JESUS CRISTO, CRUCIFICADO
1.
O Cristo Crucificado: A Identificação com a Dor
A
crucificação representa o ápice da solidariedade divina. Ao sofrer a morte na
cruz, Jesus não apenas cumpre um propósito sacrificial, mas se identifica com o
sofrimento humano em sua forma mais crua.
- O
"Preço" da Redenção:
Teologicamente, a cruz é vista como o local onde a justiça e a
misericórdia se encontram. É o sacrifício que remove a barreira entre a
humanidade e o divino.
- A
Sabedoria da Entrega:
Como mencionado anteriormente, a cruz inverte a lógica do mundo: a vitória
é alcançada pela entrega, e a força se manifesta na vulnerabilidade.
2.
O Cristo Ressurreto: A Validação da Vitória
Se
a cruz foi o pagamento, a ressurreição é o "recibo" de que a morte
foi derrotada. Sem a ressurreição, a cruz seria apenas a execução trágica de um
homem bom.
- A
Primazia sobre a Morte:
A ressurreição de Cristo é chamada de "as primícias dos que
dormem" (1 Coríntios 15:20). Ela garante que a morte biológica não é
o ponto final, mas uma transição.
- A Nova
Criação: O Cristo
ressurreto não volta apenas à vida biológica (como Lázaro), mas inaugura
um corpo glorificado, que não está mais sujeito à decadência, ao tempo ou
ao espaço. É o início de uma nova humanidade.
3.
A União Indissolúvel
Não
se pode celebrar o Ressurreto sem as marcas dos cravos. Curiosamente, nos
relatos bíblicos, o Jesus ressurreto mantém as cicatrizes em suas mãos e lado.
Isso ensina que:
- A glória
não apaga a história de sacrifício.
- As nossas
feridas, quando entregues a um propósito maior, também podem ser
transformadas em sinais de vida.
|
Aspecto |
O Crucificado
(Sexta-feira Santa) |
O Ressurreto (Domingo
de Páscoa) |
|
Ação |
Expiação
dos pecados. |
Justificação
e Esperança. |
|
Foco |
Humildade
e Obediência. |
Poder
e Autoridade. |
|
Simbolismo |
O
Cordeiro que tira o pecado. |
O
Leão que vence a morte. |
|
Resposta
Humana |
Arrependimento
e Contrição. |
Alegria
e Missão. |
"Ele foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação." — Rom. 4:25
Texto Bíblico: 1Corintios 1:18-25; 2:1-5
“mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Co.1:23).
“O Cristo crucificado, o centro da mensagem da
cruz, é a encarnação da verdadeira sabedoria para a salvação”.
1
Coríntios 1:
18.Porque
a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus.
19.Porque
está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência
dos inteligentes.
20.Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século?
Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?
21.Visto
como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria,
aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
22.Porque
os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;
23.mas
nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura
para os gregos.
24.Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a
Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.
25.Porque
a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais
forte do que os homens.
1Corintios
2:
1.E
eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não
fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.
2.Porque
nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.
3.E
eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
4.A
minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de
sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder,
5.para
que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
INTRODUÇÃO
Neste
Estudo trataremos do conteúdo da mensagem de Paulo durante o seu ministério,
desde quando foi vocacionado por nosso Senhor Jesus Cristo. Ao direcionar a sua
1ª Epístola aos crentes de Corinto ele disse que quando fosse ter com eles,
anunciando-os o testemunho de Deus, não iria com “sublimidade de palavras ou de
sabedoria” humana” (1Co.2:1). Antes, sua atenção estaria concentrada na verdade
central do evangelho: a redenção em Cristo, o Crucificado, que é o centro da
mensagem cristã. Portanto, o conteúdo da mensagem de Paulo era: “Jesus Cristo, e este crucificado” (1Co.2:2).
“Jesus Cristo” se refere à sua Pessoa, enquanto “este crucificado” se refere à
Sua obra. A Pessoa e a obra do Senhor Jesus constituem a substância das
boas-novas cristãs. Esta mensagem era a verdadeira pregação do Evangelho que
Paulo pregava - “Porque Cristo não me enviou para
batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se
tornar vã a cruz de Cristo” (1Co.1:17).
I.
A CENTRALIDADE DA PREGAÇÃO DE PAULO
1.
O Ministério da pregação e o Cristo crucificado
Sem
dúvida, a centralidade da pregação de Paulo foi a cruz de Cristo. A cruz aponta
para a justiça e para o amor de Deus. Jesus Cristo, o Crucificado, é o centro
da mensagem de Paulo, e deve ser de todos os seguidores fiéis de Cristo.
Infelizmente,
hoje, assim como era na Igreja de Corinto, o evangelho está misturado ao
pragmatismo. Segundo Hernandes Dias Lopes, temos hoje a mistura do evangelho
com o pragmatismo. Está em voga um cristianismo de mercado. O evangelho está se
transformando num produto de lucro. As igrejas estão agindo como empresas que
fazem de tudo para agradar a freguesia. A igreja oferece o que as pessoas
querem. A verdade não é mais a referência, mas aquilo que funciona. Os púlpitos
estão oferecendo um evangelho ao gosto da freguesia, como se o evangelho fosse
um produto que se coloca na prateleira e se oferece ao freguês quando ele
deseja. A maioria dos programas evangélicos que circulam nas mídias está
perdendo a centralidade da cruz e centralizando-se no homem. Nem a pandemia do
Covid-19 mudou este pragmatismo insano. O evangelho, porém, não é
antropocêntrico, mas Cristocêntrico. Para Paulo, a centralidade da sua pregação
é o Cristo crucificado; para ele o evangelho é absolutamente cristocêntrico,
centraliza-se na morte de Cristo. A morte de Cristo não é uma doutrina
periférica do cristianismo, mas sua própria essência. A cruz de Cristo não é um
apêndice, ela é o núcleo, o centro, o eixo, e o âmago do cristianismo.
2.
A Palavra de cruz é a loucura da pregação
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas
para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co.1:18).
Na
sociedade corrupta como a de Corinto, onde se exaltava a sabedoria humana, a
oratória extraordinária e o argumento filosófico, falar em morte na cruz era
associar a tudo o que havia de mais vergonhoso e infame. Falar de salvação
somente por meio do sofrimento e da morte de um homem crucificado era um modo
garantido de despertar o mais profundo e puro desprezo.
-Para os judeus, o Cristo crucificado era “escândalo”. Eles esperavam um
líder militar que os libertaria da opressão de Roma. Em vez disso, o evangelho
lhes oferecia um Salvador que fora pregado numa uma cruz vergonhosa.
-Para os gentios, entre eles os gregos, Cristo crucificado era “loucura”.
Eles não conseguiam entender como Aquele que havia morrido em aparente fraqueza
e fracasso poderia resolver os seus problemas.
-Para os que são salvos, porém, o evangelho é “poder de Deus”. Aqueles que
ouvem a mensagem, aceitam-na pela fé e experimentam o milagre da regeneração em
sua vida.
Observe
o modo rígido com que 1Co.1:18 divide a humanidade em apenas dois grupos:
aqueles que se perdem e aquele que são salvos. Não há nenhuma classe
intermediária. As pessoas podem apegar-se à sabedoria humana, a ciência, a
razão, mas somente o evangelho conduz à salvação. Somente Cristo é o caminho a
verdade e a vida; ninguém vai ao Céu senão por Ele” (João 14:6).
3.
Para os judeus e gregos
Nos
dias de Paulo, nem todos acreditavam na possibilidade de que um homem
crucificado seria o Filho de Deus - para os judeus, isso era blasfêmia; para os
gregos, loucura. Entretanto, o apóstolo Paulo não deixava de falar a respeito
do Cristo crucificado tanto para os judeus quanto para os gentios. Somente em
Cristo está a verdadeira sabedoria de vida.
Por
intermédio do ministério que Paulo exercia, judeus e gregos, orgulhosos de sua
religiosidade e conhecimento, ficaram cientes de que a manifestação da
sabedoria de Deus ao mundo é o “Cristo Crucificado”. Por isso, judeus e gentios
são chamados por Deus para ver no Cristo Crucificado o único meio de salvação e
da verdadeira sabedoria (1Co.1:24). Disse o apostolo Pedro: “E em nenhum outro
há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).
II.
EXPRESSÕES – CHAVE NA DOUTRINA DE PAULO
Há
algumas expressões de grande importância no ministério de pregação do apóstolo
Paulo: “Evangelho de Cristo”, “Cristo crucificado”
e “Cristo Ressurreto”.
1. “Evangelho de Cristo”
O
apóstolo Paulo foi vocacionado para pregar o Evangelho de nosso Senhor Jesus
Cristo. Logo, não é de se admirar que ele proferiu esta expressão tantas vezes
em suas epístolas – 54 vezes, segundo afirma o pr. Elienai Cabral.
O
apóstolo Paulo afirmou: “Porque não me envergonho
do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que
crê...” (Rm.1:16). Paulo não se envergonhava de levar as boas
novas de Deus à cidade sofisticada de Roma, apesar de essa mensagem ser pedra
de tropeço para os judeus e loucura para os gregos, pois sabia que ele “é o poder de Deus para a salvação”, ou seja, diz
como Deus, por seu poder, salva os que creem em seu Filho. Esse poder é
oferecido da mesma forma a judeus e a gentios.
Sem
o Evangelho as pessoas estão perdidas, por causa de seu modo de vida iniquo,
conforme narra Rm.1:18 – “Porque do céu se
manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e perversão dos homens que detêm a
verdade em injustiça”.
Embora
não seja possível converter todas as pessoas de uma determinada cultura,
podemos fazer com que muitas pessoas sejam influenciadas pela pregação do
Evangelho. E a melhor e mais impressionante forma de pregarmos o Evangelho é
vivermos de acordo com o Evangelho; é termos uma vida sincera e irrepreensível
diante de Deus e dos homens, como Paulo assim se apresentava. O povo de Antióquia,
ao ouvir a mensagem do Evangelho, começou a chamar os discípulos de cristãos,
porque, ao compararem o modo de vida de cada crente com o que era mostrado nas
Escrituras, descobriram que os crentes daquela Igreja eram “parecidos com
Cristo”, ou seja, eram “cristãos”. Somos assim atualmente?
2.
“Cristo Crucificado”
“Cristo
Crucificado” é o tema dominante nas mensagens que Paulo pregava. Em Gálatas
3:1, ele afirma: “[...] não foi diante dos olhos de vocês que Jesus Cristo foi
exposto como crucificado?” (NAA). O evangelho centraliza-se na morte de Cristo.
A morte substitutiva de Cristo na cruz é o ponto central e culminante do
evangelho. Portanto, não há outro evangelho a ser pregado a não ser “Jesus
Cristo, e este crucificado” (1Co.2:2).
Observe
que Paulo não apresentou Jesus como um ilustre mestre da religião, ou mesmo
como o supremo exemplo da espiritualidade. Não. Antes, Paulo pregou “Jesus Cristo, e este crucificado”; ou seja, Paulo
anunciou a morte de Cristo na cruz. Todas as vezes que a Igreja perde de vista
a centralidade da morte de Cristo, ela perde a essência do próprio evangelho. A
mesma cruz que era escândalo para os judeus e loucura para os gregos, era o conteúdo
da pregação de Paulo; ele se gloriava daquilo que os judeus e gregos se
envergonhavam. Como nós hoje estamos precisando ter este mesmo sentimento do
apostolo Paulo! Não podemos deixar de pregar o Cristo Crucificado.
3.
“Cristo Ressurreto”
Outra
expressão importante no ministério de pregação de Paulo é: “Cristo Ressurreto”.
Este é um fato bíblico e comprovadamente histórico. É o episódio que dá sentido
e significado à fé cristã. Sem ela, como disse o apóstolo Paulo, o cristianismo
não teria razão de ser (1Co.15:14). Ela é o fato que distingue o Cristianismo
de toda e qualquer outra religião, é a verdade que demonstra que Jesus é o
Salvador do mundo, a Verdade e a Vida.
O
primeiro argumento para fundamentar a doutrina do Cristo ressuscitado tem sua
base na Palavra de Deus; depois temos as provas factuais, pois a ressurreição
de Jesus é um fato incontestável. A Bíblia afirma que Jesus "... se apresentou vivo, com muitas e infalíveis
provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias" (At.1:3).
A expressão "infalíveis provas” refere-se à prova baseada em fatos que,
por si só, suscitam credibilidade. Essas provas infalíveis e incontestáveis
jamais puderam ser refutadas. As autoridades religiosas de Jerusalém lutaram
muito para neutralizá-las, mas não o conseguiram (Mt.28.11-15).
O
apostolo Paulo testemunhou a aparição do Senhor ressuscitado, conforme ele
mesmo testifica (1Co.15:8) – “e, por derradeiro de
todos, me apareceu também a mim, como a um abortivo”. Após ter um
encontro pessoal com Jesus ressurreto, Paulo não pôde negar a realidade da
ressurreição de Cristo, e passou a pregá-la (1Co.15:1-4), mesmo que isto
representasse o escárnio dos intelectuais de seu tempo (At.17:32). Como
entender que alguém tão letrado e versado tanto na lei judaica, quanto na
filosofia grega ou no direito romano, renegasse todo o seu conhecimento e o
saber que tinha em nome de uma “ilusão”, de uma “alucinação”, “alucinação” que
o levaria a enfrentar morte e perseguição? Não há como se justificar tal fato
senão pela circunstância de que a ressurreição é uma realidade que gera fé e
esperança por meio de Jesus, que dá sentido à vida espiritual.
A
ressurreição de Jesus é o fundamento da nossa fé, é o motivo da esperança que
faz com que o crente não se desespere ao ver a partida de um irmão em Cristo.
Assim como Jesus ressuscitou, também os crentes que morrerem antes da volta do
Senhor ressuscitarão (1Co.15:51-54). Esta é a mais sublime esperança do crente
em Cristo Jesus.
III.
OS EFEITOS DA MENSAGEM DA CRUZ
“Os
efeitos da mensagem da cruz se revelam por meio de uma vida no poder de Deus,
de humildade e dependência do Espírito Santo”.
1.
Uma vida no poder de Deus
“Porque a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem;
mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co.1:18).
A
mensagem da cruz era de crucial importância para Paulo. Ele nos diz que esta
mensagem é a verdadeira pregação do Evangelho. Esta mensagem é a maneira como o
poder de Deus se manifesta – “a palavra da cruz [...] para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus” (1Co.1:18). Ser cristão é crer e aceitar Jesus, e
este crucificado. Ser cristão é crer que Cristo morreu na cruz para salvar os
pecadores da destruição eterna. A mensagem da cruz é o poder de Deus para a
salvação do que crê.
A
pregação legitima da Palavra de Deus, seja ela falada, escrita, cantada, tocada
etc., é simples e não requer que o mensageiro seja ornado de diplomas ou de
conhecimento técnico de retórica. O Espírito Santo é o principal condutor da
mensagem ao coração do ouvinte necessitado de salvação. Veja o caso de Pedro,
logo após ser batizado no Espírito Santo na festa do Pentecostes, onde ele
apenas discursou ungido pelo Espírito Santo (At.2:14-40), e quase três mil
almas foram salvas naquele dia (At 2:41). O discurso de Pedro foi conduzido
pelo Espírito Santo ao coração daquelas pessoas, e foram salvas.
O
apóstolo Paulo, também, pregou a mensagem do Evangelho de uma maneira bem
simples e milhares de pessoas foram salvas, e muitos prodígios e maravilhas
foram realizados por intermédio dele. Isto aconteceu porque:
a)
Paulo estava na dependência total do Espírito Santo, ou seja, estava revestido de poder.
O revestimento de poder era indispensável, absolutamente necessário para que
Paulo efetuasse a missão espinhosa que lhe estava destinada. Ele mesmo afirma: "a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu
em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e
de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no
poder de Deus” (1Co.2:4,5). "Porque o nosso evangelho não foi a vós
somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita
certeza…" (1Ts.1:5a). Sem este revestimento de poder, não haveria qualquer
diferença entre a pregação efetuada e um belo exercício de retórica.
b)
Paulo tinha a convicção, a certeza de que Jesus é o Salvador. Não poderemos jamais pregar o
evangelho se não tivermos convicção, certeza de que Jesus é o Salvador. Jamais
seremos pregadores convincentes do evangelho se nós mesmos não estivermos
convencidos pelo Espírito Santo, se não tivermos convicção de que o evangelho é
o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16). É,
precisamente, por causa desta necessária convicção que o batismo no Espírito
Santo se apresenta como uma necessidade na vida do crente. Se o evangelho é
poder de Deus, é mister que experimentemos deste poder, que sintamos e sejamos
instrumentos deste poder, sem o que não poderemos ter esta convicção. Paulo
tinha esta convicção e, por isso, podia diferenciar-se dos grandes e eloquentes
oradores de seu tempo, pois a sua pregação não era mera retórica, mas
demonstração do poder de Deus (1Co.2:4-6).
2.
Uma vida de humildade
Outro
efeito da mensagem da cruz é revelado por meio da humildade. No cristão que
expressa sua fé e seu amor a Cristo, a verdadeira grandeza é vista em sincera
humildade, no desejo de servir tanto a Deus, quanto às pessoas, e na disposição
de ser considerado o menos importante no reino de Deus (Fp.2:3).
A
verdadeira grandeza não está na posição, no cargo, na liderança, no poder, na
influência, nos diplomas de nível superior, na fama, na capacidade, nas grandes
realizações, nem no sucesso. O que importa não é tanto o que fazemos para Deus,
mas o que somos em espírito interiormente diante de Deus. Como bem diz o pr.
Elienai Cabral, a mensagem da cruz nos constrange a viver a humildade.
Acerca
da humildade falou Salomão:
“Antes da ruína eleva-se o coração do homem; e
adiante da honra vai à humildade” (Pv.18:12).
Davi
disse: “Ainda que o Senhor é excelso, contudo, atenta para o
humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe” (Sl.138:6).
Paulo
exortou: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e
amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade...” (Cl.3:12).
Jesus
disse: “Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no
reino dos céus” (Mt.18:4).
Estas
e outras referências bíblicas nos lembram da importância da humildade na vida
do Servo de Deus. Portanto, para ser grande no Reino de Deus, precisa ser antes
humilde - “O Senhor eleva os humildes, e humilha os perversos até a terra”
(Sl.147:6).
3.
Uma vida na dependência do Espírito Santo
A
mensagem da cruz nos ensina a depender exclusivamente do Espírito Santo. A
pregação do Evangelho sem o auxílio do Espírito Santo não subsiste por muito
tempo numa sociedade pervertida como, por exemplo, era a de Corinto à época de
Paulo. Nossa eficácia em compartilhar o evangelho com outras pessoas não
depende de nossas habilidades, capacidade ou conhecimento. O Espírito Santo
opera poderosamente mediante a própria mensagem. Portanto, ao compartilhar as
Boas Novas com outras pessoas, devemos seguir o exemplo de Paulo e manter a
nossa mensagem simples e básica; o Espírito Santo dará poder às nossas palavras
e as usará para que o nome de Jesus seja glorificado. Paulo afirmou: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em
palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de
poder” (1Co.2:4), Todavia, é bom deixar claro que, neste texto, Paulo
não está negando a importância do estudo e da preparação para pregar. Ele,
aliás, teve uma educação completa baseada nas Escrituras Sagradas. A pregação
efetiva resulta da cuidadosa preparação e da confiança no trabalho do Espírito
Santo. Portanto, não devemos usar esta declaração de Paulo como uma desculpa
para não estudar ou não se preparar.
CONCLUSÃO
A
mensagem da cruz é a mensagem central do cristianismo e não existe cristianismo
verdadeiro sem a verdadeira compreensão da obra de Cristo na cruz. A morte de
Cristo é o ponto central da história. Para ela, todas as estradas do passado
convergem; e dela saem todas as estradas para o futuro. Somente encontramos
Jesus se pudermos vê-lo como Cristo crucificado e Ressurreto. Não podemos vê-lo
antes da cruz somente, nem depois somente. Muitos param antes da cruz; outros
tentam encontrá-lo somente como ressuscitado. Muitos evitam a cruz, e assim
fazendo rejeitam a Jesus. É bom ressaltar que não
estamos simplesmente falando do madeiro em si mesmo, mas da “cruz” de Cristo
que representa a sua obra redentora mediante sua morte substitutiva no Calvário.

