém zomba (Gl 6:7).

2. O castigo de Edom. O castigo de Edom foi profetizado por Obadias de forma segura: "... porque o SENHOR o falou" (Ob 18). Essa expressão é como a assinatura do Eterno, que afirma a verdade da profecia. Uma vez que Jeová falou, essas declarações têm autoridade e são seguras.

Edom não agiu com urbanidade nem com fraternidade em relação aos judaítas. Eles olhavam para os judaítas como inimigos. Não defenderam seus irmãos nem choraram pela tragédia que sobre eles se abateu. Antes, vibraram com sua ruína e participaram de sua pilhagem. Esse gesto não apenas fez amargar a vida dos judaítas, mas provocou a ira de Deus. Foi a quebra desse princípio do amor fraternal que levou Edom à sua derrota final e definitiva.

A derrota de Edom não procede de homens, mas de Deus. Sua sentença de morte não foi lavrada num tribunal da terra, mas no tribunal do céu. A inescapabilidade de sua derrota não se deve ao juízo dos homens, mas à sentença de Deus: "... porque o SENHOR o falou" (Ob 18). A sentença de Deus é irrevogável e inapelável. Não há um tribunal superior a quem recorrer. O tribunal de Deus é a última instância, e sua sentença é definitiva e final. Insurgir-se contra Deus e contra seu povo é marchar rumo a uma derrota inevitável, implacável e irreversível.

O rev. Hernandes Dias Lopes, citando Clyde Francisco, diz que, em 312 a.C, os árabes nabateus expulsaram os edomitas do seu reduto próximo ao mar Vermelho, capturando a capital dos idumeus, Sela, e rebatizando-a como Petra. Segundo a profecia de Obadias, os seus descendentes vieram a se estabelecer no Neguebe e, por meio de casamentos com outros povos, tornaram-se os idumeus do Novo Testamento. Herodes, o Grande, veio desta linhagem, de modo que nela e em Jesus podemos ver, por outro ângulo, a luta e o contraste entre edomitas e israelitas. Em 70 d.C, Tito destruiu tanto os idumeus (edomitas) como os israelitas, fazendo os primeiros desaparecer definitivamente da história.

3. A história está rigorosamente nas mãos de Deus. Os edomitas pensaram que estavam ajudando a colocar uma pá de cal sobre Judá. Eles pensaram que a Babilônia estava no controle da situação e que eles eram seus coadjuvantes na empreitada de destruir Jerusalém. Mas as rédeas da história não estão nas mãos dos poderosos deste mundo. Quem está assentado na sala de comando do Universo é o Deus Todo-poderoso. É Deus quem conduz a história para o seu fim glorioso, quando seu povo será exaltado e glorificado.


CONCLUSÃO

Deus julgará e punirá com rigor a todos os que maltratarem seu povo. Podemos confiar em sua vitória final. Ele é nosso Defensor e podemos ter a certeza de que Ele fará com que a verdadeira justiça prevaleça. Todos os que são orgulhosos um dia ficarão perplexos ao descobrirem que ninguém está isento da justiça divina.

A mensagem de Obadias culminará no dia em que o Messias voltar, de uma vez por todas, para reunir seu próprio povo dentre todas as gentes e para reinar sobre ele por mil anos, e após, nos novos céus e nova terra, em seu reino eterno. Amém!

 

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